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Válvulas impressas em 3D (Fonte: Massimo Temporelli).

Neste momento negro e desafiante, o contributo de todos é essencial para ultrapassar a pandemia global de Covid-19. A comunidade Maker e os fablabs podem dar uma preciosa ajuda no desenvolvimento de soluções abertas, com fabricação digital, que ajudem e complementem a inevitável escassez de equipamentos nos sistemas de saúde. Um pouco por todo o mundo, os fazedores estão a organizar-se para colaborar como podem, com o que podem. Apesar do voluntarismo, têm de prestar atenção aos requisitos de materiais e segurança essenciais para que os materiais médicos sejam de facto úteis e não coloquem em risco quem os use. Partilhando saberes e recursos, são parte da solução.

Hackathon Global

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Conseguiremos desenvolver equipamentos de ventiação open source? Fonte: Hackaday.

Este é talvez o mais forte call para makers que vi desde que esta comunidade se começou a afirmar. Vivemos um momento de crise global, e a comunidade maker pode fazer parte da solução. Mais que isso, quer fazer. Por todo o mundo, os makers estão a unir-se e a colocar os seus saberes e skillsets ao serviço de projetos que poderão ajudar as autoridades de saúde a combater a pandemia de Covid-19. Um #staythefuckhome proativo, feito de partilha de conhecimento e recursos. Designers 3D, experts em fabricação digital, pessoas com acesso a impressoras 3D, engenheiros, programadores, unidos em busca de novas soluções, adaptando já existentes, criando versões abertas de material médico que pode escassear. No meio do medo e das ansiedades, da incerteza pandémica, de uma ameaça global, os makers reagem da melhor maneira possível: conjugando o seu saber, e agindo em prol da comunidade.

Um dos desafios foi divulgado pelo Hackaday durante esta semana: um hackathon para conceber, desenvolver, e fabricar ventiladores médicos open source. Especificamente, ventiladores que garantam respiração sem riscos de contaminação ambiental. Mas o apelo não termina nestes equipamentos. Os makers são desafiados a desenvolver algoritmos de apoio a decisões médicas, fabricação de máscaras faciais N95, ou soluções para tendas com pressão negativa.

No seu grupo na rede social Facebook, Open Source COVID-19 Medical Supplies, um crescente número de criadores partilha as suas dúvidas, disponibiliza os seus designs para estes e outros artefatos que podem ser cruciais para ajudar a salvar vidas neste momento negro. Partilham, colaboram, aperfeiçoam os projetos para os melhorar, adaptar ao rigor médico, ou às necessidades locais.

Open Air Project

Válvulas para respiradores impressas em 3D (fonte: 3DPrinting Media Network)

Para makers especializados em engenharia, o projeto Open Air está a organizar uma iniciativa de desenvolvimento de ventiladores respiratórios open source e outras tecnologias médicas. O seu objetivo é o de disponibilizar soluções simples, reproduzíveis à escala global e produzíveis localmente com tecnologias de fabricação digital. O Open Air é específico na sua call, Helpful Engineers, pede colaboradores com capacidades técnicas nas áreas da engenharia, software e medicina.

É importante que estas soluções contem com ajuda de elementos especializados. Não chega imprimir peças em 3D ou adaptar mecanismos. É preciso saber se cumprem requisitos de segurança e serão, realmente, ajudas para o pessoal médico e não hacks mal amanhados que colocarão em risco quem os usar. Por exemplo, pode parecer tentador descarregar um modelo de máscara N95 do Thingiverse, mas sem impressão nos materiais corretos, dimensões exatas da topologia do rosto de quem as usará, selantes e material de filtragem adequado, o equipamento é inútil e perigoso por induzir um falso sentimento de segurança.

Daí a importância das boas intenções dos makers serem ajudadas por especialistas nestas áreas. Equipamento e materiais médicos têm de ser produzidos com grande rigor, baixa tolerância a erros, e com matérias que garantam a segurança do seu uso. Quando é possível, a impressão 3D já dá uma preciosa ajuda à escassez de material médico, como mostra este caso no hospital da cidade italiana de Brescia, em que válvulas impressas em 3D no próprio hospital aliviaram a pressão da falta destes materiais.

Problemas Globais, Soluções Locais

Ao longo dos anos, o movimento maker e a comunidade dos fablabs tem discutido muito que está no vanguardismo de uma nova revolução industrial. Uma revolução feita de colaboração global e produção local, assente na troca de ideias, na liberdade intelectual e na fabricação digital. Neste momento de crise global, estaremos à altura? Cumprir-se-á a promessa revolucionária dos fablabs? As redes ad-hoc informais de projetos serão capazes de complementar as falhas esperadas, e reagir com soluções inovadoras, abertas e de fabricação local? A comunidade maker tem essa capacidade.

Aquele que vos escreve estas linhas está consciente das suas limitações, porque o seu foco é na educação e não na engenharia ou design. Apenas pode oferecer a capacidade de impressão que tem à sua disposição, ou ajudar a divulgar iniciativas e projetos. Mas se todos colaborarmos como pudermos, podemos fazer parte da solução para este problema global, que exige a combinação de múltiplas respostas locais.

Não podemos ficar passivos, fechados em isolamento ou quarentena, impotentes e angustiados enquanto o vírus arrasa a sociedade global. Se sentem que podem contribuir, se fazem parte deste perfil, visitem os projetos e vejam como podem colaborar. Não se esqueçam que as soluções não têm de ser perfeitas, mas têm de respeitar os rigorosos requisitos de segurança médica. A comunidade não irá salvar o mundo, mas ajudará nas soluções para este problema global. Makers do mundo, uni-vos! Este esforço é de todos, por todos, para todos.

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Maker Faire Lisbon: Alguns Projetos A Conhecer

 

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.