SpaceX, voo orbital, orbital

Chama-se “Space Exploration Technologies Corp” mas é mais conhecida no mercado apenas pelo nome de SpaceX, bem como por pertencer ao conhecido empresário Elon Musk. A SpaceX vai ser muito falada amanhã, por ir testar o primeiro voo orbital tripulado (privado, porque é uma empresa privada, que não pertence ao Governo do EUA).

Se for bem sucedida, a SpaceX vai marcar a História do Espaço para sempre, e explicamos porquê em seguida:

Esta empresa aerospacial sediada em Hawthorne na Califórnia foi fundada em 2002 com o objectivo de reduzir os custos do transporte espacial e tal como Elon Musk tem defendido, também servir para abrir a porta para uma eventual colonização de Marte.

A SpaceX tem-se notabilizado nos últimos anos pelo desenvolvimento dos foguetões classe Falcon, que ao contrário dos anteriormente utilizados pela NASA são reutilizáveis, e pela “nave espacial” Dragon, um módulo tripulável que tem servido para abastecimento da Estação Espacial Internacional e para entrega de carga útil na órbita terrestre (lançamentos de cubesats, etc), embora a “Crew Dragon” ainda não tenha levado até ao momento humanos ao Espaço. Foi “sozinha”, comandada remotamente a partir de uma base terrestre.

Para se perceber MESMO o que se vai passar amanhã (se tudo correr bem ou seja, se o vento não impedir o lançamento e se as condições do mar forem favoráveis), é preciso enquadrar os Highlights ou sucessos da SpaceX no curto espaço de tempo em que os alcançou, até porque estão presentemente a mudar a história da Humanidade.

São “os sucessos” da SpaceX, estes marcos…

1- Foi a primeira empresa privada a financiar e construir um foguetão lançador de combustível líquido (marco esse que atingiu em 2008), com o lançamento do Falcon 1. Este foguetão foi desenvolvido no período entre 2006-2009, muito como um teste estrutural para modelos futuros, sendo que ainda são utilizados esses princípios no actual Falcon 9.

2- Foi também a primeira empresa com financiamento privado a lançar, orbitar e recuperar uma nave espacial (a cápsula Dragon em 2010).

3- A SpaceX foi também a primeira empresa privada a enviar uma nave espacial para a Estação Espacial Internacional (EEI) (novamente a Dragon em 2012).

4- A SpaceX fez o primeiro pouso propulsivo de um foguete orbital (Falcon 9 em 2015).

5- A empresa aerospacial de Musk fez também a primeira reutilização de um foguetão orbital (Falcon 9 em 2017).

Logo em 2017 a SpaceX ganhou dez missões de abastecimento da Estação Espacial Internacional e agora quer fazer algo para o qual se está a preparar desde 2011: começar a levar os primeiros humanos para o Espaço… E uma empresa privada começar a levar humanos para o Espaço é um marco na História da Humanidade!

Soubemos ontem pelo jornalista americano Emre Kelly qual seria a janela de oportunidade para este lançamento histórico, e ainda não há data final fixada.

 

Um sucesso de Elon Musk ou um sucesso da NASA?

A data programada para este lançamento tripulado será a de quarta-feira dia 27 de Maio de 2020, ou seja amanhã (pela altura em que estamos a redigir este artigo). Existe 60% de hipóteses segundo os dados da NASA de o lançamento se realizar neste dia. Realizando-se tal como esperado, será uma vitória de Elon Musk, da NASA ou dos dois?

Antes de tudo, na nossa opinião este lançamento é um teste. Afirmo isto porque na última década será a primeira vez que astronautas serão lançados para o Espaço a partir de solo americano (normalmente costumam apanhar “boleia” das naves russas Soyuz lançadas a partir do Cazaquistão, no cosmódromo russo de Baikonur). E a 80 milhões a “corrida” do taxi espacial, a NASA tinha mais tarde ou mais cedo que se apoiar numa solução americana privada…

É um teste também porque é a primeira vez que uma empresa privada levará humanos ao Espaço, e a SpaceX é a “equipa da casa” da NASA… Acresce ao exposto que a própria segurança dos astronautas americanos da NASA estava em risco. A 11 de Outubro de 2019 três astronautas americanos tiveram que fazer uma aterragem de emergência depois de um foguetão russo ter tido uma avaria em pleno ar

E continuamos com os testes: a actual administração da NASA lançou o Programa de Tripulação Comercial da NASA que se vem juntar ao Commercial Lunar Payloads (Programa de entrega de carga útil na Lua). Estes dois programas são a espinha-dorsal para que o Programa Artemis (iniciar a construção de uma base lunar em 2024), resulte. E quem tiver a preponderância na Lua, terá a preponderância no Espaço. Não é em vão que estamos a assistir a uma autêntica corrida à Lua nos últimos 3 anos.

Ora a NASA criou estes dois instrumentos (os Programas) para se poder apoiar também nos privados que estão a desenvolver a sua actividade na área aerospacial.

A NASA tem de facto estado completamente no controlo das operações desde o início: por exemplo os astronautas veteranos Bob Behnken e Doug Hurley, foram treinados pela NASA e designados para esta missão também pela agência norte-americana.

Dentro do campo dos testes, este voo não é uma experiência. A SpaceX passou os últimos 6 anos a aprimorar a Crew Dragon (a “nave” espacial) que levará a tripulação da SpaceX. Ainda no ano passado a SpaceX fez um “ensaio completo” até à Estação Espacial Internacional, só que não levava astronautas a bordo (e ainda bem, porque houve contratempos). E é mérito de Elon Musk e da sua equipa terem conseguido ultrapassar esses obstáculos, tendo (tal como se espera) desenvolvido um veículo seguro que acabe com a dependência dos lançamentos russos. Porque a verdade é essa: desde 8 de Julho de 2011 (data do último voo do Space Shuttle da NASA), que no Espaço para missões tripuladas, os EUA apanham boleia dos russos.

Por isso o financiamento privado, não é completamente “privado”: a NASA pagou 3,14 mil milhões à SpaceX para esta desenvolver a “nave” Crew Dragon. Mas aqui volta a ser mérito de Elon Musk, porque a Boeing também foi apoiada em 4,8 mil milhões para desenvolver a nave da concorrência, a CST-100 Starliner, e não será a Boeing a ficar na História (por aquilo que se consegue antever)!

Se correr bem este teste, o Falcon 9 lançará o módulo Crew Dragon em órbita baixa da Terra 12 minutos após a decolagem. A “nave” Crew Dragon orbitará então a Terra durante 19 horas e é suposto os astronautas eventualmente dormirem e irem à “casa-de-banho”. O Crew Dragon foi desenvolvido para ter uma participação mínima dos astronautas na sua pilotagem.

O momento alto é contudo quando se der o “docking” ou encaixe automático da Crew Dragon na EEI – Estação Espacial Internacional. Isto porque anteriormente durante as missões de carga da SpaceX, a cápsula Dragon tinha de ser agarrada pelo braço robótica da ISS (sigla inglesa para a Estação Espacial Internacional), uma vez que as anteriores versões não estavam optimizadas para fazerem acoplagem autónomas.

Portanto há uma boa maneira de avaliar o sucesso ou insucesso desta missão: se os astronautas Behnken e Hurley se conseguirem juntar ao astronauta da NASA Chris Cassidy e aos cosmonautas russos Anatoly Ivanishin e Ivan Vagner na ISS, que se o podem fazer via a escotilha da Crew Dragon, ficamos a saber que se iniciou uma nova e importante etapa na história dos EUA no Espaço… E claro, desde que se recupere  o estágio de lançamento e a própria Crew Dragon!

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