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Que tal vir ver como era Veneza no século XIV, ou perceber que em parte, as fake news podem ser apenas mau jornalismo? Olhamos também para tecnologias consideradas importantes mas que na verdade estão obsoletas, para o estranho sucesso do Pokémon Go, e para a história das bases espaciais. Observamos o calendário editorial da Escorpião Azul e recordamos os veículos das séries clássicas criadas por Gerry Anderson. Estas, e outras leituras, nas Capturas da Rede desta semana. Textos que registam os estranhos caminhos que traçam a nossa história.

Ficção Científica

John Berkey: Old school space opera.

Supersonic Fantasies: Celebrating the Mecha of Supermarionation: Um olhar para o design clássico dos veículos das antigas séries britânicas criadas por Gerry Anderson, cuja equipa se destacou pelas naves que criaram. Ainda hoje marcam a história da ficção científica.

Guy Sees “Cats” On Shrooms, Has A Bad Time: Lembrem-se, nem todos os heróis usam uniforme. Tomar substâncias psicadélicas e ir ver o creepy CGI de Cats é take one for the team, nível ultra.

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Wings For The Flame Blitz: Coisas aéreas.

Escorpião Azul em 2020: Quem vai lendo as recensões de banda desenhada que deixo na H-alt sabe que tenho um gostinho especial em zurzir nesta editora. De tal forma que ainda bem que tenho algum anonimato no fandom de BD (não vou às tertúlias, nem aos lançamentos, e aos eventos só fora das horas mais concorridas), senão o editor manifestaria o seu apreço pelas minhas críticas com umas dolorosas vias de facto. O meu problema com esta editora é suspeitar que, apesar de desafiar muitos novos autores a criar, não faz muito trabalho de edição ao nível do aconselhamento dos criadores. No entanto, é de sublinhar que dá espaço de edição aos novos criadores, bem como a alguns veteranos. É muito significativo que esta tenha sido a quinta editora com mais vendas em Portugal, porque essencialmente edita material de novos autores portugueses. Tem-nos brindado com excelentes surpresas, com trabalhos de Fábio Veras, João Gordinho, Rita Alfaiate, ou Tiago Cruz, entre outros, que sem esta editora dificilmente teriam chegado aos leitores. O plano editorial da editora para 2020 promete, há ali muitos títulos prometedores. Quando numa livraria passarem pela seção de banda desenhada, deitem um olhinho aos livros desta editora. Podem não ser editores perfeitos, mas trazem boas surpresas.

Photo: Monstros mecânicos antropófagos.

Vinge Wins 2020 Heinlein Award: Um reconhecimento da obra marcante de um praticante de Space Opera com um misto de cyberpunk, e também cientista da computação. Só me surpreende uma coisa, no corrente clima polarizado em que a referência alguns nomes do passado está a ser excisada deste tipo de prémios, porque a personalidade e ideologias desses nomes causam desconforto a fundamentalistas do progressismo (aqueles que confundem progresso social com apagar da memória do passado), ainda há um prémio Heinlein? É que se Gernsback tinha um lado facho, Heinlein não lhe ficava nada atrás…

Ron Miller, 1979: Porque os ringworlds não se constroem a si próprios.

1917 turns a nightmare war into a theme park showcase: Ainda não vi este filme, por isso não sei se concordo ou discordo com a crítica (se bem que o trailer me fez parecer que o filme é tipo uma história-périplo, em que os personagens só servem para agarrar a mão do espetador). Mas o texto tem uns insights interessantes sobre a estética do take contínuo, que é tecnicamente excelente, mas a nível narrativo quebra a ligação emocional entre espetador e personagens. Intrigante, a conexão entre a estética dos videojogos e a técnica do take continuo.

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Speed-Mad: Recordar que havia revistas com histórias sobre tudo, até de aventuras de aviadores. Media que decairam com a ascensão da rádio, televisão e Internet, mas há resquícios, ainda se publicam revistas de conto policial e de ficção científica.

Momentos da Tecnologia

More Things in Heaven: Fred Scharmen’s ‘Space Settlements’: Um olhar para a história dos conceitos de habitats espaciais, analisando um livro que aposto que a esmagadora maioria dos leitores do Bit2Geek adoraria ler.

A lazy fix 20 years ago means the Y2K bug is taking down computers now: Quando o código se transforma em infraestrutura, o futuro reserva surpresas destas. A resposta ao ninguém achou que aqueles programas ou normas iam estar a uso vinte ou trinta anos depois, assumindo que seriam ultrapassadas pela evolução da tecnologia, é que nos esquecemos do impulso humano de “se funciona, não mexe”.

Computer Scientists Say They’ve Solved the Mystery of the Orb in Leonardo da Vinci’s ‘Salvator Mundi’: Hoje, temos novas ferramentas ao dispor dos historiadores de arte. A análise computacional das imagens consegue dar novas perspetivas, e até ajudar a perceber a sua autenticidade, ou atribuição.

Guide To Using Reverse Image Search For Investigations: Muito intrigante, este guia sobre como fazer pesquisa inversa de imagens na Internet. Especialmente por se perceber que o Google Image Search é pouco confiável, enquanto os algoritmos do Yandex são assustadoramente certeiros.

20 Technology Metatrends That Will Define the Next Decade: Apesar das observações dos singularitários terem de ser lidas com sentido crítico, não deixam de ser intrigantes visões das tecnologias e problemáticas que já estão a modelar o nosso presente.

When we talk about Facebook: Goste-se ou não da empresa, há uma razão para as pessoas utilizarem redes sociais. Não é para serem focos de recolha de dados, mas para poderem interagir em comunidades locais e grupos de interesse. Normalmente, só olhamos para os piores destes, os grupos de trolls extremistas, mas na verdade a grande maioria dos utilizadores das redes sociais não participam nisto. Mas, se a única janela que se tem sobre as redes é a que mostra o pior, a visão que se tem pode ser necessariamente negativa.

Hide Silent, Hide Deep: Submarine Tracking Technologies of the Cold War: Um artigo fascinante sobre a detecção de submarinos nos tempos da Guerra Fria. Onde tecnologias como o sonar eram ultrapassadas pela detecção de variações de radiação para caçar submarinos nucleares.

Pokémon Go never went away — 2019 was its most lucrative year ever: Talvez a grande surpresa que tive neste ano foi perceber que os meus alunos mais novos estavam a jogar Pokémon Go. Pensava que após a loucura do pico inicial, este jogo tinha deixado de captar a atenção das massas. Pelos vistos, nunca deixou de ter uma grande base de utilizadores. Dos quais, confesso, prazer culposo, faço parte.

Sending clearer signals: O que me intrigou no perfil deste investigador russo que trabalha na área da otimização do espectro electromagnético (quanto mais dispositivos conectados tivermos, mais importante se torna esta gestão, porque as frequências são finitas), é ter lido o que fazia quando era criança. Reconheci um impulso para compreender e apropriar-se da tecnologia, que reconheço nalguns dos meus alunos, crianças para quem não chega usar aplicações, têm de perceber como é que funciona a tecnologia.

Our Neophobic, Conservative AI Overlords Want Everything to Stay the Same: Doctorow parte logo para a polémica, mas talvez a questão não seja assim tão politizada. A força da inteligência artificial vem do reconhecimento de padrões, de analisar e detetar o que se repete no meio da cacofonia de dados. E isso é inerentemente conservador – porque só o que se repete de forma consistente acaba por formar um padrão. O que é novo e inesperado não é padronizável.

Instant Recall: Um belíssimo ensaio sobre a persistência da memória na era digital, quando externalizamos as nossas recordações a serviços e aplicações. Como se as redes sociais e arquivos na nuvem se tornassem na nossa memória externa… que, de facto, o são.

Guerrilla Photogrammetry in London: Fui ao Sketchfab fazer upload de alguns modelos captados com o Display.land e… Dei com  este perfil de um utilizador também apaixonado pela captura do real. Embora a um nível de excelência, com uma técnica fabulosa de captura e hardware a condizer. Para lá da excelência do trabalho, retiro o gosto pela preservação digital do património (I can relate), atenção aos momentos fugazes no espaço urbano (I so can relate), e fascínio pela interação entre tecnologias e história (OMG! I can relate!).

12 Skills That Are Becoming Obsolete: Aqui há tempos, numa reunião onde uma professora observava que considerava muito importante que os alunos aprendessem a ler ponteiros de relógio, só conseguia pensar em como hoje, este tipo de mostradores são mais elemento decorativo do que fundamento de design, e são comuns nos interfaces skeumórficos. Ler mostradores de relógio não faz parte destas doze capacidades que, na maior parte dos casos, já são mais história do que necessidade.

Windows 7: “I’m not dead yet!”: Já passou a data do fim oficial do Windows 7… e… continua a ser usado. Então nas escolas portuguesas, sujeitas a um ministério que não faz qualquer investigação no parque informático das escolas, suspeito que daqui a alguns anos ainda se estará a usar Windows 7. Com todos os problemas de vulnerabilidade que isso traz.

História da Modernidade

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World Underwater: Antever as consequências do aquecimento global, ou a arte a tentar refletir sobre a crise climática.

“Unity, Precision, Thrust”: The NASA Graphics Standards Manual, 1975: Design para o espaço. O We Are The Mutants recorda o livro de estilo gráfico da NASA para 1975.

How Finland’s fake four-day week became a ‘fact’ in Europe’s media: Talvez nem tanto uma fake news, mas claramente um caso de jornalismo preguiçoso que se espalhou em redações internacionais. O que assusta nisto é que se até jornais de referência não se dão ao trabalho de analisar um claro caso de mal entendido da reportagem, imaginem com verdadeiras peças de desinformação criadas para causar confusão. Abala um bocado a fé na qualidade dos media, não abala?

History of the two-day weekend offers lessons for today’s calls for a four-day week: Se a notícia que circula por aí sobre as intenções do governo finlandês em criar semanas de trabalho de quatro dias é um exemplo de desleixo jornalístico, talvez circule porque toca numa daquelas necessidades sociais não expressas. Na verdade, a oficialização de um fim de semana de dois dias é recente, e o movimento para equilibrar horas de trabalho com descanso e lazer foi algo que, quando começou a ser sugerido, esbarrou com os mesmos argumentos de impacto na produtividade e potencial descalabro económico que se usam hoje se se aflorar a questão de repensar a semana de trabalho para quatro dias. Olhar para a história tem destas coisas.

Why We Love Untranslatable Words: Que, na verdade, não são verdadeiramente intraduziveis, mas gostamos de pensar que são para preservar algum mistério no mundo. Claro que se fala também da nossa palavra saudade, que se acham que é exclusiva dos portugueses, rumem à fronteira galega e perguntem o que é a soidade.

From frontispiece to endpapers: the last word on the book: Pequenos detalhes da história dos livros, que dão histórias que os mais bibliófilos irão adorar.

14th-Century Illustration of Venice Is the Oldest Found Yet: Fascinante, esta imagem rascunhada que nos dá um vislumbre do que era Veneza no século XIV. Uma pérola visual esquecida na história.

The Myth of the Artistic Genius: Observar o infelizmente óbvio. Como em muitos outros campos, a história da arte valorizou excessivamente a criatividade dos artistas masculinos, relegando o papel das artistas para o esquecimento, entre o desmerecimento ou o ignorar intencional. Felizmente, o mundo está a mudar.

These Photos Capture the World’s Sewer Systems When They Were Brand New: Podemos ter uma certa reserva perante a ideia de esgotos serem fascinantes, mas na verdade são grandes exemplos do melhor que se faz em infraestruturas. São os mundos subterrâneos que sustentam as nossas cidades.

Paris Museums Put 100,000 Images Online for Unrestricted Public Use: Mais um arquivo de imagens disponível para a comunidade.

A World Without Work by Daniel Susskind review – should we be delighted or terrified?: Bem, a probabilidade do fim do trabalho como o conhecemos ainda está longe, apesar das promessas arrasadores da automação, robótica e inteligência artificial. No entanto, é sintomático ver como a visão de nos definirmos para além do que fazemos parece tão inquietante.

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