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Há semanas em que as Capturas são especialmente profícuas, e esta foi uma delas. O que destacar? A descoberta de vírus com milhões de anos em glaciares. As medidas de desnazificação literária da Alemanha levadas a cabo pelos Aliados no pós-guerra. O legado de Alan Turing. As polémicas do reconhecimento facial, menos por cá que a tecnologia está a ser implementada sem uma verdadeira discussão pública. Entrevistas de emprego conduzidas por algoritmos. Algumas das melhores obras de BD portuguesa editadas em 2019. E o apurado sentido de moda de Zardoz. Mas há mais leituras à vossa espera, neste espaço onde o digital e o real se cruzam.

Mundos da Ficção Científica

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1973 Jerome Podwil cover art to The Weathermakers by Ben Bova: Coisas da Ficção Científica old school.

New York City’s Futuristic Buildings: Nova Iorque não é a primeira cidade que vem à mente quando se fala de arquitectura futurista, mas entre os seus bairros, há edifícios surpreendentes.

Zardoz: Já conhecem este filme? Se não, vale a pena a descoberta de um dos grandes clássicos do mau cinema de ficção científica. Há que admirar o fashion sense futurista dos designers de adereços. A imagem de Sean Connery vestido naquilo que melhor pode ser descrito como muito arejado fato de banho ficou para a história. Aposto que nunca mais se vão esquecer desta imagem, daquelas que por muito que queiramos, não conseguimos desver.

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Syd Mead: Do grande mestre da concept art.

2019: As escolhas da G. Floy: 2019 foi um excelente ano para a edição de banda desenhada por cá, e o editor da G.floy lista alguns dos melhores títulos, de acordo com a sua opinião.

A ficção especulativa em Portugal – 2019: Um apanhado do que se fez por cá nos domínios da fantasia e ficção científica, entre lançamentos literários e festivais.

Philippe Druillet: Da FC psicadélica francesa.

MATTE PAINTING REVIEW: A Selection of Overlooked Films – Part Seven: Segurem-se. O Matte Shot voltou a publicar (é sempre raro mas excecional), preparem-se para um longo e sempre surpreendente post com pérolas da pintura de cenários para cinema, e técnicas antigas de practical effects.

Odd Ducks: Unusual Aircraft from the Movietone Collection, 1921-1934: Conhecem o dito “avião bonito voa bem”? QED. Estas monstruosidades são calhaus com asas.

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Moebius: Um festim para o olhar.

Festival Contacto – Poster: Em Abril, ruma-se a Marvila para encontrar os criadores de literatura fantástica e banda desenhada portugueses. Azar meu, calha em cima de um evento com os meninos do meu clube de robótica, mas após análise de calendário percebi que dá pelo menos para passar uma manhã no Contacto. Para abastecer de livros (prefiro comprar diretamente às editoras e criadores), e fazer um workshop para crianças de desenhos animados com programação de Micro:bits em tablets.

Lou Feck: Cenas old school.

Imperial March: Dorfman and Mattelart’s ‘How to Read Donald Duck’: Rever os clássicos comics Disney como arma cultural, forma de mudar percepções, ou propaganda encoberta.

2019: 11 obras de autores portugueses a ler: São excelentes sugestões de leitura para conhecer a banda desenhada portuguesa contemporânea. Li alguns, e atesto pela sua qualidade narrativa e gráfica.

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True Tales of the Old Dogs: Um artefacto dos tempos em que as revistas literárias eram uma forma de entretenimento popular.

Paul Lehr pulls out all the stops for this May 1979 Analog cover: Fun fact – a Analog ainda hoje é publicada, um dos últimos vestígios do outrora vibrante campo das revistas de literatura de ficção científica.

Gideon Falls #1 e #2: Este mergulho no horror de Lemire e Sorrentino é das melhores séries de banda desenhada publicadas por cá.

Tecnologia Digital

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February 1978 cover art for Modern Electronics: Funcionalmente automático.

Why Discovering Martians Could Be Disappointing: A busca por vida em Marte tem-se mostrado elusiva, e este artigo também recorda o meteorito que contém no seu interior traços de possível vida marciana, que antecederia em muito o surgimento da vida na Terra. Hipóteses estudadas, sem provas suficientes para conclusões. Ou seja, o melhor é ir lá escavar, para perceber se realmente há, ou houve, vida no planeta vermelho. Quem se voluntaria?

There’s a new obstacle to landing a job after college: Getting approved by AI: Não surpreende, usar algoritmos de Inteligência Artificial para ajudar a processar currículos, executar entrevistas a candidatos e apoiar o processo de decisão dos recursos humanos. Mas a falta de transparência destas ferramentas é preocupante.

AN ORAL HISTORY OF RICKROLLING: Nem precisam de ler o artigo, o meu objetivo já foi cumprido. Aposto que na vossa cabeça já estão a ouvir mentalmente os sublimes acordes. Vá, cantem comigo: “never gonna give you up…” não precisam de agradecer.

“Many smartphones now use machine learning to make photos look…: Artefactos registados quando a aplicação de algoritmos não consegue o esperado.

The Future of Money: AI Investors, Crowdlending, and the Death of Cash: Futuro, aqui, é um conceito discutível. Muitos destes sistemas estão a generalizar-se, ao ponto do gesto de tirar notas ou moedas da carreira parecer um anacronismo.

‘It’s a war between technology and a donkey’ – how AI is shaking up Hollywood: No entanto, não é uma boa notícia. Porque este tipo de análise algorítmica, querida pelos estúdios para minimizar riscos e aumentar lucros, apenas analisa padrões, ou seja, recomenda dentro do espectro do que é popular. O risco de sugerir algo que seja verdadeiramente novidade é mínimo, o que este tipo de análise estatística permite é criar mais do mesmo. Bom para as finanças dos estúdios, mas mau para a cultura cinematográfica.

Silicon Valley Abandons the Culture That Made It the Envy of the World: Essencialmente, cresceram, e perceberam o poder e riqueza que se podem obter nas economias de grande escala.

How Music Copyright Lawsuits Are Scaring Away New Hits: Coisas que acontecem quando os direitos de autor deixam de se uma forma de proteção aos criadores, mas uma indústria de extorsão. Como, por exemplo, processos contra músicos porque uma canção faz lembrar o sentimento de outras. Não por copiar sem autorização melodias ou letras, o que é realmente plágio.

3D printing to help tortured bones: Já não é novidade, mas é sempre bom analisar de que forma as tecnologias de manufatura aditiva são usadas na medicina. E sem o lado Sci-Fi de imprimir partes do corpo. Apenas como um auxiliar de diagnóstico para ajudar cirurgiões a preparar intervenções complexas.

Lexus had its European design team imagine vehicles for moon mobility: Pena que não passem disso mesmo, de conceitos.

The EU might ban facial recognition in public for five years: Porque é preciso tempo para perceber o que estas tecnologias são realmente capazes, e as problemáticas de privacidade, enviesamento ou falhas que revelam. Dada a rapidez da sua adoção, é preciso analisar e legislar para impedir abusos ou injustiças.

Governo avança com reconhecimento facial, apesar de riscos. AMA não revela participantes do concurso: Por outro lado, por cá o governo segue o caminho inverso. E de uma forma peculiar. Sem escrutínio, sem discussão pública, sem se saber quem está a concorrer e com que tecnologias, colocando as decisões em datas estrategicamente pensadas para passarem despercebidas. Nada como ter um governo de um país democrático a querer implementar um sistema que ameaça liberdades e direitos, e ainda por cima é vulnerável a exploits e enviesamentos, à revelia de todos. E mantendo o silêncio sobre o assunto. Sou só eu que fico arrepiado quando vejo tecnologias de vigilância invasiva associada a governos?

ONE NATION, TRACKED: Para quem segue estas questões, não há aqui grande novidade. Na verdade, o que surpreende é que os jornalistas se sintam surpreendidos pela facilidade com que se podem identificar pessoas com base nos padrões registados pelos dados de geolocalização . Que podem ser os simples pings dos telemóveis a comunicar com a rede celular. Posto isto, é claro que este nível de rastreamento, que se fosse implementado por governos levantaria o espectro do totalitarismo, mas é largamente ignorado pelas pessoas por ser uma consequência intencional do ecossistema digital, levanta preocupações. É por isto que a união europeia implementou o RGPD, precisamente para travar este controlo secreto que recai sobre todos nós.

How Confucius loses face in China’s new surveillance regime: Essencialmente, ética externalizada. O bom comportamento e respeito pelas normas sociais não porque há valores interiores formados na personalidade dos indivíduos, mas porque não há fuga possível ao olhar algorítmico da vigilância digital.

My Personal Instagram “Lifehack”: Compreendo perfeitamente esta atitude. Para mim, o Instagram é a rede social das fotografias deslumbrantes, e na minha conta apenas sigo utilizadores criadores de excelentes imagens. Há mais no Instagram para além da patetice dos inuencers e celebridades. Aliás, é além deste mundo de futilidade algorítmica que se encontra o melhor do Insta.

Every Place Is the Same Now: A tecnologia digital como cilindro compressor dos espaços, acabando com a diferenciação entre espaços de lazer, pessoais e laborais. A transformação do mundo num contínuo não lugar, onde estamos mais ligados aos nossos dispositivos do que aos espaços físicos. Eu ainda juntaria a sensação de atemporalidade, a sensação de imersão num eterno agora, distraídos da passagem do tempo por um constante fluxo torrencial de novidades trazidas pelos meios digitais.

Ubiquitous Surveillance Cameras Are Changing Our Understanding of Human Behavior: Hipervigilância como elemento de recolha de dados para investigação em ciências sociais.

80 ADDITIVE MANUFACTURING EXPERTS PREDICT THE 3D PRINTING TRENDS TO WATCH IN 2020: Fazer predições é sempre arriscado, e o Josef Prusa coloca isso muito bem recordando que outrora, 640k seria memória suficiente. Nestas, tirando aquelas que são corporate PR copiadas e coladas, há uma tendência. A impressão 3D não como tecnologia de consumo, pessoal (o Prusa é o único que fala disso), mas como tecnologia industrial, de produção e manufatura digital avançada.

A próxima revolução: Não é uma visão muito otimista dos impactos da robótica, automação e inteligência artificial na economia e mundo laboral. Ou talvez o seja, a médio prazo, com a deslocação da produtividade dos meios humanos para os mecânicos e digitais a ter de fazer evoluir um novo paradigma social, onde o trabalho não é o que define a identidade humana. O problema é que até lá, como Krippahl observa, muitos se vão tramar.

Seguir en Windows 7 pasa factura: Alemania pagará 800.000 euros por seguir recibiendo actualizaciones de seguridad: Por cá, tem sido visível o saber que todo um setor de serviços públicos, a educação, foi apanhada pelo fim do suporte ao Windows 7. Apetece dizer lá como cá, só que não: “el Ministerio del Interior alemán lleva desde 2018 con un programa de apoyo gubernamental para proceder con la migración. De las 30 autoridades que están participando en dicho programa, 20 se han mudado a Windows 10, pero el problema, explica Krings, es que el número exacto de ordenadores anticuados no se puede conocer porque no hay una “visión general central”“. Lá pagar-se a manutenção, mas também se faz a renovação progressiva. Por cá, diria que o problema de não se saber exatamente a dimensão do parque informático não se coloca, anualmente são preenchidos questionários a identificar o número de computadores nas escolas. Eu que o diga, que tenho de os preencher, e é dos usos mais inúteis do meu tempo. Não que não seja importante contabilizar e registar, mas pela inutilidade implícita em saber que essa informação não vai servir de nada, porque há zero investimento digital no para lá de obsoleto parque informático das escolas.

Your online activity is now effectively a social ‘credit score’: Serviços digitais que nos negam a prestação de serviços se, após análise do nosso perfil digital, não gostarem do que vêem. É o tipo de sociedade que, se fosse imposição política, levantaria gritos de revolta, mas como são plataformas digitais, todos aceitam. A questão não está na potencial criminalidade ou não que poderia levar à negação, mas no ser baseado em perfis que revelam visões de moralismo restritivo.

LIVING IN ALAN TURING’S FUTURE: A New Yorker recorda o legado do matemático que criou as bases conceptuais para o nosso mundo digital contemporâneo, que assenta numa miríade de máquinas de Turing, e ainda se envolveu nas questões de Inteligência Artificial. A sua morte prematura, por estupidez homofóbica, foi uma enorme perda para a humanidade.

The Email Appliance: Na era em que o telemóvel se tornou o centro multifunções da computação para a esmagadora maioria das pessoas, há uma certa nostalgia nestes dispositivos que funcionavam só para um uso específico .

The Way We Write History Has Changed: Mais um item para a lista de coisas em que o digital se mostrou disruptivo – a forma como é feita a pesquisa. Adeus às longas horas reverenciais fechado em arquivos, ou às preciosas fotocópias. Telemóvel, fotografias para registar páginas e artefactos, para que possam ser analisadas tranquilamente pelo investigador no seu gabinete de trabalho.

Modernidade Digital

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*A new genre is born: O que o Bruce Sterling disse. Coisas do digital.

What Are the Odds of Alien Contact?: Matematicamente, existem, e as ciências do espaço têm descoberto um número crescente de planetas em zonas habitáveis dos seus sistemas solares, onde poderá haver hipótese de existir vida.

O Mito da Meritocracia…A Piada Que se Transformou num Dogma: Apesar da sua agressividade militante, o SciMed tem sempre pontos de vista desafiantes. Especialmente por usar a ciência para desmontar ideias enraizadas no espaço de pensamento que nos é comum.

Classical musicians in a Culture War: Um grupo de músicos pouco convencionais vai viver para o campo, em busca de uma vida mais bucólica, mas depressa descobrem que a mítica hospitalidade camponesa afinal não existe. Aparentemente, experiências musicais são consideradas satânicas, e denunciadas pelo jornal paroquial local. Mas o artigo em si vai mais além deste detalhe, e mostra uma experiência curiosa de entender a música erudita, embora embata nessa impossibilidade que é aproximar a alta cultura das massas.

Scientists Found Ancient, Never-Before-Seen Viruses in a Glacier: É isso, para a ciência, é perigoso. Mas não das formas que esperamos, de eventuais pandemias provocadas por vírus milenares para os quais a humanidade não tem defesa. Na verdade, destes vírus restam vestígios de ADN, e na remota eventualidade de despertarem da sua dormência, seriam perigosos para bactérias e organismos microscópicos. O perigo científico está no desaparecimento, irremediável, de vestígios microscópicos do passado da vida na Terra.

Another “Phantastic” Video Shows The Japanese Phantoms Flying The First Sorties Of Their Last Operational Year: É todo o fim de uma era na aviação, com os voos finais de uma clássica aeronave dos tempos da Guerra Fria.

The Denazified Library: Um pormenor histórico intrigante, a censura ativa e destruição de livros levada a cabo pelos aliados na Alemanha ocupada no rescaldo da II guerra. A inquietante necessidade de recorrer aos métodos nazis de restrição da informação (embora sem as cerimónias de queima de livros considerados perniciosos) para poder implementar uma sociedade democrática. Algo que requeria a desnazificação dos livros, onde a propaganda se manifestava das formas mais discretas. Como em manuais de física ou matemática, onde os problemas tinham a ver com ações militares.

‘Collapsologie’: Constructing an Idea of How Things Fall Apart: Análise a um movimento intelectual francês particularmente pessimista sobre as correntes tendências que modelam o mundo.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.