Uma joint-venture entre o estúdio de design PriestmanGoode e a empresa aeroespacial Space Perspective informaram o público a 18 de Junho por comunicado de imprensa, que vão iniciar os testes no início de 2021 para lançar as viagens turísticas ao Espaço  em balões.

O conceito já tem nome e vai chamar-se SpaceShip Neptune, um balão estrasférico que carregará um módulo de tripulação para “low orbit” terrestre.

A PriestmanGoode que é responsável pelo módulo de tripulação do balão, é uma conhecida consultora na área de transportes e aeroespaço. Desde interiores de aviões a aeroportos, a PrtiestmanGoode tem-se vindo a destacar com soluções inovadoras na área de Public Transportation, nomeadamente em Air Travel.

Assim, ao prestígio da PriestmanGoode, que teve como ponto alto ter sido distinguida com o prémio Queen’s Awards for Enterprises no Reino Unido por destacados serviços à nação, junta-se agora a Space Perspective que é uma empresa sediada na Florida, e que opera na área de aeroespaço – pelo que será esta empresa a ser responsável por levar o balão até ao Espaço.

Sem ainda termos grandes pormenores sobre contratos futuros, sabemos já que a cápsula pressurizada servirá também para levar cargas úteis até à órbita da Terra, pelo que poderemos ver esta empresa a servir outros propósitos para além do turismo, como por exemplo levantar carga para abastecimento dos módulos tripulados Crew Dragon da SpaceX.

Segundo a fundadora e co-CEO da Space Perspective Jane Poynter, a empresa encontra-se comprometida em “mudar fundamentalmente a maneira como as pessoas têm acesso ao espaço, tanto para realizar pesquisas necessárias para beneficiar a vida na Terra quanto para afetar a maneira como vemos e nos conectamos com o nosso planeta”.

A Spaceship Neptuno

O conceito é fascinante: A cápsula de transporte contém um lugar de piloto, oito assentos para passageiros, uma zona que serve de “casa-de-banho” e o mais incrível: uma zona de bar (que poderá não ser um bar normal, uma vez que a NASA impede os seus astronautas de consumir álcool no Espaço, uma vez que os efeitos da ausência de gravidade poderiam ser os piores)… A este ambiente juntam-se as janelas de vidro super-resistente que vão permitir vistas fabulosas que vão alternar entre uma perspectiva espacial da Terra e a escuridão do Deep Space.

A SpaceShip Neptuno também já tem local de lançamento, que será a partir do antigo Shuttle Landing Facility no Centro Espacial Kennedy (KSC) da NASA, na “Space Coast” da Flórida. Já para combater os ventos predominantes e rapidamente chegar ao Espaço a SPaceShip Neptuno será lançada na direcção Leste e sobre o Oceano Atlântico em voos de Inverno, e para  Oeste sobre o Golfo do México, durante o Verão.

Ao contrário dos foguetões da SpaceX que demoram 12 minutos a atingir a sua órbita, a SpaceShip Neptuno levará cerca de duas horas até atingir a altitude máxima. O balão que terá força para levantar esta cápsula deverá atingir os 200 metros e flutuará cheio de hidrogénio, até atingir a altitude máxima para este voo (30.000 metros, ou seja o correspondente  a estar acima de 99% da atmosfera terrestre).

Os custos para as viagens da SpaceShip Neptuno também são relativamente controlados: Enquanto que a cápsula é reutilizável na íntegra, será sempre necessário um balão novo para cada missão ou viagem de transporte.

Por esta razão, os bilhetes iniciais terão um custo associado de 125.000 dólares americanos para seis horas de viagem: Duas horas na subida, duas horas no Espaço e duas horas na descida, para finalmente a cápsula de tripulação pousar no mar, onde será recuperada por um barco de apoio (exactamente como acontece com as cápsulas da SpaceX).

Assim sendo, a SpaceShip Neptuno é uma iniciativa “game-changer”, uma vez que apresenta cerca de metade do preço da concorrência: por exemplo a SpaceShipTwo da Virgin Galactic pede exactamente o dobro, sendo preciso saber ainda quanto é que os restantes players do mercado turístico espacial vão pedir, uma vez que Jeff Bezos da CEO da Blue Origin está a desenvolver uma opção de turismo suborbital a bordo do lançador New Sheppard, bem como a SpaceX de Elon Musk também se encontra na corrida, após o sucesso da viagem tripulada da Crew Dragon até à ISS- Estação Espacial Internacional.

Ainda segundo MacCallum e Poynter, os co-CEO’s da Space Perspective, esta é a opção ideal para quem não está em grande forma física, como é o caso dos astronautas. Tal como salientou Poynter: “todos devem poder ver a Terra do espaço.”

Apesar do preço “game-changer“ ser ainda alto, a quantia não deverá ser suportada pelos turistas, mas sim pela organização sem fins lucrativos Space for Humanity que escolheu a Space Perspective como “parceiro preferido” para iniciar o Citizen Astronaut Program, que pagará pelos voos de pessoas selecionadas que vão servir como embaixadores espaciais após o retorno à Terra, sensibilizando a Humanidade para a realidade do Espaço.

Em declarações também recentes Dylan Taylor, fundador do Space for Humanity e CEO da Voyager Space Holdings afirmou que “o Space for Humanity está a cultivar um movimento para expansão do acesso ao Espaço para toda a humanidade, e essa parceria representa um grande salto para que isso aconteça”.

Longe de tudo isto ser um sonho empresarial, a empresa celebrou já um contrato com a NASA (o Space Act Agreement), afim de que a Space Perspective possa usar as instalações de teste da KSC, acordo esse que se estende ao alavancar desta experiência de voo, através do apoio da agência espacial ao controlo de áreas como o controlo de voo.

O conceito da nave espacial Neptune está em desenvolvimento há décadas, remontando o conceito aos dois anos em que Poynter e MacCallum viveram dentro das instalações de pesquisa da Biosphere 2 no sul do Arizona, no início dos anos 90.

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