Muito se tem falado sobre os efeitos que a Pandemia poderia ter causado no que diz respeito à concretização do Programa Artemis da NASA, e isto porque agora já não se trata de uma extensão do Programa Apollo (que colocou Neils Armstrong e Buzz Aldrin na Lua)… No passado já colocámos um bandeira no solo lunar e já recolhemos amostras do nosso satélite natural, pelo que voltar à Lua na década de 2020 será para ficar, para construir um porto avançado de exploração espacial no nosso satélite natural, para ser continuamente habitado, tal como já acontece com a Estação Espacial Internacional…

Neste momento e a pensar no mundo novo pós-desconfinamento, as perguntas são:A Nasa sempre vai ou não vai? E vamos mesmo construir uma base na Lua ou não vamos?

Lua em 2004? Vamos responder a esta pergunta!

Em Maio de 2018 o Administrador da NASA, Jim Bridenstine, afirmou que a agência espacial norte-americana iria conseguir colocar uma equipa de astronautas na Lua antes de 2028. Numa reviravolta histórica, em abril de 2019 o Vice-Presidente dos EUA Mike Pence , afirmou que durante os cinco anos seguintes (até 2024), a NASA iria devolver astronautas à Lua.

Nessa altura fontes não-oficiais comentaram que cumprir a meta de Mike Pence custaria durante esses 5 anos cerca de 40 mil milhões ou seja, mais do dobro do orçamento global da NASA para a área da exploração. E um aumento dessa envergadura carecia de uma aprovação do Congresso, ao que se acresce que a falta de apoio político a Trump poderia comprometer por si só esse objectivo… Isto mesmo foi aliás afirmado por famosos ex-astronautas.

Esta parece ser uma argumentação fraca. O Programa Moon to Mars é algo que ultrapassa a esfera política de Trump. Poder construir uma base no satélite natural da Terra para minerar os depósitos valiosos e intocados há biliões de anos (por exemplo através dos impactos de asteróides), permitirá a quem se estabelecer na Lua em primeiro lugar ter uma preponderância no Espaço, seja ela em nos negócios ou na exploração, decorrente de se ter como ponto de partida a Lua (que é tão importante por ter cerca de 60% da gravidade da Terra, permitindo por isso o lançamento de missões de longo curso por economia de combustível – para além do minério acumulado, é claro!).

O sonho de ter uma base lunar

A NASA não tem uma presença “humana” na Lua desde a década de 1970, apesar de ter uma presença contínua em órbita lunar: o Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO). Depois há a corrida dos novos países à superfície da Lua. Por exemplo em 2013 a China pousou o módulo lunar Chang’3 e actualmente está a conduzir a missão de exploração Chang’4 que está presentemente em operações na superfície da Lua.

Mas começamos a ver os privados a auxiliar nações “inesperadas” pelo menos numa corrida pela conquista lunar. Em 2019 por exemplo uma empresa privada, a Space IL por pouco não transformou a “missão” Beresheet (quando esta estava apenas a 14 Km de altitude), na primeira missão privada e neste caso ao serviço de Israel, a pousar na Lua.

Também a grande esperança da Índia, a missão Chandrayaan 2 não correu bem. A 6 de Setembro o módulo de pouso Vikram, que também transportava o rover Pragyan, deveria ter pousado na Lua, mas a ISRO (agência espacial indiana) perdeu o contato com a sonda quando esta já estava a apenas 2 quilómetros de distância da superfície.

Resumindo: a India e Israel não conseguiram, a China já conta com pelo menos 4 pousos na Lua e não são claros quais os planos da Rússia por tem mantido uma política de financiamento incerto no que diz respeito à exploração lunar. E a Inglaterra tem planos para 2021

Já a NASA lançou o Programa “Commercial Lunar Payload Services” para entrega de carga na superfície da Lua, tendo escolhido para isso um lote de 9 empresas. A isto se junta o facto de a NASA ter já distribuído a estas empresas cerca de 2,6 mil milhões em apoios, para desenvolvimento da sua actividade). Destas empresas apenas a Draper e a Lockheed Martin fazem parte da “velha guarda aerospacial” de colaboradores da NASA, sendo todas as outras empresas inovadoras e com “sangue na guelra”…

Agora o que se segue??? Segue-se a robótica de ISRU!!!

Para além do CPLS – Commercial Lunar Payloads da NASA, a agência norte-americana também se debruçou sobre o apoio a landers privados lunares. Foi o caso do lander (pousador) Peregrine da Astrobotic Technology, do Nova-C da Intuitive Machines, e do Z-01 da Orbiter Beyond (já falámos sobre estes três aqui)!

Isso deve-se ao facto de a política da NASA ser apoiar privados para que estes levem as suas invenções para Lua, iniciando uma fase robótica de ISRU – “in situ resource utilization”, ou a utilização de recursos lunares para estabelecimento do primeiro posto avançado na Lua.

A utilização de recursos naturais da Lua, extraindo do rególito lunar os materiais para construção de naves espaciais bem mais baratas, bem como o seu propelente, significa o rápido estabelecimento humano no Espaço em larga escala.

Para além disso existe muito gelo de água nos cometas (corpos gelados e rochosos que embateram contra a Lua), e que pode ser separado em hidrogénio para propelente de módulos espaciais e em oxigénio para respirar.

Mas não são tudo facilidades: O Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) sozinho já capturou a formação de 200 novas crateras na Lua, resultantes de impactos de asteróides (que criam flashes que podem ser vistos a partir da Terra, como aconteceu durante o eclipse lunar de 2019. Uma dessas crateras tem 12 metros de diâmetro e provocou uma explosão aparatosa.

A pandemia fomentou a cooperação na área do Espaço!

A terrível pandemia que se abateu sobre o mundo, acabou por fomentar a cooperação na exploração espacial. No início do mês de Maio, o administrador da NASA Jim Bridenstine, anunciou à Imprensa Mundial que a NASA tem solicitado o apoio e colaboração aos países que queiram cooperar no programa de exploração lunar Artemis. Esses países serão seleccionados desde que sigam uma série de princípios que a NASA considera que vão apoiar um futuro “seguro, próspero e pacífico” no espaço. E aqui é simples perceber: Europa, Austrália, Canadá e pouco mais… Estão de fora os suspeitos do costume, podendo haver uma extensão do acordo intergovernamental (IGA) existente para a Estação Espacial Internacional, mas com muitas restrições (principalmente no que diz respeito à China, como é óbvio)…

E assim os Acordos Artemis estão a ser negociados desde a reunião de 15 de Maio do Comitê de Regulamentação e Política do Conselho Consultivo da NASA. “Precisamos de uma estrutura para vermos como todos vamos cooperar na superfície da lua”, explicaram.

Se houve até agora atrasos, esses parecem estar a ser substituídos por Cooperação Internacional. Se chegaremos a tempo da meta de 2024 não se sabe ainda, mas se não chegarmos, não nos iremos atrasar muito mais….

***IMPORTANTE***

GOSTOU? Siga-nos para saber mais e não se esqueça de ajudar o Bit2Geek a crescer nas redes sociais, para termos mais colaboradores e mais conteúdo, 👍? A sua ajuda muda tudo! Obrigado

 

Uma destas mulheres vai começar a colonização da Lua em 2024

***Ou então clique aqui!

Das Marsprojeckt, vida em órbita e Wernher Von Braun!

1 COMENTÁRIO

  1. […] E continuamos com os testes: a atual administração da NASA lançou o Programa de Tripulação Comercial da NASA que se vem juntar ao Business Lunar Payloads (Programa de entrega de carga útil na Lua). Estes dois programas são a espinha-dorsal para que o Programa Artemis (iniciar a construção de uma base lunar em 2024), resulte. E quem tiver a preponderância na Lua, terá a preponderância no Espaço. Não é em vão que estamos a assistir a uma autêntica corrida à Lua nos últimos três anos. […]

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.