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Estamos no fim de ano e de década. Mas prometemos que este Capturas não está cheio das habituais listas do melhor e do pior, ou dos acontecimentos marcantes. Destacamos, esta semana, as mudanças trazidas pelo digital na leitura, e as ilustrações para capas de contos de Lovecraft. Descobrimos o que é o pensamento computacional, e os perigos e potenciais da Inteligência Artificial. Olhamos para a importância do humor no Estalinismo, e para as ações ambientalistas da Goldman Sachs. Para o ano, regressamos com o nosso compromisso de olhar sempre para os indícios de como o futuro se está a formar no momento contemporâneo.

Mundos da Ficção Científica

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70sscifiart:Michael Whelan’s “Lovecraft’s Nightmare” diptych: As imagens inesquecíveis da primeira edição de obras de Lovecraft que consegui apanhar. Porque houve um tempo em que não havia Internet, e tínhamos de esperar por vezes anos por livros, filmes ou músicas.

Why Authors Like Austen Became Canonical: Cheap Books: Não é particularmente novidade para bibliófilos, mas a publicação de livros a baixo custo, que quando surgiu foi criticada, provocou uma revolução de literacia. E, com isso, assegurou o não esquecimento de autores que hoje são incontornáveis.

Comic Art: 120 Years of Panels and Pages: Uma exposição na venerável biblioteca do congresso norte-americano, que nos mostra a longa história dos comics.

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magictransistor:Max Ernst, Configuration, 1974: Cruzamento improvável entre modernismo clássico e ficção científica.

The 100 Best Comics of the Decade: Uma lista discutível, como todas são, com livros que surpreendem, outros que não são assim tão bons, e a falta de outros. Mas não deixa de ser uma excelente, e extensa, lista de comics a descobrir.

Frank Frazetta’s Buck Rogers art: Frazetta não é dos nomes mais ligados à ilustração de ficção científica, mas deu uns toques, se bem que mais a puxar ao estilo da fantasia.

“Snow Crash”: Neal Stephenson’s Seminal Cyberpunk Novel Set for HBO Max Adapt Series: É, provavelmente, o melhor livro de Neal Stephenson. Não que os seguintes sejam maus, mas este foi dos poucos em que o autor não se esticou desnecessariamente e contou a história na medida certa. Os restantes são verdadeiros matacões multi-volumes. Não é piada: olhem para a genial, mas destruidora de pulsos, série que começou com Cryptonomicon e tem a mais recente iteração com Fall, Or Dodge In Hell. Adaptar um livro tão intenso de ideias como Snow Crash para televisão pode resultar muito bem, tal como Altered Carbon o foi, ou correr muito mal. Worst case scenario será ser algo similar à muito badalada e incrívelmente boring adaptação de Childhood’s End de Arthur C. Clarke pelo SyFy. A ver vamos.

How reading has changed in the 2010s: A morte da leitura erudita tem sido muito anunciada, mas pouco praticada. No entanto, é inegável que, como em tudo o resto, a nossa sociedade hiperconectada e tecnológica está a ter impacto transformativo na literatura. Este artigo regista alguns, entre audiolivros, auto-publicação digital, o livro físico como objeto de desejo, a queda dos rendimentos literários ou novas formas de escrever usando a estética das redes sociais.

Philippe Druillet: O nome imbatível da BD francesa de ficção científica de recorte psicadélico.

FC portuguesa? Para onde vai?: Credo, o Candeias está a meter-se comigo? Se calhar tenho de rasgar as vestes, mostrar a musculação em pose 300 (quer Frank Miller quer Zack Snyder, é a mesma coisa), e dizer-lhe bring it on. Porque é uma das coisas que precisamos na FC portuguesa, discussão daquela a sério, com argumentos mas sem equimoses. E informal, para formalidades já bastam os académicos e os seus (bocejos) ditos profundamente banais sobre FC. O meu fatalismo face ao potencial da FC portuguesa é, talvez, efeito secundário da minha profissão. Onde confesso que desisti, não vale a pena falar de literatura de género (e arriscando-me a ser injusto e a ser expulso definitivamente da sala de professores, de qualquer tipo de livros) junto dos meus colegas. O que me irrita, porque uma das obrigações óbvias de um docente é ser culto, e não de formas superficiais. Abro exceção com os alunos, aí vale toda a pena. Confesso que nestas andanças, o que me surpreende é a resiliência do género por cá, apesar de tudo, ainda resiste. Nem sei como é que se formam públicos para a FC, mas eles existem, vindos do cinema, BD e gaming. São os que conseguem ultrapassar a barreira da superficialidade dos géneros mais visuais e comerciais. Mas depois da nossa escaramiça, Candeias, podemos partilhar uma (inserir aqui a bebida preferida): no fundo, o que interessa é que os leitores gostem.

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Moebius: Da mestria.

Selva!!!: Quando for crescido quero ter esta capacidade crítica sobre livros. Não, não foi uma piada. A crítica de Pedro Moura ao recente (e fantástico) livro de Filipe Abranches expõe exatamente as sensações que tive durante a leitura.

REVIEW: Batman’s Grave #3 — “I Am Habitually Ripped To The Gills On Very Fine Cocaine, sir”: Ah, Warren Elllis à solta em Batman tem destas pérolas de detournement dos pressupostos dos comics. Oh my, Alfred, what a naughty butler you are.

Death’s Last Patrol: Verdadeiramente pulp.

The Decade Disney Won: A empresa tornou-se detentora da esmagadora maioria da cultura pop cinematográfica. Notem: Leia (Star Wars) e Black Widow (universo Marvel) são, tecnicamente, princesas Disney.

Tecnologias Que Definem o Presente

Diaphanorama (Projection Lantern) Paintings, 18th-19th Century: Multimédia do passado. Imagens que, quando projetadas, arrepiavam os nossos antepassados.

114 :: Please for the love of Blarg, Start a Blog: Precisamente. Um blog dá-nos independência das curadorias algorítmicas das redes sociais, não nos limita em temas, ou obriga a simplificar discursos. E, ao contrário das linhas de tempo nas redes sociais, o que é publicado fica publicado e acessível. Notem que fugir do imediatismo (e do lixo, estar em redes sociais é uma experiência que por vezes testa a fé na bondade humana) não implica desprezar as redes. Há quem as abandone, há quem as use em apoio ao principal (e que realmente interessa): participar do imenso discurso de liberdade de pontos de vista permitido pela publicação digital. Mas nisto sou suspeito, quem me tira os feeds rss corta, literalmente, o meu acesso primordial à informação.

The World Relies on China’s Surveillance Technology: Até porque se há uma coisa que uma ditadura repressiva faz bem, é congeminar formas de manter os seus cidadãos sob vigilância pervasiva. Não admira que as empresas chinesas sejam imbatíveis nisso.

Virtual Reality Before There Was Virtual Reality: A história da tecnologia tem destas coisas, tecnologias interessantes que, passado o seu tempo, depressa ficaram esquecidas. É o caso da fotografia estereoscópica, vista através de visores. Foi popular nos anos 50 e vendiam-se series de slides que permitiam a qualquer um ver locais distantes ou exóticos. Soa familiar às nossas experiências contemporâneas com realidade virtual, não soa? Na verdade, a tradição de recriação virtual do real usando meios técnicos para criar ilusão de tridimensionalidade é bem antiga, e antecede a estereoscopia de que fala o artigo.

Pensamento computacional: Só mesmo a Fernanda Ledesma para se lembrar desta, ilustrar os conceitos essenciais do pensamento computacional com peças do robot Anprino. Faz sentido, porque antes de ser programado para andar, rabiscar ou piscar luzes, este robot começa por ser um monte de componentes. Só mobilizando decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e algoritmos é que se transforma num robot.

AI Now 2019 Report (2019): Qual é o corrente estado da arte nos campos de investigação sobre inteligência artificial? Problemáticas, potenciais, vias de investigação, em análise num relatório sobre o estado da arte desta tecnologia em 2019.

Why Is Your Cellphone Not A More Useful Computer?: Porque… pois, pois é, porquê? Com smartphones e tablets tão poderosos, porque é que não são o principal meio de produtividade digital? Talvez por questões de interface, ou capacidade das aplicações. Mas não é impossível substituir o computador por dispositivos móveis em contextos de trabalho. As Capturas são um exemplo disso, escrevo-as no meu tablet.

Artificial Intelligence: Threat or Menace?: Um texto fabuloso de Charles Stross, sobre ficção científica, como usar o futurismo enquanto ferramenta de análise social, e sobre o potencial negativo de sistemas de Inteligência Artificial cada vez mais complexos e opacos, sendo a opacidade o problema. Poderemos confiar nas decisões tomadas por sistemas autónomos cujos critérios de decisão são invisíveis?

The Next Big Customer Experience From Jeff Bezos: A Blue Origin é a sua aposta sustentada no aumento do acesso ao espaço. Sem a visibilidade da Space X, mas com uma visão de desenvolvimento metódico, sustentado pelos bolsos fundos do patrão da Amazon.

Mall robot is programmed to detect when kids are about to bully it, and take evasive action: Sei do que falo, as crianças entre elas são terríveis e implacáveis (parte do trabalho de qualquer professor é ensinar a gerir e controlar estas pulsões). Não invejo a sorte deste robot.

Modernidade Que Aponta o Futuro

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*The good old fashioned Post-Anthropocene: Um belíssimo achado de Bruce Sterling.

What we get wrong about time: Concebemos o tempo como algo linear, embora para a Física seja algo muito mais fluido. A percepção linear que temos é ainda mais atraiçoada pela forma como formamos, e recuperamos, memórias.

Why Goldman Sachs Is Fighting Climate Change—And the UN Isn’t: O capitalismo vai salvar-nos do apocalipse ambiental? Enquanto governos se desmultiplicam em discursos de intenções vazias e conferências onde nada se decide, são os investidores que realmente estão a fazer ações concretas para travar as indústrias mais poluentes. Em parte é uma jogada de marketing, para limpar a imagem num contexto de opinião pública cada vez mais atenta aos problemas ambientais. Por outro, talvez haja algum reconhecimento de necessidade de sobrevivência. O caminho de industrialização cega e exploração de recursos trazido pelo capitalismo já se revelou insustentável em todas as vertentes, e já passamos o ponto de retrocesso nas alterações climáticas.

Keynes was wrong. Gen Z will have it worse.: O futuro não está nada brilhante. Se vivemos numa época de desenvolvimento tecnológico e social talvez incomparável ao nível global, as realidades do progressivo fosso de desigualdades, excessiva concentração de riqueza e aquecimento global estão a levar-nos a um futuro muito inferior ao nosso presente. Os sinais estão todos visíveis.

The Best Illusions of the Year Will Have You Further Questioning the Reality You Live In: As ilusões de ótica são mais do que imagens com piada, são uma janela para a forma como o cérebro processa informação visual.

Antarctica Is Stark, Beautiful, and Will Shrink Your Brain: Compreender os efeitos físicos e neurológicos do isolamento extremo em zonas remotas como a Antártida é importante para perceber como reage a fisiologia humana às viagens no espaço.

The jokes always saved us: humour in the time of Stalin: Quando a piada inócua podia significar anos de cadeia, ou pior. Mas o intrigante é perceber como, apesar dos riscos, o humor foi fundamental para se suportar os tempos mais repressivos.

History’s Greatest Sea Is Dying: O nosso mare nostrum, cercado pelo aquecimento global, poluição, exploração de gás natural, desleixo dos governos dos países que banha, e os jogos geopolíticos.

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Robôs Inteligentes e Inteligência Artificial: a propósito de algumas reflexões éticas