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Convidamos a um mergulho no arrojo realista dos comics de guerra, e na relação entre naves espaciais e fatos de banho. Fala-se da honestidade em arte digital, de políticas públicas para gerir impactos da Inteligência Artificial na sociedade, do flirt dos criadores de Sim City com os Jogos Sérios, e da robótica em apoio ao comércio. Descobrimos a nova natureza, que dizer asneiras é terapêutico, e recordamos alguns factos sobre a Covid-19.

Mundos da Ficção Científica

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Vincent Di Fate: Um toque de alta fronteira.

Ars’ summer reading guide for our very surreal summer: Precisam de sugestões de leitura para este Verão de desconfinamento cauteloso? O pessoal do Ars Technica tem excelentes sugestões.

From the 1967 Soviet book The Milestones of the Space Epoch: O futurismo soviético é todo um universo de utopias perdidas.

A Pattern For Monsters: Fatos de banho e aventuras no espaço.

Debt of Honor: The Complex Reality of 1980s War Comics: Um mergulho na ambivalência dos comics de guerra, alguns dos quais se tornaram interessantes precisamente por irem contra o espírito patriota e de glorificação da violência. Alguns destes, como The ‘Nam ou Weird War Tales, são clássicos da melhor banda desenhada.

Digital

Ralph McQuarrie: Momento Star Wars.

‘Soy leyenda’: cómo la mejor novela de Richard Matheson se convirtió en la historia post-apocalíptica definitiva: Se lerem o livro, uma brilhante inversão da mitografia de Drácula, percebem que até agora nenhuma das suas adaptações cinematográficas lhe fez realmente justiça.

Ron Walotsky: Surrealismo fantástico.

O Relógio sem Ponteiro: Webcomic português, fiquei totalmente seduzido pela riqueza visual da sua estética, entre o mangá e o steampunk, num grafismo muito bem desenvolvido.

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Michael Böhme: Paisagens alienígenas.

Get a Piece of Good Girl Art History with Phantom Lady #17: Fiquem lá com mais um termo geek – good girl art, que designa a representação visual de personagens femininas, sublinhando os seus atributos físicos e uma aura generalizada de atracção, mas ficando dentro da fronteira de decência para não correr riscos legais.

Histórias da Tecnologia

New Airbus Blended-Wing Airplane Concept Looks Very Similar to a 1940s Design for a Futuristic Flyer: Bem, qualquer proposta de aeronave blended wing vai sempre ser uma regência visual Gernsback continuum às visões de asas voadoras dos anos 40.

Lev Manovich: Provavelmente, esta é das melhores reflexões sobre arte digital que já li. E curta, também. Começa por falar da explosão da algoritmia e generatividade trazida pelo uso de linguagens de programação artísticas, mas tem a coragem de observar que grande parte dessas criações não trazem nada de novo, e isso não é mau, apenas normal. Não se fica por aqui e ainda olha para outro enorme campo de expressão artística digital – as imagens 2D e 3D criadas por todos aqueles que querem expressar as suas ideias e sentimentos, muitas vezes inspiradas por estéticas, como a ficção científica e fantástico, que são desconsideradas pela cultura erudita, e que pela sua pureza ou inocência (são criadas porque se quer fazer, não para dar corpo a teorizações) considera mais honestas do que o lado erudito da arte digital. No fundo, fazer arte é expressar ideias e estados de alma, tanto pode ser uma exploração profunda de uma possibilidade arcana de generatividade como imaginar ou recriar veículos em 3D. O digital trouxe isso, uma democratização de ferramentas que tornaram mais acessível a expressão plástica. Manovich coloca no mesmo saco as práticas eruditas, muitas de investigação, e as pessoais, de simples procura por expressão individual. Não é habitual ver da parte de críticos e analistas atenção dada a formas de expressão artística fora do âmbito mais erudito.

Augmented Reality in Education is Gateway to the Future! | WBPRO: Se normalmente me esquivo a artigos de opinião escritos por quem tem interesse direto nos assuntos, este vale a pena pela forma como sintetiza diversos usos de realidade aumentada em contextos educativos.

Yann LeCun, Yoshua Bengio: Self-Supervised Learning is Key to Human-Level Intelligence: Poderão os algoritmos de Inteligência Artificial atingir níveis de inteligência comparáveis aos humanos? Uma resposta possível poderá passar pela aprendizagem automática não-supervisionada.

Public policies in the age of digital disruption: O discurso sobre impacto da inteligência artificial, robótica e automação na sociedade geralmente pende fortemente entre duas vertentes – a utopia de um mundo onde os robots trabalham e as riquezas são distribuídas pela população, e um mundo de pobreza porque não há trabalho, os robots asseguram a economia. As possibilidades reais estão mais ou menos a meio destas vertentes, não estou a ver as elites globais a abrir mão da sua riqueza potenciada por tecnologia para distribuição mais equitativa (em esquemas RBI, por exemplo), nem é sustentável a ideia de vastas parcelas da população global deixadas ao abandono, uma espécie de terceiro mundo à escala planetária,  porque o consumo individual é um dos motores da economia e em pobreza extrema não há consumo. O sucesso da transição digital, que já está a ocorrer, no elevar da qualidade social em economias progressivamente automatizadas, vai depender muito de políticas públicas de incentivo e regulamentação. E não por acaso, o primeiro eixo tem a ver com a educação. As capacidades de flexibilidade, adaptação digital, trabalho de projeto individual ou em equipa, resolução de problemas, pensamento crítico e criatividade serão fundamentais para se ter hipóteses de sobrevivência no futuro próximo (já o são, hoje). Algo a que o corrente sistema de ensino, apesar de todo o seu esforço de mudança, ainda não consegue dar resposta eficaz a um nível abrangente (pontualmente, é possível).

The Era of Fragmentation, Part 3: The Statists: Uma história do Minitel, e dos sistemas que o antecederam. Essencialmente sublinha a importância de investimento público na criação de infraestruturas de conectividade digital à escala de nações. O Minitel, apesar do seu sucesso (em parte, baseado na dádiva de terminais, e em parte por usar a rede telefónica nacional francesa), acabou por se tornar obsoleto com o crescimento da Internet. Esta oferecia conectividade global, algo que o clássico sistema francês não era capaz.

How Visual Images Change In The Internet Era: O impacto da Internet na cultura visual, quando a acessibilidade a experiências estéticas variadas, entre o erudito e o vernacular, é instantânea.

Eric Kluitenberg (ed.): Book of Imaginary Media: Excavating the Dream of the Ultimate Communication Medium (2006): Os museus de tecnologia estão cheios de projetos de meios de comunicação que, por muitas possíveis razões, não pegaram. Este livro recorda esses becos sem saída da história das telecomunicações.

Commentary: I’m teaching on Zoom, and I’ve got to admit, my students are missing out: Há duas coisas que estão a ficar claras para todos, agora que a educação se faz à distância. As tecnologias que alguns professores já usavam, muitos demonizavam, e a maioria ignorava, mostram-se, como se sabia, excelentes ferramentas de apoio à aprendizagem. Por outro lado, não há ferramentas que substituam o contacto humano, o professor enquanto guia do aluno. Isso está a ficar muito claro, há medida que o afastamento da escola se mantém.

Hitting the Books: Do we really want our robots to have consciousness?: Não necessariamente consciência como a definimos. Mas, para interagir connosco, alguma forma de auto-consciência, para que o sentido das nossas ações não lhes seja aleatório.

Esta IA consigue alucinantes efectos 3D en imágenes tradicionales analizando el contexto de la escena: Claramente, está na moda desenvolver algoritmos que projetem o conteúdo de fotos em imagens pseudo-3D.

La historia de Paquito, el PC tonto de Intel que fracasó estrepitosamente en España: Confesso que fiquei curioso com este terminal Intel a correr Linux que queria democratizar a computação em Espanha. E se acham Paquito um nome pateta, a JP Sá Couto por cá produziu sobre licença o Intel Classmate e deu-lhe o nome Magalhães.

Robots could help save your local store from going out of business: Talvez seja verdade ao nível do médio retalho. Mas duvido que o comércio local – o que dá vida e textura às cidades, venha a ter capacidade de beneficiar com automação dos seus processos.

Go read this incredible history of the SimCity studio’s forgotten business games division: Fora dos domínios académicos, o campo dos Serious Games não é dos mais fáceis. A Maxis, que criou o jogo de simulação mais famoso de sempre, aprendeu essa lição através do falhanço espetacular de uma divisão para criação de simulações técnicas ou empresariais.

3D printers are on the front lines of the COVID-19 pandemic: Cá, como por lá, os Makers estiveram na primeira linha de apoio ao combate à covid-19. Não deveria ter sido assim, as viseiras e restante material de proteção saído das impressoras 3D não tinham certificação, foram criadas em ambiente semi-profissional, e os materiais não eram os mais indicados para uso em ambientes críticos. Mas o que custa é saber que, durante uns tempos, não houve qualquer alternativa, e sem este contributo dos Makers, muitos profissionais de saúde teriam ainda menos recursos ao seu dispor do que tiveram.

Modernidade Digital

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My Wild Escape From Hitler’s Twin Nymphs of Torture: Estas capas são um primor de exploitation.

Back Water: What should be classified as “wilderness” in a post-industrial world?: Explorar o novo selvagem, as zonas poluídas de coexistência entre os artefactos do antropocénico e a natureza que resiste. Aqueles espaços abandonados, cheios de ervas daninhas, entre subúrbios e parques industriais, serão talvez as zonas naturais de um futuro que, francamente, não é desejável.

Danny Snelson: Apocalypse Reliquary, 1984-2000 (2018): Parte ficção científica, parte projeto artístico. Indícios de um apocalipse que nunca aconteceu.

On the Lusty Month of May: A relação entre Maio e a sexualidade, entre a primavera onde tudo desabrocha e o fim das limitações impostas pelo calendário religioso na idade média.

Most of the Mind Can’t Tell Fact from Fiction – Facts So Romantic: Porque é que apreciamos ficção, e muitas vezes nos é difícil distinguir entre ficção e realidade? Há razões neurológicas para isso.

Scientists: Saying “fuck” and other bad words really can decrease your feeling of pain: Sim, nós sabemos, e agora a ciência comprova. Só não diminui é o embaraço de martelar o dedo numa sala de aula, vociferar uma palavra bem alto uma palavra começada por f, e de repente ter toda uma turma de meninos de 10 anos a olhar para nós, chocados. Não foi um dos grandes momentos da minha carreira…

The Astronaut Wives Know Exactly What to Expect: Aquelas que ficam em Terra. Mas, no caso do lançamento da primeira Crew Dragon tripulada, as esposas dos astronautas são, elas próprias, também astronautas com várias missões à ISS.

Diz que é uma espécie de gripe: Por esta altura, já deveria ser claro que a covid-19 não é uma espécie de gripe, é antes um novo vírus causador de doenças cuja amplitude ainda não conhecemos.

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Coronavírus: mutações, inteligência artificial e máscaras futuristas

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.