história

Para estes primeiros dias de 2020, os destaques vão para a estética da animação de Regina Pessoa e as transformações vividas pela editora Penguin. Olhamos para o potencial educativo dos robots e para a balcanização da Internet. Descobrimos a genial samplagem dos Beastie Boys no álbum Paul’s Boutique e para a guerra civil invisível numa igreja católica cujas instituições se dividem por dois papas. Novo ano, nova década, e as Capturas continuam a trazer leituras intrigantes, porque a história do futuro se escreve hoje.

Ficção Científica

História

Jack Kirby: Numa visão apocalíptica.

See Elias Chatzoudis Use Copic Markers on Red Sonja: Age Of Chaos #1: Se os meios digitais se tornaram a principal ferramenta de desenho para comics, formas mais tradicionais não deixam de ter o seu lugar, como mostra o trabalho de ilustração de capas para Red Sonja usando marcadores.

Here’s easily the highest quality scan I’ve seen of Alex Ebel’s 1974 paperback cover: Uma capa marcante para A Mão Esquerda da Escuridão, esse livro marcante de Ursula K. Le Guin.

“É místico” ou “Quando as duas sequelas dos Watchmen acabaram na mesma semana!”: Ou então, apenas coincidência. Não vi ainda a série Watchmen, mas segui atentamente Doomsday Clock, e fiquei surpreendido pelo seu final. O que prometia ser uma tentativa de integrar algumas das personagens do universo Watchmen (em si, reescritas por Alan Moore de personagens da Charlton Comics adquiridas pela DC) na continuidade DC acabou por se revelar uma elegia ao Super-Homem. De facto, o capítulo final é essencialmente uma desculpa para meter em pé uma daquelas two-page spreads de super-heróis à pancada com super-vilões. Daquelas em que todos, até os mais refundidos, aparecem. Salva-se o trabalho gráfico de Gary Frank, que emulou na perfeição o estilo de Dave Gibbons, desenhador do Watchmen original.

O tio e a génese da arte de Regina Pessoa: Um olhar clínico por Nelson Zagalo à estética da curta, mas muito significativa, obra da animadora Regina Pessoa. Quatro obras em vinte anos, todas excecionais exemplos do melhor que se faz na animação, e o seu mais recente, “O Tio Tomás: A Contabilidade dos Dias”, está na shortlist de nomeação para os óscares. O filme é soberbo, e pode ser visto online, graças à National Film Board do Canadá.

End of an era for book publisher Penguin: Aquele momento em que nos apercebemos que a Penguin, a quintessencial editora britânica, é agora uma editora totalmente alemã. O mesmo padrão se aplica às restantes casas editoriais tradicionais inglesas, agora subsidiárias de editoras alemãs ou francesas. Entre o detalhar dos jogos financeiros, algumas histórias curiosas. O que tornou a Penguin numa força cultural foi a vontade do seu editor em acreditar que havia mercado para literatura a preços acessíveis. Algo em que os seus concorrentes não acreditaram, mas felizmente vingou, criando um boom editorial e, talvez o mais importante, editando livros baratos (mas de alta qualidade literária) para as massas. Uma pequena ironia: não deixei de sorrir ao ler o desprezo que George Orwell tinha pela Penguin. É que a minha edição de Animal Farm é… isso, adivinharam, um paperpack Penguin.

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Tim White: Megacidades bucólicas.

21 referencias, guiños y easter-eggs escondidos en ‘Star Wars: El ascenso de Skywalker’ para exprimirla al máximo: Ainda não vi o mais recente Star Wars quando escrevo estas linhas, e sou o tipo de cinéfilo que não se chateia com spoilers. Aliás, até acho essa questão muito estúpida. O que faz um filme, ou um livro ou série, não é meramente a história que é contada. É isso, e tudo resto, técnica narrativa, gramática visual, capacidade poética. É por isso que revemos filmes mesmo depois das suas histórias nos terem sido reveladas. E por muito boa que seja a história, se tudo o resto falhar (má direção de atores, incapacidade do realizador de usar a gramática visual do cinema, maus efeitos visuais), não são as vontades de ver como a história termina que salvam o filme. Fundamentalmente, a questão dos spoilers é um falso problema vindo do marketing excessivo do cinema, que entre outras virtudes amargas nos tem trazido o ressuscitar de velhas sagas, por serem máquinas de lucro fácil. Star Wars é dos melhores exemplos disso. Posto isto, estes easter eggs são fantásticos, e o artigo está cheio de Spoilers. E vale bem a pena ser lido.

Vincent Di Fate: Ah, guerra no espaço!

Science Fiction’s Wonderful Mistakes: Um excelente desmistificar das falácias conceptuais associadas à ficção científica, das quais o seu suposto carácter preditiva é o mais óbvio. Seguido de um elogio ao experimentalismo narrativo e temático dos autores dos anos 60 e 70.

Marvel Comics #1000: Rever a edição milenar da Marvel, que recordou a longa história dos seus personagens numa edição em que cada prancha contou com o trabalho de uma equipa dedicada de argumentista, ilustrador e colorista.

How Kendall Jenner Became the Patron Saint of Alternative Literature: Esperem, o quê? Li bem, uma personalidade de reality shows a servir de veículo de promoção literária? Suspeito que os seguidores dela apenas comprem livros para serem vistos com eles, e não realmente lê-los. Se bem que, em bom rigor, vender livros é o que alimenta os editores.

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comicbookcollecting:Sentinel … Official Handbook of the Marvel…: As máquinas capazes de travar os alunos do professor Xavier.

Will The Joker Do For Bruce Wayne What Brian Bendis Did For Superman? (Batman #85 Spoilers): A temporada de Tom King à frente de Batman foi magistral, marcante e genial pela forma discreta como redefiniu o personagem. Sempre com uma capacidade narrativa com uma assertividade e ritmo incrível. Agora que terminou, as rédeas da série passam para James Tynion IV, que depois de algumas intrigantes séries na Image começou a escrever para as majors. E começa em força, com o regresso de um personagem marcante eliminado por Scott Snyder na sua temporada. Estou curioso para ver como The Joker regressa ao universo DC.

Tecnologia

John Berkey: Aquilo, não é uma lua?

The Birth of the Modern Robot: Um olhar sobre a origem dos robots.

Finland is making its online AI crash course free to the world: Querem aprender mais, ou descobrir os potenciais e vertentes da Inteligência Artificial? Cortesia da Finlândia, há um curso online gratuito para isso.

When Robots Can Decide Whether You Live or Die: Conversa sobre a ética de capacitar robots autónomos militares com a capacidade de reagir automaticamente a alvos humanos. Será boa ideia automatizar a decisão de abater combatentes inimigos por armas autónomas? Suspeito que esta decisão já tenha sido tomada nos laboratórios de investigação militar.

Can the Internet Survive Climate Change?: É sempre bom recordar que o mundo digital depende de energia, e isso tem custos e riscos. O crescente uso de energia dos data centers, serviços cloud, streaming e servidores web é, em si, um factor causador de problemas ambientais. Por outro lado, a infraestrutura digital é vulnerável às disrupções crescentes trazidas pelas alterações climáticas. Como mitigar esse problema? Um passo seria diminuir a pegada de carbono das páginas web.

Madrid prohibirá los móviles en el colegio a partir del curso 2020-2021: À primeira vista, pareceu-me uma daquelas medidas tipo enfiar a cabeça na areia, relegando a Escola firmemente para o passado e demintindo-a de qualquer interferência da tecnologia dos dias de hoje. Após leitura, percebi que se trata de uma simples medida de proibição de uso indiscriminado de telemóveis em sala de aula, excetuando usos educacionais, não uma proibição tout court que obriga as crianças a largar os seus dispositivos à entrada da escola. Na verdade, uma situação que faz sentido, criando uma estrutura legal para gestão dos problemas que possam surgir em usos indevidos do telemóvel. Não é diferente do que temos por cá. Não é que o telemóvel não tenha de todo lugar na sala de aula, bem pelo contrário (existem inúmeras aplicações pedagógicas, da pesquisa de conteúdos à modelação 3D), mas é preciso gerir a forma como se usa. Posições de negação completa são um contra-senso, que traem visões exclusivamente instrucionistas da educação, e recusa em explorar diferentas vertentes de aprender e ensinar.

Robot Educativi: gli insegnanti non servono più?: Ignorem o título provocador, porque na verdade o artiga mostra de forma sintética como robots potenciam diversos aspetos da aprendizagem, entre competências técnicas, científicas e cognitivas. Mas sem professores para lançarem desafios e acompanhar aprendizagens, nada feito.

Twitter bans animated PNG files after online attackers targeted users with epilepsy: Se existir uma brecha de segurança, alguém a vai explorar, como mostra esta história sobre um incrivelmente específico ciberataque. Usar imagens em PNG animadas concebidas para causar ataques em pessoas com fotossensibilidade, partilhadas com seguidores de uma associação de epiléticos.

Christmas Carols for Artificial Intelligences: Treina-se um algoritmo com canções de natal, e ele sai-se com isto: “On Christmas Day,/A true and holy Deity,/Went down to earth,/With human flesh for sacrifice”. Ainda fica mais estranha.

TO MAKE ROBOTS PERFORM BETTER, MAKE THEM CONSTANTLY FEAR DEATH: Essencialmente, introduzir mecanismos de reconhecimento de consequências permite melhorar a performance de robots.

Rethinking privacy in the age of psychological targeting: É, em essência, o modelo de negócio das redes sociais. Recolher dados pessoais, traçar perfis de utilizadores, agregar esse mar de dados em padrões, usados para publicidade eficaz. É usar dados para assentar a publicidade em perfis psicológicos, e de formas que são invasivas da privacidade pessoal.

2019 was the year we got serious about walking on the moon again: Será desta? Confesso que não estou muito esperançado, sempre se tem falado muito deste tipo de projetos, mas nunca passam disso.

Chinese Farmers: Criminals Are Using Drones to Infect Our Pigs: Intrigante. Usar drones para lançar elementos contaminados sobre explorações pecuárias, e posteriormente vender a carne contaminada. Novas tecnologias, novas formas de se ser criminoso.

The dream of a global internet is edging towards destruction: Cinco modelos do que é a Internet, a emergir globalmente e a criar clivagens cada vez mais profundas. O libertário sem restrições de Silicon Valley, o protetor excessivo da propriedade intelectual do sistema legal americano, a visão europeia de liberdade mas com legislação protetora de privacidade e outras garantias, o controle total de informação e hipervigilância chinês, e o parasitismo russo que se aproveita do fluxo livre de informação para espalhar desinformação e hackear sociedades. Se a Internet foi concebida como um modelo aberto, começa a estar de facto balcanizada. Na Europa, sentimos isso quando clicamos num site que não está para ser dar ao trabalho de respeitar o RGPD e usa geolocalização para nos bloquear o acesso. Em zonas do mundo onde reina o autoritarismo das ditaduras, vive-se mesmo com uma Internet limitada. O caso chinês é o grande exemplo disso. O sonho bem intencionado dos criadores da Web não está a sobreviver ao contacto com as forças políticas e económicas tradicionais.

Finding a good read among billions of choices: Como decidir o que ler no meio do dilúvio de informação? Este algoritmo de Inteligência Artificial está a ser treinado para ajudar a recomendar leituras. Não por categorias, como os que alimentam os sistemas de recomendação das lojas online, mas por conteúdo.

História e Modernidade

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2,700-year-old tablet depicts epilepsy ‘demon’: O demónio assírio da epilepsia, registado numa tabuinha de barro recém-descoberta.

The last days of Homo erectus: Fósseis encontrados na ilha de Java apontam para os últimos vestígios deste ramo extinto dos hominídios.

On This Day in 1964, the Legendary Lockheed SR-71 Blackbird Flew For the First Time: O aniversário de uma das mais extraordinárias aeronaves que já voaram.

The Long, Dark History of Russia’s Murder, Inc.: Uma história dos mortíferos serviços secretos russos, ainda hoje notórios por não hesitarem em usar os métodos clássicos de assassinato público para eliminar aqueles que estão no lado errado de Putin. Há que apreciar a história de um núcleo de assassinos russos sediado nos Alpes franceses, cuja base de operações lhes permite atuar em toda a Europa. Parece enredo de filme de espionagem, mas é a realidade negra da política interna e externa russa.

Every Sample from Paul’s Boutique by the Beastie Boys: Um trabalho brilhante de arquivismo musical. E não surpreende, a estética dos Beastie Boys era mesmo uma de samplagem e remistura de inúmeras frases musicais criadas por diferentes músicos. Pura colagem musical, reflexo sonoro de uma estética visual do modernismo. E, como observa o Jason Kottke, algo impossível de fazer nos dias de hoje, pelo interminável labirinto de direitos de autor que estes criadores teriam de navegar para poder usar de forma autorizada os inúmeros samples.

Paradox-Free Time Travel Possible With Many Parallel Universes: Os paradoxos trazidos pela hipótese de viagens no tempo são algo capaz de dar nós nos cérebros. Mas parece haver uma fuga, que envolve universos paralelos.

POPE VS. POPE: HOW FRANCIS AND BENEDICT’S SIMMERING CONFLICT COULD SPLIT THE CATHOLIC CHURCH: Duas visões em conflito, um cisma mal disfarçado na igreja. O conservadorismo rígido do antigo Papa, que após abdicar não se resignou ao anonimato, e na visão liberal e progressista do novo Papa. Uma visão aberta que irrita muitos setores da Igreja, habituados ao conforto das suas velhas maneiras. Tem o seu quê de guerra civil entre religiosos.

Remix: Um projeto artístico que ousa repensar a arquitectura urbana. Infelizmente, estes projetos raramente passam do conceito.

Sky Pirates: Uma história bizarra da I Guerra, quando um Zeppelin capturou um barco no mar do Norte. O único momento na história militar em que um veículo aéreo capturou um naval.

A Spooky Tour Inside an Abandoned ‘Westworld’ Style Wild West Animatronic Theme Park in Japan: O intrínseco arrepiante dos parques de diversões abandonados, com robôs à mistura.

Common Misconceptions People Hate Hearing Repeated As Fact: Comecemos com Einstein, na verdade, foi um brilhante aluno a matemática. A partir daí é sempre a decair. Algumas daquelas histórias que toda a gente acha que são verdadeiras, mas não são.

Capturing the Architect of the Holocaust: É sempre importante recordar a história da captura de criminosos de guerra nazis, revendo um período muito negro da história mundial.

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Cinco Livros Para Descobrir a Ficção Científica Portuguesa