Alpha Centauri, exoplanetas
Legenda: Sistema estelar de Alpha Centauri. Alpha e Beta Centauri são as duas estrelas brilhantes à esquerda da imagem. À direita, está a constelação de Crux (Cruzeiro do Sul). Créditos: Wiki Communs, Roberto Mura

Alpha Centauri que também é conhecido como Rigil Kentaurus, é o sistema estelar (ou sistema solar) mais próximo do nosso Sol, a uma distância de 4,37 anos-luz. Por esta razão, por ser o sistema mais próximo da Terra, os astrónomos têm procurado investigar a fundo este sistema estelar, pela simples razão de que um dia talvez venha a ser possível visitá-lo. E a primeira coisa a fazer é identificar os exoplanetas que este sistema estelar triplo poderá albergar dentro do seu campo gravitacional.

O Sistema “Solar” de Alpha Centauri e as suas particularidades…

Alpha Centauri consiste de três estrelas, ou seja três “sóis”, unidos por atracção gravitacional entre si. São eles Alpha Centauri A e Alpha Centauri B, duas estrelas brilhantes às quais se junta Alpha Centauri C, ou Próxima Centauri (pois é a estrela mais próxima da Terra), e que é uma anã vermelha (uma estrela relativamente fria e de combustão lentas, sendo para além disso eruptiva. As anãs vermelhas constituem a maior parte das estrelas da nossa galáxia, tendo em média menos de metade da massa do nosso Sol).

Alpha Centauri A tem 1,11 vezes a massa e 1,52 vezes a luminosidade do Sol, Alpha Centauri B é menor e mais fria, com 0,94 vezes a massa solar e 0,50 vezes sua luminosidade, sendo que ambas são visíveis a olho nu.

Já Proxima Centauri apesar de estar a uma distância um pouco menor do que as outras, cerca de  4,24 anos-luz, e sendo a estrela mais próxima do Sol, não é visível a olho nu.

No Espaço as distâncias são imensas, e apresentam-se em números difíceis de serem sequer imaginados por humanos. Por exemplo, a órbita de Próxima Centauri em torno dos outros dois sóis, Alpha Centauri A e B, corresponde a 13000 unidades astronómicas o que traduzindo significa que a órbita da anã vermelha é equivalente a 430 vezes o raio da órbita de Neptuno, levando portanto esta estrela quase 550 mil anos para orbitar as outras duas.

Alpha Centauri foi mencionada pela primeira vez em 1592 pelo explorador inglês Robert Hues na sua obra Tractatus de Globis, contudo Alpha Centauri esteve sempre no imaginário dos seres humanos, uma vez que o posicionamento de Alpha Centauri com Beta Centauri, faz uma linha recta que nos indica a estrela Cruzeiro do Sul (e que se encontra poucos graus a Oeste), na também chamada constelação de Crux (permitindo-nos assim saber onde está o hemisfério sul da Terra, em oposição à Estrela Polar, que nos indica o norte). Podemos perceber isto muito bem olhando para a imagem de capa deste artigo. É aliás por isto que estas estrelas são conhecidas pelos astrónomos como “os ponteiros”.

Alpha Centauri, Proxima Centauri, exoplanetas
Legenda: Alpha Centauri, com Proxima Centauri dentro do circulo vermelho. Créditos: Wiki Comuns, por Skatebiker com Canon 85mm f/1.8

Mas voltando a Proxima Centauri…

Proxima Centauri é a anã vermelha que está apenas a 7800 UA (Unidades Astronómicas) da Terra (ou 4, 2426 anos-luz). É uma estrela consideravelmente menor do que Alpha Centauri A e B, tendo apenas 12,21% a massa do nosso Sol, e apenas 0,155% da sua luminosidade solar.

E porque será para nós tão atraente esta estrela, para além de estar próxima (relativamente) da Terra? A verdade é que não está assim tão próxima por um lado, e muito próxima por outro…

Na verdade, o nosso grande interesse na investigação de estrelas próximas é a procura de ambientes habitáveis, mundos, ou exoplanetas com as suas luas.

Nas estrelas que estão demasiado próximas, por vezes é complicado fazer esta detecção, uma vez que o seu brilho é intenso e ofusca a procura de exoplanetas nas suas proximidades. Por outro lado, com actualmente cerca de 4000 exoplanetas descobertos e confirmados, por vezes é difícil (por causa da distância a que estão), poder discernir contra o brilho da estrela hospedeira, todas as informações que gostaríamos de ter sobre essses exoplanetas.

Alpha Centauri: Entre o longe de mais e o perto de mais…

Em 2016 os astrónomos descobriram o primeiro exoplaneta que conhecemos no Sistema de Alpha Centauri. Chamámos-lhe o Proxima b, e talvez com os futuros observatórios que vamos enviar para o Espaço, com sorte poderá ser possível obter imagens deste exoplaneta.

De facto quando identificámos no passado os cerca de 4000 exoplanetas que conhecemos,  sabemos também que de nenhum deles poderemos obter imagens. Estes exoplanetas foram identificados por técnicas muito especiais e não por uma observação directa. Isto faz-se por exemplo através da medição da oscilação do brilho de uma estrela hospedeira, quando um exoplaneta a orbita e passa à sua frente (reduzindo o seu brilho ligeiramente). Esse brilho depois é decomposto num espectro de cores que permite concluir dados sobre a sua composição.

No entanto em Alpha Centauri, a proximidade deste sistema permite eleger os exoplanetas que estão presos a este sistema gravitacionalmente através directamente de imagens.

De facto em 2019 foi pela primeira vez anunciado que haviam circunstâncias que nos permitiriam concluir a existência de um exoplaneta, que ainda aguarda confirmação. Pensa-se que será uma super-Terra ou um mini-Neptuno, e que está a orbitar Proxima Centauri que é uma estrela de luminosidade mais fraca (tal como já explicámos), pelo que é mais fácil de observar, dada a sua proximidade.

Agora recentemente uma equipa de astrónomos anunciou numa publicação para a revista Astronomy & Astrophysics, um estudo que defende que esta equipa tenha efectivamente observado um outro exoplaneta pela primeira vez, tendo-o chamado de Proxima c.

Raffaele Gratton, do Observatório Astronómico de Pádua, afirmou neste artigo que “este planeta é extremamente interessante porque Proxima é uma estrela muito próxima do Sol. A ideia era que, como este planeta está [longe] da estrela, seja possível ser observado em imagens diretas. Encontrámos um candidato razoável, parecendo-nos que realmente detectámos um planeta.”

A descoberta continua contudo em suspenso. Primeiro Mário Damasso do Observatório Astrofísico de Turim partilhou a informação com o Observatório de Pádua, cuja missão passou a ser prosseguir com a suspeita da existência do Proxima c, utilizando outro tipo de técnicas.

Seguiu-se a história com Gratton e sua equipa a re-examinar os dados dos observatórios italianos usando o instrumento SPHERE (Pesquisa Espectro-Polarimétrica de Exoplaneta de Alto Contraste) no Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul no Chile, para ver se eles realmente podiam ver o planeta. E daqui conseguiram-se 19 imagens com infravermelhos onde se conseguiu identificar 19 aparências do potencial exoplaneta Proxima c.

Nesta imagem podemos ver o VTL – Very Large Telescope em Timelapse, lembrando que cada ponto de luz no firmamento corresponde a um sistema estelar ou seja, a uma estrela como o nosso Sol, que é orbitada por planetas…

Destas 19 “aparências” (imagens que aparentemente parecem corresponder a um planeta),  denotou-se algum “ruído” na imagem ou seja, um excesso de brilho. E esse brilho levantou algumas dúvidas…

A questão é que a equipa não parece ter grandes dúvidas em categorizar este planeta como uma super-Terra, e em particular com pelo menos 7 vezes a massa do nosso planeta. O problema é que o objecto observado é 10 a 100 vezes mais brilhante do que um planeta com a sua massa deveria ser…

Se se confirmar que esta sobreposição de imagens em infravermelho são de facto as primeiras imagens que temos de um exoplaneta em Proxima Centauri, a única explicação segundo os autores deste estudo é que este exoplaneta esteja rodeado de uma enorme quantidade de poeira espacial. Sendo mais concreto, esta poeira deverá corresponder a um enorme sistema de anéis (como acontece com Saturno), embora tal como explicou o astrofísico Bruce Macintosh da Universidade de Stanford, este sistema tenha que ser 3 a 4 vezes maior do que os anéis de Saturno…

E poderemos um dia explorar este planeta, numa missão tripulada???

A resposta é clara: não com a actual tecnologia de que dispomos hoje…

Para chegarmos a Alpha Centauri é preciso sair para o Espaço Interestelar, isto é passar a órbita de Plutão, de um eventual Planeta X (ainda não observado, mas do qual se suspeita a existência), de Última Thule na Cintura de Kuiper, e por fim da zona de objectos planetesimais (corpos rochosos ou gelados, criados na altura da formação do nosso sistema solar), zona essa conhecida como “Nuvem de Oort” (que está localizada a cerca de 1 ano de luz da Terra). Chegando à Nuvem de Oort e atravessando a Heliosfera, entraremos finalmente num vácuo quase total, um deserto de radiação, até por fim atingirmos a influência gravitacional de outro sistema solar (sendo que o sistema solar mais próximo do nosso é Alpha Centauri, localizado a 4,2 anos de luz da Terra).

No Espaço Interestelar estão actualmente algumas sondas, por exemplo as do Programa Voyager (as sondas Voyager 1 e 2 – ver aqui a sua monitorização em tempo real), que tal como a sonda New Horizons passaram a Heliosfera e entraram no vácuo entre estrelas.

Para alcançar os exoplanetas que habitam o sistema de Alpha Centauri teríamos que viajar à velocidade da luz para percorrer os 4,2 anos-luz que nos separam. A Voyager 1 é a sonda espacial mais rápida que foi construída até hoje, alcançando uma velocidade de 77,3 km/s ou 278.280 km/h, ou ainda se quisermos 0,0257% da velocidade da luz, uma vez que a velocidade da luz corresponde a 1.079.252.848,8 km/hora.

Isto significa que demoraríamos cerca de 50.000 anos até atingirmos os exoplanetas mais próximos de nós, o que é o mesmo que dizer que teríamos que viajar numa Biosfera multigeracional, e utilizando uma Física que ainda nos é desconhecida… Pelo menos por enquanto!

Quanto às fotos do exoplaneta Proxima c, aguardamos ainda a sua publicação!

***IMPORTANTE***

Não se esqueça de ajudar o Bit2Geek a crescer nas redes sociais, para termos mais colaboradores e mais conteúdo, 👍? A sua ajuda muda tudo!

 

***E clique em baixo para saber mais 

Viagem Interestelar: sair do nosso Sistema Solar usando uma Biosfera

***Ou então clique aqui!

Programa Discovery: as missões que vão explorar o sistema solar.