A proximidade de execução do Programa Artemis da NASA (em 2024 começar a lançar as bases, para a construção de um posto lunar sustentável), e tendo já sido determinada a localização ideal para esse posto (no Pólo Sul lunar, ou Pólo Sul Aitken), inicia-se agora o Programa de entrega de carga útil na Lua, para garantir essa presença sustentada de humanos na Lua. Essa carga útil que começará a ser entregue a partir de 2022, é sobretudo carga científica ou seja rovers ou “robôs” com mobilidade e instrumentação para auxiliar os futuros astronautas na procura daquilo que é essencial à sua sobrevivência: gelo de água que possa servir as necessidades humanas, e que possa ser ainda dividido em oxigénio (para respirar) e hidrogénio (para alimentar foguetões).

Dessa classe de mecanismos robotizados destinados à exploração lunar, o “robô” ou rover mais importante nesta fase será possivelmente o VIPER, justamente porque está desenhado quase exclusivamente para investigar a existência de recursos hídricos e em que quantidade estarão disponíveis.

O VIPER – Volatiles Investigating Polar Exploration Rover

O VIPER vai ter o tamanho de carrinho de golfe, que vai albergar 4 instrumentos científicos, sendo possivelmente o mais crítico deles todos (aquele que é fundamental para esta missão), a broca de um metro que se destina a perfurar vários tipos de solo e recolher dados científicos.

O VIPER está a ser programado para uma missão solitária que vai durar cerca de 100 dias, onde irá descer e subir crateras da Lua, atravessando aquilo que o astronauta Buzz Aldrin apelidou de “Magnificent Desolation”, e que é a superfície lunar (apesar de haverem outros rovers, de outros países também a caminho).

A localização do Pólo Sul Lunar não é ao acaso. A inclinação ou “tilt” da Lua cria no Pólo Sul, zonas permanentemente sombreadas onde existe gelo de água pelas suas baixas temperaturas, grande parte dele proveniente de cometas (corpos celestes errantes, compostos de rocha e de gelo) que chocaram com a Lua; Mas também no topo das crateras existe a possibilidade de se aproveitar a luz solar que é necessária para transformar em energia eléctrica.

Para além disso os dados são animadores: não só numa missão de “touchdown” da NASA em 2009 se comprovou directamente a presença de gelo de água na Lua, como também tem sido essa a informação que se tem recebido dos vários orbitadores que sobrevoam a Lua. De facto os dados que foram tornados públicos permitem calcular vários milhões de toneladas de água, que serão fundamentais à manutenção de um posto avançado, uma vez que é impraticável transportar água a partir da Terra.

Posto isto, para definir a missão do VIPER basta usar as palavras de um dos cientistas do projecto, Anthony Colaprete: “O VIPER vai dizer-nos que locais têm as maiores concentrações e qual a profundidade abaixo da superfície para obter acesso à água.”

A instrumentação do VIPER

1- Neutron Spectrometer System, mais conhecido como NSS, e que será usado para detectar regiões com potencial para serem perfuradas, ou seja áreas “húmidas” abaixo da superfície, onde pode existir gelo de água.

2- Regolith and Ice Drill for Exploring New Terrain (TRIDENT), projetado para perfurar o regolito lunar até uma profundidade de um metro e retornar amostras de solo. Sabemos que a Honeybee Robotics está a projetar e a construir o TRIDENT.

3 – Mass Spectrometer Observing Lunar Operations (MSOLO) analisará o que o TRIDENT desenterra. O instrumento está a ser testado no Centro Espacial Kennedy.

4- Near Infrared Volatiles Spectrometer System também analisará a concentração e a composição das amostras de solo lunar. O Centro de Pesquisa Ames está a desenvolver este instrumento.

O VIPER é um projecto de rover que está a ser desenvolvido portanto pela NASA, com a colaboração das empresas de Espaço norte-americanas, ficando a sua coordenação a cargo da Diretoria de Missões Científicas da NASA, como parte do Programa Lunar de Descoberta e Exploração. Este veículo será entregue na Lua ao abrigo do programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS).

Foto do VIPER rover a ser testado na Terra. Créditos: NASA/Johnson Spaceflight Center

VIPER: Alguns atrasos de última hora…

Como o VIPER vai ser entregue na superfície da Lua pelo programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS) ou seja, será entregue por privados que estão a ser financiados pela NASA, existem complexidades que estão relacionadas com a entrega de carga, para que esta chegue com sucesso sem naturalmente estar danificada.

 O programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS) tem feito algumas reuniões onde tem analisado cenários como aqueles que envolvem cenários como aqueles que se deram com os landers da Índia e de Israel, que se despenharam recentemente na superfície da Lua. Por essa razão o porta-voz da NASA, Gray Hautaluoma, disse em 8 de Janeiro que a NASA tinha decidido adiar o lançamento de uma versão final VIPER.

De facto já no passado a entrega de um veículo espacial semelhante, numa missão chamada Resource Prospector, que tinha a mesma finalidade, foi cancelada em 2018. A questão é que não se pode falhar, uma vez que este pequeno rover tem uma orçamentação de 250 milhões de dólares americanos.

Tanto quanto sabemos, pelas palavras de Steve Clarke, vice-administrador associado da área de Exploração na Diretoria de Missões Científicas da NASA, quando este falou aos membros do comité científico do Conselho Consultivo da NASA em Novembro, seria porque a NASA teria que seleccionar um módulo de aterrissagem/pouso para o VIPER, e que essa decisão seria tomada no final de Janeiro ou início de Fevereiro (de 2020).

Também sabemos que há outros rovers/landers para entrega na Lua via o programa CPLS, nomeadamente a serem entregues pela Astrobotic e pela Intuitive Machines,e são missões que tem datas para muito em breve. Também há outra questão: das 14 empresas que podem entregar carga útil na Lua, poucas podem entregar carga com o peso que o VIPER tem…

A questão é: este “carrinho de golfe” pesa 350 kg, e só há 3 empresas habilitadas para o fazer, mas que ainda não se querem aventurar tão cedo em direcção à Lua: Blue Origin, Lockheed Martin e SpaceX.

É verdade que a iSpace está a trabalhar com a Draper num lander (ao abrigo da CPLS) e a Firefly Aerospace também está a trabalhar com Israel Aerospace Industries no desenvolvimento da Genesis, que terá por base o seu “Beresheet” que acabou por se despenhar no ano passado na Lua…

Portanto temos que ver como vão correr as coisas nos lançamentos mais pequenos, que também criam uma infraestrurua adicional de segurança para que o VIPER possa desembarcar com sucesso.

Vamos ter que esperar… Um dia destes a NASA anuncia a data de repente, uma vez que o VIPER está quase pronto!

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