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Esta semana, fala-se da banda desenhada portuguesa que comemora os 500 anos das viagens de Fernão de Magalhães, e de literaturas afro-futuristas. Recorda-se Nam June Paik, descobre-se o bot de Inteligência Artificial para pornografia ilegal, e regista-se mais um sucesso da tecnologia da Relativity Space. Ainda se visita o fantástico tradicional português, fala-se de direitos de autor e descobrem-se os segredos da Sé de Lisboa. Estas, e outras leituras, estão nas Capturas da Rede desta semana.

Ficção Científica e Cultura Popular

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David A. Hardy: Um piquenique marciano.

Tex – Patagónia – Mauro Boselli e Pasquale Frisenda: Não sendo o meu personagem de fumetti favorito, há que respeitar a longevidade de Tex, e a raridade, nos dias que correm, de se manter como título de Western.

Photo: STS is go.

Free Download of Africanfuturism: An Anthology: Com vontade de ampliar a diversidade cultural da ficção científica contemporânea? Esta antologia gratuita traz-nos o trabalho de alguns dos autores africanos que estão a dar cartas no género.

A Viagem Mais Longa: Para comemorar os 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, a comissão comemorativa está a promover uma série de atividades. Entre as muitas dedicadas à Educação (fiquei a saber dela num boletim da DGEstE), temos este álbum de banda desenhada, que ficou a cargo de João Santos e Miguel Jorge, autor de BD e também editor da Apocryphus, um dos melhores e mais consistentes projetos editoriais de banda desenhada portuguesa.

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Wings Of The Hell Diver: Parece-me que àquela altitude, os pilotos estão em modo kamikaze.

Book Review: The Wind From Nowhere, J. G. Ballard (1962): Não é dos melhores livros de Ballard, mas inaugurou a sua série de romances-catástrofe, que exploraram o lado mais surreal da ficção científica.

Direitos da Tecnologia

Chaos and Cathode Rays: Uma análise à obra de vanguarda de Nam June Paik, um dos precursores das artes digitais, com as suas experiências estéticas com eletrónica e televisores.
GANksy: disturbing AI-powered street art: Treinar uma IA no estilo dos graffittis de Banksy dá resultados… intrigantes. O passo seguinte poderia ser programar um robot equipado com sprays e soltá-lo nas ruas.
To Mend a Broken Internet, Create Online Parks: Uma ideia intrigante. As comunidades virtuais dominadas por empresas não são, realmente, comunidades. Até porque a lógica natural empresarial é crescer financeiramente, não tem incentivos para criar espaços desenhados como livres e seguros. Talvez a resposta a isso esteja no domínio público.
Raspberry Pi and Raspberry Pi Spy: This Is How Trademark SNAFUs Should Be Handled: Geralmente, quando estas questões chegam às notícias, é pelas piores razões possíveis, de abusos de detentores de direitos de autor que não têm pejo em trucidar os seus próprios fãs. Mas neste caso, o exemplo é excelente. Quando um site dedicado ao Raspberry Pi foi acusado pela fundação que sustenta este projeto de infringir a sua propriedade intelectual, os responsáveis voltaram a analisar a situação, retiraram a acusação e ainda apresentaram desculpas. Erros acontecem, percebe-se a necessidade de vigiar direitos de autor, mas neste caso, quem os detém percebe que ter uma comunidade vibrante de entusiastas também é importante.

A deepfake bot is being used to “undress” underage girls: Há meses, um algoritmo que gerava imagens de mulheres nuas a partir de fotos inocentes foi retirado da web. Mas claro que o génio saiu da lamparina. Não surpreende saber que variantes deste algoritmo estão a ser usados para novas formas de pornografia, e formas particularmente repelentes.

Ethernet At 40: From A Napkin Sketch To Multi-Gigabit Links: A Ethernet já faz quarenta anos? Dada a sua quase invisibilidade e ubiquidade, até lhe daríamos mais. Este é o protocolo que, de facto, ligou os computadores das organizações.
Uvas com Termos e Condições: quando o copyright chega à salada de frutas: Surpreendidos? Nem por isso. Parte dos produtos de consumo agrícola hoje consumidos envolve uma forte dose de manipulação genética, o que torna as características biológicas desses produtos propriedade intelectual de empresas. Isso tem sido mais notório nas sementes, manipuladas para resistirem a pesticidas específicos.
Lockheed picks Relativity’s 3D-printed rocket for experimental NASA mission: A Space X é sexy, com os seus projetos que tornaram o acesso ao espaço por privados uma realidade. Mas interessa-me mais a Relativity Space, que está no cruzamento da exploração espacial com a manufatura aditiva. Agora foi escolhida pela Lockheed para desenvolver um veículo orbital de testes para a NASA. O objetivo é testar diferentes sistemas de gestão criogénica de fluídos, e o veículo terá de ter espaço para as diferentes versões. Claramente, um desafio à altura da impressão 3D de naves espaciais.
Fokker’s Synchronizing Gear And The Birth of Fighter Planes: O avião de caça parecia uma ideia impossível, algo deselegante, só capaz de combater graças a um artilheiro. Nos primeiros tempos, a trocarem literalmente tiros de pistola e espingarda. Isso mudou quando o holandês Anthony Fokker desenvolveu o primeiro sistema de sincronização, que permitia ao piloto disparar através das suas hélices. E o resto, é a história letal e fascinante dos ases do combate aéreo.
Attempting to Generate Photorealistic Video With Neural Networks: Intrigante, usar a GAUGan da Nvida para criar vídeo. Um trabalho de paciência, porque este algoritmo foi desenvolvido para gerar imagens realistas, e não vídeos.
In Singapore, Facial Recognition Getting Woven Into Everyday Life: Em Singapura, o estado-nação onde impera o autoritarismo benévolo, não há preocupações com privacidade do indivíduo face ao estado. Tecnologias que na tradição de liberdade das democracias liberais parecem ser excessivamente invasivas, por lá são aplicadas.
Society of Vertebrate Paleontology forbid the word “bone” during online conference: Agruras da filtragem automática. Há tempos, numa instituição com que colaboro, reparei que na sua plataforma de e-learning a palavra computador era substituída por asteriscos. Demorei a perceber. A causa é um filtro que evita palavras ofensivas, que se torna compreensível porque a plataforma também tem sido usada extensivamente por alunos do ensino básico. Mas os sistemas de filtragem têm sempre destas incongruências.

Modernidade

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On a moonlit night: witchcraft in rural Portugal – in pictures: Um brilhante e algo tenebroso mergulho fotográfico nas tradições milenares do sobrenatural no interior português.
We May Never Know the Full Story of COVID-19: Teorias da conspiração à parte, o nível de supressão de informação das autoridades chinesas é tão elevado que factos fundamentais para se conhecer a origem da pandemia nunca serão conhecidos.
How the needs of monks and empire builders helped mold the modern-day office: Dos hábitos de trabalho monacais aos primeiros gabinetes burocráticos, as origens de um dos elementos mais comuns do trabalho na era contemporânea.
A Sé Catedral de Lisboa: um percurso iniciático: Mergulho profundo nos simbolismos arquitetónicos e artísticos da Sé de Lisboa.
The coronavirus could be here to stay. Your privacy may be another victim.: Por cá, estamos a ter os primeiros indícios disto com a ameaça de tornar a app Stayaway Covid obrigatória, com fiscalização e sanções para quem não a tiver instalada. Apesar desta óbvia tropelia constitucional, é razoável assumir um certo nível de confiança nas nossas leis e instituições para que soluções de monitorização tecnológica no âmbito da pandemia não se tornem intrusivas e discriminatórias. Este artigo explora algumas formas, que já estão a acontecer, de como as boas intenções geram situações infernais.
On colonial mindsets and the myth of medieval Europe in isolation from the Muslim world: Um belíssimo takedown à ideia de uma europa medieval isolada e retrógrada.
Uma digestão da discussão sobre a app StayAway Covid: entre a crítica, a condenação e a contextualização: Instalou-se a polémica, os argumentos debatidos afastam-se do verdadeiro cerne da questão – a obrigatoriedade da app representa um forte atentado à liberdade e privacidade individual, mas discute-se o maseentãoismo de uma suposta incongruência em usar apps que partilham dados e recusar esta, e confesso que me arrepia ver tantos tranquilos com a invasividade disto, bem como a defender o autoritarismo.

A cultura partilhada que não se pode partilhar: O problema da extensão temporal dos direitos de autor. Protege lucros de algumas propriedades intelectuais específicas (a Disney é caso paradigmático, literalmente, porque uma das leis americanas de extensão de direitos de autor chama-se mesmo Mickey Mouse Act). O problema é que complica enormemente a difusão da cultura. O resultado? O esquecimento massificado de obras que por não terem elevado interesse comercial, não são reeditadas e só podem ser encontradas em mercados de segunda mão.

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Facebook: Inteligência Artificial na Moderação de Conteúdos

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.