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Esta semana, destacamos o falecimento do compositor Ennio Morricone, partilhamos leituras de banda desenhada digital com curadoria da H-alt, e redescobrimos o trabalho de Philippe Caza. Na Tecnologia, discute-se Inteligência Artificial, jogos não-euclidianos, os jogos e a aprendizagem, ou a partilha online da imagem de crianças. Ainda se fala de um tipo de letra que homenageia o modernismo arquitetónico português, e de culinária da Babilónia. Estas são algumas das leituras das Capturas desta semana.

Mundos da Ficção Científica e Fantástico

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Death Flies At Dawn (1936): Histórias de ação de um passado que esquecemos.

A Heap of Coincidences in House of Secrets 92’s Swamp Thing: De facto, as diferenças entre Man-Thing e Swamp Thing são tão poucas que os mais desprevenidos podem achar que se trata do mesmo personagem. Mas Swamp Thing teve sempre algo que o outro personagem não teve: excelentes argumentistas e ilustradores. Sem Len Wein, Bernie Wrightson, Alan Moore, John Tottleben ou Stephen Bissete, a personagem não se teria tornado um clássico de culto.

Dylan Dog: Listagem de todas as edições portuguesas do meu querido indagatore dell’incubo, estranhamente destacando as capas originais.

Philippe Caza’s Surreal Futurist artworks: Não é um nome desconhecido dos conhecedores da banda desenhada e ilustração do fantástico. Caza sempre mesclou o surreal com a fantasia, o seu futurismo é mais psicadélico do que tecnológico.

Ennio Morricone, Movie Composing Legend, Has Passed Away: Tive o privilégio de assistir ao concerto de Lisboa da sua última digressão, há pouco mais de um ano. Foi-se o homem, fica a música, para sempre associada aos western spaghetti mas também a marcar filmes bem longe do western como The Mission ou The Thing. E, até, compondo um genérico totalmente far out para a clássica série de ficção científica Space: 1999.

Space shuttle concept art by Spencer Taylor: Os lifting bodies são fundamentalmente similares.

Behind the scenes of ALIEN (1979): Como fazer um clássico.

Summer Vibes: The Best Looks From the Marvel Swimsuit Issues: Ah, os velhos tempos em que os comics se vendiam como material para apimentar a imaginação dos jovens machos adolescentes. Se bem que a coisa até era subversiva e não eram só as heroínas que apareciam em quase desnudos pinups. As Marvel Swimsuit Editions seguiram o caminho dos milhentos comics levemente eróticos e exploitation, o do arquivo na história deste meio.

Ophelia from ‘The Illustrated Library Shakespeare ’: Elegância clássica.

A Brief History of the Megastructure in Science Fiction: É essencialmente Ringworld de Larry Niven, com alguns toques de Rama de Arthur C. Clarke.

O Penteador. Paulo J. Mendes (Escorpião Azul): Mais um intrigante lançamento da Escorpião Azul, desta vez dando espaço ao regresso de um criador veterano de BD

H-alt – Webcomics: À procura de novas leituras? A H-alt tem uma boa seleção de webcomics para descobrir.

The Alan Moore Self-Swipe File #1: A imagem de pares presos em explosões é dos mais icónicos jogos visuais que Moore nos legou.

BOOK REVIEW: THE LONG TOMORROW, LEIGH BRACKETT (1955): Recordar um dos clássicos da Ficção Científica pós-apocalíptica, vinda de um tempo em que o medo de extinção terminal se prendia com o holocausto nuclear.

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Jack Kirby, 1970: Black Bolt, o rei mudo dos Inumanos.

Over 100 Years Ago, Artists Were Asked to Depict the Year 2000, These Were The Results: As imagens originalmente humoristas de En L’An 2000 são tipo uma epidemia cíclica, regularmente são desenterradas como exemplo de retro-futurismo.

David A. Hardy, “Return of the Colonies”: É impressão minha, ou são naves do universo ficcional Perry Rhodan?

WIRED’s Ultimate Summer Reading List: Verão convida sempre a tempo para leituras (ou pelo menos intenção de). Há aqui boas sugestões, e uma que me deixou entusiasmadíssimo: um novo livro de história da tecnologia por George Dyson.

Philip K. Dick: “If You Find This World Bad, You Should See Some of the Others”: Digno de nota – é a primeira vez que leio algo a apontar que PK Dick foi um escritor surrealista, e não de ficção científica. Este é um daqueles autores cuja estranha obra ultrapassa barreiras, e é um querido da academia por ser dos raros escritores que lhes permite olhar para a FC sem se contaminarem com o vírus das rayguns e naves espaciais. Jogos de palavras…

Tecnologia: Dos Jogos à IA

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Sean Conway y sus impresionantes mapas antiguos renderizados en 3D a partir de datos: Impressionante, especialmente porque as técnicas para transformar mapas e modelos de elevação em 3D não são nada fáceis ou lineares.

Artificial Intelligence Is Revolutionising Our Future: Opportunities And Challenges: O que é que a Inteligência Artificial nos poderá trazer, em termos de benefícios e desafios? Mais um estudo do EPRS, de apoio à decisão no Parlamento Europeu.

Artificial Intelligence: From Ethics To Policy: Face aos potenciais abusos advindos da aplicação destas tecnologias, mas também da impossibilidade de as proibir, resta legislar, precavendo e travando abusos. É o caminho da União Europeia, para evitar os problemas trazidos pelas abordagens americana – tudo vale, ou chinesa – panopticon digital em suporte da opressão e vigilância dos cidadãos. Resta saber se nós, europeus, conseguiremos afirmar esta terceira via, da Inteligência Artificial ética, fugindo aos jogos de interesse.

Apart Together: Ainda não somos uma espécie multiplanetária. Mas já não estamos confinados ao nosso planeta.

GDPR And AI: Making Sense Of A Complex Relationship: Conciliar aplicações de Inteligência Artificial com o RGPD, será possível? Note-se que os algoritmos de IA alimentam-se precisamente da agregação do tipo de dados pessoais que a norma europeia protege.

Here’s What Parents Think About Their Children’s Tech Usage: Crianças e padrões de uso nas tecnologias. O que é o normal, o que é o excessivo, o que é necessário? Não há resposta simples a estas questões. Mas este tipo de análises ajuda. Destaco um pormenor – a prevalência massiva de dispositivos móveis nos padrões de uso das crianças e jovens, nos jogos e não só. Não é um pormenor menor – é nestes dispositivos que se está a formar a sua fluência digital. Algo que terá implicações futuras na forma como será feita a nossa interação com dispositivos computacionais.

DIY BABY MIT CHEETAH ROBOT: Uma variante muito hackada dos cães robots, com impressão 3D e arduino.

A REASON TO CODE: Este texto deveria ser leitura obrigatória para todos os que estão empenhados na introdução à programação e robótica com crianças. Tl;dr: este maker percebeu que o filho desdenhava os muito na moda brinquedos STEM para aprender robótica e programação, mas está a ser muito feliz a ajudar o pai a construir braços robóticos (o que requer competências bem mais avançadas do que as estimuladas pelos brinquedos STEM, que são essencialmente para introdução). Mostra que o fundamental não é impor às crianças metodologias, objetos ou objetivos. É mostrar-lhes o que é possível, e dar-lhes o espaço para construir o que quiserem, ajudando-as a adquirir os conhecimentos necessários. E sim, crianças e computadores é muito mais do que jogos.

La historia de las primeras pantallas táctiles y su origen en el tráfico aéreo: São úbiquos nos dias de hoje, fundamentais para a computação móvel. As origens dos ecrãs sensíveis ao toque, abordadas neste artigo.

Why China’s Race For AI Dominance Depends On Math: Um sóbrio recordar que a base das maravilhosas tecnologias de inteligência artificial é a matemática. Ou posto de outra forma, a IA é essencialmente matemática complexa, alimentada por muitos dados, processada muito rapidamente. Há aqui um insight interessante. Se os dados são o novo petróleo, a matemática é o seu motor extrator. E para isso, precisa-se de apostas no ensino.

Four views: Is edtech changing how we learn?: Ia ler este artigo com o necessário distanciamento crítico. Para quem trabalha na educação com tecnologia, visões radiosas de aprendizagens futuras mediadas por um qualquer gadget são ao quilo. E grande parte das promessas de marketing da EdTech são versões glorificadas de recursos educativos instrucionais. Úteis, mas dificilmente game changers. No entanto, logo no primeiro depoimento dou com isto: “Imagine telling a classroom full of 14-year-olds that their assignment was to play Assassin’s Creed for an hour a day, find something interesting, look it up and write a paragraph about it. Or build a functioning rocket in Kerbal Space Program. Or finish a set of puzzles in The Witness and list the hidden rules that govern them. Or work with three other kids to build a model of the school in Minecraft or Roblox”. Totalmente de acordo. Porque sim, é isto. Normalmente a maioria das plataformas e jogos educativos é bastante medíocre, se comparada aos jogos indie e mainstream (por uma razão dolorosamente simples, é preciso um forte investimento financeiro para se criar um produto digital e multimedia, com bom design, recursos, e ambientes exploratórios que não se esgotem num elementar percurso didático). Ter educadores a apropriarem-se de jogos mainstream já é habitual – a Microsoft promove abertamente o Minecraft como ferramenta educativa, e o editor do Roblox tem imenso potencial (mas não nas escolas portuguesas, a rede do ministério bloqueia o site). Notem que a visão não assenta no jogar por jogar – há que refletir sobre o que se faz, cruzando aspetos educativos mais tradicionais mas fundamentais com abordagens enriquecedoras. Pessoalmente, da minha experiência no terreno, posso pensar numa série de barreiras a estas estratégias – a começar por, como o ensino remoto de emergência colocou a nu, uma parcela significativa dos alunos não ter meios financeiros para aceder a computadores (e nem sequer estamos a falar das máquinas com capacidade para preencher os requisitos dos jogos). No entanto, o potencial de riqueza de aprendizagens no domínio do fazer e refletir, mediadas pelos ambientes abertos de muitos jogos, é muito grande para ser ignorado.

Half Lives: The Unlikely History of Radium: Ah, os bons velhos tempos dos relógios dos ponteiros radioativos, ou das terapias de saúde e bem estar com substâncias radiológicas. Enquanto não se percebeu os terríveis efeitos da radioatividade sobre a saúde, estas substâncias começaram a aparecer um pouco por todo o lado, desde mostradores de relógios que brilhavam no escuro (e matavam as mulheres que os manufacturavam nas fábricas) a medicamentos e termas.

Este brazo robótico para hacer experimentos químicos desde casa permitió mantener un laboratorio activo durante toda la pandemia: Não há grande surpresa aqui. Esta é uma das valências da robótica, a manipulação à distância em ambientes perigosos para os humanos.

Não publique aquela foto do seu filho nas redes sociais: Geralmente aborda-se esta questão entre o “ah, não faz mal nenhum, eles não se importam e até fazem isso entre eles” e o lado paranóico, mas possível, da predação sexual. Dois pólos, que desvalorizam uma questão mais fundamental, a do consentimento e direito individual à privacidade da imagem. Algo que reivindicamos, mas alegremente negamos às crianças, reflexo moderno da velha ideia “puto não tem querer”. Mas tem, e isso até está legislado. Nesta questão do sharenting, as partilhas excessivas de pais e familiares babados com qualquer coisinha que os seus meninos façam, há ainda o abuso da imagem de menores pelos influencers – quantos blogs de mamãs, ou instagrams de vida ativa, não vivem

à custa das fotos dos filhos? Quanto ao argumento ah, mas eles partilham, notem que o facto de eu partilhar a minha imagem pessoal não é uma autorização tout court para que outros o façam.

Non-Euclidean game worlds: Intrigante. Um motor de jogo construído à volta de princípios de geometria não-euclidiana. O resultado é ao mesmo tempo estranho, e normal, porque como não estamos habituados a pensar no espaço desta forma, não nos apercebemos das incongruências. As aplicações diretas estão na realidade virtual, mas há aqui espaço para experiências de jogo imersivo surreais ou fantasmagóricas.

The rise and fall of Adobe Flash: Se hoje é visto como uma relíquia obsoleta e um risco de segurança, durante anos o Flash foi a tecnologia que trouxe o poder do multimédia à internet.

Diorama, qu’est-ce que c’est?´: Realidades Virtuais avant la lettre. Parecem-nos surpreendentes, mas na verdade este tipo de experiências imersivas, onde a pintura, decoração e iluminação invocavam outros espaços, foram muito populares nas suas épocas. As ilusões visuais não são um exclusivo da era digital.

Europe’s New Mars Yard Is Like a Playground for Planetary Engineers: Isto é levar a simulação muito a sério, com espaços que simulam as condições marcianas o mais aproximadamente possível. Recreio para engenheiros astronáuticos.

Modernidade

Sul Sans: O designer Rui Abreu decidiu homenagear a tipografia do modernismo arquitetónico português, criando um tipo de letra a que chamou Sul Sans.

Voyager: Inside the world’s greatest space mission: Recordar a missão que nos legou aqueles que são os artefactos humanos na viagem mais longínqua jamais feita. Ainda funcionais, agora a transmitir dados sobre o espaço que está para lá do sistema solar. São também um profundo gesto poético, minúsculas mensagens de humanidade a viajar pelo imenso espaço sideral.

Meet the Caretakers of Sealand, the World’s Most Stubborn Micronation: Confesso que tenho um certo fascínio por esta torre abandonada no canal da Mancha, transformada em micro-nação. Neste artigo, ficamos a conhecer aqueles que vivem nela regularmente, mantendo a plataforma contra a tirania dos elementos.

Psicologia humana e a gestão de grandes crises: Uma leitura profunda do mais recente livro de Jared Diamond.

the boomers are not all right: how social media obsessions are destroying familie: Desconte-se algum boomer shaming neste artigo. Que não é despropositado, a geração millenial conseguiu herdar um mundo pior na qualidade de vida e aspirações do que o herdado pelas gerações anteriores. Não se pode exigir daqueles que estão largamente condenados à hiper-precarização que digam maravilhas de quem construiu as bases para esta situação. Mas o artigo vale mesmo pelo comentário ao aproveitamento da senilidade para hiperpolarização política, através de canais televisivos, rádio e redes sociais. Toda uma geração que passa os seus anos finais a preocupar-se com teorias da conspiração e a defender o extremismo político. Espero, francamente, que quando a minha geração chegar a esse momento se porte um pouco melhor.

A Warning from the Chickens of the World: Dos riscos trazidos pela produção agro-alimentar industrializada. É problemático. Necessitamos destes sistemas para alimentar o mundo. No entanto, falhas nas condições sanitárias têm-se revelado terreno fértil para pandemias.

A Professor Tried A Nearly 4000 Years Old Recipe And Here’s What Happened: Vai uma refeição à moda da Babilónia? E porque não? Este professor combateu o tédio do confinamento com a experiência culinária de cozinhar receitas com 4000 anos. E parece que o resultado foi saboroso.

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