A agência espacial russa Roscosmos anunciou hoje que está a desenvolver uma tecnologia inovadora que irá permitir às sondas Soyuz chegar à Estação ESpacial Internacional em menos de um terço do tempo. Pretende-se assim optimizar o consumo de propelente, que pode ser armazenado para missões posteriores, mas também minimizar o impacto da duração da viagem para os astronautas.

Segundo as notícias dos meios de comunicação russos, os testes vão começar em breve e já em 2020, e esta inovação será implementada durante os próximos 2 a 3 anos. DE momento apenas se sabe que esta novidade tecnológica assenta na redução de órbitas que a sonda Soyuz precisa de fazer em redor da Terra antes de chegar à ISS. Lembramos que segundo o esquema actual, a aproximação à Estação Espacial Internacional pode demorar entre 6 horas a 2 dias, conforme explica o Russia Today.

Esta inovação para aumentar a eficiência da Soyuz, foi desenvolvida pelos engenheiros aerospaciais RKK Energiya. Esta empresa/corporação é a empreiteira principal do programa espacial russo desenvolvido pela Roscosmos, operando na construção de sondas espaciais, componentes para estações espaciais, e actuando também no sector da Defesa, nomeadamente através do desenvolvimento de mísseis balísticos.

A RKK Energiya, nome que recebeu em homenagem ao “Design Bureau” onde trabalhou o pai do programa espacial russo, Sergei Korolev, é também a accionista máxima do Sea Launch. Num estudo tornado público nos anos 2000, a RKK Energiya estava a empregar  na altura entre 22,000 a 30,000 empregados.

A RKK Energiya recebeu até ao momento 4 condecorações da Ordem de Lenine, uma condecoração da Ordem da Revolução de Outubro e o título de Herói da Federação Russa.

Mas importa também falar do Sea Launch, de quem a RKK Energiya é a principal accionista, e que é uma plataforma internacional de lançamento de foguetões, fundada em 1995 e com sede em Nyon, na Suíça. O Sea Launch utiliza plataformas móveis marítimas para efectuar lançamentos equatoriais para carga comercial em foguetões Zenit-3SL. Recorde-se que os lançamentos equatoriais são aqueles que, pela posição privilegiada que aproveitam em relação ao movimento de rotação da Terra, podem levar mais carga e gastam menos combustível, reduzindo assim significativamente os custos.

O Sea Launch é actualmente um consórcio de empresas de origem norueguesa, russa, ucraniana e norte-americana, sendo que apesar da RKK Energiya ser a accionista máxima, o consórcio ainda é administrado pela Boeing.

Desde 2014 a Sea Launch lançou 36 foguetes, com uma taxa de sucesso de 3 acidentes e um lançamento abortado. As cargas comerciais da Sea Launch são essencialmente satélites de comunicações destinados a órbita geo-estacionária e os seus principais clientes são a EchoStar, a DirecTV, a XM Satellite Radio, a IntelSat, e a Thuraya.

Roscosmos e a potência espacial russa

A Roscosmos foi formada em 1992 enquanto agência da Federação Russa, tendo passado a coordenar todas as actividades espaciais da ex-União Soviética. Entre as suas acções contam-se o lançamento de satélites para monitorização da Terra, os programas tripulados e todos os lançamentos de cariz militar e comunicações.

A história da União Soviética e do Espaço começa logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, com a operação para capturar os oficiais nazis ligados à concepção dos foguetes V-2. A assim a época de ouro da União Soviética no Espaço data das décadas de 1950/60, onde a actual Rússia acumulou diversos primeiros lugares como por exemplo o lançamento do Sputnik, a missão Luna (a primeira a orbitar a Lua) e a colocação do primeiro humano no Espaço, Iuri Gagarin em 12 de Abril de 1961, a bordo da Vostok 1. E ainda a primeira tripulação de três pessoas no Espaço a bordo da Voskhod 1.

A Roscosmos tem vindo a modernizar-se nos últimos anos…

Um dos pontos altos da Roscosmos enquanto sinal da sua modernização foi a abertura em 2016 de mais um grande complexo de lançamento espacial, o de Vostochny, que se pretende que venha progressivamente a substituir o Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.

Foi quase emblemático, uma vez que o antigo cosmódromo estava associado a diversos falhanços, como o do míssil R-16 que detonou em Baikonur matando cerca de 150 pessoas, ou os 4 acidentes com o foguetão N1 (concorrente do norte-americano Saturno V), que veio a falhar graças à rivalidade interna entre Sergey Korolev e Valentin Glushko (conforme explicámos neste artigo).

Também a Soyuz 1 (1967) e a Soyuz 11 (1971) foram lançadas de Baikonur e terminaram em desastre após o pouso, tendo as duas missões colhido a vida de 4 cosmonautas. Posteriormente os russos concentraram-se no desenvolvimento das estações espaciais, com os programas Salyut e Mir. Foi aliás pela Mir ter hospedado o voo espacial humano mais longo até o momento, com Valeri Polyakov em 1994, que a NASA resolveu fazer a parceria com a Roscosmos, que dura até hoje.

De facto a colaboração com a NASA remonta à década de 1970, com o Programa Apollo-Soyuz de 1975, quando uma sonda russa e uma sonda americana se encontraram no Espaço, em órbita da Terra. Mais tarde no programa Shuttle-Mir (como era chamado) os EUA transportaram vários astronautas americanos para Mir entre 1995 e 1998, tendo sido nessa altura que se estabeleceu as bases para a cooperação na Estação Espacial Internacional.

Actualmente todos os astronautas que partem para a ISS ainda o fazem a partir de Baikonur, numa situação que persiste desde 2011. Os sucessivos atrasos na finalização da sonda “Commercial Crew Program” tem levado a que os astronautas da NASA ainda tenham que comprar bilhete a bordo das sondas russas, a US $ 82 milhões o lugar… Por esta razão quase todas as tripulações de 3 pessoas que embarcam nas Soyuz, e que se dirigem à ISS (Estação ESpacial Internacional), têm normalmente russos a bordo!

Actualmente a expectativa em relação à Roscosmos têm sido as missões robóticas que têm sido lançadas, como por exemplo a do robô Skybot F-850, que assumiu os controlos da sonda Soyuz e de que já falámos aqui.

 

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