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Esta semana, destacamos os lançamentos de novas histórias de Dylan Dog pela A Seita, e a feira do livro do Festival Contacto. Recordamos os clássicos monster films dos estúdios Universal. Observamos a ligação entre animismo e tecnologia digital, descobrimos como fazer fotos 3D nas redes sociais sem fotogrametria. Discutem-se suportes de leitura digital, visita-se Chernobyl antes da catástrofe, e descobre-se a história de um navio cargueiro a deriva na vastidão do Atlântico. Mas há mais para ler sobre tecnologia e outros temas, nas Capturas desta semana.

Mundos da Ficção Científica

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Star Trek art by David Mattingly: To boldly go.

“Dylan Dog: Após um Longo Silêncio“ e “Dylan Dog: O Imenso Adeus“, com lançamento em simultâneo pel’A Seita, este fim de semana, no Coimbra BD: Dois grandes lançamentos de fumetti pela Seita, são duas das melhores histórias do detetive dos pesadelos congeminado pela imaginação erudita de Tiziano Sclavi. Os fãs de BD portugueses vão levar com mais duas grandes obras para ler. E, se lerem o prefácio de uma destas edições, poderão ter uma agradável surpresa. Tenho pena que a capa original de Depois de Um Longo Silêncio por cá não funcione, seria interessante ver a reação do público a uma capa sem quaisquer ilustrações (faz todo o sentido, para quem conhece o histórico do personagem, e é por isso mesmo que por cá não funcionaria).

Contacto 2020 – Feira do Livro: Mais pormenores sobre o programa do Contacto, que passa a contar com uma feira do livro em moldes muito especiais. Espreitem o programa, vale a pena visitar nem que seja para conhecer o dinamismo da pequena mas inquieta comunidade portuguesa de fãs de literatura de ficção científica e fantástico.

No time to read? This app lets you digest best-selling books in just 10 minutes: E se a noção de leitura de quem usa estas apps é apenas ficar a saber o resumo do livro, you’re doing it wrong. Mais do que o essencial, é preciso perceber os argumentos, linhas de pensamento ou estruturas narrativas. É um bocado como aquela eterna discussão sobre os spoilers. Se se vê um filme, segue uma série ou se lê um livro apenas para saber as peripécias da história, não se está a ter uma compreensão profunda da obra artística.

Vincent Di Fate: Da clássica ilustração de ficção científica.

AI-penned manga Paidon to be published this week: Treinada na obra de Osamu Tezuka, até é capaz de sair algo interessante.

Fernando Correia da Silva: Maresia (#leiturtugas): Um belíssimo achado do Jorge Candeias, no que me parece ser uma excelente leitura de ficção científica distópica portuguesa.

Edward S. Ellis’ The Steam Man of the Prairies: Steampunk avant la lettre, vinda da Ficção Científica da viragem do século XIX para o XX.

Vicente Segrelles: Por cá, é mais conhecido como o autor da série de BD O Mercenário.

The Worst Book Covers On Amazon: Não se julga o livro pela capa, certo? Mas quando são assim tão más, há que duvidar das restantes capacidades funcionais dos autores.

Nepotism, morphine and secret homoeroticism: The bizarre history of Universal’s movie monsters: Por detrás de um título clickbaity (vão ficar desiludidos se forem à procura dos pormenores sórdidos), está uma excelente visita aos filmes clássicos de horror da Universal, que se tornaram o sinónimo iconográfico de personagens como Drácula, monstro de Frankenstein (sabem que Frankenstein foi o criador e não a criatura, espero), Lobisomem ou Homem Invisível, com caracterizações que ultrapassaram as suas origens literárias. A estética comedida destes filmes clássicos é única no cinema de terror. E, pessoalmente, também considero Bride of Frankenstein como um dos melhores filmes de terror de sempre.

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Gen. Yagishi’s Secret Army Of Naked U.S. Geisha Girls: O quê, pensavam que o pulp da pulp fiction era só pela qualidade do papel? Se há géneros, como o policial, a fantasia e a Ficção Científica em que a tradição pulp foi determinante e ainda hoje é celebrada, noutros nem por isso. O mundo das revistas masculinas, cheias de relatos improváveis com pormenores luridos, não sobreviveu. Se calhar porque não valia a pena. Fica a magnífica iconografia destas capas sleazy.

Century of cinema celebrated in Leicester Square with bronze statues: Mesmo a tempo de eu ir visitar a já não europeia Londres, acompanhando uma visita de estudo de alunos. Se combinarem estátuas destas com apps de fotogrametria, suspeito que irei passar um tempo fascinante em Leicester Square.

Viajando com Daytripper: Uma redescoberta daquele que foi um dos mais surpreendentes comics do princípio do século, uma sucessão de vidas e mortes de uma mesma personagem que, publicado nada menos que pela Vertigo, projetou os criadores brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon para o público mundial. É dos melhores comics que li, poético, surreal e tão íntimo que até dói. Está editado em Portugal pela Levoir.

Vengence Strikes At Midnighthttps://pulpcovers.com/vengence-strikes-at-midnight/: Tão totalmente pulp.

Robot’ was coined 100 years ago, in a play predicting human extinction by android hands: É de sublinhar que estes robots originais eram, na peça clássica de Çapek, bioconstruídos.

Clive Barker: O Ladrão da Eternidade: Tenho memórias prazeirosas de ler este livro numa só assentada, numa viagem de comboio nos tempos de estudante. Pela crítica recente, é bom ver que o livro envelheceu bem, continua hoje apelativo e a ser o que é, uma boa história fantástica que diverte, sem pretensões.

Tony Roberts, ‘Double Star’, 1973: Ficção Científica clássica.

Where In The World Are Monsieur Mallah And The Brain? (Spoilers): Se há personagens de comics em que se pensa no que é que os seus criadores andaram a tomar quando pensaram naquilo, são estes. Um gorila inteligente e falante, sidekick de um  cérebro dentro de uma garrafa que é um mestre do crime. Ah, e já referi que o gorila está apaixonado pelo cérebro?

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Alien concept art by HR Giger: Recordar o artista suíço que nos legou a iconografia inesquecível de Alien.

Action Transfers: White Squadron Space Adventures, 1980: Por cá, eram os Kalkitos. Nunca lhes percebi a piada, e este não é um artigo nostálgico. O notável é o arquivar digital de ilustrador de ficção científica.

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18 Photos That Show How Life Before AutoCad Looks Like: Agora, quase basta um tablet (vão descobrir o Shaper3D para iPad Pro para perceber do que estou a falar). Mas antes do CAD, as coisas eram mais… volumosas.

How Adversarial Attacks Could Destabilize Military AI Systems: Resumo rápido. Se se depender apenas de sensores e sistemas de Inteligência Artificial para processos de decisão, o risco de ataque que provoque enganos é elevado. Mas como o artigo sublinha, se houver humanos no laço informacional, os erros induzidos podem ser minimizados.

The Forest Spirits of Today Are Computers: Uma forma poética de olhar para a inteligência – num sentido restrito, do ecossistema digital que nos é cada vez pervasivo.

Ancient animistic beliefs live on in our intimacy with tech: Animismo digital, ou a curiosa sensação que os objectos computacionais são quase formas de vida. Uma modernização dos antigos mitos de espíritos que, nas mitologias tradicionais, insuflam o mundo físico com o espiritual.

Facebook’s 3D photos can now be made using single-camera phones: Resta  saber como. Mas estou mortinho por experimentar. A tecnologia por detrás envolve algoritmos de Inteligência Artificial, que conseguem gerar a ilusão de tridimensionalidade. Claramente, o 3D é a nova fronteira de democratização da imagem digital em dispositivos móveis. Fotogrametria recorrendo à combinação de lentes e sensores trazida pelas frameworks ARKit e AR Core, câmaras ToF (é um pouco como LIDAR para fotografia). A capacidade de capturar o real em 3D usando dispositivos móveis vai trazer novas estéticas, novas formas de memória digital.

Robots aren’t taking our jobs — they’re becoming our bosses: Há que observar que este tipo de sistemas não nasce artificialmente. O software que coordena trabalhadores como meros mecanismos, com consequências sociais, pessoais e para a saúde horrendas, assenta em decisões de gestão tomadas por humanos. O desumanismo destes sistemas automatiza o velho taylorismo, levando-o a extremos até há pouco tempo inimaginável, vem dos gestores, executivos e decisores que tomam as opções implementadas no software.

Leer en un ‘e-reader’ con LED vs. leer en una tablet: se parecen más que nunca, pero su efecto sobre nuestros ojos es muy distinto: Uma análise detalhada às diferenças entre os ecrãs de e-readers e dos tablets/telemóveis, no que toca às suas qualidades e efeitos sobre a visão. Não surpreende que os ecrãs e-ink, que por cá são pouco conhecidos (não surpreende, são usados em dispositivos exclusivamente dedicados à leitura de livros, logo dificilmente produto de consumo popular), emergam como os melhores naquilo para o qual foram concebidos.

Should Robots Have a Face?: True story. Os robots Anprino mais apreciados são os Nandy, porque o posicionamento do sensor ultrasonico faz parecer que tem olhos. As crianças, e os adultos, adoram. Os robots não precisam de antropomorfismos, mas nós apreciamos esse pormenor de humanização.

Kim Pimmel – Beyond the Rectangle: Building Cameras for the Immersive Future: Um fascínio maker pelas possibilidades do cruzamento entre fotografia e tecnologia, permitindo novas formas de ver, diferentes estéticas. Entre o espírito maker, de criar novas engenhocas, e o lado profissional de alguém que está na linha da frente do desenvolvimento da imagem virtual aplicada ao real.

That Time the Secret Service Mistook a Cyberpunk Game for a Computer Crime Manual: ROTFL. É o que acontece quando pessoas clueless pegam em materiais da cultura pop que não compreendem. Confundir um manual de um rpg com um guia para criminosos é hilariante.

Relativity Space secures California facility to produce first fully 3D printed rocket: Estamos a seguir esta empresa. Combina manufatura aditiva com tecnologia aeroespacial, e a curiosidade para ver se se aguenta é muita. É bom ver que o investimento continua.

De Stephen Hawking a Johnny Mnemonic: el largo camino recorrido por los “cascos para leer la mente”: Soa a magia, mas é tecnologia, e o seu uso como tecnologia assistiva fenomenal, permitindo a portadores de necessidades especiais profundas interagir com sistemas digitais.

Histórias da Modernidade

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The Uncrowded Country of the Bomb: Uma história fotográfica da zona de teste no deserto do Nevada onde foram efetuados testes atómicos. Uma paisagem deslumbrante de crateras atómicas, geografias impossíveis criadas pelo homem.

PRIPYAT 1986 PHOTOALBUM BOOK (COMPLETE SCAN): Visitem a cidade à beira do Pripyat, onde as pessoas são felizes nas suas casas de arquitetura brutalista soviética, sempre com vista para a maravilha da tecnologia que é a central nuclear, fornecedora da eletricidade que ilumina o povo. A sublime ironia? Este guia para a cidade foi editado em 1986, poucos meses antes do desastre que colocou o seu nome na consciência global.

The Gig Economy Has Never Been Tested by a Pandemic: Num tempo de quarentenas, a legião precária que é a força laboral das plataformas tem poucas escolhas. Continuar a trabalhar é arriscar-se a ser vetor de infeção, ou não trabalhar, e com isso perder o magro sustento.

Freeman Dyson: 1923 – 2020: Para celebrar a memória deste físico e futurista, que tal ouvir as suas próprias palavras, num ensaio gravado para a Edge?

How Fast Can a Virus Destroy a Supply Chain?: O mundo económico está interligado por intrincadas redes de produção just in time, que dependem de um tráfego constante de bens e materiais. O que é que acontece quando algo interrompe esta cadeia? Como, por exemplo, a reação a uma pandemia cujas quarentenas paralisam regiões inteiras? A economia da tecnologia está em questão.

Just How Can You Lose Something The Size Of A Cargo Ship: Uma história curiosa sobre um navio abandonado à deriva pelo Atlântico, que tem andado pelo oceano sem ser detectado, sublinha o gigantismo das geografias oceânicas, das quais os mapas não nos transmitem a real noção. É curioso perceber que na era da tecnologia de hipervigilância, há espaços gigantes que não são observados.

A World Where Things Only Almost Meet: As estranhas estéticas dos becos sem saída, um paradoxo arquitetónico dos subúrbios afluentes.

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