Os Makers não baixam os braços, não são meras pandemias que os irão fazer parar. Resiliência e criatividade para dar a volta às situações são das principais características da comunidade Maker. Que, perante adversidades, não desiste, adapta-se. A Maker Faire Galicia é um exemplo dessa capacidade.

Maker Faire Galicia Online

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Foi com este espírito que a Maker Faire Galicia, um dos maiores eventos do género no país vizinho, regressou. Este ano em formato totalmente online, centrado numa recriação virtual do Museu Gaiás em Santiago de Compostela. Durante cinco dias, decorreram exposições, encontros com makers, concursos, palestras, demonstrações e workshops. A Faire teve um programa muito recheado, cheio de momentos interessantes, partilhas e aprendizagens.

E, no entanto, algo faltou. Um dos elementos mais enriquecedores das Faire são os momentos de partilha informal entre os makers, ou entre makers e o público. É nestas conversas de acaso, por entre o show and tell, que se formam novas ideias, se trocam experiências e se pensa em novos projetos. Algo muito difícil de replicar num formato totalmente online, onde os encontros se fazer por hora marcada em videoconferência. Se a Faire foi bem sucedida, na qualidade dos projetos e partilhas, ficou a faltar este lado presencial. Contingências da época em que vivemos, e todos torcemos para que este tipo de eventos possa regressar em breve, presencialmente, como ponto de encontro de criadores. Mas não deixa de haver uma vantagem nesta migração para o virtual. Este ano, participar e visitar a Faire ficou muito mais fácil para todos, sem o ónus da viagem e deslocação. Basta aceder ao site da Maker Faire Galicia para ficar a conhecer todos os projetos.

Projetos em Destaque

A Maker Faire Galicia dividiu-se em três grandes sessões, uma dedicada à indústria, outra à educação, e os imprescindíveis dias abertos a todos. Selecionamos aqui alguns dos projetos que nos pareceram mais intrigantes. A seleção é pessoal, e deixa de fora muitos dos projetos de criatividade tecnológica que estiveram em destaque. 

Também deixamos de fora os projetos de tecnologia na educação, que este ano foram muitos. Mostram que a tecnologia e criatividade Maker têm lugar na escola, em sala de aula ou noutros contextos, que potencia a aprendizagem e capacitação das crianças. Isso ficou demonstrado numa enorme variedade de projetos, dos mais artísticos aos utilitários. Convidamos à visita do espaço projetos educativos para os descobrir. 

projetosCerámica surrealista y nuevas tecnologías: Um cruzamento entre cerâmica surrealista e utilitarismo tecnológico. O ceramista Nacho Porto adaptou peças do seu bestiário imaginário para servir de suporte a dispositivos tecnológicos. Cabeças que suportam USB, porta-lápis em cerâmica que incluem espaço para pendrives, ou suportes de telemóvel com amplificação sonora natural são algumas das propostas que cruzam dois mundos, o da tecnologia com a cerâmica.

Art&Technology: Neste atelier asturiano, a estética do fantástico cruza-se com o saber artesanal. Estes dois criadores dedicam-se à criação de figuras animatrónicas usando os mais diversos materiais. Inspirados na cultura pop, surpreendem com o seu engenho e dimensão ambiciosa do que constroem.

Jhonny Five: O coletivo Project Droid veio à Faire mostrar o seu mais recente projeto: a construçáo de um modelo funcional deste icónico robot cinematográfico dos anos 80. Mas as ações dos Project Droid não se ficam pela meticulosa recriação do Johnny 5. Já contam com a construção outras de réplicas de robots do imaginário da ficção científica, e dedicam-se à dinamização de atividades STEM. Cosplay, ou workshops de programação e robótica são outras das vertentes geek exploradas por este bem humorado projeto.

Exoesqueletos de rehabilitación de código abierto: Como combater os elevados custos de material prostético, especialmente os destinados a crianças, cujo desenvolvimento natural dificulta a adopção de equipamentos? Do México chega-nos o ALICE, um exoesqueleto de fonte aberto. Tem custos inferiores aos de material industrial, e é adaptável às necessidades detetadas pelas equipas médicas. O projeto é desenvolvido pela Indi global, com apoio de diversas universidades e instituições.

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Alquimétricos: Num momento em que abundam materiais e o acesso a máquinas de fabricação é facilitado, porque não desafiar as crianças a construir os seus próprios brinquedos? Com materiais sustentáveis e ambientalmente responsáveis? E, com isso, aprender sobre tecnologia, maquinação, ciência, materiais enquanto estimulam a criatividade? O coletivo Alquimétricos cruza o analógico e o digital com os seus kits STEM  de construção de brinquedos e jogos. Os seus modelos são de código aberto, o que significa que podem ser livremente usados e modificados para dar resposta a diferentes situações lúdicas e educativas.

SmartWood: Como ficar a conhecer o potencial agrícola e silvicultor dos terrenos? O projeto SmartWood é uma aplicação que permite aos seus utilizadores tirar o melhor partido dos espaços rurais galegos. Permite identificar parcelas a partir de geolocalização, descobrir quais as espécies autóctones e as comercialmente viáveis de acordo com as características dos ecossistemas locais. Uma app que simplifica o conhecimento do potencial das zonas rurais.

Lowpoly: Impressão 3D sustentável é o objetivo deste projeto, que se foca na impressão de mobiliário efémero: móveis urbanos ou pessoais, em plástico, que se sabe serem de curta duração. Pensem, por exemplo, nas cadeiras plásticas que se compram nas férias e que depois de serem usada vão para o lixo. Com a metodologia da Lowpoly, esse tipo de peças é impresso de acordo com as necessidades, e depois de deixarem de ser necessárias ou se inutilizarem, podem ser recicladas como material para impressão de novas peças. O projeto dá resposta às necessidades de sustentabilidade com impressão em grande escala, usando plástico reciclado.

App para el desarrollo motor en la infancia: Já é um clássico, dizer que os telemóveis prejudicam o desenvolvimento infantil. Mas, e se puderem ser usados no sentido oposto? Este projeto da Universidade de A Coruña desenvolveu aplicações pensadas para ajudar ao desenvolvimento de crianças com dificuldades motoras.

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Rastreador de índice de riesgo Covid-19: Já todos sentimos isto. Ao entrar numa área com gente, qual será o risco de exposição à Covid a que estamos expostos? Este rastreador open source é uma curiosa resposta a este problema pandémico. Baseia-se em microcontroladores ESP32 e antenas para criar um dispositivo wearable que lê os sinais electromagnéticos dos dispositivos usados pelas pessoas. Essencialmente, mede a intensidade e fluxo dos sinais emitidos por telemóveis e outros dispositivos móveis das pessoas com que nos cruzamos. Agrega esses dados com os das fontes oficiais para gerar um cálculo de risco individual para o utilizador deste sistema.

Vermislab: Este espaço maker educativo dedica-se a estimular a criatividade e aprendizagem de crianças e adultos com abordagens maker. Desenvolvem workshops e atividades entre programação, impressão 3D, realidade virtual, robótica e outras tecnologias. Estão também por detrás da organização da Maker Faire, com uma equipa de voluntários sempre pronta para ajudar os makers participantes.

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Maker Faire Lisbon: Alguns Projetos A Conhecer

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.