investimento, Trump, Nasa Lua em 2024
Legenda: Representação artística de um pouso lunar. Créditos: Nasa

No final de Janeiro foi apresentada uma proposta no Congresso norte-americano, que punha em causa os esforços da NASA e da indústria espacial de “devolver” humanos à Lua em 2024, no âmbito do Programa Artemis, com o objectivo de “ir para ficar” ou seja, de criar uma presença sustentável na Lua, através da criação de um posto avançado ou base lunar.

O programa Artemis tal como temos falado aqui, vem no sentido responder á solicitação da Casa Branca de garantir a preponderância dos Estados Unidos no Espaço, tendo por isso sido solicitado à NASA, através da Directiva 1 de política espacial da Casa Branca para “liderar um programa inovador e sustentável de exploração com parceiros comerciais e internacionais para permitir a expansão humana em todo o sistema solar e trazer de volta à Terra novos conhecimentos e oportunidades“. Chama-se a esta directiva a “Moon to Mars”.

Esta preponderância no Espaço passa pela exploração de recursos lunares, nomeadamente energéticos, mas também da exploração de matérias primas raras ou super-raras, provenientes do impacto de asteróides na Lua.

Esta proposta de lei, ou seja este novo acto de autorização, recolocava o calendário para uma abordagem lunar apenas em 2028.

Entre as várias propostas desta “autorization bill” de reescrição dos timmings para a Lua e Marte (por exemplo esta proposta de lei atrasa a colonização da Lua em 2024, mas obriga a uma missão orbital a Marte em 2033, algo que é bastante mais complexo, e sem a base lunar será então praticamente irrealizável). Diversos orbitadores já estiveram em Marte, e a única coisa que pode interessar é uma missão de desembarque em Marte, para a qual ainda se está a desenvolver tecnologia de “shielding”, para resolver problemas como o do impacto da radiação solar e da radiação cósmica – que é mortal para os humanos.

A discussão da “autorization bill” pode ser vista no vídeo seguinte, e foi a tentativa de “matar” o programa Artemis em tempo útil:

Mas a “autorization bill”, a proposta de lei (muito longe ainda de se poder vir a transformar numa lei), é principalmente desconhecedora das prioridades do Espaço, algo que não pode passar ao lado de quem se interesse pelo tema: missão orbital em 2033 (que não é prioridade), atrasar em 4 anos a exploração dos recursos energéticos lunares (que seria uma loucura face à concorrência da China, da Rússia e da Índia), recolocar o enfoque no suporte à ISS (cujo prazo de validade foi estendido até 2020, depois até 2025, e por último cenário até 2030, com os diversos problemas que a estação espacial internacional tem tido), recolocar o enfoque na Ciência (quando existe um ambiente de Gold Rush aos recursos espaciais), restruturação do Programa Lunar (tendo já sido adjudicado o Programa de entrega de Cargas Comerciais na Lua, a privados – parceria essa que não se pode abandonar a meio), desenvolvimento de uma política de lançamento de pequenos satélites, e enfoque no desenvolvimento de programas “climáticos”, determinação de que a prospecção e mineração lunar deve ser feita à margem do Programa Artemis e apenas pelos privados, etc…

O Congresso tentou atrasar o Programa Artemis…

Numa expressão, o acto de autorização proposto no Congresso dos EUA é desastroso e explicável apenas pela proximidade de eleições em Novembro deste ano.

De facto a NASA enquanto agência espacial dos Estados Unidos propôs o Programa Artemis numa atitude de (por uma lado) regulação, na medida em que privados como a SPaceX ou a Blue Origin já estão em condições de se lançar á conquista da Lua em “ambiente de consórcio”, e a Nasa quer manter o ascendente sobre os produtos em desenvolvimento  para a exploração espacial; E (por outro lado) porque as restantes nações se encontram num ambiente de “Gold Rush” (“febre do ouro”) no que diz respeito à exploração de recursos espacial, com 149 países a desenvolverem actualmente lançadores/foguetões para iniciarem a conquista do Espaço.

Como tal o Administrador da NASA Jim Bridenstine expôs a fragilidade desde projecto de lei (que na nossa opinião nunca irá ver a luz do dia com a actual configuração, dadas críticas no “Blog da NASA”), para além da enorme contestação que a “autorization bill” recebeu de por parte da Planetary Society e da Commercial Spaceflight Federation, bem como da Associação das Indústrias Aeroespaciais e da Coalizão para Exploração do Espaço Profundo, para além de privados que são empreiteiros da NASA, como por exemplo a Boeing.

Aliás rapidamente foi assumido no Congresso que este projecto lei “não era ideal”, tal como foi enfatizado pelos membros do subcomitê da Câmara para a área do Espaço. Outra coisa também seria difícil de perceber!

Entretanto em “Boca Chica”, a SpaceX persegue o retorno à Lua com o Programa Artemis em 2024…

Estão já anunciadas pela NASA as 16 cargas úteis para serem entregues em 2021 na Lua, e há outras tantas missões a serem programadas para serem lançadas a partir de Junho de 2021 com carga científica, e com instrumentação que visa pavimentar o caminho para missões tripuladas à Lua.

Aliás os funcionários NASA anunciaram já em comunicado que “concluímos o trabalho de atribuir cargas úteis de ciência e tecnologia a cada uma das entregas iniciais de CLPS (Serviços de Carga Lunar Comercial da NASA). Esta etapa permite que os nossos parceiros comerciais concluam o importante trabalho de integração técnica necessária para transportar as cargas úteis e aproxima-nos do lançamento e do desembarque das investigações que nos ajudarão a entender melhor a Lua, antes de enviar a primeira mulher e o próximo homem para a Lua.”

Destas 16 cargas úteis a SpaceX lançará de Boca Chica (na sua base), 6 delas: são elas a sonda Nova-C, fabricada pela Intuitive Machines, que recebeu US $ 77 milhões da NASA, e que levará consigo 5 cargas úteis (o LN-1, o SCALPSS, o ROLSES, o LRA, e o Navigation Doppler/LIDAR), cada uma destas cargas são independentes e provenientes de laboratórios diferentes, e alguns deles da própria NASA.

A resposta da Casa Branca ao projecto de lei que atrasa a colonização lunar para 2028.

Foi divulgado ontem que a Casa Branca pediu ao Congresso que autorizasse o averbamento ou inscrição de mais 25 mil milhões para o ano fiscal de 2021, destinados à NASA. Este averbamento destina 12, 4 mil milhões destinados especificamente ao pouso lunar.

A presidência de Trump está preocupada em fazer neste campo aquilo que presidentes como George W. Bush ou Obama não fizeram, e que é depois de anunciar uma medida na área do Espaço, garantir o seu financiamento de forma eficaz e sustentada.

Se formos confirmar, este é mais um aumento significativo e que vem a acontecer desde 2017, quando por iniciativa do Presidente Trump a NASA viu aumentado o seu orçamento em 20 mil milhões (no ano em que o Presidente Trump assumiu o cargo), sendo que em 2020 foi novamente aumentado em 22,6 mil milhões (para o ano fiscal que termina a 30 de Setembro).

Esta é a melhor forma e mais esclarecedora sobre se o governo do Presidente Trump está tentar ou não dar um grande impulso para o financiamento anual da NASA, a fim de cumprir sua missão de colocar um homem e uma mulher na lua até 2024: Fazendo um super-financiamento que encerra de vez todas as questões e atrasos!

No seu pedido de orçamento anual divulgado segunda-feira, a Casa Branca pediu ao Congresso que alocasse mais de US $ 25 bilhões para a NASA no ano fiscal de 2021, com US $ 12,4 bilhões destinados especificamente ao programa de pouso na lua. Isso seria outro aumento significativo no financiamento da agência espacial, que viu seu orçamento anual subir de menos de US $ 20 bilhões em 2017, ano em que o presidente Donald Trump assumiu o cargo, para US $ 22,6 bilhões no ano fiscal de 2020, que termina em 30 de setembro.

A Nasa pode comemorar em o Programa Artemis também, mas há mais…

Além disso o documento mapeia diversas medidas de redução orçamental que permitirão uma nova subida de 26,3 mil milhões para o futuro ano fiscal de 2025, sendo que convém referir que tradicionalmente o Congresso financia a NASA nos níveis solicitados pela Casa Branca, uma vez que a questão espacial tal como as questões de Defesa normalmente são entendidas como questões supra-partidárias, e no supremo interesse do país. Ainda assim, já aconteceu no passado o Congresso ignorar a suspensão de programas específicos como por exemplo o cancelamento do observatório espacial WFIRST, embora estas sejam questões pontuais de estratégia.

O anúncio chegou também via Twitter, e pela mão do Administrador da NASA, Jim Bridenstine:

A verdade é que a NASA estava a trabalhar num pouso lunar até 2028, antes do Presidente Trump tomar posse. Foi em Março passado que o Vice-Presidente Mike Pence anunciou que a NASA tinha recebido instruções para reduzir significativamente a linha de tempo que permitiria o início da colonização lunar para 2024.

E se virmos o resumo dos últimos grandes desenvolvimentos na área do Espaço (no último ano), ficamos com a certeza sobre aquilo que se segue nos próximos anos…

A Lua está cada vez mais perto…

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