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Novidades da Editora Polvo e do Festival de BD de Beja. Conseguimos ler o Marquês de Sade, hoje? Bacalhau à italiana. O cruzamento entre autoritarismo e tecnologia digital. Os futuros do futuro do trabalho. O fantástico português a afirmar-se no estrangeiro. Livros infantis inquietantes. Esta é a ponta do véu das Capturas desta semana, sempre em busca de leituras que mostrem de que forma evolui o nosso mundo.

Mundos da Ficção Científica

Paul Alexander cover art for Frank Herbert’s Whipping Star: Nem tudo se resume a Dune.

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Divulgação: XVI FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA, de 29 de maio a 14 de junho. AS EXPOSIÇÕES: ACHDÉ – França; ANDREW SMITH – Inglaterra; BARTOLOMÉ SEGUÍ – Espanha; DITIRAMBOS (Exposição coletiva) – Portugal; Com Diogo Carvalho, Francisco Ferreira, Nuno Filipe Cancelinha, Raquel Costa, Ricardo Baptista e Sofia Neto.; FERNANDO LLOR E PABLO CABALLO – Espanha; JAYME CORTEZ – Brasil/Portugal; JOÃO E RICARDO TÉRCIO – Portugal; JORGE MAGALHÃES – Portugal; LELE VIANELLO – Itália; LUÍS LOURO – Portugal; MARTÍN LÓPEZ LAM – Peru; MIGUELANXO PRADO – Espanha; NUNO PLATI – Portugal; PATRÍCIA GUIMARÃES – Portugal; R. M. GUÉRA – Sérvia/Espanha; RUBÉN PELLEJERO – Espanha; SHENNAWY, TOK TOK & COMPANHIA – Egito; UMBRA (Exposição coletiva) – Brasil/Canadá/Portugal Com Bárbara Lopes, Delfim Ruas, Filipe Abranches, Hugo Maciel, João Chambel, João Sequeira, Jorge Coelho, Pedro Moura, Sama, Sérgio Sequeira, Simon Roy e Vasco Ruivo.; VINCENT VANOLI – França

OS AUTORES DAS EXPOSIÇÕES PRESENTES EM BEJA NOS DIAS 29, 30 E 31 DE MAIO: ACHDÉ, ANDREW SMITH, BARTOLOMÉ SEGUÍ, Autores da coletiva DITIRAMBOS, FERNANDO LLOR e PABLO CABALLO, JOÃO TÉRCIO, LELE VIANELLO, LUÍS LOURO, MARTÍN LÓPEZ LAM, MIGUELANXO PRADO, NUNO PLATI, PATRÍCIA GUIMARÃES, R. M. GUÉRA, RUBÉN PELLEJERO, SHENNAWY, Autores da coletiva UMBRA, VINCENT VANOLI

OUTROS CONVIDADOS PRESENTES EM BEJA NOS DIAS 29, 30 E 31 DE MAIO: EXPOSIÇÃO DE JAYME CORTEZ, FABIO MORAES – Brasil (Especialista na obra de Jayme Cortez. Comissário da exposição), JAIME CORTEZ FILHO – Brasil (Filho de Jayme Cortez. Comissário da exposição); SIMONE CORTEZ – Brasil (Neta de Jayme Cortez. Comissária da exposição); EXPOSIÇÃO DE JORGE MAGALHÃES, AUGUSTO TRIGO – Portugal, Autor. CATHERINE LABEY – Portugal, Autora. Comissária da exposição. MARIA JOSÉ MAGALHÃES PEREIRA – Portugal, Divulgadora de Banda Desenhada. Comissária da exposição; EXPOSIÇÃO DE LELE VIANELLO

JEAN-MARC CHAUSSY – França Éditions Mosquito. Comissário da exposição. E TAMBÉM… GIAMPIERO CASERTANO – Itália, Autor. JORGE ZENTNER – Argentina, Autor. JOSÉ RUY – Portugal, Autor. JUNILSON FARIA MERGULHÃO – Angola, Autor. LINDOMAR DE SOUSA – Angola, Autor. NICOLAS GRIVEL – França, Nicolas Grivel Agency. Revisão de portfólios. OLIMPIO DE SOUSA – Angola, Autor

If You Want To Think… Think Twice.: Mindex, um novo lançamento de BD portuguesa que promete ser uma boa história de ficção científica.

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Frank Frazetta: Porque as naves também podem ser sexy.

The Miracle of Roses, and Exporting Portuguese Mythology: Uma leitura intrigante, em que uma jovem escritora portuguesa de fantasia, que formou o seu estilo no cânone internacional do género, percebe o potencial do substrato mítico e histórico nacional. E, especialmente, que este possa ser fascinante para quem não conhece a nossa cultura. Votos do maior sucesso para o romance que está a editar nos Estados Unidos, e esperemos que por cá não passe despercebido. Fiquei de curiosidade desperta.

Photo: Mais do que um sentimento?

THE CREEPIEST CHILDREN’S BOOK: De facto, olhando para as fotos, literatura infantil é o que está mais longe da mente. Mas é-o, e foi leitura formativa para muitas mulheres que hoje são artistas. Ser creepy para crianças não é necessariamente mau, os miúdos não podem crescer na ilusão que o mundo exterior é perfeito, e o ser creepy é uma excelente metáfora para a falta de inocência do mundo (antes de serem sanitizados, os contos de fadas e histórias infantis tradicionais serviam exatamente para isso) . No entanto, grande parte da literatura infantil não é verdadeiramente para crianças, é mais para deleite de adultos criadores. É uma sensação que me fica sempre que vejo os livros infantis profusamente ilustrados com estilos gráficos que não ficariam descabidos em museus de arte moderna e contemporânea, ou intrincados livros objeto cheios ricos de detalhes fascinantes, mas demasiado frágeis para as mãos das crianças. Aliás, quando pego nas edições luxuriosas, com ilustradores de cair o queixo e efeitos gráficos pop-up ou de recorte, de editoras como a Kalandraka, fico a pensar se aquele livro se destina mesmo a ser lido por crianças, ou se é só para os pais pegarem.

Divulgação: “Morro da Favela” (2.ª edição, aumentada), de André Diniz (texto e desenho) e Maurício Hora (Fotos). Inaugura dia 14 de Fevereiro, sexta-feira, pelas 18h00, a Exposição “Morro da Favela”, de André Diniz e fotografias de Maurício Hora, na casa Pau-Brasil Lisboa (Rua da Escola Politécnica, nº 42) com a presença dos dois autores. O livro será lançado no evento. Haverá uma conversa com o jornalista João Morales a que se seguirá uma sessão de autógrafos. A exposição, que se prolonga até 31 de Março, é promovida pela Embaixada do Brasil em Lisboa, tem produção da Bienal de Quadrinhos de Curitiba, numa parceria com a Livraria da Travessa e a Casa Pau-Brasil e conta com o apoio da Polvo. A distribuição em livraria ocorrerá durante a segunda quinzena de Fevereiro.

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retroscifiart:Stellar Radiance by David A Hardy (1969): Num outro lugar.

E. T. A. Hoffmann: O Homem da Areia: Sem querer zurzir muito no Candeias, a Olympia é um dos traços precursores da robótica na ficção científica. Mas confesso que quando li o conto, também me surpreendeu esta referência tão explícita a máquinas que simulam vida.

science70: Steven Eisler, Space Wars: Worlds & Weapons…: Guerra no espaço, disseram?

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Vision Of Possibility: Não sei o que é melhor. Se a carabina, se o monstro, se o chapéu da mulher.

‘Into Guarded Space,’ by John Berkey: Space opera. ‘Nuff said.

The Handmaid’s Tale: o original e as adaptações: Confesso que nestas coisas, sou purista, prefiro o original. Mas o romance de Atwood é tão influente, que não escapa a múltiplas versões.

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Philip Castle’s art for a 1980 Flash Gordon poster: Revi há pouco tempo este delicioso filme campy, que ia levando o produtor Dino De Laurentis à falência. Décadas depois, o filme continua muito pateta, mas magistral pela forma como assume isso, e pela exuberância da sua estética.

Forma da Tecnologia

Robots at Work and Play: Do fascínio estético pela robótica.

The history and futures of work since the 50s: Uma interessante e bem desenhada retrospectiva de como se trabalhava. Completa com visões das várias épocas sobre as inovações que modelariam o futuro do emprego.

Machines have learned how to be creative. What does that mean for art?: Máquinas criativas? Tal será possível? De certa forma, sim, no sentido de criatividade enquanto resolução de problemas. Resta a questão do significado, da consciência da sensação provocada, ou provocadora, da necessária criativa. Algo que, novamente, dentro de parâmetros específicos, também parece acontecer. Por incomodativo que seja pensar que a criação artística, que sempre sentimos como algo de intrínseco e exclusivo do humano, também possa ser possível por algoritmos.

Hey, remember number stations? Whatever happened to them?: Estações de rádio que apenas transmitem séries de números. Ninguém sabe bem para que servem, com que finalidade operam. Terreno fértil para teorias da conspiração.

The Brutal Lessons Gaming Taught Me About Revolutions, Robots, And War: Uma intrigante viagem pela ideia de lógica nas revoluções, usando um curioso ponto de vista. Jogos de computador em que a lógica tradicional de herói que combate poderes repressivos tem um desvio, em que as ações dos poderes são a forma de manter estabilidade e evitar o colapso dos seus mundos.

A History of Fashion’s Obsession with the Space Age, From Courrèges to Chanel: Não sendo particularmente literato nestas coisas da moda, desconhecia este gosto tão marcante dos designers de moda de alta costura pela iconografia do espaço. Que não passa disto, de algum apropriar iconográfico de estéticas do sci-fi e futuristas para despertar alguns olhares no meio da estética de irreverência luxuosa das grandes casas de moda.

The Digital Dictators: Como observa o John Naughton, a cujo blog fui buscar esta leitura, esta é daquelas coisas que deixa sóbrios os eufóricos das utopias digitais. Recordo há alguns anos o elogio à Internet como força disruptora, capaz de meter nas mãos de ativistas ferramentas e formas de organização que iriam deitar abaixo autocracias e alastrar a democracia por esse mundo fora. Agora, vemos essas mesmas tecnologias a ser usadas de forma explícita ou implícita para erigir sistemas pervasivos de hipervigilância digital, cuja capacidade de rastreamento individualizado seria imaginável apenas nos sonhos húmidos da KGB, Stasi ou Gestapo. Hoje, a capacidade de vigilância e potencial repressivo é alimentado pela tecnologia digital. A promessa libertária esfumou-se no emergir de um novo tipo de totalitarismo, onde o algoritmo toma o lugar da bota cardada.

Visions of Spaceflight Circa 2001 (1984): Missões tripuladas a Marte, Lua e asteróides? Infelizmente, como em demasiadas destas coisas, nunca passaram dos conceitos. Viver nos primórdios da era espacial é muito frustrante. Sabemos o que podemos fazer, mas também sabemos que a tecnologia ainda não dá resposta a tudo o que precisamos para ir às estrelas. E sabemos também que o maior problema, é o financeiro.

Somos incapaces de ubicar estas 12 islas en un mapa y eso que usamos sus dominios casi a diario: Uma visita a territórios longínquos, alguns inabitados, cujos domínios de Internet os tornam apetecíveis para a economia digital. Como Tuvalu, com o sufixo .tv, ou o território britânico do oceano Índico, o muito usado .io.

The Spatial Politics of Geofencing: Ou como a restrição dos sinais GPS se pode tornar uma forma de estudar o espaço, numa arma de defesa, uma técnica de hacktivismo, ou um novo modelo de negócio.

Coronavirus: This Is How Air Evacuation Of Patients Under Biosafety Containment Works: Uma capacidade ainda rara nas forças aéreas globais, o poder fazer transporte aéreo em alta segurança de risco biológico, analisado pelo Aviationist.

How Your Laptop Ruined Your Life: Costuma-se apontar o dedo ao smartphone por permitir conectividade constante, e erodir as barreiras entre vida pessoal e profissional. No entanto, aqui o pior culpado é o discreto computador portátil. Se o smartphone nos mantém contactáveis, o portátil permite-nos ser produtivos, com acesso às aplicações que precisamos para trabalhar.

‘Toddlers Are Delighted With Themselves’: As câmaras frontais dos telemóveis enquanto espelhos, que permitem às crianças muito novas brincar com a sua face, numa fase de descoberta da sua identidade. A lente, como forma de se ver a si próprio.

How to Program Sony’s Robot Dog Aibo: Tendo em conta o elevado custo deste robô (faz o não parecer uma pechincha), isto é o mais próximo que deverei chegar de perceber como funciona o interface de programação visual do novo Aibo, baseado no Scratch. Como seria de esperar, torna simples experimentar com as capacidades deste robô.

Artificial intelligence made in Europe: Entre o vale tudo americano e a distopia de hipervigilância chinesa, a Europa tem a possibilidade de desenvolver uma terceira via na inteligência artificial, em que o que conte é ser uma ferramenta ao serviço das pessoas e sociedades, e não uma forma de governância repressiva ou meio de enriquecimento a qualquer preço.

The Scream’ Is Fading. New Research Reveals Why: Não há aqui grande novidade. Os pigmentos das tintas degradam-se na sua composição química, desvanecendo-se ou alterando as cores. Ou seja, as cores que vemos nos mais famosos quadros da história da arte mundial já não são as suas cores originais. Para combater isso, os conservadores alistam ajuda da física, usando instrumentos avançados para analisar os efeitos do tempo nos pigmentos, e recriar as cores originais.

CIA Spied Using Sabotaged Encryption Equipment It Sold to Foreign Governments Since the 1970s: Com amigos destes, quem é que precisa de inimigos? Ironicamente, um dos grandes argumentos face ao uso de tecnologias desenvolvidas por empresas chinesas para redes 5G é o risco de, com a tecnologia, vir um canal direto para o governo chinês monitorizar as nossas comunicações. O aviso mais insistente sobre isto vem dos americanos, e com uma notícia destas, o comentário óbvio é não admira que estejam preocupados, porque fazem exatamente o mesmo. Em essência, os mecanismos de criptografia adquiridos pela maior parte dos governos mundiais foram desenvolvidos com vulnerabilidades intencionais, que facilitavam o acesso da CIA, NSA e agências parceiras às comunicações secretas, de forma a decifrar as comunicações.

Forma da Modernidade

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Jean-Jacques Lequeu, Visionary Architect: Bizarrias arquitectónicas entre o estranho e o delirante.

THE BEST BOARD GAMES OF THE ANCIENT WORLD: De alguns apenas restam vestígios, outros, ainda hoje continuam a ser jogados. E outros ainda estão a ser recriados, resgatados do esquecimento pelo trabalho de historiadores. O impulso lúdico, tão humano, e tão milenar.

The Joy of Collecting Stamps From Countries That Don’t Really Exist: A filatelia como porta de entrada para o bizarro mas fascinante mundo das micronações. Países imaginários, territórios de independência pessoal, e até mesmo, no caso de Sealand, uma antiga plataforma anti-aerea da II guerra no canal da mancha que se tornou um principado criado por um inglês, de estatuto duvidoso.

Gritty Educational Reformer of the Working Class: Antes dos livros de bolso, havia os panfletos. Se recordamos os penny dreadfuls pelo seu lado violento e escandaloso (o quê, pensavam que a ideia do click bait é inédita na história?), também serviam para democratizar o acesso a escritores mais canónicos.

Problems With Germans Win WW2 Scenarios: Também não é preciso ser desmancha prazeres. As histórias em que a Alemanha nazi vence a II guerra são especulações, e ses. Na verdade, uma análise cuidada da história mostra que apesar de toda a sua capacidade, a Alemanha nazi meteu-se numa aventura militar que não tinha forma de vencer. E o resto, é a história sangrenta do século XX, que forjou a Europa contemporânea.

How Dried Cod Became a Norwegian Staple and an Italian Delicacy: Estou deprimido. Afinal, o bacalhau seco não é aquele gosto tão exclusivo dos portugueses? Os italianos também gostam? Mas aposto que não tem as mil e uma (estimativa em bruto, são mais) deliciosas maneiras de o cozinhar.

The dark shadow in the injunction to ‘do what you love’: Ou, colocando a questão noutros termos. Até que ponto, de que forma, o trabalhar no que gostamos se torna prejudicial, porque o foco no que fazemos é tão intenso que negligenciamos família, amigos, tempos livres? Ok, confesso, como workaholic assumido, acabei de ter um momento fml.

Antarctica is hotter than it’s ever been: Portanto, as temperaturas antártidas andam pelas do dia fresquinho de primavera por aqui? Claro que por lá, agora, é verão, mas a época estival naquelas paragens não era suposto ser tempo de ir à praia. Bem vindos ao novo normmal. E vai piorar.

Database of old book illustrations: Para designers, ou simples apaixonados pelo estilo das antigas gravuras que ilustravam livros. O que é que será que lá se encontra se pesquisarmos por “futuro”?

THE TERROR AND THE FASCINATION OF POMPEII: Revisitar as palavras de Plínio, cronista do desastre de Pompeia, mas também recordar que a dureza dos vestígios arqueológicos, a visão dos antigos romanos petrificados sob o vulcão, é o que nos permite empatizar com este sofrimento preservado em basalto.

The Unexpected Elegance of Apocalyptic Seed Vaults, In Photos: Um estudo fotográfico da arquitectura, e das plantas e sementes preservadas nos arquivos biológicos.

Chinese military planes fly past Taiwan for 2nd straight day: O governo chinês está a precisar de uma distração para o coronavirus. Nada como recuperar antigas tensões e apelar ao patriotismo para isso.

Reading Sade in the Age of Epstein: Ler Sade não é para todos, requer estômago forte e sentido critico. Os seus delírios, baseados nas suas preferências sexuais, pressagiaram os exageros do fascismo. Hoje, com o me too e os escândalos tipo Epstein, sobre milionários que violam com impunidade as mais elementares regras morais, Sade é potencialmente mais polémico. Pessoalmente, sempre achei que os seus livros merecem ser lidos para se perceber a profundidade da maldade humana, um exemplo da antítese do humanismo.

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