Esta semana, destacamos conversas sobre Banda Desenhada, os vídeos sci-fi de bandas de metal, e design soviético. Fala-se de redes sociais, traços de consciência em laboratório e quimeras de inteligência artificial. Ainda se reflete sobre teletrabalho, ou como as aulas em videoconferência representam o pior de dois mundos. Nas Capturas, selecionamos as leituras que ajudam a refletir os nossos dias.

Ficção Científica e Cultura Popular

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thehauntedrocket:John Glenn by Moebius: Retrato de um pioneiro do espaço, por um grande mestre da BD.

The Thrill Is Worth the Pain: Hell and Survival in Dio’s ‘The Last in Line’: Só mesmo o We Are The Mutants para nos recordar o lado épico dos vídeoclips de metal dos anos 80.

The over-the-top space fashions of Star Trek: TOS: Porque o futuro era exótico. Star Trek TOS está cheio de pérolas, e os trajes são uma delas.

Biarritz : à la recherche du lecteur de BD contrôlé par la police: Há o desobedecer ao confinamento… e há o ser idoso, ser admoestado por estar à beira praia a ler o seu livro nos tempos de confinamento. Qual é a piada disto? É que tudo o que o velhote queria era ler um dos seus livros da série Les Vieux Fourneaux, cujas personagens são… velhotes insubmissos.

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Jim Steranko’s 1971 cover art for The Shores of Tomorrow: Steranko, disseram? Um dos grandes desenhadores dos comics, que trouxe o surrealismo ao género.

Furtos no Waldorf Astoria: De facto, este título da coleção Novela Gráfica é menos consequente do que o seu título leva a pensar. Ou, talvez não, se olharem com atenção para as personagens e a sua evolução, a usar os estereótipos de género e etnia para proezas Robin dos Bosques.

Livro: “Solaris”: Lem é um dos grandes nomes da ficção científica, e Solaris é daqueles romances que gerou uma obra marcante do cinema. Se hem que ao contrário de 2001, talvez o outro filme que mais se aproxima da visão diferente da FC, a obra original tem um enorme mérito próprio.

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All the Troubles of the World: Ah, aquele capacete.

Diseño soviético: un repaso visual a décadas de historia gráfica de otra era: O design (e a arte) soviético nos tempos revolucionários é, ainda hoje, marcante e excitante. E, também, momentâneo, com a solidificação do regime depressa se acabaram com as vanguardas, a favor de um classicismo propagandístico.

Walt Simonson: Comics clássicos

O problema dos três-corpos: Uma análise a um dos livros mais influebtes da FC chinesa. Que, sublinho, é uma leitura problemática e não tão interessante quanto o expectável. Não achei que valesse a pena ler os restantes livros das trilogias.

Lançamento Arte de Autor/A Seita: Shangai Dream: Fiquei curioso. Uma obra ilustrada por um desenhador português que trabalha para o mercado francófono.

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Space Shuttle concept art by Spencer Taylor: Não está muito longe do que veio a ser.

shapeWright: Um divertido webtoy. Escreve-se uma palavra e a app gera uma nave espacial. Não faz mais nada, nem dá para descarregar. Mas tem piada.

Jack Gaughan cover art: Olhem que uma revista com contos de Haldeman, Spinrad e Lupoff deve ter sido uma grande edição.

Conversa aos Quadradinhos: Informação vinda de João Morales, esse furacão cultural: “A Câmara Municipal de Oeiras tem vindo a promover as CONVERSAS AOS QUADRADINHOS, conjunto de sessões que venho a moderar com figuras várias da Banda Desenhada que se faz em Portugal. Podem assistir na página de facebook das Bibliotecas Municipais de Oeiras. Luís Louro e Derradé (Dário Duarte); Rita Alfaiate e Joana Mosi; Bruno Caetano e José de Freitas; João Sequeira e Pedro Moura; Inês Garcia e Tiago Cruz.

Tecnologia

SITREP: Azerbaijan’s drone war expands with Reaper-like TB2: Fica-se com a sensação que o conflito entre o Azerbeijão e a Arménia está a ser um belíssimo campo de testes para drones militares. Na verdade, um campo de testes para tecnologia turca e israelita, que os militares azeri parecem estar a usar com muita eficácia sobre as forças arménias.

The Backbone: Conclusion: É intrigante ler sobre os primeiros tempos de massificação da internet, entre o espírito libertário e os indícios de consolidação empresarial. Que é o que hoje domina a rede, essencialmente dominada por gigantes que controlam espaços semi-fechados onde interagem os utilizadores.

Parler, Gab, MeWe, and Rumble Are Creating a Massive Right-Wing Echo Chamber: As redes dos trolls e idiotas. Que trazem consigo um problema grave, o de serem câmaras de eco onde os cretinos propagam as suas ideias, fechando-se em bolhas de irrealidade e convencimento absoluto.

Instagram rediseña su app, los Reels y la Tienda son ahora absolutos protagonistas: Mais uma variante para o Instagram. Confesso que sinto que esta rede social está em profunda decadência, desde que o Facebook a adquiriu e a tenta monetizar por todos os caminhos. O seu principal foco de interesse, a fotografia, perde-se no que se está a tornar uma espécie de clone manhoso do facebook, focado na inanidade dos influencers.

E se um computador coubesse dentro de um teclado?: Bem, mas isso é um Spectrum, diz a malta oldschool da retrocomputação. Bem, agora a Raspberry Pi trouxe para o mercado uma versão da sua popular placa computacional totalmente encerrada dentro d de um teclado. É uma proposta gira, especialmente porque estas pequenas placas têm um poder computacional que não é de desdenhar. Apesar de terem sido concebidos como plataformas de computação de baixo custo para a educaçãp, os Rapsberry Pi têm tido sucesso com projetos maker, porque são de facto computadores de muito baixo custo.

Can lab-grown brains become conscious?: Isto é muito intrigante. Cientistas a investigar culturas de células cerebrais detetaram atividade elétrica em ondas coordenadas, similar à já observada em bebés prematuros. É uma das propriedades que caracteriza a consciência. Fica no ar a ideia de que estas experiências inadvertidamente geraram cérebros conscientes, e se falar disto parece especulação, na verdade as comissões de ética estão a analisar os resultados.

This AI-Algorithm Generated 3,000 New Pokémon: Bolas, se a Niantic sabe disto, os pokédecks ficarão intermináveis. Uma utilização muito divertida de algortimos de aprendizagem automática.

2020/11/11 DARPA Selects Teams to Further Advance Dogfighting Algorithms: Em busca de um Top Gun virtual? A DARPA está a investigar algoritmos de IA capazes de combate aéreo autónomo.

A private company has a crew going to the ISS next year: Faz todo o sentido, alargar o acesso ao espaço a iniciativas totalmente privadas. Este é mais um passo nesse sentido.

Thin Holographic Video Display for Mobile Phones: Intrigante. As aplicações disto no que toca ao 3D são muito interessantes.

Messy Convergence: Quando as tecnologias convergem em produtos únicos, é um sucesso. O problema está nas tentativas que andaram lá perto, mas não foram capazes de criar verdadeiras convergências.

Tyndall Air Force base to receive military’s first robot dogs: Robots militares, para tarefas de patrulha e observação.
The U.S. Army Wants Heavy Robots Armed with Missiles: Não há aqui grande surpresa. Geralmente focamo-nos nos drones aéreos, mas os planos de automatização do combate também se estudam noutros tipos de teatro de guerra.
FAB apresenta nova aeronave militar híbrida com quatro motores: Ainda não há muitos detalhes, mas o Brasil quer investir num projeto de aeronave com motores elétricos. A Embraer está envolvida, o que poderá significar uma potencial contribuição portuguesa, dado o pólo industrial aeronáutico que a construtura brasileira tem em Évora.
dorking (how to find anything on the Internet): O quê, achavam que eram uns mestres na pesquisa só porque sabem introduzir palavras-chave no google? Vejam aqui algumas dicas que realmente afinam as vossas capacidades de pesquisa.
Fraunhofer researchers develop 3D printed suspension part for Fiat-Chrysler sports car: Mais um exemplo de manufatura aditiva na indústria automóvel, embora ainda aplicada aos carros de nicho e não aos destinados ao grande público.
Doctor Who Theme Composers Turning Internet into Musical Instrument: Bem, não exatamente os compositores da inesquecível música da série, mas o departamento da BBC que tem estado na linha da frente da inovação musical. Desta vez, com uma ferramenta de criação de música online.
Este site diz-te quão normal és: Uma brincadeira muito séria com inteligência artificial, que nos provoca e leva a pensar sobre os problemas de privacidade e justiça trazidos pelo reconhecimento facial.
Using GANs to Create Fantastical Creatures: Isto é muito giro. Uma app que utiliza algoritmos GAN para gerar criaturas fantásticas. Malta, hora de ir brincar.

Que Modernidade

que

UNINVITED. A “horror experience by and for machines”: Em busca de novas estéticas, para lá das fronteiras do artificial.

En Deutsche Bank plantean un “impuesto al teletrabajo” del 5%: el dinero iría a los empleados que no pueden teletrabajar: Tanto que está errado nesta proposta, que nem sei por onde começar. Considerar o teletrabalho como luxo, e aconselhar taxar os trabalhadores que estejam nesta modalidade alegando que estes têm menores despesas do que os que trabalham presencialmente, é de um paternalismo imoral. Representa uma vénia à ideia de que se temos um contrato de trabalho, a empresa passa a ter o direito de reger a vida pessoal do trabalhador. É imoral argumentar que um teletrabalhador passe a pagar uma taxa, alegando que não contribui o mesmo para a sociedade do que outros tipos de trabalhador, por ter menos despesas de transporte, comida, roupa, e, pasme-se: porque a empresa gasta mais dinheiro com os trabalhadores presencais, por ter de lhes fornecer espaços de trabalho. Aliás, seguindo a mesmíssima ordem de ideias, uma pessoa que viva uma vida frugal também de teria de pagar taxas extra, por não contribuir tanto para a economia quanto um chapa ganha-chapa gasta.

What You Can Learn from Living in Antarctica – Issue 92: Frontiers: Resiliência, solidão, e paisagens de cortar a respiração.

Google Arts & Culture as an Agent of Ethnic Cleansing: O genocídio cultural, como forma de apagar traços da memória histórica, está bem vivo e recomenda-se de saúde. E, por vezes, os campos de batalha são insuspeitos: o corrente conflito entre a Arménia e o Azerbaijão, às voltas com o enclave de Nagorno-Karabakh mas fundamentalmente um conflito étnico, alastrou para o insuspeito Google Arts and Culture.

Social media promised to connect us, but made us isolated and tribal instead: São as bolhas e as câmaras de eco. A promessa de conexão regrediu para isto, posições extremadas e recantos muito escuros, onde pululam trolls.

The Most Controversial Artworks Of The 20th Century: A grande arte sempre mexeu com as emoções, e algumas destas obras são verdadeiramente perturbadoras. E, para alguns, autênticos anátemas artísticos.

Remote learning is here to stay — can we make it better?: E finalmente, diga-se. Os ambientes educativos digitais podem ser uma excelente ferramenta de aprendizagem, na forma como se adaptam ao ritmo individual de cada um, na facilidade com que permitem explorar conteúdos e nas ferramentas que potenciam criativiade na aprendizagem através de projetos. O digital na educação permite isto: “What could schooling then be like? Well, then the teacher shouldn’t be about giving the lecture and you don’t have to move all the kids in lockstep.  When people get together, the teacher should act as more of an adviser. How do you unblock kids, or how do you be the conductor so that you can get kids to help each other? So the school has always been about students’ agency and the students being at the center of their learning, and that the adults are there to always help and unblock“. Mas, é isso o que está a acontecer nas correntes experiências de ensino remoto, em apoio aos alunos em isolamento profilático? Nem por isso. A moda é ligar a câmara e dar a aula normal, em clássico modo de palestra, com o aluno ou a turma a seguir em casa (também já acontece o oposto, ser o professor de casa a dar aula por videoconferência com os alunos na sala de aula). Ou seja, é o pior de dois mundos. E coitados dos alunos que estiverem em isolamento, não só têm de lidar com o stress emocional da eventual infeção e o tédio, como ainda têm de levar tremendas secas por videoconferência. Notem que não sou anti-videoconferências, são uma ferramenta útil em trabalho de projeto, e no confinamento dinamizei sessões em streaming a partir de casa, para trabalhar com os alunos aquelas matérias que precisam mesmo de momentos onde o professor fala e demonstra. Estou é cada vez mais contra o uso de videoconferência para cimentar o lado tradicional da escola, agora com a patine de modernidade trazida pela tecnologia. É mau para os alunos (e eles reagem de formas criativas, ao ponto de já haver por aí bots que substituem a presença em sessões zoom), é mau para a educação, que é muito mais do que o velho conceito do aprender de corpo presente. Só é bom para quem usa estes meios desta forma. Afirmam-se professores inovadores, sem terem tido o trabalho de mudar sequer um milímetro das suas práticas.
That Time a RAF Phantom Crew Jokingly Requested Fuel from an Argentine Air Force KC-130 Flying Over The Falklands: Vale mesmo a pena ler esta história de bom humor entre inimigos, no ambiente ainda tenso da paz após a guerra das Malvinas. Uma brincadeira que valeu ao piloto britânico uma inesperada medalha argentina.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.