Poderá o som ser tão eficaz como um teste de despiste do Covid-19? Os cientistas estão convencidos que sim, e a resposta à pandemia pode muito possivelmente surgir de um conjunto de aplicações mobile onde falando, tossindo ou simplesmente respirando poderemos concluir se fomos ou não contaminados…

Estamos literalmente a assistir a uma mudança na forma de entendermos a Saúde Pública, tanto nos conselhos que podemos pedir a um assistente virtual, como no diagnóstico que funciona não com aquilo que dizemos, mas sim pela forma como o dizemos…

A monitorização do tom de voz está a transformar-se numa tendência de mercado, e o Covid-19 veio acelerar esta tendência… E vamos tentar explicar como!

A Inteligência Artificial e a nossa voz…

A raiz para elaborar uma definição de AI, tem por base o conceito de Inteligência que baseado num termo composto do Latim “intellectus”, uma expressão que compreende duas dimensões numa só palavra: o entendimento ou compreensão, fundido com o conceito de escolha ou recolha de informação.

Portanto de uma forma popular e mais alargada, a Inteligência Humana, tal como a Inteligência Artificial, é a capacidade que permite à entidade inteligente usar de mecanismos ou metodologias como a lógica, a abstração, a memorização, a compreensão, o autoconhecimento, a comunicação, a aprendizagem, o controle emocional, o planeamento, etc, para em suma aplicar estas metodologias à resolução de problemas. Abreviando, é uma capacidade de utilizar metodologias com vista à resolução de problemas.

O termo foi cunhado em 1956 (Inteligência Artificial) por um cientista de Computação americano (John McCarthy), ao utilizar esta expressão numa conferência em Dartmouth College. A referência a este princípio é importante, pois justamente aquilo que queremos é que uma máquina tenha uma capacidade de nos entender (aprendendo a pôr em prática metodologias que lhe passamos), para em seguida se fazer valer da sua capacidade computacional para realizar tarefas para além da capacidade humana.

Em resumo, a tarefa única da Inteligência Artificial é a de tirar conclusões mais rápido do que um humano, pois tem a capacidade de processar dados a uma velocidade não reproduzível por humanos, nem que trabalhassem em conjunto para competir com uma máquina.

Mas a Inteligência Artificial tem que nos entender bem…

Fora dos laboratórios de computação que experimentam com redes neuronais, a “Inteligência Artificial” que conhecemos, a mais popularizada, são os assistentes pessoais tal como a Siri da Apple, a Alexa da Amazon, etc, e que agora estão em cada telefone, em cada tablet e em cada computador… E ouvem-nos com a nossa permissão.

Filmes como o Terminator ou o Matrix são o reflexo do medo que temos de que a Inteligência Artificial não nos entenda, e portanto que passe para o nível seguinte num mundo que é já controlado por máquinas, decretando a nossa extinção. E este não é um medo completamente descabido. Em primeiro lugar a Inteligência Artificial é programada por humanos, deixando nós uma marca indelével na sua criação e passando-lhe um pouco das ambiguidades de que a espécie humana é refém… Aliás, Stephen Hawking, conhecido  físico teórico e cosmólogo britânico referiu nas suas obras os perigos relacionados com o desenvolvimento da Inteligência Artificial, tal como desde logo outros cientistas de renome como por exemplo o Professor Michio Kaku (que explica este assunto no vídeo seguinte).

Mas há mais: já foram feitas experiências perigosas, como por exemplo a criação de uma Inteligência Artificial Psicopata

Também há 3 anos atrás o Facebook testou duas AI’s cujo objectivo era apenas a verificação de se poderiam servir para ChatBot’s ou assistentes virtuais para a rede social mais influente e conhecida do mundo.

A experiência não correu bem, e as AI’s tiveram de ser desligadas quando iniciaram entre elas numa “nova forma Inglês”, com repetição de palavras, comunicando para além do entendimento humano… O vídeo seguinte relata este incidente bizarro:

Logo um ano depois, outro incidente bizarro assolou a internet: a assistente virtual da Amazon lançou o terror quando começou a rir-se durante a noite sem ter sido activada, ou respondendo com uma gargalhada aos pedidos que lhe faziam.

É fácil encontrar no Youtube um longo historial de vídeos caseiros com as gargalhadas arrepiantes da Alexa, o que aliás levou o famoso comediante Jimmy Kimmel a fazer uma peça de Stand Up Comedy no seu programa. O vídeo seguinte contém um conjunto de “apanhados” da Alexa além da peça do comediante.

Em anteriores artigos também falámos sobre um poderoso recurso, que supostamente estará ao alcance de todos em 2022, o Google Duplex, e que apresenta já a capacidade de substituir um humano durante uma conversa por telefone, sem que durante a conversação se consiga notar que efectivamente estamos a conversar com uma máquina. Os avanços no campo do tratamento da voz, aparecem quase diariamente nas machetes do jornal, se soubermos procurar.

Por exemplo, recentemente a Bloomberg noticiou que a Apple comprou a empresa Voysis, uma startup de Inteligência Artificial sediada em Dublin, na Irlanda. O objectivo desta compra é colocar o Know How da Voysis a melhorar as interacções da Siri (o assistente pessoal da Apple), para que nos possa entender melhor por forma a podermos utilizar uma forma de linguagem mais natural, e que assim sejam limitados os enganos nas plataformas de compras ou em pedidos de informação específicos.

A Siri já consegue responder actualmente a um despiste básico sobre o Covid-19, mas a Apple quando comprou a Voysis sabe que aqui está o futuro. Não é aliás qualquer empresa que tendo sido fundada em 2012 está a receber 5 anos após a sua formação US $ 8 milhões em financiamento de risco da Polaris Partners, como aconteceu em 2017…

Mas o que acontecerá quando os assistentes pessoais nos entenderem sem enganos, e possam também tirar conclusões sobre a nossa voz??? E de preferência, também sem enganos???

Detecção de patologias via voz?

Uma nova aplicação foi desenvolvida Universidade de Cambridge, e está baseada na página web ‘COVID-19 Sounds‘. Esta aplicação recolhe gravações áudio de pessoas tossindo e respirando, com vista a ajudar os cientistas a detectar pessoas infectadas com coronavírus.

Com isto podemos dizer que uma máquina no futuro terá a capacidade de nos entender, para além daquilo que nós dizemos, podendo durante a conversação determinar que sofremos de uma qualquer patologia. E pode fazê-lo não por aquilo que dizemos, mas como o dizemos…

Detectar uma patologia com a voz não é uma simples experiência mas sim uma tendência… De facto, do outro lado do Atlântico fazem-se também experiências semelhantes e com conclusões parecidas… Uma equipa de cientistas da Carnegie Mellon University apareceu com outra solução para a escassez de kits de teste, e assim aparece o Covid Voice Detector, que também assenta nos mesmos princípios da experiência de Cambridge.

Segundo Benjamin Striner que trabalhou no desenvolvimento deste projecto, não só se pode detectar o Covid 19 a partir da voz, como “trabalhar” com a voz é barato e tão fácil como falar ao telefone.

Estes sistemas de diagnóstico estão a ser desenvolvidos por todo o mundo, e há ainda problemas legais em fazer substituir este procedimento a um exame médico. Contudo, a urgência em tentar travar a pandemia fez aparecer tecnologias que antes seriam impensáveis. Por exemplo quem pensou até há uns meses atrás colocar drones a medirem a temperatura em massa, a partir do ar? Contudo a empresa Dragonfly anunciou recentemente que com um “budget” inicial de 1,5 milhões o iria começar a fazer na Austrália

Estas medidas são no entanto as mais espectaculares, uma vez que após esta pandemia possivelmente vamos começar a ter disponíveis no nosso telefone e não num drone, aplicações que podem emitir pelo menos o  primeiro sinal de alerta.

No Reino Unido, o “Covid Symptom Tracker” com aplicações para Android e iOS permite que os britânicos relatem o seu estado de saúde diariamente e voluntariamente, mesmo que se estejam sentindo bem. Com isto pretende-se claro, localizar as áreas de impacto.

Esta aplicação que foi desenvolvida no King’s College London, regista os sintomas do usuário de forma voluntária ou seja, com dados que têm que ser introduzidos pelo utilizador. Mas se à tecnologia de voz pudermos juntar outros indicadores que já são fornecidos pelos “wearables” como o Apple Watch, como o batimento cardíaco, oxigenação do sangue, temperatura, etc, o que acontecerá??? Não serão esses indicadores, todos juntos, mais conclusivos do que um teste de Covid (pelo menos para um primeiro alerta)? E não é no interesse da Saúde Pública?

O mundo pós-pandemia tem que medir se a privacidade é mais importante do que a vida…  É impossível que o mundo não mude estruturalmente após esta pandemia, e será a duração temporal de combate a este vírus que vai determinar quão dramáticas e radicais vão ser essas alterações. Seja a falar com o assistente pessoal seja a enviar dados voluntariamente ou até involuntariamente, algo deverá mudar por razões de eficácia e custo!

Portanto uma coisa parece certa: as Apps para Mobile vão estar na linha da frente do combate pela Saúde Pública, e pela segurança de todos. Os sinais disso começam a aparecer agora, bem como há uma certeza de Futuro: outras epidemias vão voltar a acontecer… Infelizmente é apenas uma questão de tempo…

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