sociais

Sobrevivemos a mais uma semana de lockdowns e profuda disrupção dos nossos modos de vida. Para suavizar o tédio destes tempos de isolamentos sociais, trazemo-vos imensas leituras gratuitas de banda desenhada: a lendária El Víbora regressou com um número especial, a Seita disponibilizou o primeiro volume da série The Lisbon Studio, e os três primeiros números do BDLP podem ser lidos online. As ofertas de leitura digital não se ficam por aqui. É curioso que o trabalho de Junji Ito tenha surgido várias vezes (sou fã incondicional, mas foi um acaso), e a mestria do traço de Milo Manara rende uma profunda homenagem às heroínas italianas do combate ao coronavírus. Analisam-se as expetativas sobre o aspeto dos robots e a resiliência da internet nos tempos de pandemia. Descobrimos que os cosmonautas russos têm uma tradição cinéfila antes das missões. Terminamos com um murro no estômago emocional. Mas apesar da ansiedade dos dias que vivemos, não deixamos de acreditar n futuro. Para a semana regressaremos com novas seleções de leitura. Encontramo-nos aqui, no próximo sábado?

Mundos da Ficção Científica

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Photo: O autor não está creditado, mas são excertos de Tomie por Junji Ito, um dos grandes mangá de terror.

El Vibora para Supervivientes: O lendário comic espanhol, ícone da contra-cultura, faz um regresso fugaz nestes tempos de pandemia com um número único, gratuito. Está on-line para todos lerem.

The Tower: Filipe Abranches, editor da nova revista de BD Umbra e que publicou recentemente o intrigante Selva!!!, partilhou nas redes sociais esboços de um novo projeto. Pelo estilo, vai ter o seu quê de sci-fi. Cá estaremos para apreciar em futura leitura.

Dylan Dog – O Imenso Adeus – Marcheselli, Sclavi e Ambrosini: O Rascunhos fala-nos de uma das melhores histórias do detetive dos pesadelos, agora editada em português.

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Vincent Di Fate: FC old school.

TLS Series Vol 1 – CIDADES: Uma boa notícia vinda da editora A Seita. Disponibilizaram o primeiro volume, já esgotado, da série The Lisbon Studio, que reúne o trabalho de alguns dos melhores autores de banda desenhada portuguesa.

Cover art by Fred Hinck, 1978, for Lost Worlds, Unknown…: Sempre houve uma certa ligação estética entre surrealismo e ficção científica.

Mystery Machine: Da origem de Scooby-Doo, esse bizarro e campy desenho animado com muito pouco de terror. É curioso notar que surgiu para contrariar uma tendência de desenhos animados violentos, que iam para o ar para satisfazer a vontade dos emissores televisivos. A estratégia é clássica: baixar o nível para facilitar a publicidade. É curioso que um desenho animado com um personagem nitidamente stoner, e uma equipa de amigos que viaja numa carrinha psicadélica a desvendar misteriosas assombrações seja mais apropriado a crianças, por comparação ao que os estúdios tinham de fazer antes.

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Behind the iron curtain, the final frontier: Soviet space art – in pictures: Uma galeria de espantosas imagens que nos mostram a estética da Ficção Científica soviética.

ghostCRASH: Uma intrigante experiência, em que vídeos de acidentes automóveis foram manipulados para eliminar metade dos intervenientes. O resultado são imagens fantasmagóricas em que, subitamente, veículos na estrada desfazem-se como se esmagados por forças invisíveis.

Resources for free e-books and entertainment stuffs: Se for daqueles que está em casa sem dilúvios de emails em teletrabalho, a implementar learning management systems para a escola, ou a vigiar impressoras 3D que imprimem suportes de viseiras, cá ficam mais umas sugestões para leitura eletrónica.

Ficções 72: Mais propostas de leitura de ficção científica e fantástico, desta vez em português.

*Milo Manara pin-up girls fighting coronavirus.“Milo Manara has…: Não é muito habitual ver Milo Manara a desenhar mulheres vestidas. Mas… efeitos secundários da pandemia de Covid-19. Esta série de desenhos do grande mestre da BD italiana celebra as heroínas dos dias de hoje – as caixeiras de supermercado, as médicas e enfermeiras, as operadoras de limpeza, as entregadoras… enfim, aquelas que não podem ficar em casa, porque delas todos dependemos.

27 libros imprescindibles que el equipo de Xataka recomienda para leer y regalar: Listas de livros? Nunca são suficientes, é das melhores formas para descobrir potenciais novas leituras, ou pelo menos encontrar quem partilha os nossos gostos. Estas sugestões são ótimas, há ali muito livro interessante a descobrir.

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Cover artwork by Junji Ito: Do grande mestre do horror japonês.

How Cheap Paper Influenced Jean Grey’s Iconic Phoenix Costume: Da influência dos meios sobre a estética. Uma das mais icónicas personagens Marvel foi redesenhada com um uniforme de cores garridas, mas na versão concebida pelos ilustradores este era branco. Porquê a alteração? A baixa qualidade do papel onde os comics eram impressos. No branco, notar-se-iam as manchas de cor da página impressa atrás.

I wonder if Hello Kitty has ever heard of Harlan Ellison: A piada é hilariante, para conhecedores da Ficção Científica.

Gideon Falls – Vol.1 – Lemire, Sorrentino e Stewart: Uma das mais inquietantes séries de terror da Image chegou aos leitores portugueses.

Architecture in science fiction: Visões de arquitetura futurista, que causariam apoplexias em arquitetos dedicados a explorar o futuro da arquitectura.

Apaixonei-me por um Cowboy do Espaço: Outra série que estou a perder por completo, culpa da minha falta de tempo. O artigo foca-se nalguns aspectos que ainda não vi referenciados, como a inspiração no manga Lone Wolf and Cub, todo o ambiente de estética Western no espaço, e até uma banda sonora que sublinha isso ao ir beber inspiração a Ennio Morricone.

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thebristolboard: Classic cover by Neal Adams from The Phantom..: Um dos personagens sobrenaturais mais interessantes da DC, mas raramente bem explorado. Phantom Stranger é um anjo que, após a revolta luciferiana, não foi capaz de escolher entre o céu ou o inferno. Nem anjo caído nem servente divino, está condenado a vaguear pela Terra.

BDLP: À procura de leituras para ajudar a passar confinamentos ou isolamentos sociais? O fanzine BDLP, que publica autores portugueses e angolanos, disponibilizou as suas três primeiras edições no Issuu.

Tecnologias Sociais

*Historical computer humor: Esta imagem fez-me recordar os tempos em que não se aconselhava a levar disquetes em viagens de metro, por medo que os campos eletromagnéticos gerados pelos carris apagassem os dados nelas contidos.

Las expectativas sociales de cómo queremos que se diseñen los robots: O design de um robot não é apenas uma questão técnica ou utilitária. Também estão envolvidos aspetos sociais, relacionados com a nossa percepção sobre a robótica. O trabalho de desenvolvimento em robots de aspeto humanóide não acontece por razões técnicas (é até uma dss menos eficientes formas), mas pela nossa vontade em criar um simulacro de vida à nossa imagem.

Touch And Go: Habituados como estamos ao dualismo android/iOS, esquecemos que poderiam haver alternativas. Esta história recorda o WebOS, que evoluiu do Palm OS, um dos pioneiros da computação móvel. Porque é que não pegou? O problema foi mais de gestão do que de potencial tecnológico.

Google disponibiliza relatório de mobilidade para o Covid-19: Aqueles registos de localização dos dispositivos móveis servem para muita coisa, e podem ser agregados em padrões de comportamento sociais. Estamos em estado de emergência, e por isso não pensamos no pesadelo para a privacidade individual, um dos pilares da democracia, representam as propostas de monitorização da covid-19 através dos padrões de deslocação dos utilizadores de telemóvel. Algo que pode ser usado para muito mais. Do invocar razões sanitárias, que todos compreendemos, a eventuais suspensões mais permanentes de liberdades, com estas tecnologias fica muito fácil. E países com lideranças mais autoritárias podem aproveitar esta brecha para consolidar o seu poder.

Art Transfer by Google lets you apply famous artists’ styles to your own photos: O que vale é que a Google Arts and Culture é relativamente ignorada, senão teríamos as redes sociais cheias de selfies no estilo visual de artistas marcantes. Mas não deixa de ser um interessante uso de algoritmos de transferência de estilos.

Soooo… We Were Trying To Cut Down Our Screen Time Before This Happened. How’s It Going?: Uma das ironias dos tempos covid-19 é que um dos mais recorrentes pânicos morais contemporâneos, o tempo de ecrã, foi completamente abandonado. O sururu sobre os malefícios das redes sociais, visões negativas sobre partilha online, efeitos detrimentais dos ecrãs sobre o desenvolvimento das crianças, caíram muito depressa face ao isolamento social, e à tecnologia como elemento de interconexão, de fio de ligação entre pessoas num tempo em que o distanciamento social é regra.

Why does it suddenly feel like 1999 on the internet?: No seu âmago, a Internet é um meio de partilha de ideias e construção de comunidades de interesse. Algo que ficou esquecido com o grande investimento na net como meio de consumo, entre vídeo, redes sociais e canais digitais. Mas que, devido às medidas de isolamento social impostas pelo combate à pandemia de Covid-19, regressou em força nestes dias em que quem está em casa, tem na rede o seu elo de ligação com os que lhe são próximos.

Accelerating data-driven discoveries: Essencialmente, usar novas formas de organizar bases de dados para conseguir visões mais profundas do que as conseguidas pelas bases de dados relacionais.

A.I. Art Valuation Is the Market’s Holy Grail. Here Are 7 Reasons Why It’s Harder Than It Sounds: Por outras palavras, conseguir-se-á usar algoritmos de Inteligência Artificial para antever gostos estéticos e preferências de colecionadores?

White Supremacy’s Gateway to the American Mind: Devemos o crescimento da visibilidade do extremismo e racismo, paradoxalmente, ao melhor que a Internet nos trouxe. A capacidade de interconectar pessoas com interesses similares mas geograficamente distantes é um dos grandes benefícios da rede, mas tem a desvantagem de facilitar a vida àqueles cujos ideais são tóxicos. Neste artigo, o serviço de auto-publicação digital da Amazon, que é bem visto pelos autores pela sua simplicidade e forma como permite chegar aos leitores (em Portugal, o caso de Bruno Martins Soares é um excelente exemplo disso) é analisado como vetor de publicação de livros racistas que, em contexto tradicional de edição, nem como samizdat se safavam. Novamente, algo de muito bom no mundo digital, instrumentalizado por aqueles cujos ideais são plenamente tóxicos.

Lockdown was supposed to be an introvert’s paradise. It’s not.: De facto, não. Quem me conhece na vida real sabe até que ponto consigo ser bicho do mato (bem, há fronteiras que não passo, como o eremitismo estilita) (hey, a covid-19 propaga-se por contacto social? Então estou praticamente imune), mas é impossível ser-se anti-social em tempos de isolamentos sociais. Nem é pelos introvertidos, para quem esta situação não é especialmente difícil de um ponto de vista psicológico, é a sensação que temos que a pessoa do outro lado precisa de nós. Pessoalmente, até dou por mim a atender telefonemas ou a concluir mensagens de email com termos do tipo “um abraço” (normalmente neste tipo de comunicação vou sempre direto ao que precisa de ser falado e não desperdiço teclado com palavras sociais, mas hey, estes tempos estão difíceis e não faz mal ser um pouco simpático. Mas só um pouco, não entremos em exageros).

Why the coronavirus lockdown is making the internet stronger than ever: Se à escala local possamos sentir alguma degradação dos serviços de rede, na verdade à escala global a internet tem aguentado bem a pressão adicional advinda da migração para a vida digital causada pela pandemia.

Smartphone video makes super accurate 3D face models: Um algoritmo que deixa os amantes de fotogrametria a salivar, ansiosos pelo momento em que alguma app o faça chegar aos telemóveis. Onde já há apps que capturam o real (por aqui, somos heavy users da Display.land), mas estas funcionam combinando fotos e dados dos sensores dos dispositivos. Este algoritmo segue outro caminho, combinando o processo de extrapolação e concatenação de indicadores de volumetria da fotogrametria com inteligência artificial para extrapolar com mais rigor um modelo 3D a partir de vídeo.

Your Internet Is Working. Thank These Cold War-Era Pioneers Who Designed It to Handle Almost Anything: A ideia da Internet ter sido criada como forma de manter comunicações em caso de guerra nuclear é uma simplificação de uma história muito mais complexa. Mas é impossível não notar a ironia de, nestes tempos de isolamentos sociais e apocalipse pandémico (pronto, têm razão, exagerei na metáfora), a robustez dos protocolos tem mantido a funcionar aquela rede que se tem mostrado ser uma infraestrutura essencial para o mundo contemporâneo.

Tempos de Modernidade

Aerial Photog José “Fuji” Ramos Eases Pain From “Top Gun: Maverick” Delay with Stunning Photos: Um mimo para amantes da aviação, estas fotos de cair o queixo das aeronaves dos esquadrões de treino de combate americanas.

500-year-old manuscript contains earliest known use of the “F-word”: Tropelias da etimologia. Sim, essa palavra. Registada por um monge enclausurado na Escócia, durante uma pandemia. I can relate. Aliás, quem nunca?

What do we hear when we dream?: Nota para aqueles como eu que têm tendência a acordar como melodias reais ou imaginárias ouvidas nos sonhos. Se os sonhos não incluírem elementos auditivos, isso pode ser um sintoma de psicose.

We are wayfinders: Uma das capacidades que nos é tão essencial, a percepção espacial, aqui analisada como elemento estrutural da evolução humana.

What Will the World Be Like After Coronavirus? Four Possible Futures: As crises são também oportunidades para avaliar sociedades. O que está mal, o que se faz bem, o que se poderia melhorar. E se a pandemia de Covid-19 nos está a ensinar algo, é a fragilidade de um sistema global que julgávamos resiliente; que o fosso das desigualdades tem consequências fatais; que investimentos públicos em saúde e educação podem ser, literalmente, a diferença entre salvar vidas ou o colapso social com mortos esquecidos nas ruas; a eficiência do just in time trava se há um grão na engrenagem; a capacidade das comunidades para criar redes de entreajuda; o potencial da fabricação digital distribuída para suprir necessidades que os sistemas clássicos não conseguem. Que nova sociedade emergirá desta crise?

How To Maintain (Or Renew) Your Relationship With Shakespeare: Read Him: Compreender melhor um autor lendo a sua obra? Bem, diria que esse conselho não se esgota em Shakespeare.

Gun Lovers Are Claiming a Huge ‘I Told You So’ Moment With the Coronavirus Outbreak: O que dizer de uma sociedade em que, face à iminente pandemia, o primeiro impulso é ir comprar armas?

Many Skin Scratches And An Interesting Low-Viz Art Appear On One Of The Oldest Flying F-22 Raptors: Aparentemente, a tinta especial que ajuda o F-22 a ser invisível aos radares é tão cara que, nas situações operacionais, só as aeronaves na linha da frente são mantidas com as camadas de tinta em boas condições.

I was bored, so I watched the movie that astronauts must view before launch: Juntar esta à lista de coisas que não sabíamos que existiam mas que agora que sabemos, estamos um pouco mais ricos. Há uma tradição obrigatória dos cosmonautas russos (e astronautas à boleia na Soyuz), ver um antigo filme de ação soviético.

An Unimaginable Toll: Normalmente tento manter a selecção de leituras sobre o impacto da Covid-19 otimista, ou escapar-lhe por completo. É o assunto que está na mente de todos, e precisamos de leituras que nos distraiam um pouco do foco único, dos isolamentos sociais, que nos recordem a diversidade cultural, que houve um passado e haverá um futuro depois disto. Nesta, abro exceção. Porque nos fala do tremendo custo emocional que as análises estatísticas disfarçam, da morte que nos atinge como um murro no estômago. E, especialmente, na obrigatoriedade de solidão na morte que a pandemia nos trouxe.

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Amadora BD 2019: 30 Anos nos Caminhos da Banda Desenhada

 

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.