Ultimamente muito se tem falado sobre a descoberta de “Super-Terras” nas imediações do nosso Sistema Solar. Estas Super-Terras são exoplanetas ou planetas extrassolares (ou seja, que se encontram fora do nosso sistema solar) e que portanto estão a orbitar outra “estrela” (ou outro Sol). Chamamos-lhes Super-Terras porque são planetas rochosos e não gasosos (como Júpiter, Saturno, Urano ou Neptuno), garantindo assim a primeira condição para que se pareçam com o planeta Terra.

De facto o termo Super-Terra é uma classificação que está relacionada exclusivamente com a sua massa, e o termo não implica outras características, como temperatura, composição, características orbitais, ou eventos similares aos vistos na Terra.

Convencionou-se que uma Super-Terra pode ter até 10 vezes a massa do planeta Terra, ou até 69% da massa de Urano (tal como mostra a figura acima).

As Super-Terras são promissoras…

E são promissoras para a existência de vida… Sabemos que no nosso planeta, o manto terrestre retém grandes quantidades de água que posteriormente voltam à superfície com o vulcanismo. Este processo é fundamental para a limpeza e “reciclagem” dos nossos oceanos, razão pela qual esta característica tem sido procurada nas Super-Terras como forma de verificar a existência de uma condição fundamental para a existência de vida (a “higiene dos oceanos”).

Em concreto, este processo tem sido “procurado” pelo Centro de Astronomia Harvard-Smithsonian (CfA) através de simulações de computador, tendo sido descoberto que em Super-Terras entre duas a quatro vezes a massa do nosso planeta (a Terra 🌍),  as condições são ideais à existência deste processo. Aliás, as Super-Terras são ainda melhores do que a Terra na manutenção dos seus oceanos, conseguindo fazer a água durar durante pelo menos 10 biliões de anos (o que é considerado como uma longa sustentabilidade).

Há milhares de milhões de Super-Terras…

A nossa galáxia, a Via Láctea alberga em estimativa 400 biliões de estrelas (ou de sistemas solares), que são orbitadas por pelo menos um planeta. E estima-se a existência de 100 biliões de galáxias na periferia da nossa galáxia.

Por esta razão as Super-Terras não são raras ou antes pelo contrário, são até bastante comuns.

A primeira descoberta de uma super Terra potencialmente habitável foi no sistema solar Gliese 581. Neste sistema os astrónomos encontraram dois planetas orbitando a estrela dentro da zona habitável. São eles o Gliese 581c, que tem uma massa de 5 vezes a da Terra e que orbita uma zona excessivamente quente da zona habitável (podendo ter sido evaporada a água), e Gliese 581 d que tem 7,7 vezes a massa da Terra e está no lado frio da zona habitável, devendo ter a água congelada.

Mas nada disto é certo. Conhecemos hoje em dia outros fenómenos que podem fazer com que a água esteja líquida, fora da zona habitável.

As descobertas de Super-Terras hoje em dia fazem-se às dezenas, e encontramos registos bastante estranhos, como por exemplo a descoberta “recente” da Kepler 11-b, tem 4 vezes a massa do nosso planeta, mas com apenas 1,5 vezes o tamanho da Terra.

O TESS – o “descobridor” de Super-Terras!

Chama-se Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS) e uma das principais razões pelas quais andamos a ouvir falar tanto de Super-Terras. Este telescópio ou observatório espacial, liderado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e incluindo nos programas de exploração espacial da NASA, está a fazer um programa de dois anos para procurar exoplanetas, e principalmente as “desejadas” Super-Terras.

O TESS está programado para explorar 200.000 estrelas ou sistemas solares próximos, principalmente as mais brilhantes (ou com mais luz), tendo a seu cargo a responsabilidade de durante estes dois primeiros anos encontrar não menos que 50 Super-Terras (e sendo que o TESS é apenas um dos 4 grandes observatórios que estão no Espaço).

O TESS está a examinar 85% do “céu” visível a partir da Terra, concentrando-se nas estrelas do hemisfério norte durante o primeiro ano, e nas do hemisfério sul durante o segundo ano. É principalmente por esta razão que as notícias da existência ou descoberta de Super-Terras começam a ser quase semanais.

Além disso o TESS estará “finalmente” acompanhado em breve pelo James Webb Space Telescope, que vai ser lançado em Março de 2021, e que é um autêntico “caçador de vida”…

Descoberta uma Super-Terra no sistema solar mais próximo de nós.

Recentemente uma equipa de cientistas descobriu uma Super-Terra ou seja, um exoplaneta maior do que a Terra e potencialmente habitável, a 31 anos-luz do nosso sistema solar. Esta descoberta, mais uma vez da responsabilidade do TESS, foi publicada na revista Astronomy & Astrophysics, e diz respeito a uma Super-Terra (chamada GJ 357b) que orbita a estrela GJ 357, estrela essa que tem cerca de um terço da massa e do tamanho do Sol, sendo no entanto 40% mais fria.

Este promissor exoplaneta tem seis vezes a massa da Terra e uma órbita (duração de um ano) que corresponde a 55.7 dias terrestres. Em comunicado a cientista Diana Kossakowski do Instituto Max Planck, esclareceu que esta Super-Terra se encontra a uma distância do seu Sol semelhante à distância que se encontra Marte, no nosso sistema solar…

Assim sendo, se este exoplaneta tiver uma atmosfera densa, existe grande probabilidade de o sistema GJ 357 poder albergar vida. Sem essa atmosfera densa, o planeta terá uma temperatura de cerca de -53 graus Celsius o que fará com que seja um planeta gelado.

Mas 31 anos-luz é muito longe…

De facto 31 anos-luz é ainda muito longe… Se compararmos com a distância de 4 anos-luz que nos separa de Alpha Centauri, o sistema solar mais próximo do nosso, às velocidades que se praticam hoje em dia no Espaço, levaríamos entre 50.000 a 70.000 anos para lá chegar.

Recorde-se que o Homem de Neandertal se extinguiu há 28.000 anos, que os mamutes (na sua variedade mais conhecida) viveram até há 10.000 anos (sendo que a espécie do Alasca sobreviveu até 3.750 anos atrás), e que o Smilodon ou Tigre Dentes-de-Sabre viveu até há 11.000 atrás. Por isso, ás velocidades que a Humanidade consegue praticar hoje em dia no Espaço (numa missão com transporte de carga útil), para estarmos a chegar por agora ao sistema solar mais próximo do nosso, Alpha Centauri, deveríamos ter partido na Idade da Pedra, quando ainda caçávamos com lanças…

Contudo, em Alpha Centauri (sistema solar também conhecido como “Rigil Kentaurus”), e que é um sistema triplo ou seja, tem três sóis (Alpha Centauri A, Alpha Centauri B e Proxima Centauri), foi anunciado na semana passada que terá sido identificado um segundo planeta neste sistema solar, que curiosamente é uma Super-Terra.

Anunciado agora na revista Science Advances, este é o segundo planeta (Proxima C), a orbitar a estrela Proxima Centauri (a estrela mais próxima da Terra), e a ser descoberto depois de em 2016 ter sido identificado um primeiro planeta que também será potencialmente habitável (o Proxima B).

Proxima C tem metade da massa de Neptuno, e tem uma órbita de 1,5 vezes a da Terra. Se não tiver uma atmosfera densa as suas temperaturas deverão rondar os -200 graus Celsius, mas se tiver atmosfera, poderá albergar vida.

Poderemos algum dia saber se por lá há vida???

Resposta curta: Sim!

Quando em 2016 foi descoberto o primeiro planeta potencialmente habitável (Proxima b), começou a organizar-se uma iniciativa chamada BSI: Breakthrough Starshot Initiative.

Este grupo de cientistas começou a projectar uma sonda do tipo “vela solar”, equipada com câmeras, que possa ser acelerada no Espaço através de laser terrestre, e que tem como objectivo passar dentro de uma Unidade Astronómica, (150 milhões de Km ou 149 597 870 700 metros), e possivelmente passando até a 0,15 UA para fotografar a superfície deste exoplaneta “Super-Terra”.

Esta é talvez a única maneira de poder saber o que existe nestes planetas, uma vez que para encontrar uma resolução comparável de um telescópio em órbita terrestre (e tal como é explicado no site do BSI), esse telescópio teria de ter pelo menos 300 Km de diâmetro.

No entanto, se for enviada uma sonda acelerada por laser, “poderíamos” viajar no vácuo a cerca de 20% a velocidade da luz (cerca de 216.000.000 de quilómetros por hora), demorando assim apenas 20 anos.

O vídeo seguinte explica como esta tecnologia irá funcionar.

 

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O TESS tirou uma fotografia! E apanhou 200.000 estrelas!

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James Webb Space Telescope está montado! Em 2021 vai para o Espaço.