redes neuronais, Esrgan, filmes antigos
Imagem de GWENT, retirada do Fórum Projeckt RED

Ver filmes antigos dos Irmãos Lumiére em 4K será hoje em dia possível? A Inteligência Artificial ou as “máquinas que aprendem“, estão a transformar todos os dias a realidade tal como a conhecemos, e desta vez com redes neuronais que actualizam conteúdos clássicos (filmes antigos e videojogos arcaicos), para os transformar em conteúdos que podem ser consumidos de acordo com as exigências de qualidade actuais. Quem não gostaria de ver um filme do Charlie Chaplin em 4K? Ou as primeiras produções dos Irmãos Lumiére, os pais do cinema? Ou jogar um videogame “retro”, que hoje em dia não teria interesse nenhum porque utilizava na altura tecnologia arcaica, embora no passado tenha feito as nossas delícias?

A chegada dos Mooders “Retro”!

Os Mooders podem ser entendidos como os “Hackers dos Mod’s” ou seja aqueles que trabalham com recursos que permitem “modificar”, fazendo melhorias (na área da codificação, design, etc) dos conteúdos que actualmente consideramos arcaicos, transformando-os em conteúdos altamente motivantes para os consumidores da “sociedade da informação”, que estão habituados a padrões de exigência elevados na selecção dos conteúdos que consomem (sejam estes filmes arcaicos ou sejam eles jogos pixelizados).

Anteriormente para que as equipas de design e codificação pudessem fazer isto mesmo, levariam muitos meses senão anos a alterar um conteúdo curto para um padrão de consumo apetecível. Mas actualmente surgiu um recurso, apoiado em redes neuronais que acelera e muito este processo…

Este “recurso modificador” apareceu associado a um utilizador do Reddit chamado BearBorgOne, que em Março do ano passado usou um programa chamado ESRGAN (que significa Redes Adversárias Gerativas de Super-Resolução Aprimoradas – e que se pode fazer o download aqui) para re-texturizar o popular clássico Metroid Prime 2 do GameCube, transformando-o numa obra-prima em 4k.

O recurso ESRGAM retira as texturas de base originais (do jogo ou filme), analisa-as e em seguida preenche de novo a “baixa resolução”, aprimorando os objectos enquanto preserva o design original.

Parecendo contudo que é fácil (e efectivamente é mais simples do que anteriormente era), actualmente ainda é preciso fazer ajustes pontuais ao algoritmo que gere as imagens, fazendo-lhe afinações contínuas. Por exemplo, um “monstro” que a Inteligência Artificial tem ainda dificuldade em reconhecer, pode levar muitas horas de ajustes para finalmente poder limpar a imagem original com uma complexidade que pode tomar 5 a 15 horas por objecto (ainda bem que as redes neuronais não precisam de descansar!).

Mas as experiências têm-se multiplicado, e um professor norueguês chamado Daniel Trolie, já actualizou também o The Elder Scrolls III: Morrowind, um clássico de RPG de 2002. E a partir de agora os títulos vão continuar a aparecer, até chegarmos àquele jogo que de facto nos marcou…

As comunidades destes “Hackers de Mod’s” têm estado a crescer, e no que diz respeito aos jogos, podemos por exemplo ir acompanhando o desenvolvimento da comunidade do Reddit em r/GameUpscale reddit ou então no Discord channel, onde podemos assistir à partilha de tecnologia e receber informação sobre o lançamento de jogos antigos melhorados…

Fazer magia com filmes antigos, e revisitar o mundo dos irmãos Lumiére…

Também é possível fazer “Movie Magic” utilizando Inteligência Artificial…

Foi considerado na altura ser uma maravilha cinematográfica o aparecimento da curta-metragem (como é óbvio um filme “surdo” ou sem som) intitulada “L’Arrivée d’un train en gare de La Ciotat”. A preto e branco e completamente rudimentar, não era mais do que isto:

Ora este modelo não é minimamente atractivo para os dias de hoje, e é um conteúdo que pertence ao grupo daquilo que “não nos apetece consumir”…

Mas foi um “YouTuber” chamado Denis Shiryaev que resolveu fazer uma experiência, cruzando a Inteligência Artificial para aumentar a resolução deste filme arcaico, passando este filme do século 19 para algo tecnologicamente mais apetecível, desta feita em 4K e a 60 frases por segundo…

Desta forma o original de 1896 foi submetido a uma análise de “granulado” ou ruído, em que vários elementos do filme são praticamente impossíveis de decifrar, para ser aprimorado através da utilização de dois programas para melhoramento de vídeos: um deles que servia de Interpolação de “frames” de vídeo com reconhecimento de profundidade e outro chamado Gigapixel AI (o segundo para trabalhar sobre a versão mais “limpa” do primeiro clipe a ser aprimorado, tornando-o ainda mais nítido e suave.

Os resultados do melhoramento da primeira versão (utilizando a Interpolação de “frames” de vídeo com reconhecimento de profundidade) são estes:

Ao que se segue a aplicação do Gigapixel AI, num segundo aprimoramento, e cujos resultados finais são estes (e desta vez juntando-lhe som):

Os filmes antigos dos irmãos Lumiére ajudam-nos a voltar atrás no tempo…

Auguste Lumiére (nascido a 19 de Outubro de 1862) e Louis Lumiére (nascido a 5 de Outubro de 1864), nasceram há dois séculos atrás na França, em Besançon, uma cidade perto da fronteira com a Suíça.

Eles eram filhos e aprendizes de um industrial fabricante de películas fotográficas, chamado Antoine Lumiére, e que era dono da fábrica Lumiére (Usine Lumiére), que após se reformar em 1892 passou para os filhos, os dois irmãos Lumiére…

Logo após a reforma do pai, os dois irmãos terão inventado o “cinématographe”, uma máquina de filmar que era simultaneamente projetor de cinema e que teria sido inventada pelos dois irmãos… Ou talvez não tenha sido bem assim…

Parece que o primeiro inventor do “Cinematografo” terá sido um homem chamado Léon Bouly, que o fez no ano da reforma do pai dos irmãos Lumiére em 1892, quando os irmãos ficaram encarregues da fábrica Lumiére… Mas segundo alegava na altura Bouly, este perdeu o papel da patente, o que permitiu aos irmãos Lumière registarem esta invenção como sendo sua…

Talvez se Bouly tivesse ficado com os créditos de ter sido o inventor, não houvesse tanto material como há agora… De facto, os irmãos Lumiére apressaram-se a fazer vários filmes para promoção da SUA invenção, o “cinématographe”…

É possivelmente por isso que tenham ficado para a História como pais do cinema, ou pais da Sétima Arte…

Estes filmes que agora começam a ser divulgados em massa, foram entretanto melhorados com som e aprimoramento de imagem, tal como explicámos neste artigo…

Por esta razão estes filmes de uma França de há dois séculos atrás, cruzada com a tecnologia actual, passam à posteridade em 4K e com som…

E “how cool is that?” É que há demasiados filmes estragados e perdidos que vão poder ser recuperados, e de diversas épocas… O que será que ainda vamos ver mais?

Até lá deixo-vos com mais um filme de Paris, há 2 séculos atrás e em 4K, pela mão dos Irmãos Lumiére…

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