tempos

Esta semana, fala-se de sugestões de cinema de ficção científica soviética, do imaginário dos mitos urbanos, ou do retro-futurismo. Ainda descobrimos Inteligência Artificial musical, as orações do Papa, e campanhas para combater a partilha indevida de imagens íntimas. Recordamos Cruzeiro Seixas, e percebemos que a escola em tempos de pandemia está a transferir para o espaço online as piores práticas do ensino presencial. Mais leituras sobre estes tempos vos aguardam, nas Capturas da semana.

Ficção Científica e Cultura Popular

The Shadow’s Shadow (1977): Quem conhece o mal que se oculta no coração dos homens?

Bedfellows of the Worm: The Early History of Female Vampires: Antes de Drácula, os vampiros vitorianos e góticos eram femininos. Neste artigo, algumas das mais icónicas personagens, que cruzavam o horror do além com a sublimação da trasngressividade sexual.

A Brief History of Soviet Sci-fi: Breve, mas intrigante, com filmes que merecem a pena ser descobertos. Note-se que as sugestões não são unicamente russas. Os filmes de ficção científica checos e polacos são aqueles que mais irão despertar a curiosidade.

The 2020 Bulwer-Lytton Fiction Contest: Há o escrever mal, há as masteclasses de Thog (seguidores do Ansible percebem esta). E há o concurso Bulwer-Lytton, onde os concorrentes se esforçam por escrever os parágrafos mais rebuscados e ilegíveis.

tempos

Chris Foss, 1972: Não há space opera mais clássica que a série Lensman.

Haunted radio: Da estranha capacidade dos mitos urbanos nos fascinarem. E, embora não pensemos muito nisso, de os aceitar-mos como semi-verdades, na zona nebulosa entre facto e ficção.

Barefoot Gen: What Nuclear War Looks Like to a Six-Year-Old: Das mais poderosas obras a surgir do Japão, um dos mangá que ajudou a conquistar a respeitabilidade deste género. Recordações de uma infância marcada pelos bombardeamentos atómicos.

Paul Alexander: Tempos sucessivos.

Robert Bloch – H.P Lovecraft Drawings, 1933: Diga-se que Bloch foi melhor escritor do que desenhador, mas foi o seu gosto pela obra de Lovecraft que impediu que este escritor caísse no esquecimento, e se tornasse uma das mais importantes influências estéticas no terror.

tempos

Danny Flynn: Estética dos aerógrafos.

Pokémon GO Is Bigger Than Ever: 1 Billion Dollars Earned In 2020: Quanto? Tanto? Como? Depois do lançamento explosivo de 2016, o jogo que colocou a realidade aumentada no mapa continua a somar sucessos. Posso atestar isso. Todos os anos me têm chegado novos alunos, de dez anos, que já se renderam às caçadas de pokémon. Isto apesar de ser apontado como um jogo nostálgico, para a geração que cresceu a jogar Pokémon nas cartas e nas consolas Game Boy.

Science Fiction – A Literary History: A Cristina aponta bem o defeito da maior parte destas histórias literárias. Focam-se no espaço anglo-americano, o que não surpreende, é o material ao qual os autores mais facilmente têm acesso.

Providence: A Look Back at Alan Moore’s Ultimate Lovecraft Story: É uma das últimas obras de Moore, uma tremenda vénia a Lovecraft. Um daqueles livros que vai ter espaço na minha biblioteca.

The City Of The Living Dead (1930): Sonhos felizes com sensores? Quem nunca.

The Traditional Japanese Theater Genre That’s Like ‘Rocky Horror’: Ver The Rocky Horror Picture Show é uma experiência de fandom participativo que se recomenda, um quebrar das barreiras que separam espetadores da obra. Mas no Japão, o que para nós é uma raridade, é uma tradição.

Closer Than We Think: 40 Visions Of The Future World According To Arthur Radebaugh: É sempre interessante revisitar as visões retro-futuristas de Radebaugh, que nos anos 50 criou visões do que na altura se pensava de como seria viver nos tempos do futuro.

Tempos de Tecnologia

AI autocompletes Windows 95 startup tune: Ah, belas recordações dos tempos do Windows 95. Agora destruídas por um algoritmo que transformou o som de arranque numa melodia.
This Unidentified Plane Flew Over California. The Air Force Won’t Admit It Exists.: Mas, mas… se está no ar, como não existe? Clássico dos militares. Na verdade, o The Aviotionist já tinha topado este drone secreto, e agora os fãs de aviação especulam sobre a sua identidade. Confesso algum flashback aos tempos do F-117.
We Never Know Exactly Where We’re Going in Outer Space – Issue 92: Frontiers: No espaço, o que está lá pode não estar exatamente onde se pensa. Na vastidão tridimensional da mecânica orbital, localizar rigorosamente um destino é uma tarefa complexa e cheia de incertezas.
AI godfather Geoff Hinton: “Deep learning is going to be able to do everything”: A evolução das capacidades da inteligência artificial, vista por um dos criadores do campo. Que, note-se, sublinha que as mais complexas redes neurais empalidecem face à complexidade do cérebro humano.
This month, November 2020, the Pope requests that Catholic people worldwide pray “that the progress of robotics and artificial intelligence may always serve humankind”: “We pray that the progress of robotics and artificial intelligence may always serve humankind. Bem, mas isso não vai lá com rezas. Vai com foco na Educação, e muito activismo cívico – os potenciais desmandos e abusos pelo uso de algoritmos, ou o espectro do alastrar dos inimpregáveis, substituídos por mão de obra robótica, não são tendências inelutáveis, são fruto de decisões humanas. O interessante é ver um representante religioso a usar a sua influência para puxar à reflexão. Mesmo impenitente ateu como sou, tenho um enorme respeito por este Papa, que está do lado certo da história.
#NãoPartilhes: pelo fim da partilha de conteúdo não autorizado: É uma tendência perturbadora, a devassa da intimidade através da partilha na internet de momentos íntimos, registados no contexto de uma relação. É fácil sucumbir ao moralismo do “se não queres que se veja, não tires a foto”, mas o verdadeiro comportamento errado (e criminoso) está em quem, por despeito, piada ou má formação, partilha publicamente algo que foi criado no contexto de confiança de uma relação íntima.
Tarifário Lycamobile em Portugal vs Espanha e França: Que chatice, isto da internet. Com acesso à informação, podemos procurar dados, e com isso comparar e contrapor às narrativas institucionais. Esta análise de custos de planos de uma operadora virtual é uma forma de colocar em foco a rapacidade dos operadores móveis portugueses, que estrangulam o mercado com tarifas elevadas e estrangulamento de tráfego. Essencialmente, pagamos demasiado por muito pouco serviço. Algo aqui está a falhar, já há muito que se nota que o mercado das operadoras de telecomunicações está cartelizado e não opera sob princípios reais de competição económica.
Si no puedes mover una cueva, imprímela: en China hicieron una réplica transportable de las Grutas de Yungang con impresión 3D: É algo que faz todo o sentido, permite preservar e estudar o património histórico, bem como dá-lo a conhecer sem riscos de danos aos artefactos e espaços originais. Este é um exemplo decididamente grande da aplicação de digitalização e impressão 3D à arqueologia.
How artificial intelligence may be making you buy things: Não há aqui grande surpresa. As grandes cadeias usam todos os truques para maximizar as suas margens de lucro.
Ink-Stained Wretches: The Battle for the Soul of Digital Freedom Taking Place Inside Your Printer: E, por falar em maximizar margens de lucro, talvez o maior exemplo do que empresas são capazes para extorquir todos os cêntimos possíveis dos consumidores esteja na indústria das impressoras. A impressora não imprime, com a mensagem de estar com cartuchos vazios apesar destes ainda terem bastante tinta? Não é bug, é marketing.
Top ten emerging technologies of 2020: Dez tecnologias emergentes, que poderão influenciar o nosso futuro.
Máquinas para dibujar: un recorrido histórico ilustrado de dispositivos mecánicos y ópticos: Para quem se interessa pela mecânica do desenho, um repositório de máquinas gráficas.
What Our Robots Tell Us About Ourselves: Mais do que o esperado. Construímos robots como forma de explorar novas dimensões da nossa personalidade.

Tempos de Modernidade

tempos
Cruzeiro Seixas. Um homem num século: Recordar a vida e obra de Cruzeiro Seixas, nome maior do Surrealismo. Deixou-nos recentemente, mesmo na cúspide de celebrar o seu centenário.
How To Stay Creative During COVID Lockdown: Será possível? Entre os traumas de viver numa pandemia e o isolamento, o impulso criativo tem sido daqueles que mais sofre nestes tempos.
Making Meaning: Toda a arte tem de ser relevante? A discussão é antiga, e divide-se entre os que acham que a arte tem de ter um papel social e educativo, e os que sentem que há algo mais primevo, pessoal, no impulso artístico.
80 Years Ago, The Battle Of Britain, The First Military Campaign Fought Entirely By Air Forces, Ended: Recordar a batalha de Inglaterra, um dos momentos decisivos da II Guerra Mundial.
Eat butterflies with me?: O esteta das obsessões, Nabokov. Que foi muito mais do que o autor do controverso (e mal compreendido) Lolita.
It might not feel like it, but the election is working: Quando escrevo estas linhas, ainda não se sabe quem foi o vencedor das eleições norte-americanas. No entanto, é de observar que no meio das idiosincrasias dos processos eleitorais americanos, o sistema está a funcionar, adaptando-se ao voto remoto e aos riscos de interferência eletrónica.
What to Expect Next From Donald Trump: Essencialmente? Nada de discrição. Vai espernear e estrebuchar durante a transição para o novo presidente Biden, e vai continuar a espernear e estrebuchar, arregimentando tipos tão ou mais asquerosos do que ele, contribuindo para o ruído mediático. Tempos estranhos.
How Do You Know When Society Is About to Fall Apart?: Há quem sinta que as coisas estão a ir para o galheiro, e há quem estude isso. Uma análise aos académicos especialistas na decadência e queda de civilizações, que nos faz perceber que se estamos a viver tempos muito complicados, ao longo da história da humanidade a resiliência humana tem sido um elemento constante.
Four Seasons Total Landscaping becomes a VRChat hangout for furries: Quando a realidade é mais bizarra do que a ficção. Uma conferência de imprensa irreal de um Rudolph Giuliani em modo conspiração insana, no parque de estacionamento de uma loja de flores que tem um nome similar ao de uma cadeia de hotéis (nível you had one job para este erro: épico!), entre uma loja de brinquedos sexuais e um crematório. Não seria possível imaginar um parágrafo final mais adequado à piada triste e trágica que foi a presidência Trump. Podem ir experimentar o espaço em realidade virtual, porque internet, eis porquê.
9/11 remembered: Robert Fisk’s close encounter with Osama Bin Laden, the man who shook the world: O relato arrepiante do encontro entre o lendário jornalista Robert Fisk e um carismático líder de grupos armados islâmicos. Poucos anos depois, deu-se o 11 de setembro, o que coloca esta entrevista em toda uma outra perspetiva.
The English Word That Hasn’t Changed in Sound or Meaning in 8,000 Years – Facts So Romantic: Intrigante, uma curiosa longevidade linguística. E no Português, teremos alguma palavra que se tenha mantido desde a noite dos tempos?
The Aesthetics of Retrieval: Beautiful Data, Glitch Art and Popular Culture: Começou por ser um movimento de apropriação do digital, desconstruindo a perfeição computacional com a indução propositada de erros e avarias. Agora é uma estética quase banal, habitual nos media e de fácil simulação. A glitch art não deixou de ser interessante, apesar de se ter tornado acessível.
School Wasn’t So Great Before COVID, Either: Uma análise fabulosa ao problema da educação nestes tempos à distância. Aplicado à realidade americana, mas nestas coisas, os problemas são transversais às sociedades. Os detalhes mudam, mas o essencial mantém-se. A mudança do ensino para o online, por muito que se queira, não foi um sucesso. Mostrou as profundas assimetrias de acessibilidade à tecnologia que os alunos têm. Mostrou também a enorme carga de trabalho a que os sujeitamos na escola – no confinamento, os pais e encarregados de educação depressa se queixaram do excesso de trabalho pedido aos seus filhos. Note-se que na maioria dos casos, era uma simplificação do que se fazia na aula. Pior, o modelo de educação à distância que ganhou tracção replica o pior do ensino presencial: o ensinar como preleção, com o professor a falar e os alunos a ouvir. Agora, mediados pela câmara da videoconferência: “Pandemic Zoom classes have also revealed the extent to which the teaching of young children today relies on flawed classroom approaches—teachers talking too much, kids not enough.” O pior (sim, ainda há pior), é que se tornou moda, e os professores ou escolas que recusam este modelo e procuram trabalhar à distância de formas alternativas são violentamente criticados pelos pais e encarregados de educação, que se renderam ao modelo confortável de se tiver a criança em casa em isolamento ou confinamento, estaciona-se durante seis ou sete horas frente ao computador, a ouvir o professor (ando a sentir isto na pele desde março). Isto é muito preocupante. É o reduzir da educação à escolástica, com o regresso em força do modelo expositivo, sublinhado pela excessivsa importância dada à aquisição linear de conteúdos, como se construir conhecimento e adquirir capacidades fosse só meter bocadinhos de informação na cabeça. Tudo isto tem o condão de tornar a vida das crianças ainda mais miserável. Confesso que admiro enormemente os alunos que conseguem sobreviver à escolaridade com amor à aprendizagem.

***IMPORTANTE***

Não se esqueça de ajudar o Bit2Geek a crescer nas redes sociais, para termos mais colaboradores e mais conteúdo, 👍? A sua ajuda muda tudo!

***E clique em baixo para saber mais…

Capturas na Rede, 26 de Setembro: Da Realidade

Artigo anteriorMaker Faire Galicia: À Distância, Perto de Todos
Próximo artigoMaker Faire Galicia 2020: Projetos em Destaque
Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.