Porta que se abre com reconhecimento facial.

No meio de um dia agitado, apercebemo-nos que precisamos de um carro para deslocações. Não somos donos de nenhum veículo automóvel, e não precisamos. Pegar num carro para ir ao local que pretendemos está à distância de alguns toques no telemóvel. Arrancamos a aplicação e sinalizamos que necessitamos de transporte. Em poucos minutos, um carro vem até nós, avisando-nos quando está estacionado em segurança. É hora de pegar novamente no telemóvel, e usar o reconhecimento facial da aplicação para que a porta do veículo se abra. O espaço é pequeno, porque foi concebido para um único passageiro. E se a ideia de conduzir na agitação de trânsito da cidade assusta, não há problema. O volante só lá está para cumprimento das normas europeias. Basta sentar, relaxar, e ir lendo um livro ou preparando materiais de trabalho enquanto o I-ris nos conduz ao destino

Futuros da Mobilidade Automóvel

Numa visita ao evento Build Brighter Futures da Microsoft, que decorreu no espaço do Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa, ficámos a conhecer esta proposta que não deixava ninguém indiferente. Mais do que um veículo de aspeto futurista, o I-ris é um conceito que aponta para o futuro próximo da mobilidade urbana. Em conversa com os representantes da Altran, ficámos a conhecer este projeto inovador que tem um toque português.

O I-ris é um protótipo de veículo autónomo desenvolvido em parceria pela Altran e pela Renault. Investiga diferentes vertentes da futura mobilidade sustentável, integrando tecnologias que vão da propulsão elétrica à computação quântica, passando pelos sistemas de visão computacional, inteligência artificial e biometria. Está a ser desenvolvido a partir do chassis de um Renault Twizy. Este pequeno compacto urbano elétrico foi a plataforma escolhida para as equipes de engenharia e computação da Altran desenvolverem as diferentes soluções integradas de condução autónoma deste veículo.

I-ris: Plataforma de Veículo Autónomo

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Concebido a partir de um Renault Twizy

O primeiro elemento que salta à vista é a quantidade de modos de sinalização de que o veículo dispõe, com displays exteriores que complementam os tradicionais sinais luminosos. Estes servem para melhorar a segurança de peões e outros condutores, complementando os avisos essenciais. O I-ris também é capaz de comunicar via 5G com outros veículos autónomos e semi-autónomos na estrada, ajudando a garantir maior segurança e fluidez viária.

Como veículo autónomo, os dados dos diferentes sensores são coligidos por um sistema de inteligência artificial no próprio veículo. Para já, os computadores sobre os quais correm estes algoritmos ocupam todo o espaço que num Twizy normal estaria reservado a um dos passageiros, mas os engenheiros da Altran estão a trabalhar para diminuir o tamanho destes componentes. Este é um dos aspetos interessantes do I-ris. À semelhança de veículos autónomos mais complexos, todo o processamento é feito pelo próprio veículo, o que lhe permite deslocar-se sem intervenção do condutor em zonas sem qualquer conectividade.

Sensores e IA Preditiva

Veículo pensado para mobilidade individual.

O pacote de sensores do I-ris inclui o esperado neste tipo de veículos. A visão computacional do sistema de inteligência artificial colige dados de sensores de proximidade, câmaras e LIDAR para elaborar uma imagem em tempo real das condições da via. O algoritmo está programado com condições preditivas, ou seja, não se limita a reagir ao ambiente que o rodeia. Por exemplo, se detetar uma bola, sabe que as probabilidade de haver crianças nas proximidades são muito elevadas. Ou que a deteção de alguns tipos de sinalização rodoviária aumenta as possibilidades de situações de perigo. Em conformidade com a lei europeia sobre veículos autónomos, que obriga à existência de sistemas de intervenção humana que se sobreponham ao algoritmo, o veículo dispõe de um volante que, se acionado pelo passageiro do I-ris, se sobrepõe aos sistemas de inteligência artificial.

Um Novo Conceito de Mobilidade

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Usar uma app para chamar um I-ris

O conceito de mobilidade sustentável do I-ris vai mais longe do que a condução autónoma. O veículo é elétrico, e não está pensado para ser adquirido por condutores que serão seus proprietários ao longo da sua vida útil. O modelo concebido pela Altran e Renault assenta na subscrição de um serviço de mobilidade. Os seus utilizadores pagam pelo acesso e serviços, não se preocupando com mais nada. Cabe ao fabricante automóvel a manutenção mecânica do veículo e gestão de todas as obrigações legais. Sempre que necessitam de transporte, os subscritores chamam um veículo através da aplicação para telemóveis, que chega até eles de forma autónoma. Esta é uma aplicação de conceitos de mobilidade futura em que o paradigma do condutor dono de veículo é substituído pelo carro enquanto serviço. O foco dos fabricantes muda da simples venda de automóveis, passando a conceber a condução enquanto serviço.

Neste modelo, altera-se o conceito do veículo enquanto propriedade do condutor. Este passa a ser utilizador, e o veículo pertence ao serviço de mobilidade, quer seja de um fabricante automóvel quer de uma empresa independente. Estas empresas são responsáveis pela manutenção, e os automóveis estão constantemente ao dispor de vários utilizadores. De um ponto de vista ambiental, é uma ideia que faz muito sentido. Hoje, o foco na propriedade do veículo traduz-se no uso regular de máquinas para deslocações diárias de curta ou média distância, em que durante a maior parte do tempo o automóvel está estacionado. Mudando o foco para o carro enquanto serviço, este torna-se um transporte comum se que apanha sempre que se necessita. Um veículo não passará a maior parte da sua vida útil parado, mas sim a servir continuamente diferentes utilizadores.

O Toque Português do I-ris

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Volante para que o utilizador possa sobrepor-se ao algoritmo.

O projeto I-ris é francês, como já referimos fruto de uma parceria entre os especialistas em engenharia e automação Altran e a fabricante de automóveis Renault. Mas há uma pequena, mas muito crucial, contribuição portuguesa para este projeto. Um veículo autónomo conectado representa um alvo muito tentador para hacker maliciosos e cibercriminosos. Para isso, engenheiros da divisão portuguesa da Altran estão a desenvolver algoritmos de encriptação quântica, para securizar o veículo.

As capacidades do I-ris não se esgotam na simples mobilidade urbana. Pode ser uma plataforma de gestão complexa de mobilidade, servindo em simultâneo de transporte de passageiros e pequenos objetos de forma autónoma. Articula-se com outros veículos e sistemas inteligentes de gestão de tráfego através de meios digitais, bem como condutores de veículos não autónomos através de sinalização visual que transmite ao exterior as informações coligidas pelos sistemas do veículo. Ainda em desenvolvimento, esta proposta mostra como a integração de veículos elétricos com inteligência artificial, sistemas inteligentes de gestão e redes de comunicação avançadas muda os conceitos clássicos de mobilidade.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.