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Legenda: Vulcan Centaur Créditos: United Lauch Alliance

A ULA (United Lauch Alliance) anunciou em Agosto passado (há quase um ano atrás) já ter angariado os seus primeiros clientes para o novo e poderoso foguetão Vulcan Centaur, que começou em Setembro passado os testes para do seu “upper stage” (segundo estágio ou estágio superior, que dá a propulsão à nave espacial), no departamento Dynetics da ULA. Sendo um foguetão super-pesado, com maior capacidade de transporte de carga útil do que os seus antecessores, o Delta IV e o Atlas V, as boas notícias são que apesar da pandemia, o Vulcan Centaur encontra-se “on target, on time and on budget” para ser lançado em 2021.

Como já aqui dissemos, a United Launch Alliance é uma joint-venture da Lockheed Martin Space Systems e Boeing Defense, Space & Security. Mais conhecida como ULA, foi formada em dezembro de 2006 com o objectivo de provimento de serviços de lançamento de cargas úteis no Espaço para o governo dos Estados Unidos. Assim, em breve a ULA vai lançar o primeiro Vulcan de Cape Canaveral (e já em 2021), levando a bordo o primeiro “unmanned” lander desenvolvido pela Astrobotic Inc, uma das 9 empresas escolhidas pela NASA para a entrega de carga na Lua, ao abrigo do Programa “Commercial Lunar Payload Services.

E porque é que o Vulcan Centaur é tão importante? É que a United Launch Alliance é a fornecedora líder de lançamentos ao governo dos EUA há 14 anos, e o Vulcan Centaur representa portanto, por ser um veículo com capacidade superior de carga, o futuro dos lançamentos espaciais do governo norte-americano. Numa frase, a ULA é a rival da SpaceX, da Blue Origin e da Northrop Grumman, e isso diz tudo!

Para além disso tem havido problemas com o SLS, e o Vulcan consegue levantar cerca de mais 30% do que um foguetão Delta IV (o que é realmente incrível), para além de que é parcialmente reutilizável… Assim sendo o Vulcan quer assumir-se como NSLS (National Service Lauch Systeam) liderando os lançamentos para os grandes empreendimentos do Espaço norte-americanos.

Correm bem os testes estruturais do Vulcan Centaur…

Enquanto os testes de integridade estrutural avançam, através de um sistema de validação  de sensores electrónicos que simulam as cargas esperadas para os voos, a ULA deu início à construção do “Booster” ou estágio central, que será reforçado por boosters laterais de propelente sólido.

O Vulcan é uma nova classe de veículos lançadores construído na fabrica que a Boeing abriu em 1998 para construir os foguetões classe Delta. Após a formação em 2006 da ULA – United Lauch Alliance, que se assume como empreendimento conjunto da Boeing e a Lockheed Martin, a linha dos foguetões Atlas veio a ser reduzida com vista a que nos próximos anos se possam transferir cada vez mais recursos para a Vulcan, transformando-a num verdadeiro empreendimento de luxo para construção de veículos espaciais.

A ULA actualmente beneficia do contrato “Launch Service Agreement” que celebrou com a Força Aérea norte-americana em 2018, pelo que tem fundos para sustentar 850 empregados que actualmente estão a ser finalizar 28 estágios superiores e inferiores para foguetões Atlas V e Delta IV Heavy, que têm já lançamento marcado.

Após finalizar esta fase, o Vice-Presidente Mark Peller explicou que a ULA se iria concentrar no desenvolvimento dos 5 componentes principais do Vulcan Centaur. Também os testes aos sistemas de propulsão realizados no Marshall Space Flight Center da NASA, para serem concluídos ainda no primeiro semestre de 2020 estão a correr bem.

Contudo, em verdade se diga que não há grandes testes para fazer… Aquilo que se está a desenvolver é principalmente a estrutura e hardware do Vulcan Centaur uma vez que os motores utilizados (o “core business” do foguetão) são os BE-4 da Blue Origin (a empresa de Jeff Bezos, o CEO da Amazon) que estão em desenvolvimento já desde 2011. É verdade contudo que os motores BE-4 nunca voaram até hoje, mas têm milhares de horas de aprimoramento.

E são motores poderosos: os BE-4 têm um comportamento muito semelhante aos motores do Falcon 9 da SpaceX, a conseguirem 770.000 Kg de força no empurrão inicial.

O Vulcan Centaur é o futuro!

Durante a primeira metade do ano passado a ULA entregou no Espaço mais de 130 satélites, como resultado do concurso National Security Space na sua fase 2. Este ano a ULA está a preparar-se para finalizar o Vulcan Centaur e tê-lo como único veículo de lançamento para execução de todas as missões que estão a ser desenvolvidas pelos Atlas V e Delta IV.

Segundo o CEO da ULA, Tory Bruno, o Vulcan foi construído de propósito para dar provimento a missões de Segurança Nacional (nomeadamente através da entrega de satélites do Governo), mas ao reduzir-se com esta actualização, o risco dos Atlas V e Delta IV, a ULA posiciona-se também para as missões “bilionárias” de entrega de carga científica da NASA.

Para já, a ULA está a receber do Governo americano cerca de US $ 967 milhões até 2024 para desenvolvimento de lançadores, embora a ULA não revele quanto é que desta verba aplicou para desenvolvimento do Vulcan Centaur…

Resumindo, o Vulcan entra já em 2021 no mercado com uma primeira missão de lançamento do módulo lunar Peregrine da Astrobotic. E este é uma recta de lançamento, uma vez que foi adjudicado paralelamente à Astrobotic pela NASA a entrega de 14 cargas úteis na superfície da Lua. O segundo voo está também já planeado e será uma missão da sonda de carga Sierra Nevada Dream Chaser para a Estação Espacial Internacional no final de 2021.

Há um outro motivo de interesse no que diz respeito à chegada do Vulcan Centaur: actualmente o Atlas e o Delta comandam a tabela de preços altos nos lançamentos de carga, e são verdadeiramente preços muito mais altos do que qualquer outro veículo da actualidade. A promessa feita por Mark Peller, CEO da ULA, é que o Vulcan Centaur apresentará preços bastante mais baixos do que os Atlas (mas preços que ainda não são conhecidos)…

Para já ninguém conseguiu preços tão competitivos como a SpaceX (para além de que os seus foguetões são reutilizáveis), pelo que vamos ver se o Vulcan nos trará uma surpresa. Muita expectativa num lançamento de um foguetão que trazendo mais 30% de capacidade de carga, é apenas parcialmente reutilizável…

Vamos esperar para ver o que acontece!

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