Programa Discovery, Sistema Solar, Discovery, Dawn, missões da NASA
Representação artística do sistema solar. Créditos: NASA

O Programa Discovery: Não é muito conhecido mas há um concurso na NASA para seleccionar missões de exploração do Sistema Solar de privados, e que se afirma aliás como uma forma de a agência espacial norte-americana seleccionar boas ideias e com custos reduzidos, mantendo a preponderância na exploração espacial no Espaço. Esse concurso chama-se Discovery Program e foi formalmente iniciado em 1994, com requisitos curiosos…

1- Tem que ser “super-rápido”: O Discovery Program (também conhecido como Discovery & New Frontiers Program) obriga a que os laboratórios participantes apresentem um projecto que possa ser desenvolvido em tempo record, concretamente em menos de 36 meses;

2- Tem que ser também “super-barato”: O custo do desenvolvimento de um projecto tem que ser inferior aos US $ 190 milhões, sendo que o custo global da missão deverá ser inferior a US $  299 milhões de dólares americanos.

No âmbito deste programa, que visa estimular o desenvolvimento de novas tecnologias (e inovadoras) na área da exploração espacial, ficaríamos surpreendidos ao constatar que foi com base num concurso entre laboratórios e universidades (para estimular os programas nacionais de educação), que hoje em dia sabemos tanto sobre Espaço.

De facto a vastidão do sistema solar, leva a que as missões demorem anos a chegar ao seu objectivo, e portanto só recentemente começámos a ouvir falar delas… E depois há muitos locais para explorar… Mas se não confirmássemos o site da NASA dedicado ao Discovery Program, quem acreditaria que missões como a Dawn que estudou o asteróide Vesta e  o planeta-anão Ceres, que se encontram na Cintura de Asteróides depois de Marte?

Por exemplo Ceres encontra-se a 582,337,688 Km, ou o equivalente a 3,89 unidades astronómicas, o que significa que se a própria luz for emitida a partir de Ceres iria demorar 32 minutos e 22 segundos a chegar do planeta-anão até à Terra…

O enquadramento do Programa Discovery.

De facto o Discovery Program teve o seu voo inaugural a 17 de Fevereiro de 1996, e o seu último voo a 10 de Setembro de 2011… Quando falamos na Missão Dawn que foi explorar o planeta-anão Ceres e o asteróide Vesta, que se encontram ambos na Cintura de Asteróides entre Marte e Júpiter, de facto estamos a falar de uma nave/sonda espacial (a Dawn) que foi lançada a 27 de Setembro de 2007, a partir de um foguetão/lançador Delta II 7925H da ULA – United Launch Alliance, e que se dirigiu a Marte a uma velocidade de 41 260 km/h (ou 4,3 Km por segundo), fazendo-lhe um “Flyby” a cerca de 542 Km de altitude e dirigindo-se para a Cintura de Asteróides em seguida. Desta forma só começámos a ouvir falar da Missão Dawn quando esta começou de facto a orbitar o seu objectivo, ou seja Ceres, onde chegou em Março de 2015…

Da mesma forma também só começámos a ouvir falar de outras missões importantes, no âmbito do Programa Discovery alguns anos depois destas terem sido lançadas. São exemplo disso a Missão Kepler, um telescópio espacial destinado a procurar exoplanetas, e que foi lançada a 6 de Março de 2009; Ou a NEAR (Near Earth Asteroid Rendezvous), que foi a primeira missão deste programa, lançada a 17 de Fevereiro de 1996, e que orbitou com sucesso o asteróide 433 Eros; Também a Mars Pathfinder que foi lançada a 4 de Dezembro de 1996 e que chegou a Marte a 4 de Julho de 1997, tendo esta missão sido responsável por pôr em prática uma série de técnicas inovadoras que viriam mais tarde a ser utilizadas noutras missões.

Também se inclui a Lunar Prospector que era um orbitador lunar que foi lançado a 7 de Janeiro de 1998, e que estudou a Lua a partir da sua órbita durante 18 meses, tendo criado mapas detalhados das alterações gravitacionais da Lua. A Stardust participou também no Programa Discovery sendo lançada a 7 de Fevereiro de 1999 e teve o objectivo de recolher amostras do Cometa Wild 2 para as devolver à Terra. Ou a Missão Genesis que tentou recolher amostras do vento solar, tendo sido lançada a 8 de Agosto de 2001. E ainda a CONTOUR (Comet Nucleus Tour), que tendo sido lançada a 3 de Julho de 2002 tinha como objectivo orbitar dois cometas distintos, mas perdeu-se a telemetria da sonda e esta foi dada como perdida.

E por fim as sondas MESSENGER e Deep Impact. A Messenger foi lançada a 3 de Agosto de 2004 e foi enviada ao planeta Mercúrio, tal como o seu nome indica (MESSENGER – MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry) ou a Deep Impact, que era um módulo de impacto contra o cometa Tempel 1 e que foi lançada a 4 de Julho de 2005, tendo o impacto sido registado em vários observatórios espalhados pelo mundo.

Programa Discovery: Para continuar a exploração do sistema solar…

Há cerca de 3 dias atrás a NASA anunciou quais seriam os 4 novos finalistas do Programa Discovery, e que daqui a alguns anos vão estar a fazer história (pelo menos a partir do momento que lá chegarem)…

Foram mais de uma dúzia de projectos focados na exploração de mundos diferentes, e todos eles com uma meta abaixo dos US $ 500 milhões de dólares, dos quais foram seleccionados 4 finalistas, e destes 4 finalistas apenas um ou dois serão escolhidos já no próximo ano para poderem vir a ser lançados no Espaço.

Segundo o que a Presidente do Conselho de Estudos Espaciais das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina, Margaret Kivelson afirmou recentemente à imprensa norte-americana, é que desta vez temos uma “mistura interessante” de projectos…

E para uma “mistura interessante” o procedimento é o seguinte: agora, para cada um dos 4 projectos seleccionados, há um estudo adicional de 9 meses para desenvolver e amadurecer alguns dos conceitos inovadores que foram apresentados a concurso. Esse estudo de nove meses será acompanhado por uma bonificação de US $ 3 milhões financiados pela NASA para testar tecnologia, o que culmina com um “Relatório de Estudo Conceitual”, que será apresentado para avaliação final, para que mediante o seu valor científico e contribuição para o desenvolvimento de futuras sondas espaciais possa ser escolhida a melhor (ou as duas melhores) proposta.

E então que propostas vão concurso, agora???

1- DAVINCI + (Investigação de Vênus em Atmosfera Profunda de gases nobres, química e geração de imagens Plus)

An artist’s conception shows the DAVINCI+ probe descending through Venus’ atmosphere on the end of a parachute. (NASA / GSFC Photo)

O DAVINCI + analisará  “eventualmente” a atmosfera de Vênus, com o objectivo de perceber como esta se formou, como evoluiu e para determinar se Vênus já teve um oceano.

A ideia é o DAVINCI + mergulhar na atmosfera inóspita de Vênus para durante a descida  ir medindo com precisão a sua composição até a superfície. Porque Vénus tem uma pressão atmosférica enorme (correspondente a 90 atmosferas terrestres), todos os instrumentos voarão encapsulados dentro de uma esfera capaz de resistir ao ambiente altamente hostil de Vénus.

O “+” no DAVINCI + refere-se ao componente de imagem da missão, que inclui câmeras na esfera de descida bem como no orbitador, e que estão projetadas para mapear e tipificar  a rocha de superfície. Relembramos que a última missão a Vénus liderada pela NASA foi em 1978, pelo que os resultados de uma eventual missão teriam o potencial para reformular os estudos científicos até agora feitos, num planeta que no futuro se pensa poder vir a ser possível habitar.

Este projecto é liderado James Garvin do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, em Greenbelt no Maryland. Se ganharem poderá aliás ser o Goddard Space Center a fornecer o gerenciamento de projetos.

2 – Observador do Vulcão Io (IVO)

Io, sistema solar, Discovery
Legenda: A sonda Galileo da NASA capturou a lua Io, que orbita o planeta Júpiter durante uma erupção vulcânica a 28 de Junho de 1997. Créditos: NASA/JPL/DLR

A IVO foi pensada para explorar a lua de Júpiter, Io, com o objectivo de aprender como as forças das marés moldam os corpos planetários. Io é aquecido pela constante pressão da gravidade de Júpiter e é o corpo com mais actividade vulcânica activa em todo o sistema solar.

Sabemos pouco sobre as características específicas de Io, e a ideia era usar uma sonda que pudesse fazer diversos “flybys” a uma distância próxima da superfície desta lua. Se for esta a missão escolhida, os resultados podem revolucionar nossa compreensão sobre a formação e evolução dos corpos rochosos no sistema solar, mas também sobre o funcionamento dos mundos oceânicos gelados. O líder desta missão é Alfred McEwen, da Universidade do Arizona em Tucson e seria o Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel no Maryland, a fornecer o gerenciamento de uma eventual missão.

3- TRIDENTE

A missão Trident exploraria Tritão, uma lua gelada e altamente ativa que orbita o planeta Neptuno, com o objectivo de estudar a habitabilidade a grandes distâncias do nosso Sol.

A razão de ser desta missão é o facto da missão Voyager 2 da NASA ter mostrado que Tritão tem “ressurgimento ativo” ou seja, gerou a segunda superfície mais jovem do sistema solar, além de que tem potencial para que ainda existam erupções de superfície, para além de plumas de vapor, sendo que é provável que esta lua tenha também uma atmosfera. Louise Prockter da Associação de Pesquisa Espacial do Instituto Lunar e Planetário + Universidades, é a líder deste projecto e apresentou o JPL – o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena na Califórnia, para gerir uma eventual missão vencedora.

Existe a suspeita de que a lua Tritão possa albergar vida, tal como explica o vídeo acima.

4- VERITAS (Emissividade de Vênus, Radio Ciência, InSAR, Topografia e Espectroscopia).

A VERITAS é outra das missões destinadas a mapear a superfície de Vénus, com o objectivo de mapear a sua história geológica. A ideia aqui seria orbitar Vénus com um radar, para reconstruir processos topográficos, avaliar processos tectónicos e estudar o vulcanismo na superfície de Vénus. Essencialmente a ideia é estudar a geologia de Vénus que é amplamente desconhecida. Suzanne Smrekar do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA em Pasadena na Califórnia, é a líder deste projecto e seria o JPL a gerência este projecto.

Vamos ver qual destes projectos ganha, ou se ganhará mais do que um…

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