Phobos, lua de Marte, MMX
Legenda: Imagem de Phobos capturada pela sonda da NASA "Mars Reconnaissance Orbiter"

A Agência Espacial Japonesa JAXA anunciou na semana passada que deseja lançar uma missão para retorno de amostra à lua marciana Phobos. Esta missão vai chamar-se Martian Moons Exploration (MMX), e será lançada em 2024. Se for bem sucedida esta missão será a primeira a devolver uma amostra do sistema marciano à Terra.

De momento temos pouco mais do que o Comunicado da JAXA, e do breve vídeo que ilustra a missão MMX, contudo há alguns assuntos que são importantes mencionar…

Uma missão lançada da Terra até Marte leva cerca de 6 a 9 meses a chegar. A MMX quando atingir o sistema marciano vai passar 3 anos a investigar e mapear as luas Phobos e Deimos, a partir da sua órbita. Esta investigação feita a partir do orbitador MMX é sem precedentes, uma vez que levará a bordo 11 instrumentos de pesquisa (o que é bastante).

Quanto à recolha de amostras em Phobos, o objectivo é devolver à Terra cerca de 10 gramas que tenham sido recolhidos a pelo menos 2 cm de profundidade (abaixo da superfície de Phobos).

A JAXA informou que o objectivo da missão MMX é responder às perguntas de como se formaram estas duas luas marcianas: Se faziam parte de Marte e foram dele separadas por um evento violento, se estavam unidas e se separaram, ou se fazem parte de um corpo exterior a Marte que ficou preso na sua gravidade.

Para além disso a investigação sobre estas duas luas poderá ajudar a esclarecer como é que o planeta Marte conseguiu capturar água, dando origem a uma fase ambiental de que se suspeita, e que terá ocorrido à milhões de anos atrás.

Em principio espera-se que esta sonda tenha bons resultados uma vez que a JAXA já demonstrou no passado a sua perícia ao conseguir pousar uma sonda “lander” e recolher amostras num asteróide distante chamado Ryugu. Esta missão foi lançada a 3 de Dezembro de 2014 tendo o Rendez-Vous com o asteróide Ryugu (ou 162173 Ryugu) dado-se a 27 de Junho de 2018. Ryugu significa em japonês “o Palácio do Dragão”, um nome que impõe respeito uma vez que este asteróide pertence ao grupo Apollo, que são asteróides que se movimentam nas imediações da Terra. Já Hayabusa significa Falcão Peregrino, uma vez que a sonda Hayabusa 2 teve que alcançar o Ryugu e pousar, sendo que o Ryugu se desloca a uma velocidade de 41 760 km/h, o que aliás justifica os 16,4 mil milhões de Ienes ou JPY que esta missão custou.

A experiência da Hayabusa 2 numa lua de Marte…

A experiência do Japão em missões espaciais não tem passado por exemplo ao lado da NASA, que quer o Japão como parceiro no Programa Artemis (construção de uma base lunar em 2024), tal como foi relatado em Setembro de 2019 pelo jornal japonês The Mainichi (que aliás cita várias fontes familiarizadas com as negociações).

A agressividade do programa espacial japonês está por isto ao rubro, e a missão MMX será um marco importante no desenvolvimento espacial do Japão. De facto, podemos já ver que foi criada uma conta oficial no Twitter para a Martian Moon Exploration (MMX), bem como sabemos pelo jornal Asahi Shimbun que os planos da missão foram já concluídos e enviados formalmente ao Ministério da Ciência japonês, estimando agora a JAXA que esta missão possa custar US $ 417 milhões.

Há também um comunicado antigo da JAXA que referia que a participação na MMX do Centre National d’Etudes Spatiales (CNES), ou agência espacial francesa, para além da alemã, ou seja do German Aerospace Center (DLR).

Este plano prevê o lançamento da sonda em 2024 a bordo de um lançador H-3, que terá  um novo booster construído pela Mitsubishi Heavy Industries e que deverá ser apresentado antes do final de 2020 possivelmente, ou então no início de 2021.

Sabemos ainda que o objectivo é devolver a amostra recolhida à Terra antes do final 2029.

A lua misteriosa de que Buzz Aldrin falava!

Mesmo para uma agência espacial tão experiente como a JAXA, a conquista de Phobos vai ser um desafio… Esta lua tem 23 Km de diâmetro, o que faz com que tenha cerca de um milésimo da gravidade da Terra…

Além disso a lua Phobos tem outras peculiaridades: está localizada a 9.400 Km do centro de Marte, o que é o mesmo que dizer que esta lua orbita a 6.000 Km acima da superfície marciana, sendo por isso a lua ou satélite natural com a distância menor para o seu planeta “hospedeiro” em todo o sistema solar. De facto, se estivéssemos na superfície de Marte a olhar para o céu, durante 4 horas e 15 minutos tomaria grande parte do céu, apresentando-se como uma super-lua.

Também seria estranho para um “terrestre” que estivesse em Marte ver um corpo celeste surgir do Oeste para se pôr a Este (ou seja, ao contrário daquilo que se passa na Terra).

Mas o mais estranho é o monólito de Phobos, que permanece sem explicação…

A história é longa e a NASA não fez segredo disto: Em 1998 a sonda Mars Global Surveyor (MGS) fez quatro passagens “Flyby’s”, sobre a lua Phobos, tendo oferecido a um dos seus instrumentos, o MOC – Mars Orbiter Camera, a capacidade de fotografar um objecto muito estranho que se encontra na superfície da lua marciana.

Existem apenas duas imagens capturadas pela Mars Global Surveyor desta anomalia de Phobos. São elas a imagem SPS252603 e a imagem SPS255103, pelo que não há muito por onde pesquisar… O problema nestas imagens estudadas por alguns especialistas da área, ao serviço do Johnson Space Center da NASA, nomeadamente Efrain Palermo (o primeiro homem a sinalizar a anomalia), anomalia essa que viria mais tarde a ser confirmada por outro especialista chamado Lan Fleming. Os dois detectaram a existência de um enorme monólito erecto, que aparentemente não parece enquadrar-se na topografia de Phobos.

Uns anos mais tarde o segundo homem a andar na Lua, Buzz Aldrin da missão Apollo 11, fez estas declarações sobre o monólito de Phobos:

A imagem é esta e não há muito mais a dizer antes de se enviar uma missão a Phobos. É um monólito erecto com cerca de 85 de metros de diâmetro e uma altura que só podemos imaginar avaliando pela sua sombra…

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Legenda: imagem do monólito da lua marciana Phobos, capturada pelo Mars Global Surveyor em 1998. Créditos: NASA

Este é de facto um monólito muito estranho porque, se é o que resta de um asteróide, porque não se desfez no impacto? Se é um asteróide que chocou contra a lua Phobos, porque não deixou cratera??? Um asteróide com 85 metros de diâmetro tem obrigatoriamente que deixar sinais de uma enorme explosão… Contudo não há sinais nenhuns dessa explosão…

Também se é o restante de um asteróide que se partiu no impacto, onde estão as marcas do asteróide maior que originou o monólito??? Não pode ser um cometa porque como se vê ele brilha com o reflexo do Sol, além de deixar sombra, pelo que se fosse os restos de corpo gelado já teria derretido…

E portanto a pergunta é simples: Se não pode ser um cometa, só poderá ser um asteróide que chocou contra a lua Phobos… Então novamente onde estão as marcas da explosão causadas pelo impacto e onde está a cratera? Esta rocha/monólito parece ter pousado suavemente sobre Phobos, não deixando sequer o terreno com marcas.

Se vamos lá agora, em 2025 deveremos conseguir ter fotos muito mais aproximadas que vão ser capturadas pela MMX, quando estiver a orbitar a lua Phobos… E só essas fotos vão conseguir responder a essas perguntas.

Por enquanto parece-nos estranho, principalmente porque não temos imagens mais esclarecedoras e com maior resolução. A boa notícia é que com a MMX da JAXA, iremos finalmente obter essas imagens.

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