Chama-se Programa Artemis e é o próximo passo na exploração espacial: a construção de uma base lunar ou posto avançado, que possa garantir a presença sustentável do homem num corpo celeste que tem 60% da gravidade da Terra. Esta base tem em vista a exploração de recursos lunares, aproveitando a gravidade reduzida para lançar missões de longo curso em “Deep Space”. Tudo isto tem sido falado ultimamente, sendo a única novidade o facto dessas habitações lunares irem ser muito possivelmente, construídas usando cogumelos. Outra novidade é que o oxigénio necessário para os humanos respirarem e para alimentar os foguetões ou lançadores, irá ser retirado do chão, em concreto da poeira lunar ou rególito.

50 anos após os seres humanos pisarem a Lua, a NASA anunciou agora o Programa Artemis: ir à Lua, mas desta vez para ficar, construído uma base permanente que sirva de coordenação para as operações no Espaço.

O problema é que as condições da Lua são extremas. Em primeiro lugar a Lua tem um período de rotação de 28 dias, proporcionando à superfície lunar cerca de duas semanas de luz contínua, seguidas por duas semanas de escuridão.

Com a ausência de uma atmosfera que nos proteja do Sol, durante a altura de luz contínua as temperaturas durante o dia podem subir até aos 130º Celsius, e durante a noite prolongada já foram registadas temperaturas de -247ª Celsius.

A ausência de atmosfera protectora também significa que existe pouca defesa contra a radiação cósmica e radiação electromagnética emitida pelo Sol (sendo ambas mortais para os seres humanos). Isso implicaria a construção de paredes suficientemente fortes para imunizar o interior da entrada de radiação, e também de impacto de micrometeoritos que se deslocam no espaço a velocidades superiores à de uma bala.

Uma solução seria construir a base lunar debaixo de terra, usando os túneis de lava inactivos que já descobrimos na superfície da Lua, com sondas como a Selene. Mas ainda outros problemas se colocam, como a deterioração do tecido muscular e ósseo devido à gravidade reduzida, que contudo é muito superior à gravidade experienciada actualmente pelos astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional.

Base lunar: resolvendo os problemas.

O primeiro assunto em vista para se poder projectar uma base espacial é tentar perceber que fonte de energia irá alimentar a base. Por exemplo a ISS – Estação Espacial Internacional que normalmente suporta seis astronautas em simultâneo, é uma estrutura com 16 módulos, todos operacionais. Se estiver completamente operacional, com sistemas de suporte de vida, reciclagem de água, alimentação da instrumentação, etc, consome entre 75 Kw a 90 Kw, razão pela qual tem que estar a ser alimentada pelos grandes painéis solares que a caracterizam.

Há ainda a possibilitar de utilizar radioisotopos, utilizando energia nuclear no Espaço, conforme já explicámos neste artigo.

Mas tendo sido já escolhida uma localização para construção da base lunar a partir de 2024, no pólo sul Aitken (localização fortemente propícia para a mineração de materiais raros – por ser um cemitério de asteróides – e porque garante luz contínua, apesar de estar rodeado de crateras que escondem gelo de água nas suas profundezas, a energia nuclear não parece ser a primeira opção.

Tudo está muito pensado e é aliás possível construir uma base grande, e sustentada por produção agrícola. As experiências feitas com modelos de computador, mostram-nos que é possível plantar tomate e trigo usando o rególito lunar. Contudo continuamos a estudar uma forma de ultrapassar a carência de nitrogénio (que é essencial ao crescimento das plantas) e como lidar com a abundância de alumínio e crómio (que são tóxicos para as plantas).

Pelas razões acima descritas já se pensou cultivar as plantas que não aguentem o rególito lunar, através de uma técnica chamada hidroponia, ou seja fazer o cultivo em água alimentado por luzes LED (que por sua vez usam energia solar para funcionarem).

Serve esta explicação para dizer que os principais problemas para o estabelecimento de uma colónia lunar estão acautelados, e que o avanço da construção de uma base espacial na Lua irá fazer-se faseadamente, com base no aumento rápido de uma infraestrutura segura. O conhecimento da vida no Espaço tem sido testado nos últimos 50 anos, e em particular nos últimos 20, uma vez que a Estação Espacial Internacional está regularmente habitada desde 1 de Novembro de 2000.

E como se pode garantir uma infraestrutura segura?

Muitas tem sido as abordagens da NASA relativamente a este assunto, no limite até explicando de forma a que crianças percebam e se habituem à ideia.

Porque o conceito hoje em dia está banalizado, e porque não há dúvida que dentro dos próximos 5 anos a construção de uma base lunar vai acontecer, começam a aparecer ideias pouco convencionais, que não fazem portanto parte do nosso quotidiano, mas que podem fazer a diferença se estivermos a viver num ambiente hostil, como é o Espaço lunar.

Um estudo recente veio propor a utilização de um ecossistema vivo, feito de fungos para ajudar o homem a sobreviver à Lua. A infraestrutura pensada por uma equipe de investigadores europeus propõe a exploração do potencial dos fungos vivos como matéria-prima para construção de “estruturas monolíticas” futuristas e ecologicamente “corretas”, que podem revolucionar o ambiente.

A ideia é desenvolver um substrato estrutural usando “micélio fúngico vivo”, permitindo aos edifícios fúngicos crescer auto reparar-se. De facto as propriedades “mecânicas” dos fungos são bastante vastas, até ao ponto de se poder fabricar com eles materiais semelhantes a espuma ou até à resistente madeira polimérica (mais forte do que o ferro). Para além disso poderíamos cultivar os materiais de construção, o que é uma abordagem completamente nova daquelas que conhecemos até agora.

A verdade é que os testes que foram feitos até ao momento parecem indicar que estas estruturas seriam tanto viáveis para o solo lunar como para o solo marciano, além de que esta construção seria bastante barata. Para além de tudo o mais, as estruturas poderiam ser reabilitadas ou reparadas apenas com a utilização de água (sendo regadas), o que iria desencadear a acção reparadora dos fungos (com o seu crescimento).

Parecendo uma ideia um pouco provocadora do investigador chefe deste estudo, Han Wösten, um microbiólogo da Netherlands Utrecht University, a ideia ganhou muita força com um comunicado da NASA afirmando que a arquitectura fúngica poderá ser de facto o caminho a seguir.

A utilização de materiais vivos é algo que tem sido tratado com seriedade na comunidade científica há já bastante tempo, conforme prova este artigo do New York Times, muito por causa da possibilidade que nos apresenta de um edifício poder regenerar-se a si próprio.

Mais longe do que isto foi um dos investigadores deste estudo (Andrew Adamatzky, cientista de computação da West England University) que referiu que a equipa está também a desenvolver versões fúngicas de circuitos neuromórficos e outros eletrónicos (vivos, claro!).

Os edifícios “vivos” feitos de cogumelos, junta-se outra novidade…

E a novidade é que será possível tirar oxigénio do “chão” (rególito) lunar

Estudos conduzidos utilizando poeira lunar real comprovam que 40 a 45% da poeira lunar é efectivamente oxigénio. Numa experiência no Centro Europeu de Pesquisa e Tecnologia Espacial na Holanda, cientistas da ESA – European Space Agency estão a testar uma planta de produção de oxigénio, que funciona com um processo a que se chama “electrólise de sal derretido”. Esta experiência tem como objectivo “adquirir oxigénio a partir de recursos encontrados na Lua”, que pode ser utilizado tanto para respirar como para a produção local de combustível de foguetões.

Os cientistas afirmam que o protótipo deverá estar a funcionar na Lua em meados dos anos 2020. E assim, a década de 2020/30 deverá trazer transformações que até agora só vimos em filmes de Sci-Fi… Como serão essas bases feitas de fungos???

 

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O interessante Polo Sul da Lua e a construção de uma base lunar.