exoplaneta
This artist's concept shows OGLE-2016-BLG-1195Lb, a planet discovered through a technique called microlensing. The planet was reported in a 2017 study in the Astrophysical Journal Letters. Study authors used the Korea Microlensing Telescope Network (KMTNet), operated by the Korea Astronomy and Space Science Institute, and NASA's Spitzer Space Telescope, to track the microlensing event and find the planet.

Até ao momento os astrónomos identificaram mais de 4.000 exoplanetas (ou planetas fora do nosso sistema solar) orbitando estrelas ou sóis dentro da nossa galáxia, além de um número até agora ínfimo de exoplanetas errantes ou seja, aqueles que não orbitam estrela nenhuma e que por isso se vão movimentando dentro da nossa galáxia, livres de qualquer prisão gravitacional.

A novidade agora é que recentemente, um estudo acabou por detectar um destes exoplanetas rebeldes, não enquadrados em nenhum sistema solar, e que ainda para mais tem o tamanho da Terra, indiciando que se possa tratar de um exoplaneta rochoso (ao contrário de Júpiter ou Neptuno, que são planetas gasosos, onde aterrar seria como tentar pousar numa nuvem).

Este exoplaneta conhecido como evento OGLE-2016-BLG-1928 é um dos marcos mais importantes na detecção deste tipo de mundos. A verdade é que este tipo de planetas “perigosos” (pois podem com o tempo acabar por entrar na influência gravitacional de um qualquer sistema solar, provocando o caos), são bastante difíceis de localizar, pois ao não ter tecnologia que possa recolher uma imagem directa de um destes planetas, apenas os podemos observar quando passam em frente de uma estrela ou seja, quando fazemos a detecção pela diminuição do brilho da estrela.

Até ao momento o famoso e “reformado” Telescópio Espacial Kepler conseguiu sozinho detectar mais de 2.500 exoplanetas, sendo que esse número continua a aumentar conforme os cientistas prosseguem com a análise do dados recolhidos.

Essa detecções baseadas nos dados recolhidos pelo Kepler foram efectuadas através do método de trânsito, que tal como explicado é desenvolvido em torno das oscilações de brilho das estrelas observadas. Através destes observatórios também foi aplicado o método de velocidade radial das estrelas, para procurar pequenas oscilações causadas pela massa dos exoplanetas.

O problema dá-se quando não há uma estrela que possa sinalizar a existência de um exoplaneta a órbita-la. Como é possível detectar um exoplaneta no escuro?

Foi com o projeto Optical Gravitational Lensing Experiment (OGLE) que se encontrou o exoplaneta errante, através da utilização de uma microlente gravitacional, que para simplificar, acaba por ser de alguma forma semelhante ao método de trânsito.

OGLE, exoplaneta
Detecção do evento OGLE-2016-BLG-1928

Esta abordagem do OGLE centra-se também na luz de uma estrela longínqua, na esperança que um objeto massivo, tal como um exoplaneta, acabe por passar passar em frente dela. Embora a estrela e o planeta possam estar a muitos anos-luz de distância, o que acontece é que o planeta acaba por “curvar” a luz da estrela relativamente ao ponto de observação inicial, que neste caso é a perspectiva a partir da Terra.

Esta curvatura de Espaço tem aliás outra utilidade, que é provocar o efeito de lente. De facto tal como num par de óculos, a curvatura do vidro provoca ao aumento da imagem a partir do ponto de perspectiva do seu utilizador. Assim, utilizamos estas curvaturas de Espaço ou lentes gravitacionais naturais para se possível observar e investigar muito mais além do que os nossos telescópios permitem.

Em concreto, a detecção OGLE-2016-BLG-1928 foi conduzida por Andrzej Udalski e a sua equipa a partir do Observatório Las Campanas no Chile, que aliás rastreia milhões de estrelas diariamente. E assim, com apenas 42 minutos de duração, esta é a menor detecção já registrada. Isso sugere que o planeta, se realmente isso que este evento é, deverá ter um tamanho entre a Terra e Marte.

Uma coisa é certa: não há fontes de luz dentro de oito unidades astronómicas do evento de lente, pelo que deverá ser um exoplaneta não associado a nenhuma estrela e movimenta-se.

Foi há 25 anos atrás que descobrimos o primeiro exoplaneta

Tudo começou há 25 anos atrás quando os astrónomos anunciaram a descoberta do 51 Pegasi b, concretamente a 6 de outubro de 1995, sendo que a sua detecção valeu a quem o descobriu o Prémio Nobel da Física em 2019.

51 Pegasi b orbita a estrela 51 Pegasi a cerca de 50 anos-luz de distância da Terra. A equipa de Michel Mayor e Didier Queloz, da Universidade de Genebra, localizaram 51 Pegasi b usando o que hoje conhecemos como método da velocidade radial.

Ainda descobrimos alguns exoplanetas usando este método (que hoje em dia começamos a considerar básico), embora a maioria das detecções sejam feitas com o método de trânsito. Aliás as detecções por trânsito são aquelas que foram utilizadas na análise dos dados recolhidos pelo telescópio Kepler e pelo mais recente Telescópio TESS.

Nessa altura os astrónomos determinaram que 51 Pegasi b era um gigante gasoso com cerca de metade do tamanho de Júpiter. O passo seguinte foi em 2014, quando a União Astronómica Internacional (IAU) lançou um projeto para dar nomes próprios às estrelas e exoplanetas importantes, em alternativa ao esquema de letras que usamos para a maioria deles.

Portanto estando em 2020, é justo dizer que começámos ainda agora a investigar os exoplanetas ou mundos da nossa galáxia, e que ainda temos muito por descobrir.

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