A Axiom Space foi escolhida na semana passada pela NASA para começar a construir módulos de acoplamento para a ISS – Estação Espacial Internacional, com vista a iniciar o desenvolvimento de uma estação espacial autónoma da Axiom. A construção de postos avançados no Espaço é uma realidade que vai começar a surgir em meados desta década, e que será reforçada por comunicações à velocidade da luz. Bom, e como é que tudo isto se conjuga?

Antes de mais Axiom Space é uma empresa pequena (com cerca de 60 colaboradores – a maioria deles sendo ex-contratados da NASA) sediada em Houston no Texas, e é fornecedora de serviços para estações espaciais como a ISS (Estação Espacial Internacional), além de ser fabricante de componentes para apoio aos serviços vôo espacial tripulado.

Esta empresa foi fundada em 2016 pelo seu actual CEO, Michael T. Suffredini. O seu fundador foi coordenador na NASA do programa que gere a Estação Espacial Internacional, a partir do Johnson Space Center.

Em 2018 a Axiom contratou o designer francês Philippe Starck, que para além de ser filho de um engenheiro aeroespacial é também um conhecido entusiasta do espaço. Esta contratação visou projetar o interior dos futuros módulos de habitação da Estação Espacial Axiom, e entre os primeiros projectos que se conhecem para construção de habitats espaciais estão módulos com as paredes completamente cobertas por estofos, que por sua vez são revestidos por uma segunda camada de LEDs que mudam de cor. Para serem acoplados à ISS, claro!

Sabe-se que a Axiom terá contratualizado com uma empresa não divulgada até ao momento o lançamento destes módulos. Sem termos a certeza, e apenas porque são conhecidos os parceiros da Axiom, a lógica ditaria que os serviços de transporte tripulado possam vir a ser fornecidos pelos “táxis espaciais” CST-100 Starliner da Boeing, que por sua vez voaram a bordo dos foguetões da United Launch Alliance, nomeadamente dos classe Vulcan.

Recentemente e mais concretamente a 27 de Janeiro de 2020, de surpresa a NASA anunciou que teria dado permissão à Axiom Space para lançar até 3 módulos que pudessem ser ligados à ISS – Estação Espacial Internacional, até 2024.

Onde vão ser ligados os módulos da nova Axiom Space Station?

Actualmente está a ser proposto que o primeiro desses módulos possa vir a ser acoplado ao módulo Harmony, o que implicaria a recolocação dos módulos PMA-2 e IDA-2.

Axiom, Estação Espacial
Legenda: Módulo PMA-2, Adaptador de Acoplamento Pressurizado Créditos: NASA/OSMA – Office of Safety and Mission Ansurance

Também em baixo podemos ver o módulo espacial Harmony, formalmente conhecido como Node 2, e que funciona centro de utilidades da Estação Espacial Internacional. Actuando como centro de ligação para vários outros componentes, este Hub está preso por 6 CBMs (mecanismos de atracação).

É a partir deste ponto que é fornecido a energia eléctrica recolhida pelos paneis solares da ISS, bem como os dados electrónicos, funcionando desde 2007 como uma das zonas de multiuso mas também das mais críticas da ISS, razão pela qual é gerido isoladamente a partir do Marshall Space Flight Center da NASA em Huntsville. O braço robótico da Estação Espacial, o Canadarm2, por exemplo opera no exterior do Harmony.

ISS, Axiom
Legenda: Módulo Harmony da ISS. Créditos. Alchetron

Os novos módulos da Estação Comercial Axiom…

Antes de mais a ideia parece ser extraordinária, no que diz respeito à sua execução…

Vai então chamar-se “Segmento Axiom”, ao primeiro módulo que vai acoplar na ISS até 2024, e vai servir de grande observatório da Terra, com janelas enormes, além de vir a servir de habitação da tripulação. Poderá ainda receber mecanismos adicionais de pesquisa. Mais tarde é suposto que a Axiom adicione hardware privado e um módulo de voo livre.

Pouco mais se sabe para além de que a NASA terá negociado com a Axiom um contrato de 5 anos, com eventual extensão por mais dois para concretização desta estação comercial “paralela”.

Contudo este anúncio é muito sério, uma vez que a equipa da Axiom é um consórcio que inclui Boeing, Thales Alenia Space Italy, Intuitive Machines e a Maxar Technologies.

Quanto aos “turistas” que vão frequentar a Axiom Space Station, segundo o administrador da NASA, Jim Bridenstine, esta fase será “uma etapa crítica para a NASA atender às necessidades de longo prazo de treinamento de astronautas, pesquisas científicas e demonstrações de tecnologia em órbita baixa da Terra”

A referir por último esta iniciativa da Axiom aparece no seguimento das propostas da iniciativa Next Step-2, sobre a qual o Bit2geek já tinha alertado anteriormente.

A proliferação de postos avançados no Espaço…

A Axiom não está a ser visionária no que diz respeito a ter estações em órbita da Terra. Sabe-se que foi estendido o tempo de utilização ou melhor, o “prazo de validade” da ISS até 2030, e a Axiom está a aproveitar-se disso para ter uma “oficina temporária” no Espaço, e a partir daí começar a construir em escala. Também a ISS foi crescendo até ter 16 módulos, algo que acontecerá com as futuras estações espaciais (sejam elas comerciais ou não), que também vão crescer à volta de uma estrutura base…

Será assim com a estação da Axiom Space, como será assim com o Lunar Gateway, que aparecerá no Espaço Cis-Lunar (entre a Terra e a Lua), para dar apoio às às operações de colonização lunar em 2024, no âmbito do Programa Artemis da NASA.

Percebe-se isso quando vemos especificado pela NASA, que a estação da Axiom será usada como ponto utilizado para manufactura aditiva “zero-GH”, nomeadamente para fabricação de fibra óptica e outros componentes que permitem a construção de bases/plataformas de apoio.

É com este ambiente de corrida ao Espaço e à construção de postos avançados, que podemos enquadrar as pretensões de construir uma base acoplada por exemplo da Bigelow Aerospace, de quem o Bit2geek também já falou, e que são concorrentes da Axiom.

Não é contudo a única… Na peugada dos postos espaciais avançados está também a Nanoracks, que se juntou à Oils Robotics de Seattle, para desenvolver uma extensão para a ISS… Recentemente a actualização de status do Twitter do CEO da Nanoracks, Jeffrey Manber, referia para além dos parabéns à Axiom, o desejo de que pudessem sair mais Flyers para concursos da NASA (naturalmente para dessa vez ser a Nanoracks a ganhar).

Comunicações 6G – o que muda no Espaço?

Ainda não chegou o 5G, pelo menos em “mmv” ou de alta velocidade, estando nós a experimentar agora em nossas casas a versão Sub-6 do 5G, que é apenas um 4G ou LTE mais rápido.

Mas foi anunciado em Dezembro do ano passado pela Agência Xinhua, que a China já começou a desenvolver a versão 6G.

Essa versão 6G de internet será 8.500 vezes mais rápida que a versão 5G, atingindo velocidades de 1 terabyte por segundo, o que permitirá a utilização de mapas holográficos tridimensionais, para além de versões de realidade virtual e aumentada, tão real que será difícil distiguir a realidade da ficção.

Ora o 6G chegará ao consumidor comum por volta 2030, altura em que algumas destas empresas espaciais vão estar a fornecer serviços comerciais no Espaço, como turismo espacial. Mas por volta de 2030, também estaremos em pleno a explorar recursos lunares (de acordo com o Programa Artemis, que começa em 2024), pelo que a Lua será habitada por seres humanos.

Portanto resta a pergunta: que tipo de Inteligência Artificial estará a acompanhar estes grandes complexos espaciais, estes postos avançados, daqui por 10 anos? Que nível de sofisticação termos ver?

A realidade da proliferação de postos avançados no Espaço, acompanhado um sistema de comunicações a velocidades devastadoras, permitirá o estabelecimento rápido de colónias para além da órbita terrestre. E esta é uma realidade para a qual grande parte das pessoas ainda não acordou!

Junte-se ao “knowledge espacial” da humanidade, as velocidades 6G e à supremacia quântica (resolver em 200 segundos com um computador quântico, uma tarefa que demora num computador normal cerca de 10.000 anos a resolver), que a Google disse em Outubro passado ter atingido… Então dentro de 10/15 anos teremos um mundo que actualmente só é possível vislumbrar em filmes de ficção científica.

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