A exploração espacial ganhou um novo fôlego no final do mês passado. De facto algumas imagens recolhidas por orbitadores como por exemplo pelo Mars Reconnaissance Orbiter da NASA, levou um conjunto de investigadores a publicar um estudo na revista Earth-Science Reviews (como o nome de “Lava tubes on Earth, Moon and Mars: A review on their size and morphology revealed by comparative planetology“), defendendo que poderíamos construir cidades inteiras nos túneis de lava tanto de Marte como da Lua.

De facto os últimos estudos concluem que Marte está absolutamente “marcado” por túneis de lava que são segundo este estudo maciços, e que em alguns casos e devido aos seus tectos altos, poderiam inclusivamente albergar edifícios de conhecidas estruturas terrestres como por exemplo do Empire State Building. Não se extinguindo este estudo à análise de Marte, o estudo faz também uma análise comparativa com a realidade lunar, onde os túneis são ainda maiores, podendo albergar em alguns casos edifícios como o Burj Khalifa no Dubai.

Lava
Legenda: Burj Khalifa no Dubai. Créditos: Time Out Dubai

Estas cavernas têm chamado a atenção nos últimos anos graças às suas “clarabóias” gigantescas (e do tamanho de vários campos de futebol), que estando expostas a céu aberto, têm cativado a atenção dos estudos baseados nos exploradores robóticos que temos no planeta vermelho.

Assim a razão principal para o interesse nestas cavernas gigantescas é a possibilidade de isolar o túnel para manter uma atmosfera permanente (abrindo caminho à colonização humana). Também são vistas como fonte de protecção natural contra o impacto de meteoritos e contra a perigosa radiação solar que praticamente não encontra filtro em Marte, uma vez que no planeta vermelho a densidade da atmosfera é cerca de 99% inferior à da Terra.

Uma cidade dentro de um tubo de lava em Marte?

Um tubo de lava é resumidamente um túnel de superfície formado por um fluxo intenso de rocha derretida durante uma explosão vulcânica. Dado o passado intenso do vulcanismo marciano, desde 1960 (mesmo antes de pousarmos o primeiro homem na Lua) que se tem especulado sobre a possibilidade de utilizar estes tubos de lava tanto na Lua como em Marte.

Na Terra, tomamos geralmente consciência da existência de um tubo de lava quando há um colapso do tubo, deixando abertas “entradas” ou clarabóias…Agora segundo um estudo de Riccardo Pozzobon, geo-cientista da Universidade de Padova na Itália, “os maiores tubos de lava da Terra têm no máximo [cerca de] 40 metros [130 pés] de largura e altura. É certamente um espaço suficiente grande para algumas pessoas caberem lá dentro“. Mas em Marte (segundo esta equipa de investigadores), os tubos de lava em colapso tendem a ser cerca de 80 vezes maiores do que os da Terra, com diâmetros de 130 a 1.300 pés (40 a 400 m). Os tubos de lava lunares parecem ser ainda maiores, com locais de colapso de 300 a 700 vezes o tamanho dos tubos da Terra. Os tubos de lava lunar provavelmente variam de 1.600 a 3.000 pés (500 a 900 m).

Já no passado, Pozzobon tinha explicado ao Live Science que um tubo de lava destas dimensões poderia mesmo albergar facilmente uma cidade dentro das suas paredes, tanto em Marte como na Lua.

O vídeo seguinte explica bem esta problemática e mostra várias imagens reais destes tubos de lava:

Tubos de Lava: uma ideia antiga e persistente…

A popularidade dos tubos de lava como abrigo perfeito para uma colonização em ambiente extremo tem ganho adeptos nos últimos anos graças em parte à obra do autor Kim Stanley Robinson, que explorou a ideia de vida em grandes cavernas para protecção dos humanos em obras como a conhecida Trilogia de Marte (Red Mars (1992), Green Mars (1993), Blue Mars (1996)) que ganhou vários prémios internacionais, mas também romanceando sobre a exploração da última fronteira da Terra na Antártida e na sua trilogia futurista Three Californias que se debate com a sobrevivência humana num futuro pós-nuclear e apocalíptico.

Com efeito Kim Stanley Robinson tem sido o grande teórico das crateras pressurizadas ou tubos de lava cheios de ar. Contudo para a equipa de investigadores sobre a qual nos concentramos neste artigo, considera que essas crateras pressurizadas são para já um cenário pouco provável.

Apesar da tecnologia 3D e dos varrimentos a laser que os orbitadores conseguem fazer para ajudar a cartografar estes túneis com precisão, as entradas são tão largas e maciças que seria difícil conseguir o isolamento eficaz de um destes tubos…

“Devido ao seu tamanho enorme e à possibilidade de vazamentos devido ao fraturamento das rochas, acho muito improvável pressurizá-las”, disse Pozzobon ao Live Science. “O mais provável é estabelecer assentamentos dentro desses vazios, seja para hospedar humanos ou para armazenar equipamentos.”

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