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Em semana de rentrée, vamos com leituras mais suaves, pode ser? Olhamos para a transição do digital para o papel nos comics, para contos de Mário Henrique Leiria e o traço de Michael Kaluta. Na tecnologia, descobrimos o porquê dos Benchys reais, analisa-se o combate virtual entre pilotos humanos e inteligência artificial, e recorda-se a primeira animação 3D de um rosto. Ainda se fala do regresso às escolas em tempos de pandemia, da importância das vacinas e de realismos distópicos. Mas outras sugestões vos aguardam nas Capturas da semana.

Ficção Científica e Cultura Pop

Abercrombie Station: Como é sabido, o corpo feminino precisa de menos proteção aos rigores do espaço do que o masculino.

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Bob Eggleton’s watery worlds: Mundos aquáticos.

Notes: Astounding by Alec Nevala-Lee: Uma leitura em modo twitter de uma antologia de FC clássica, ou o choque da nossa modernidade com o futurismo do passado.

John Berkey: Não há rei como o Kong.

Dark Horse Puts ComiXology Originals Into Print- Start With Afterlift: O intrigante nesta notícia é o percurso inverso destes comics. Começaram por ser projetos totalmente digitais, disponíveis no ComiXology, mas são suficientemente interessantes (e têm público) para justificar edição em papel. Um sinal de convergência entre digital e papel nos comics.

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Bob Eggleton: Um toque de Space Opera.

In Search of a Long-Term Reading Project? I Present to You the Boundless World of Comic Books: Sugestões de leitura que requerem tempo, com grandes arcos narrativos ou séries muito longas.

Mário-Henrique Leiria: Caso 39 001 – 0 – 37: Os Casos de Direito Galáctico são uma das grandes obras de ficção científica portuguesa, embora o autor esteja mais inserido nos movimentos surrealistas. O Lâmpada Mágica recorda-nos um dos contos, sobre viagens no tempo. E, por falar em surrealismo, quando esta edição saiu encontrei-a numa grande livraria de Lisboa, catalogada como livro de direito. Isso mesmo, literatura surrealista entre manuais de direito e gestão fiscal.

Chesley Bonestell: A visão clássica da exploração espacial.

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Michael Kaluta Covers: Um dos grandes desenhadores de comics.

Tecnologia Real e Artificial

They might be small but these tiny boats still serve a purpose for the US Navy: No mundo a impressão 3D temos o Benchy, um modelo de barquinho que serve para testar as impressoras. As imagens destes micro-rebocadores norte-americanos são muitas vezes partilhadas como memes divertidos, de benchys na vida real. No entanto, estes micro-navios são elementos fundamentais da marinha americana.
Thick Clumps of Bacteria Can Survive for Years in the Vacuum of Space: Experiências com organismos extremófilos mostram que foram capazes de hibernar para sobreviver ao vácuo do espaço. Uma investigação que sublinha as teorias de panspermia – que organismos simples poderiam ser propagados pelo espaço através de asteróides, que ao embater em planetas poderiam dar origem à vida.

The Wubi Effect: Como adaptar a complexidade dos carateres chineses ao espaço dos teclados de computador? Esta entrevista fascinante fala-nos de um projeto de análise profunda da estrutura das letras chinesas, que possibilitou a sua adaptação aos teclados de computador.

AI Murder Machine Kicks Air Force Pilot’s Ass in DARPA’s Simulated Dogfight Contest: O título é clickbait e tanto, mas o artigo olha para o recente teste da DARPA em que uma inteligência artificial bateu um piloto experiente de combates numa série de testes. A  vitória, na verdade, não é surpreendente (nem é nenhum acordar da Skynet). Apesar da visão romântica que temos da perícia do piloto no combate aéreo, na realidade é essencialmente uma combinação de tática, física e matemática. Cálculo de trajetórias, limite de resistência da aeronave, antecipação dos movimentos do adversário. Não corresponde à imagem de cavaleiro dos céus, mas uma aeronave de combate de hoje é uma peça sofisticada de tecnologia de ponta, talvez mais apropriada a uma inteligência artificial sob controlo humano.

Homo Stellaris: Space and Human Transformation: Da relação entre a ciência e a ficção científica, no ciclo positivo de retroalimentação do fascínio pela exploração espacial.

E-PAPER DISPLAY SHOWS MOVIES VERY, VERY SLOWLY: É o grande problema da tecnologia e.ink, ser terrível para vídeo, o que a invalida para utilização em dispositivos que não os dedicados, como e-readers ou displays de texto. No entanto, para estas utilizações específicas, é uma tecnologia excelente, pelo baixo consumo de energia e facilidade de leitura.
El oficio de técnico de cables submarinos, contado por alguien que lleva 25 años en él: “Mi peor enemigo son los terremotos”: Wifi e redes móveis podem ser o que nos encanta, mas o que suporta o tráfego massivo da internet são cabos, especialmente os cabos submarinos transoceânicos que unem continentes. Neste artigo, ficamos a saber um pouco sobre esse campo, entre as dificuldades de colocar cabos no solo sob os oceanos, de os manter, e a gestão de questões legais e burocráticas que em si é tarefa bem mais complexa do que afundar cabos e repetidores.
The first 3D animations of a human face are wonderfully creepy: Sou um fascinado confesso pelos artefactos da história da computação. Mostram os primeiros passos do mundo digital em que vivemos, e a rapidez da sua evolução.
Are We Already Living in a Tech Dystopia?: E as respostas são… parcialmente. Notem que se as tecnologias que usamos reforçam vigilâncias e retiram poder aos cidadãos, isso são fundamentalmente escolhas políticas.
PRINTLAB AND AUTODESK LAUNCH ‘MAKE:ABLE’ ENGINEERING DESIGN CHALLENGE FOR STUDENTS: Mais uma iniciativa que desafia estudantes a levar longe as suas aprendizagens sobre modelação e impressão 3D.
Google Arts & Culture app lets you view ancient creatures in AR: Um reforço da acessibilidade de conteúdos em realidade aumentada, desta vez através da app Google Arts and Culture, que nos permite ver criaturas pré-históricas e outros artefactos sobrepostos ao nosso real.
Let’s Forget The Hype And Talk About The AI vs Human Pilot Simulated Dogfight: Uma análise detalhada ao projeto da DARPA que colocou em combate virtual aeronaves pilotadas por inteligência artificial versus pilotos humanos. Com total vitória dos algoritmos, o que não surpreende dado o caráter das manobras de combate aéreo. Este artigo explora ainda outras ideias. Não tendo de proteger um piloto dentro da aeronave, a inteligência artificial consegue ultrapassar os limites e restrições operacionais implementadas para garantir a segurança de pilotos e aeronaves, tendo sido esse um dos aspetos explorados neste projeto.
YouTube took down more videos than ever last quarter as it relied more on non-human moderators: E um deles foi meu, quando estava a dar uma videoaula em direto sobre inteligência artificial que foi cortada porque… os algoritmos automáticos do YouTube consideraram que um fragmento de música gerada por algoritmos da Open AI era infração de direitos de autor, por ser similar à sonoridade de Ella Fitzgerald. Hey, é uma história que conto com uma ponta de orgulho, ter sido bloqueado por inteligências artificiais ao falar de inteligência artificial. Piadas à parte, o uso destes algoritmos pelo YouTube permitiu acelerar a anulação de muito conteúdo violento, mas aumentou a possibilidade de anulações erradas. Talvez também tenha permitido diminuir os traumas causados sobre os moderadores, que têm de visualizar o que de pior somos capazes de fazer. É também sintomático que esta aposta nos algoritmos seja de uma progressiva automatização da empresa, para manter os trabalhadores no trabalho remoto em casa.
Modernidade
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Dystopian Realism: Dos detritos da colisão entre a sociedade urbanizada contemporânea e o  artificial mundo digital. Instalações e criações artísticas para questionar os dias de hoje.
MOVE OVER SELFIES – CARTES DE VISITES WERE THE FIRST GREAT PHOTOGRAPHY CRAZE: Velhos media, mas gostos transversais. O fascínio com a nossa imagem individual não surgiu com os meios digitais e redes sociais. Tem raízes bem antigas e, como mostra este artigo sobre cartões fotográficos de visita, é transversal a todos, mas só tornado possível quando os meios técnicos tornaram acessível a fotografia a todos.
Uncertain times: A compreensão de sistemas complexos como a chave para resolução de problemas à escala global.
What Happened To The Lost Colony Of Roanoke Island? Researchers Say They Have The Answer: É um daqueles eternos mistérios. A primeira colónia britânica nas costas americanas desapareceu quase sem deixar rasto. Tema que tem alimentado inúmeras especulações, mas por vezes, as melhores respostas são as mais simples. O grupo original de colonos, isolado numa zona hostil, integrou-se e miscigenou-se com as tribos índias locais, que ainda guardam nas suas tradições orais memórias destes antepassados de pele clara e olhos azuis.
Recreate the Ancient Egyptian Recipes Painted on Tomb Walls: Maravilhas da arqueologia. E porque não recriar algumas das iguarias que deliciaram os antigos egípcios?
Leprosy of the soul? A brief history of boredom: Poderá o tédio ser algo de bom? Bem, sim, o tédio é uma forte força que nos obriga a descobrir coisas novas.
Las vacunas han tenido tanto éxito que ya nos hemos olvidado de cómo era el mundo antes de ellas y eso es un enorme problema: Com a pandemia, estamos a reaprender o que é viver num mundo sem vacina para doenças fatais, incapacitantes, ou potencialmente fatais. Ou seja, a redescobrir o tipo de vida que a humanidade teve durante milénios, até que as descobertas da medicina e os esforços de vacinação universal conseguiram travar ou erradicar muitas doenças. Um sucesso que se vitimiza a si próprio, com pessoas que desconhecendo a periculosidade das doenças evitadas por vacinas, questionam a necessidade de as tomar recorrendo aos argumentos mais absurdos.
Goodness, This Is A Horrible Map: E é um tipo de mapa ao qual teremos de começar a prestar mais atenção. Rastreia potenciais ameaças bacterianas e virais. Os dias que correm são um exemplo do que acontece quando a sociedade global é surpreendida por um vírus novo no organismo humano.
“Antes todo esto era hielo”: qué está pasando en Groenlandia para que perdiera 532.000 millones de toneladas de hielo en 2019: O degelo gronelandês é cada vez mais notório. O aquecimento global está a transformar a ilha dos glaciares em território que condiz com o nome (uma mistificação criada pelos descobridores vikings), mas isso são más notícias para o planeta.
On John Berger and Rediscovering Drawing During Lockdown: Do gosto pelo desenho, não pela mestria ou deslumbre, mas pela simplicidade da descoberta pessoal.
What experts are saying about opening schools amid COVID-19: Versão resumida: tem riscos, mas é também necessário, sendo a escolarização um dos pilares da nossa sociedade; desinfeção e equipamento de proteção; e distanciamento social dentro da sala de aula. Tem sido aqui que os planos de reabertura das escolas mais embatem com a realidade, em escolas lotadas ou sobrelotadas onde é impossível colocar uma turma dentro da sala com distanciamento entre os alunos.
The Ancient Japanese Art of Sleeping In: Como fazer quando se quer ficar na cama para lá da hora do despertar, mas o despertador é um galo? Os antigos japoneses tinham uma solução elegante – embebedar os galos, para eles não acordarem cedo no dia seguinte.
6.100 cámaras en las aulas para que los alumnos sigan las clases desde casa: así es la vuelta al cole en Madrid: É sempre interessante ver como outros países resolvem o nó górdio do regresso às aulas em tempos de pandemia. Esta solução da comunidade autónoma de Madrid é interessante: testes covid a professores, estudos serológicos para alunos, reforço de professores, uso de máscaras e álcool-gel, assume a necessidade de ensino misto, reforça os meios informáticos para professores e alunos, e permite que alunos confinados estejam presentes à distância, seguindo as aulas através de câmaras em salas de aula. O que não é necessariamente uma boa ideia, uma vez que reforça o conceito errado de ensino à distância como transposição temporal do presencial (não se está cinco horas sentado numa sala a ter aula, mas está-se cinco horas frente ao computador a ver a aula), acrescendo uma série de problemáticas ligadas à privacidade ligadas à filmagem/streaming de atividades com crianças (que deverão ter sido legalmente acauteladas, algo em que por cá nem se pensa). Por outro lado, é uma solução. Imperfeita, que tenta dar resposta ao impossível, como todas as soluções para o regresso à escola nos tempos de pandemia.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.