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Trazemos uma boa dose de leituras, esta semana. Recordamos o trabalho de Alan Moore, descobrimos uma preciosidade de cinema exploitation. Partilhamos livros e contos de ficção científica e fantástico escritos por autores portugueses, bem como banda desenhada. Na tecnologia, exploramos os dilemas do ensino digital à distância em que milhares de alunos portugueses se estão a aventurar, por força da pandemia. Também procuramos leituras que mostram os riscos de aproveitamento das propostas de rastreamento digital em nome da saúde pública. Visitamos virtualmente o Egipto, compreendemos o real papel social da escola, ou a necessidade de descobrir o hiperlocal no confinamento pandémico. Esperamos um futuro mais radioso. E não desesperamos, trabalhamos para isso. Aproveitemos este dia onde se comemora a revolução dos cravos para leituras intrigantes.

Mundos da Ficção Científica

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Johnny Bruck, 1981, for Perry Rhodan #1051: A lendária série alemã de ficção científica sempre se pautou por um forte surrealismo.

Antes de aparecer Neil Gaiman e o seu Sandman , houve um outro autor inglês. De nome Alan Moore , quando apareceu a esc…: O Acho que Acho poderia ter mais cuidado com os títulos. Já o artigo merece a leitura, recorda a obra do argumentista que mais influência teve nos comics de sempre. Sem Alan Moore não haveria Watchmen, esse ícone do melhor do género que a DC Comics explora até ao tutano.

Flesh Gordon (1974) UNCENSORED TRAILER: Coisas que têm de ser vistas para se acreditar. Não confundir com The Original Flash Gordon, diziam. Bem, nada como voar pelo espaço numa nave em forma de pénis, salvando damas de peito generoso das garras de monstros lúbricos. Exploitation cinema, pois claro.

Ebook grátis!: Mais um contributo para a lista de leituras gratuitas de FC portuguesa. Ou melhor, uma recordação, que o projeto Improbabilidades está disponível há muito.

Chris Moore, “Alpha Centauri”: Ia lá com muito gosto, verificar se a paisagem é igual a esta.

Esfinge — Coelho Neto: Sugestões de leitura? O Projeto Adamastor, no seu esforço meritório de preservação digital da literatura fantástica, traz-nos uma nova proposta, um romance brasileiro com laivos de Frankenstein.

It’s Alive 2020: Mesmo à distância, um grupo de escritores portugueses de ficção científica e fantástico mantiveram a tradição de fazer uma maratona de escrita para comemorar a famosa dark and stormy night na Villa Diodati que deu origem a Frankenstein. Nuno Ferreira, um dos participantes, partilhou a sua contribuição, muito no domínio do fantástico.

A Gargalhada: Um conto muito curto, mas muito certeiro, de Jorge Candeias. É amargo, como os tempos que correm.

Stanislaw Fernandez: Sou só eu que vejo aqui uma piada fálica, ou algum de vós também tem uma mente perversa?

Diabolik: L’Uomo che non sapeva ridere: O criminoso ardiloso nunca foi das personagens de fumetti que me cativou (mas conheço quem o adore). No entanto, esta aventura parece intrigante, pelo olhar de humor que desfaz os pressupostos da série.

Surrealejos: o Portuguese Portal olha para este projeto que mistura tradição e fantasia, revendo a tradicional azulejaria sob um prisma surreal.

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Bob Eggleton, “Gravity Well”: Como na canção dos Pixies, mas com campos gravitacionais.

Los mejores libros gratis en formato eBook disponibles para leer en esta cuarentena: Vai mais uma lista de leituras gratuitas para quem está em casa sem nada que fazer? (Bem, a malta do teletrabalho, oi os professores a aprender a ensinar através de e-learning, invejam-vos esse tempo livre. Eu mal tenho tempo para ler os artigos que partilho aqui, em dias divididos entre implementação de plataformas digitais de ensino à distância, apoio aos meus colegas, e preparação de recursos digitais para os meus alunos. Esta lista é interessante não pelos livros que sugere, mas por listar repositórios de literatura livre em castelhano. Quando tiver tempo, vou explorar, gostaria de conhecer melhor a ficção científica espanhola.

Making the Future Fashionable as Hell Takes a Lot of Work: Da complexidade de criar visões de moda futurista, tarefa que para além de difícil, geralmente envelhece mal. Os vestuários futuristas dos filmes geralmente oscilam entre o kitsch e o ridículo, com raras excepções.

Leituras digitais em português: À procura de banda desenhada para ler? Ficam aqui boas sugestões de excelentes criadores portugueses.

The Profound Influence of Moebius on Cyberpunk Art and Aesthetics: Se procuramos inspirações, que sejam dos melhores. Se bem que o estilo de Moebius tenha pouco a ver com o grimdark digital do cyberpunk.

Chris Foss: Dos clássicos.

JH Williams III Was Only Alan Moore’s Fourth Choice to Draw Promethea: E, no entanto, o seu traço distinto é um dos elementos que torna Promethea uma das melhores obras de Alan Moore. Mas agora não consigo deixar de pensar como P. Craig Russell daria a volta às visões mooeranas. Eu sei que estamos em crise, mas uma edição portuguesa desta série seria uma excelente adição às bibliotecas.

Milo Manara Draws Women Very Differently In Recent Weeks: Regressamos ao trabalho de Manara, e às suas partilhas de imagens que valorizam o papel das mulheres no combate à covid-19. Não consigo deixar de reparar que, mesmo longe do registo sensual que lhe é habitual, Manara consegue tornar até o varrer as ruas um ato elegante.

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Art by Charles Moll. Fun fact: Eando Binder was the pen name of…: Adam Link, robot, era um personagem de FC clássica que explorava a questão dos robots inteligentes. Pensem tipo I, Robot de Asimov, mas muito mais chato.

Seven Tales of Mystery: O Portal de FC portuguesa destaca um livro fora da caixa da literatura portuguesa, com um forte toque de fantástico. Um daqueles que nunca consegui encontrar.

Kickpunch’s Disney comics/horror movie mashups: Brilhantes, e hilariantes, colisões entre a estética Disney e os posters de filmes de terror clássico. Difícil de escolher qual o melhor.

Tecnologia nos dias de Pandemia

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Wally Wood: Um dos grandes ilustradores de comics de ficção científica.

Why Telephone Companies Once Discouraged People From Chatting: Plus ça change… Se hoje discutimos o alheamento social trazido pelos ecrãs, a questão não é nova. Como se observa nesta história em que descobrimos que no auge do telefone, havia anúncios e campanhas das companhias a desencorajar o falar ao telefone, para combater o alheamento entre as pessoas.

Academics Are Advancing Digital Construction Technology—With Help From Robots: Um interessante estudo de caso, olhando para o esforço de investigação na interligação de manufatura aditiva, robótica e arquitectura. Este projeto desenvolve metodologias de fabricação digital em arquitectura.

Tele-escola em Portugal com regras pouco recomendáveis: Um típico artigo de treinador de bancada, escrito por quem compreende tecnologia mas não percebe da sua aplicação na educação. Mas não deixa de levantar pontos muito importantes, que fazem parte da reflexão feita nas escolas que estão a implementar LMS (learning management system) como uma das respostas à suspensão das atividades letivas não presenciais em situação de pandemia. O exemplo que aponta é indicador de que plataforma foi escolhida na escola em questão, e se a regra parece ridícula, na verdade é uma forma de simplificar a gestão de utilizadores. Claro que aqui a melhor solução seria a geração automatizada de emails para os alunos no domínio da escola, mas talvez esta não disponha das condições para o fazer. O que aponta sobre o Zoom passa completamente ao lado do verdadeiro problema do uso de vídeo conferência com menores. Os problemas de segurança, neste contexto, são triviais (eu sei, IT guys, é uma afirmação chocante). A principal problemática destes sistemas está no potencial uso abusivo de imagem de menores na Internet. Nada garante que um dos intervenientes na aula virtual não esteja a fazer screenshots das caras dos colegas para depois usar em ações de cyberbullying, por exemplo. Junte-se a isso que formas de expor imagem de menores na Internet vai diretamente contra os normativos da CNPD sobre este assunto (e há consequências legais para isso). Apontar que nem todas as famílias terão condições para que os seus filhos usem estes sistemas é óbvio, e na verdade os planos de ação das escolas contemplam estas situações. Mas vá, se fosse meu aluno, o autor deste artigo merecia um 4 pelas questões que levanta, mesmo que passem ao lado dos reais problemas, e opine (com todo o direito de o fazer) sem ter uma noção do panorama global. Este artigo também é sintomático das pressões a que escolas e professores irão estar sujeitos quando a fase do pânico e medo da covid-19 passar, e se instalar a do tédio e desgaste do isolamento social. Iremos ser questionados sobre o que fazemos, como e porquê, pelos pais e encarregados de educação. Alguns irão fazê-lo com espírito de ajuda e colaboração para melhorar. Infelizmente, serão uma minoria. Outros, especialmente aqueles que por fazerem comentários em redes sociais se julgam experts em informática educacional, vão levantar irritantes entraves. Os que considero perigosos são aqueles que têm interesses financeiros no assunto, por trabalharem em consultoria ou em empresas ligadas a algumas das plataformas LMS usadas pelas escolas, e que irão questionar porque razão foi escolhida uma que no ponto de vista deles não garante qualidade e segurança, quando uma solução que conhecem bem (e até conseguem descontos ou condições vantajosas) estava ao dispor. Sim, isso irá acontecer. Para aqueles professores ligados à tecnologia que nos dias iniciais da pandemia tiveram de gerir os seus medos pessoais, terminar atividades letivas em modo de crise, e ainda estudar sistemas LMS para melhor aconselhar as escolas em que trabalham a implementar soluções adequadas ao seu contexto, fica o conselho. Não esqueçam os argumentos fortes que condicionaram as escolhas feitas. Vão precisar deles.

When school is online, the digital divide grows greater: É uma questão complicada. Com as escolas fechadas como medida de combate à pandemia, como assegurar a equidade no acesso à educação? Mover para o online não é uma panaceia, aprofunda desigualdades que são mais profundas do que a dicotomia entre quem tem acesso a tecnologias e quem não tem. Há outras problemáticas. Haverá alunos que em casa terão o acompanhamento e a disciplina para seguir atividades em ambientes à distância. Mas muitos não serão capazes disso. Mesmo nas melhores condições, e-learning é exigente e requer uma forte auto-disciplina e grande motivação para se levar até ao fim as tarefas. Isto é verdade na educação de adultos, onde as taxas de desistência são elevadas. Imaginem com crianças, ou adolescentes, que não são conhecidos pelas suas características psicológicas de resiliência e auto-disciplina no estudo (o que é normal, faz parte do crescer enquanto pessoa). Por outro lado, simplesmente não fazer nada também não é solução. Neste momento de crise, a solução mista de plataformas de e-learning, tele-escola e envio de tarefas por correio é uma reação necessária que mantém uma ligação entre escola, crianças e famílias. Alguns irão aproveitar a oportunidade, outros, não. É essa a verdade mais incómoda para professores que estejam a olhar a sério para os sistemas de aprendizagem à distância. O perceber que seremos incapazes de ajudar aqueles alunos que mais precisariam de ajuda, porque não estamos ao pé deles para os aconselhar (ou ralhar, mostrando-lhes que não estão no bom caminho). Longe da sala de aula, apenas podemos fornecer conteúdos e acompanhamento. O controlo sobre as aprendizagens é totalmente perdido. E isso vai contra alguns pilares essenciais da educação, que não, não é isso que estão a pensar. Isso do debitar matéria e estudar marrando para exames já passou, felizmente, há algum tempo.

Artists Explore A.I., With Some Deep Unease: Talvez a arte seja o único contexto em que os algoritmos black box sejam menos preocupantes. Ter obras estéticas geradas por algoritmos cujos sistemas de decisão não conseguimos prever ou controlar é interessante, e o mundo da arte já ultrapassou o deslumbre com a geração de imagens por GAN, procurando formas de questionamento profundo desta tecnologia.

We need mass surveillance to fight covid-19—but it doesn’t have to be creepy: As tecnologias de rastreamento digitais que já existem – o quê, pensavam que o vosso telemóvel é totalmente anónimo, podem ser usadas como arma de combate à pandemia. Mas podem muito facilmente ser apropriadas para outros fins. Se nas nossas democracias ocidentais estáveis isso nos parece improvável, basta olhar para exemplos como a Rússia de Putin, a Turquia de Erdogan, ou outros países onde autocratas se apropriaram dos processos democráticos. Na Europa, temos um quadro legal forte que impede abusos de dados pessoais, mas é de notar que no panorama global, somos a excepção e não a regra. É com base nessas protecções que se podem conceber sistemas de rastreamento eficazes mas que não destruam as liberdades individuais. Senão, não será difícil imaginar um futuro de hipervigilância ao estilo chinês. Porque já não é futuro, é mesmo a realidade na China.

TOUCH FACE, LIGHTS CHASE, SIRENS RACE: Que ideia tão gira, pensei quando o Maurício Martins da Makers In Little Lisbon partilhou este projeto de programação por blocos, base adafruit e impressão 3D. Um wearable DIY concebido para combater aquele gesto automático de levar as mãos à cara, nascido da criatividade de um dos mais destacados Makers portugueses, que despertou a atenção do Hackaday.

We Mapped How the Coronavirus Is Driving New Surveillance Programs Around the World: Os dados pessoais são uma das armas eficazes de combate à pandemia, mas a sua agregação, a criação de sistemas de vigilância a partir do mar de informação disponibilizada pelos nossos dispositivos, pode ser apropriada para usos que fogem muito do legítimo combate à pandemia. A perfilação de indivíduos com base no rastreio dos seus movimentos pode dizer a quem analisa os padrões muito sobre a personalidade de cada um. Em sociedades autoritárias, o risco de aproveitamento para esmagar potenciais dissidências é real (e, no caso chinês, foi ao contrário, os sistemas avançados de vigilância para esmagar qualquer traço de desobediência ao regime mostraram-se úteis para combater a pandemia). Para quem vive numa democracia ocidental estável, isto pode parecer um perigo remoto, mas lembrem-se que em tempos de crise, estamos a uma eleição do potencial risco de ascensão ao poder de políticos populistas e amantes do autoritarismo. Na União Europeia, um dos bastiões da legitimidade democrática, há o caso de um país assim, a Hungria. Sabermos que este tipo de sistemas são úteis e necessários a médio prazo para combater esta pandemia global que não se resolve em meses. Temos de estar atentos, e erguer quadros legais, para evitar que estas ferramentas sejam instrumentalizadas por aqueles para quem conceitos como democracia e liberdades individuais são um anátema.

Digital hoarders: “Our terabytes are put to use for the betterment of mankind”: Recordam-se daquela vez que foram um site que usavam durante algum tempo, mas descobriram que ficou offline? Ou aquele vídeo ou artigo que tinham nos vossos links, desapareceu sem deixar rasto? A Internet vive num contínuo agora, e o que passa nem sempre fica guardado. Sites desaparecem, páginas são apagadas, recursos perdem-se. Mas há quem trabalhe contra isso, encontrando formas de preservação do digital.

The digital future is now: Se há algo de bom na pandemia, é a forma como fomos obrigados a deixar de arrastar os pés e a usar a sério a panóplia de ferramentas digitais que temos ao nosso dispor. A digitalização da sociedade, uma tendência de longo prazo que já estava a acontecer, deixou de ser apenas ao nível da infraestrutura (automação industrial, robotização, desmaterialização de serviços) e entrou no dia a dia, com o teletrabalho, escola à distância, e redes digitais para manter contacto social. Estas tecnologias já cá estavam, mas eram usadas de forma anémica. Agora mergulhamos à pressão nisto, e suspeito que quando acalmar a pandemia, muitos não quererão regressar ao modo normal de fazer as coisas. Se calhar, grande parte dos empregos não requer mesmo a presença física de funcionários em edifícios de escritórios. Se calhar, a escola não precisa de ser um modelo de encafuar milhares de crianças dentro de um edifício durante nove horas, pode ser um misto de atividades presenciais e à distância. Se nada há de melhor do que tomar um café (ou uma cervejinha, ou sendo snob, um aperol spritz) com um amigo, mas isso não quer dizer que as relações mediadas pelas redes não sejam menos significativas. Se calhar, o comércio electrónico pode ser tão útil à mercearia do bairro como à multinacional. Vamos ter de evoluir novos comportamentos, metodologias de uso, consensos e quadros legais. Porque há coisas que depois de percebermos o seu potencial, não queremos voltar atrás.

Indie Game Explores Utopias: Adoro interconexão entre arte e tecnologia, e ainda mais se há mundos virtuais para explorar, recantos de polígonos e pixeis criados para desafiar a percepção. Este é um jogo a descobrir, suspeito.

Bluetooth tracking and COVID-19: A tech primer: Rastrear movimentos individuais usando tecnologias móveis já se percebeu que será uma ferramenta de combate à pandemia. Como fazê-lo, sem criar sistemas que coloquem em causa as liberdades e garantias individuais? Este artigo lista o potencial do humilde Bluetooth como, provavelmente, a tecnologia que permite um rastreio eficaz mas anónimo, por não depender de geolocalização (com o correspondente risco de perfilagem e padronização de todos os movimentos de um indivíduo). Também lista as suas falhas, especialmente fraquezas de segurança.

Histórias da Modernidade

European globes of the 17–18th centuries: Fascinante uso de digitalização 3D e preservação digital do património cultural e histórico. O British Museum disponibiliza cópias virtuais de alguns dos melhores exemplares da sua coleção de globos terrestres. E em 3D, para se poder percepcionar melhor como são estes artefactos.

How Infectious Disease Defined the American Bathroom: Como é que o coronavírus irá modificar a nossa sociedade? Ainda não sabemos, apenas sabemos que a sua virulência e tempo necessário para encontrar curas e vacinas (um cálculo complicado pelo potencial de mutação) nos vai obrigar a rever alguns pressupostos sobre a forma como nos organizamos. E, olhando para o passado, temos algumas pistas. Algo que para nós é hoje banal, a casa de banho, nem sempre o foi. Em grande parte, foi adotada nas casas, entranhando-se como elemento arquitectónico fundamental, como resposta a problemas de salubridade e epidemias, que com higiene adequada seriam evitados. Impossível não pensar em que comportamentos que hoje nos parecem excessivos ou impossíveis serão, no futuro próximo, tão normalizados que já nem repararemos neles. É também de observar que a arquitectura e o urbanismo têm muito que repensar se não conseguirmos minimizar a covid-19 em tempo útil.

Trabajo “diseñando la personalidad” de una inteligencia artificial: Poderão as Inteligências Artificiais ter personalidade? Bem, se não as simularem, é para nós mais complicado interagir com algoritmos. Como mostra muito bem o artigo, um pequeno pormenor como o tom de voz no algoritmo do GPS é na verdade algo muito bem pensado para ser suave e não intrusivo, mas também não passar despercebido. É intrigante pensar que o desenvolvimento da personalidade de um algoritmo é um processo similar ao da criação de uma personagem literária.

Education was never schools’ sole focus. The coronavirus pandemic has proved it: Ok, sendo professor, sou suspeito, mas é mesmo isto. Agora que milhões de crianças portuguesas estão em casa com atividades à distância, sobrecarregando as famílias, usando metodologias de EaD que requerem uma auto-disciplina que até para adultos é difícil, muitas vezes (mais do que julgávamos ser possível) sem meios técnicos ou acesso à Internet para poder participar do esforço digital da escola, todos sentimos isso. E mais. Cá, como lá, também há o problema das crianças para quem a escola é a única refeição a que têm acesso, ou todas as questões de apoio social e acompanhamento familiar: “Cancel schools, and look: who is there for children with protection orders? Who is feeding the vulnerable? Who is writing mass bereavement policies to explain to year 4 why their teacher isn’t coming back? Who is (virtually) sitting with the sobbing kid whose GCSEs have been cancelled?“. A escola nunca foi apenas um lugar para aprender matérias, passar em exames, e ter um espaço para as famílias trabalhadoras deixarem os seus filhos durante a jornada de trabalho. É um dos pilares que estruturam a nossa sociedade, não só pelo papel de formação das gerações futuras, mas pelo apoio que presta às comunidades em que está inserida. Algo tão essencial mas normal que tem sido esquecido e descurado, especialmente pelas políticas austeritárias. Mas quando o impossível bate à porta, sob a forma de pandemia, é que percebemos o preço mortífero a pagar. Eu ainda juntaria mais um problema. Sabendo que a pandemia está para durar, com é que se faz regressar a escola à necessária atividade presencial mantendo o que temos hoje? Como é que se garante isolamento social no modelo 25 a 29 alunos por turma, fechados numa sala com um professor? A própria arquitectura dos espaços escolares tem de ser repensada. Um exemplo, dos enormes desafios que adaptar a nossa sociedade à covid-19 nos traz.

The Post-Pandemic Urban Future Is Already Here: A pandemia de Covid-19 trará impactos a longo prazo, e a arquitectura não lhe é imune. Sabendo que o distanciamento social é uma das medidas mais eficazes de combate ao contágio, os espaços urbanos sobrepovoados, os interiores onde se confinam muitas pessoas, terão de ser repensados. Olho para o exemplo da escola. A curto prazo, e mesmo a médio, o modelo em que 30 pessoas estão horas num mesmo espaço não é aconselhável em termos de saúde pública.

Portraits of Isolation in the Arctic: O isolamento social pesa, certo? Notem que há zonas remotas do planeta em que isolamento social é a regra, não a exceção.

Marcel-Roland, Comment on vivra dans un quart de siècle (1928): Em 1955, as refeições seriam pílulas nutritivas, trabalhar-se-ia em casa com máquinas de esteganografia, ouvir-se-iam músicas de todo o mundo em aparelhos, ou nos momentos de lazer a sala de estar ligava-se a outros lugares através de meios de visão à distância. É sempre interessante ler textos retrofuturistas, percebemos que se as visões tecnológicas nos parecem inocentes, algumas vezes patetas, as tendências de comportamento e usos que damos hoje às tecnologias, essas ideias já lá estavam no seu cerne.

New model looks at what might happen if SARS-CoV-2 is here to stay: Essencialmente, aponta para que a própria natureza deste vírus signifique que fique connosco durante tempo indeterminado. Vamos ter de aprender a viver com ele, desenvolver terapias, tornar mais forte o sistema de saúde pública.

Secção Cascais – Semana 3#: Destaco este artigo porque, para nómadas inquietos como eu, o isolamento social da pandemia obrigou à redescoberta do hiperlocal. Confinados ao bairro, à vila, evitando ativamente deslocações que eram banais, descobrimos os cantos que estão mesmo ao nosso lado. Eu, regressei às voltas nocturnas pelo perímetro urbano e caminhos rurais próximos para manter a cadela em boa forma física, enquanto aguardo condições para poder regressar aos passeios pelas praias isoladas do oeste.

What Italy’s ‘Patient One’ Teaches Us: Essencialmente, que as marcas psicológicas da pandemia nos vão moldar, como pessoas e como sociedade.

Tour 5,000 years of Egypt’s heritage: Visitar o Antigo Egipto… em 3D. Boa solução para os dias de pandemia.

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