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Nos destaques desta semana, salientamos chamadas para três antologias de ficção científica portuguesa, uma antevisão dos planos editoriais da G.floy, e um intrigante conto de Ficção Científica. Fala-se com seriedade de educação à distância, de linguagens de programação para computadores quânticos, e do fim dos Segway. Aquilo servia para quê, mesmo? Olhamos para o impacto da Covid-19 na arquitetura e urbanismo, analisa-se o surgir do impulso artístico na pré-história, e descobre-se como cresce uma criança que passou parte da vida em ambientes negligenciados. Estas são algumas das leituras que vos trazemos, para refletir sobre os tempos em que vivemos.

Mundos da Ficção Científica

Richard Corben, 1980: Bem, é aquela dicotomia, o que tem mais validade? A especulação informada da ficção científica, que olha para lá do horizonte, ou os imaginários da fantasia, que romantizam passados?

Top 10 books about remaking the future: A tentar conceber formas de evoluir a nossa civilização? A Ficção Científica ajuda.

Chamada para antologia – Pós-humanos: Com ideias e inspiração para escrever contos de ficção científica? A Imaginauta está a organizar uma antologia sobre trans-humanismo. Excelente incentivo para especular sobre os limites do humano, e a pós-humanidade.

[Antologia de Dieselpunk] Um leve cheiro a Diesel: Com ideias e inspiração para escrever contos de ficção científica? O Dieselpunk é um retrofuturismo profundamente século XX, com recortes apocalípticos. A Editorial Divergência está a desafiar escritores a criar histórias neste tipo de universos.

[Antologia de Hopepunk] Farol de Esperança: Estamos a viver um momento histórico bastante negro. Mas nem por isso perdemos a esperança no futuro. A Editorial Divergência desafia à participação numa antologia que tem o renascer das cinzas como foco principal.

1971 Soviet concept art for a cloud colony in the upper atmosphere of Venus: Iconografias do futurismo soviético.

The Dark, Twisted (and Prescient) Genius of Transmetropolitan #Cyberpunk: Este é um trabalho de génio, dos melhores comics do final do século XX, e muito presciente na identificação de tendências que modelam o futuro, e o nosso presente.

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Salvador Dalí, ‘Space Elephant,’ 1971: O surrealismo cai sempre bem.

Standard Ebooks: Vai uma biblioteca digital de epubs bem formatados?

The Rocky Horror Picture Show: The film that’s saved lives: Um olhar para o sentimento de comunidade dos fãs de um filme que se tornou a epítome de filme de culto. Especialmente pelas sessões comunitárias de visionamento, verdadeiras experiências de interação entre o público e o filme, que merecem ser vividas.

Mudam-se os Tempos…: As tentativas da humanidade em juntar-se a uma união galáctica de alienígenas saem, apesar de todos os esforços, goradas. Os alienígenas, ao analisar a cultura terrestre, encontram sempre algo que nos mostra como primitivos. No entanto, como se recorda quem tem memória dos passados coloniais, talvez este afastamento de civilizações mais avançadas seja algo de positivo. Um intrigante conto de Miguel Guimarães.

À Conversa Com: G. Floy Studio – Novidades para 2020: O plano de lançamentos da G.floy para os próximos tempos é prometedor – Black Magick e Faithless são muito interessantes, e traz ao público português uma graphic novel clássica – Moonshadow de J.M deMatteis, acompanhado por alguns dos melhores ilustradores de comics.

The Case Against The Comics: Um artefacto das polémicas que levaram à auto-censura da indústria dos comics, um caso clássico de pânico moral trazido por um meio de comunicação.

Warren Ellis Dinosaur Batman Story Removed From Death Metal: Confesso que nem sei o que pensar disto. Warren Ellis é dos autores que eu menos esperava ver enredado nas redes #metoo, destruído na praça pública do Twitter por alegações de má conduta sexual. Ellis sempre fugiu a esterótipos sexistas nos seus argumentos, e não tinha medo de criar personagens femininas fortes. Para mais, as alegações parece mais ser de libertinagem do que abusos de poder do tipo “ou vens para a cama comigo, ou não tens contrato“. Aparentemente, Ellis tinha o hábito de se tentar envolver com fãs e aspirantes à indústria dos comics. O que talvez seja criticável, porque haverá sempre uma relação assimétrica de poder entre um nome famoso e aqueles que o admiram. No entanto, nada do que li nas threads acusadoras apontava para algo verdadeiramente censurável, de envolvimento em troca de benefícios, de uso de favores sexuais como condição para aceder a potenciais trabalhos. Mais abuso de confiança, consensual, do que violação. O comportamento libertino de Ellis não é dos mais corretos, mas será assim tão grave, como foi com Harvey Weinstein e outros predadores sexuais para quem o casting couch era condição de acesso a trabalho, e quem não alinhasse era ostracizada? Bem, nos fogos das redes sociais, desvios à norma e a uma certa visão hipermoralista de relações humanas são severamente punidos, e é agora Ellis que está no foco. Com consequências diretas, de cancelamento de títulos e projetos. O próprio autor encerrou uma das melhores coisas que lia semanalmente, a newsletter Orbital Operations, com um curioso e algo off character pedido de desculpas. Quão profunda é a perda? Ao longo dos anos, em fóruns, websites, redes sociais e newsletter Ellis foi um incansável promotor de novas leituras, sonoridades, visões e discussões. Bolas, uma parte significativa dos criadores que sigo no Instagram foram divulgadas por Ellis, tantos livros que descobri graças às suas partilhas de leituras, bem como ideias intrigantes. Estas questões nunca são preto no branco, e temo que em parte, este tipo de atitudes de grupo revelem um forte moralismo que se crê progressista, mas é na verdade conservador. Como fã de Ellis, estou chocado, e com forte dificuldade em conciliar a imagem que tinha dele, de autor contundente com um fortíssimo pulso sobre as relações entre vanguarda tecnológica e fenómenos sociais, com esta visão de predador sexual.

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Stephen Youll: Visões galácticas.

The Good Place? Tracing utopia and dystopia through literature: Explorar visões de utopia e distopia ao longo dos tempos, através das coleções Europeana.

“Circle World” by Cyriak: O surrealismo obsessivo em animação.

Garth Ennis & Glenn Fabry’s Battle Of Britain in Rebellion Solicits: Uma boa razão para esperar por Setembro, esta edição especial da Battle. Não pelo factor nostalgia, apesar de apreciar os comics britânicos, os de guerra não eram assim tão interessantes (exceção feita a Charley’s War, mas isso é outra conversa). Mas porque é que este vai valer a pena? Inclui Garth Ennis, mais conhecido do grande público como o génio distorcido por detrás de Preacher (comic clássico da Vertigo que deu origem à série). Este glasgoviano tem um forte gosto pela história militar da II guerra, e tem desenvolvido um excecional trabalho de boas histórias e rigor histórico na série War Stories para a Avatar Press. Ah, e Misty & Scream também costuma ter piada, para quem gosta do horror gótico de estilo clássico.

Histórias sobre Tecnologia

A “book,” 2020 AD: Ou melhor, um registo em papel permanente.

Os Equívocos da Educação à Distância: Nos últimos tempos, com a educação a funcionar de facto à distância, muito se tem escrito sobre este tema. Geralmente, textos que oscilam entre o deslumbre acrítico, ou o alarmismo exacerbado. Quem está no terreno, sabe que o Ensino à Distância massificado nestes tempos de pandemia é uma péssima solução, não adequada a crianças, que levanta problemas de segurança, e aprofunda assimetrias. Por outro lado, qual é a solução? Suspender a educação durante os tempos de pandemia, de que não se vê fim à vista? Este é o texto mais certeiro sobre este tema, detalhando vantagens e problemáticas, mostrando-nos que devemos usar, mas não deslumbrar. E ainda com uma crítica certeira à mentalidade aprender é enfiar conteúdos nas caixinhas do cérebro, ainda tão prevalente nos profissionais da educação.

O facebook e a censura: De facto, os algoritmos e políticas de moderação de conteúdos da rede social azulada são um pouco estranhos, e difíceis de compreender. Oscila entre sensibilidades moralistas que ignoram contextos culturais, à estranha tolerância a discursos extremistas.

Demystifying Artificial Intelligence in very simple words: Inteligência Artificial, o que realmente é esta tecnologia e para que nos servirá.

The Game Of Life – Emergence In Generative Art (Copy): Um desafio a artistas – pegar no algoritmo do Jogo da Vida de Conway, para criar obras de arte generativa. Com resultados visual e conceptualmente fascinantes. Mostra que a estética não tem de ter medo da tecnologia, com cruzamentos que geram experiências artísticas fortes e válidas.

The ethical nonsense (and plutocratic convenience) of AI rights: Uma exploração da ideia de direitos para entidades artificiais não como sublinhar de progresso futurista, mas de limitação de direitos humanos, bem como desresponsabilização de entidades em caso de falha das tecnologias.

NirvanA.I.: This bot wrote a Nirvana song: Não há grande surpresa aqui. Alimenta-se um algoritmo com letras e sons, e ele aprende o estilo, sendo capaz de devolver output nessa linha. Usar isso para simular novas canções é um curioso exercício de estilo.

AI recreates the painting techniques of famous artists: Uma variante dos algoritmos de transposição de estilos, parece-me. Mas que tem utilidade para lá do deslumbre. Pode ser uma outra forma de estudar e compreender o estilo dos grandes artistas. Poderá ser uma boa ferramenta para as Humanidades Digitais.

See 14 Mind-Blowing Places in Our Solar System: Dos suspeitos marcianos do costume às surpresas dos corpos das cinturas de asteroides. Infelizmente, só um dos locais é visitável. Deixo-vos a tentar imaginar qual.

Artificial Intelligence Brings to Life Figures from 7 Famous Paintings: The Mona Lisa, Birth of Venus & More: Um intrigante projeto que cruza história de arte  e tecnologia. A partir de pinturas clássicas, um algoritmo de inteligência artificial é capaz de extrapolar rostos fotorealistas.

The FBI used a Philly protester’s Etsy profile, LinkedIn, and other internet history to charge her with setting police cars ablaze: Não está em causa se esta arguida cometeu um crime. De facto, fê-lo. O intrigante é a forma como foi apanhada, com investigadores a cruzar indícios entre várias plataformas online. Quando se fala na pegada digital, no rasto que nos esquecemos que deixamas nas nossas interações digitais, é disto que estamos a falar.

Dejar la URSS para ir al espacio y que al volver sea Rusia: la inesperadamente prolongada misión de Sergei Krikalev en la Mir: Recordar a experiência do cosmonauta Sergei Krikalev, que teve a dúbia sorte de iniciar uma missão na MIR como cidadão soviético, e regressou de lá russo… às vezes, a história é mais estranha que as mais imaginativas ficções.

Coronavirus and the big shift to cloud: Transformação Digital era essa coisa que ia acontecendo, a ritmos diferentes em diversas indústrias. Até que a Covid-19 atacou, e a migração para o digital se tornou uma forma de aguentar a economia, manter empresas e empregos, bem como assegurar contactos sociais em tempos de isolamento.

LEONARDO MAKES TIME AND COST SAVINGS BY UTILIZING ROBOZE FFF 3D PRINTING TECHNOLOGY: Mais um exemplo, desta vez europeu, de uso de manufatura aditiva avançada na indústria aeronáutica.

11 editores de vídeo gratis para usar en Windows: Ferramentas que fazem jeito, especialmente para professores em ensino remoto.

This Is Definitely A Test: Coisas que não sabiam que não sabiam e agora talvez fiquem contentes por ficar a saber. Uma história dos padrões de cores criados para calibrar ecrãs, mais conhecidos como miras técnicas.

NEW SILQ PROGRAMMING LANGUAGE AIMS TO MAKE QUANTUM PROGRAMMING EASIER: É um sintoma do avanço da computação quântico, este investimento em linguagens de programação que simplifiquem o acesso a esta tecnologia.

El fin de una era: Segway deja de fabricar su mítico vehículo dos décadas después de su invención: Veio à memória o tempo em que um certo Dean Kamen agitou a internet com rumores de uma novidade tecnológica que iria ser revolucionária. Que, quando se revelou ser esta espécie de trotinete, bem, nos deixou bastante desiludidos. Apesar de em si, ser um excelente feito tecnológico. Mas o conceito de substituir o andar a pé nos espaços urbanos como nova forma de mobilidade urbana não só náo foi revolucionário, como até tem o seu quê de preguiça.

Tempos de Modernidade

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The Vultures Of Verdun: Quando se é fã de ficção pulp e aviação, estas capas são especialmente adoráveis.

The Idea of a Nation: O conceito de estado-nação, desde o seu surgimento aos tempos atuais. Os benefícios da ideia de nação, e os malefícios do nacionalismo.

Revenge of the Suburbs: Em tempos de pandemia, a ideia de espaço mais aberto e densidade populacional mais reduzida dos subúrbios versus a congestão citadina é muito atraente.

Why Satie Might Be The Perfect Composer For Now: Entre a melancolia da sua música e a excentricidade da sua vida.

Vera Lynn, Britain’s Singing Sweetheart Of World War II, Dead At 103We’ll meet again tornou-se uma daquelas canções que simboliza toda uma era. É sinónimo de II Guerra. A cantora que a popularizou nos anos 40, deixou-nos.

30 Years Ago, Romania Deprived Thousands of Babies of Human Contact: Recordar um tempo horrendo de desleixo institucional, nos tempos da Roménia antes da derrocada do regime de Ceaucescu. A sua política desgovernada de aumento forçado da população deu nisto, em orfanatos onde milhares de crianças, muitas delas com problemas de saúde, viviam praticamente ao abandono. Uma daquelas situações em que só se pensa em como foi possível os cuidadores imediatos serem tão desprovidos de empatia elementar. Algo tornado ainda mais gritante quando se sabe que a falta de estímulos, de alimentação correta, de condições elementares, provocam danos tremendos e duradouros (é psicologia do desenvolvimento elementar). Essas crianças, eventualmente, foram salvas, muitas adotadas para o estrangeiro. Mas cresceram sempre com as marcas físicas e psicológicas do abandono.

Ancient yet cosmopolitan: Quando é que o impulso criativo se iniciou na proto-humanidade? Normalmente pensamos nos vestígios de arte rupestre europeia com 40.000 anos. Mas descobertas em áfrica e na ásia mostram que os nossos antecessores já sentiam necessidade de se expressar há mais de cem mil anos. De vestígios de pintura rupestre a joalheria de osso, estes impulsos são mais do que expressão plástica, são indícios da capacidade de abstração e pensamento.

Will Sex Scenes Survive the Pandemic?: Impactos inesperados da Covid-19. Manter o distanciamento social implica que cenas de intimidade no cinema e televisão sejam algo a evitar. Um desafio extra para os coordenadores de intimidade, cujo trabalho é equilibrar as necessidades dos argumentos com o conforto dos atores.

Presencial: A educação, básica e superior, está perante um dilema grave. Por um lado, tem de se reabrir ao presencial. Se há algo que esta pandemia mostrou foi o quanto o ensino apenas à distância é redutor, e aprofunda simetrias. Mas a pandemia não está debelada, ou sequer controlada, e escolas e universidades são um terreno perfeito para surtos.

General Electric Wants To Keep America’s B-52s In The Air Until 2097 (At Least): O B-52 já é a aeronave militar com mais anos ao serviço. Arma aérea dos tempos do início da Guerra Fria, ainda hoje faz parte do arsenal americano. E, pelos vistos, é possivel que continue a bater recordes de longevidade no ar.

Google Founder Sergey Brin Has a Secret Disaster Relief Squad: Isto faz lembrar os Thunderbirds. Usando os recursos de um bilionário, uma equipa é capaz de intervir em desastres humanitários em qualquer ponto do planeta. E inclui um super-yate. Mas, deslumbres aventureiros à parte, queremos mesmo que a resposta a estes problemas seja totalmente dependente da boa vontade de milionários?

Entrevista com Carlos Narciso: “Não vejo nada de novo nisso a que chamam fake-news”: Numa entrevista polémica, um insight sobre aquele que já é o presente dos media nestes tempos, não o seu futuro. Acesso imediato e não mediado por canais tradicionais, desmaterialização através do digital.

How the Coronavirus Will Reshape Architecture: Se a arquitetura moderna já é, em si, uma reação em busca de espaços de sanidade, o impacto da Covid-19 irá causar mais uma tranformação na forma como se organizam os espaços arquitetónicos, entre os privados, os profissionais e os públicos.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.