Psyche, asteróide, NASA
Créditos: Wiki_Communs: NASA/JPL-Caltech/Arizona State Univ./Space Systems Loral/Peter Rubin

Como se enquadra a missão Psyche da NASA no mundo do “negócio dos asteróides”? E que negócio é este? Vamos por partes: No final do ano passado a European Space Agency confirmou na conferência de Sevilha (27 e 28 de Novembro de 2019), a sua participação no primeiro teste real de Defesa Planetária da Humanidade. Pela primeira vez a ESA junta-se à NASA numa missão de redirecionamento de asteróides em pleno Espaço, com a missão DART (Teste de Redirecionamento Duplo de Asteróides). Para além disso a ESA lançará posteriormente outra missão, a Hera, que irá ao encontro do asteróide Didymos  para avaliar os resultados do teste de impacto da missão DART. O estudo dos asteróides toma assim na década de 2020 toda a preponderância, quer seja por razões de Defesa Planetária quer seja porque são a maior fonte de riqueza do sistema solar, uma verdadeira “gruta do Ali Bábá”, e num futuro breve iremos começar a minerá-los no Espaço. Essa será a época de ouro da Humanidade acreditando alguns especialistas que 70% da Humanidade vai estar a trabalhar directa ou indirectamente para a Indústria de Mineração de Asteróides.

Há actualmente uma corrida aos asteróides. Para já a missão DART, de redirecionamento-teste por razões de Defesa Planetária está a agendada para lançamento a bordo de um foguetão/lançador da SpaceX, um Falcon 9, em Julho de 2021 estando previsto alcançar o sistema Didymos (diz-se “sistema” uma vez que o asteróide Didymos é orbitado por um outro, mais pequeno, conhecido como Didymoon), em Outubro de 2022.

Em seguida, a missão Hera, composta por dois CubeSats (pequenos satélites em forma de cubo) ou seja, o Asteroid Prospection Explorer (APEX) – fornecido por um consórcio sueco-finlandês-checo-alemão (que vai investigar a estrutura interior e a composição da superfície dos dois asteróides que constituem este sistema binário) e o Juventas que estudará a estrutura e o campo gravitacional de Didymoon. Ambos serão lançados entre 2023 e 2024.

A Missão DART também apresentará um cubesat. O Light Italian Cubesat para imagens de asteróides (LICIA), da Agência Espacial Italiana e construído nos laboratórios Argotec, em  Turim. Este CubeSat vai separar-se do DART pouco antes da grande sonda de impacto atingir Didymoon; O LICIA observará o impacto a uma distância segura, transmitindo dados e fotos para a Terra.

Tudo isto parece simples, mas não é… A verdade é que o duplo asteróide Didymos está a viajar a grande velocidade no vácuo, concretamente a uma velocidade 9 vezes superior a uma bala… Em concreto o asteróide principal tem 800 metros de diâmetro e o mais pequeno (o Didymoon) tem cerca de 150 metros (do tamanho da Grande Pirâmide de Gizé), mantendo uma distância do asteróide principal de cerca de 1,1 Km. Os dois juntos, orbitando o Didymoon o hospedeiro Didymos, conjuntamente voam a uma velocidade de 22.530 Km/hora no vácuo do Espaço.

Créditos:Sistema Didymos, European Space Agency

Os dados que a missão DART e a missão Hera vão recolher têm por base a possibilidade da Humanidade ter mesmo que afastar um asteróide ameaçador de colidir com a Terra. Sendo que só conhecemos cerca de 30% dos asteróides que são perigosos para a Terra, podemos afirmar que não estamos “ainda” seguros… Contudo convido a fazer-mos um raciocínio muito simples: pensando bem, a única razão pela qual os humanos prosperaram até aos dias de hoje deve-se ao facto dos dinossauros não terem um Programa Espacial (tal como costuma enfatizar o conhecido cientista, Prof. Michio Kaku). A verdade é que não teríamos qualquer capacidade de competir contra um Tiranossauro Rex ou contra um Velociraptor, se estes não tivessem sido extintos por um impacto de um asteróide…

Sobre os “Rendezvous” com asteróides…

A corrida aos asteróides faz-se por diversas razões: as manchetes dos jornais falaram muito em missões como a OSIRIS-REx da NASA e do Hayabusa2 do Japão que são missões de visita a asteróides com o objectivo de recolha de amostra para devolver à Terra. Estas amostras uma vez estudadas deverão ajudar a entender os primeiros dias do sistema solar.

Não são essas missões que nos preocupam agora: a 30 de Abril de 2019 na Conferência de Defesa Planetária da Academia Internacional de Aeronáutica em College Park, no Maryland, foram identificados seis asteróides que a partir do verão de 2027 (e no prazo dos dois anos seguintes), que vão fazer passagens muito próximas da Terra,segundo explicou Lance Benner, especialista na detecção destes corpos celestes errantes no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

A verdade é que nessa altura, desses seis asteróides, três serão visíveis com binóculos e um deles chamado Apophis, será inclusivamente visível a olho nu… Para termos uma ideia da proximidade, dois destes asteróides vão passar entre a Lua e a Terra.

Pequenos impactos…

O Meteoro de ChelyabinsK que entrou de surpresa na atmosfera terrestre a 15 de Fevereiro de 2013, na região dos Montes Urais, tinha apenas 17 metros de diâmetro e explodiu entre 30 a 50 Km acima da superfície. Mesmo assim feriu 1.200 pessoas destruindo telhados e janelas. Dirigia-se à Terra a uma velocidade de 30 Km por segundo, o equivalente a 108.000 Km/hora. Demorou 32 segundos a descer a atmosfera terrestre e comparando com a bomba de Hiroshima que produziu 13 quilotoneladas de energia este asteróide libertou 500 quilotoneladas na explosão, explosão essa que se deu ainda no ar, não tendo havido impacto.

Não se compara contudo ao impacto do meteoro de Tunguska em 1908. Este evento estima-se que tenha produzido entre 5 a 30 megatoneladas de energia, cerca de 1000 vezes a força da bomba de Hiroshima e aproximadamente um terço da bomba Tsar que foi testada a 30 de Outubro de 1961 pela União Soviética em Nova Zembla, uma ilha no oceano Ártico. A explosão de Tunguska derrubou cerca de 80 milhões de árvores numa área de 2150 Km, provocando um terramoto de grau 5 na escala de Richter.

O negócio dos Asteróides

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Legenda: Emblema da Missão Psyche. Créditos: NASA/JPL

Recentemente a NASA anunciou que contratou a SpaceX para lançar a missão Psyche ao asteróide Psyche 16. Esta missão vai custar agora cerca de 117 milhões de dólares americanos e será lançada a partir da base do Cabo Canaveral, na Flórida, em julho de 2022.

Este asteróide tem 253 Km de dimensão, e foi descoberto a 17 de Março de 1852, estando localizado na Cintura de asteróides entre Marte e Júpiter. Esta missão tem um óbvio interesse científico, uma vez que o Psyche 16 é quase na sua totalidade composto por níquel e ferro, e acredita-se que todos os planetas rochosos tenham um núcleo metálico, que é aliás o que lhes permite ter o magnetismo que por exemplo fixa a atmosfera de um planeta.

O orbitador Psyche, composto por 5 paneis solares e que será lançado a bordo de um Falcon Heavy será a carga principal deste lançamento, contudo não é a única… Pelo caminho a sonda da SpaceX vai libertar cargas secundárias dirigidas a Marte e um outro pequeno satélite, o JANUS da Universidade do Colorado, que vai estudar asteróides binários, que orbitam um sobre o outro.

Estas missões que são lançadas em 2022 só vão chegar em 2026, e depois disso vão começar a enviar dados preciosos para a Terra…

Anualmente o comércio do Ferro movimenta a nível global cerca de 38 mil milhões de dólares americanos. Em 2015 foi feito um estudo estimando a totalidade da riqueza na Terra, tendo fixado um valor de cerca de 75 trilhões. Por exemplo a empresa Apple foi a primeira empresa a nível mundial a atingir o valor de um trilhão, em 2018. E porquê este raciocínio? Porque o asteróide Psyche 16 contém 10.000 quatriliões de dólares em Ferro, para além de ser composto por grandes quantidades de ouro e platina.

Para além de razões de Defesa Planetária, estamos agora a dar os primeiros passos para iniciar a mineração de asteróides em larga escala. A missão Psyche é bem o exemplo disso.  Estamos a fazer os últimos estudos, antes de nos lançarmos no negócio da procura de matéria prima no Espaço, e esse passo vai mudar a Humanidade para sempre.

É que esta corrida aos asteróides, não se faz por acaso… E a melhor maneira de nos protegermos de asteróides é mesmo “enriquecer com eles”…

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