desenvolvimento

Esta semana, destacamos a relação entre Frazetta e Star Wars, exploitation de terror e uma inversão vulcana de Star Trek. Fala-se também da história da comunicação óptica, da moda Clubhouse, e de impressoras 3D experimentais. Ainda se reflete sobre as visões irreais da educação em tempos de pandemia, e os memes enquanto bem artístico transacionável. Outras leituras de desenvolvimento vos aguardam nas Capturas da semana.

Ficção Científica e Cultura Pop

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Attila Hejja: Pois, o meu soft spot por space opera.

Divando Coberta de Sangue…: O Lorde Velho, que sabe sempre bem ler, recorda-nos as divas sangrentas do cinema exploitation de terror dos anos 70. Que, apesar da óbvia sexualização da coisa, eram muito elegantes e sensuais.

The Frazetta Buck Rogers Comic Book Covers that Influenced Star Wars: Bem, isto não é novidade nenhuma, Star Wars sempre foi assumido como uma mistura de influências que vai de Kurosawa à FC pop. trago isto aqui porque não há más desculpas para partilhar o trabalho de Frazetta.

A Coroa de Jesus – André Mateus: Conheço o escritor dos seus argumentos de banda desenhada, e fiquei curioso com esta incursão nos domínios do romance histórico.

John Buscema, 1968: Silver Surfer, sempre dos melhores comics dos anos 60.

STREET WRITER: The literary video game we didn’t know we needed: Lembram-se do velho jogo, infame à época pelos salpicos pixelizados de sangue que assustaram as vozes públicas preocupadas pelo bem estar mental das crianças? E porque não voltar a jogá-lo, com escritores hip no lugar dos combatentes? Um misto de piada com projeto artístico de arte digital.

The Department Of Truth To Be A TV Series – Honest: Bem, não ficou assim muito claro se este comic será ou não uma série televisiva, mas aproveito para falar daquela que está a ser uma das melhores leituras destes meses. Um comic muito bem escrito, que medra na ambiguidade. Seguimos um departamento secreto que ou fomenta teorias da conspiração para ocultar verdades incómodas, ou elimina teorias da conspiração para evitar que se propagem e se tornem verdades. Bizarro, ambíguo, e soberbamente ilustrado.

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Tim White: E qual foi a inspiração para esta nave? Suspeita-se da frente de um carro clássico.

7 space movies from the 1960s: Alguns suspeitos do costume – Planeta Bur ou Barbarella. Mas o interessante nesta lista é descobrir as pérolas do cinema de série B que, apesar dos constrangimentos, são bons filmes de ficção científica.

Tumblr Thread: The Human on A Vulcan Ship: De facto, este Star Trek invertido poderia dar uma excelente série de comédia. As estranhezas do humano no meio dos seres lógicos.

Tecnologia

1948’s “Cars of the Future” did not happen: Gosto particularmente do segundo, com um estilo foguetão de Buck Rogers na estrada. Uma pérola de automobilismo retrofuturista.

A Brief History of Optical Communication: Antes da rádio, a transmissão à distância de mensagens fazia-se recorrendo a diversas tecnologias mecânicas e ópticas. Hoje, entre a fibra óptica e a transmissão por feixe laser, as tecnologias ópticas são um dos principais pilares da comunicação digital global. O Hackaday dá-nos uma curta mas interessante história do desenvolvimento e evolução da comunicação por meios ópticos.

AI has remastered Rick Astley’s ‘Never Gonna Give You Up’ in glorious 4K: E há quanto tempo já não levam com um rickroll? De nada, não precisam de me agradecer, e deixem-se ser rickrolados em 4k, graças a um algoritmo de inteligência artificial que remasterizou o vídeo de baixa resolução. Rick Astley nunca esteve tão nítido.

The Coup We Are Not Talking About: Do excessivo peso social e prevalência de plataformas digitais privadas que medeiam a comunicação global. Que decidem o que vemos, e capitalizam-se analisando e monetizando os nossos comportamentos individuais.

Perseverance on Mars: Where it is, and what the next steps are: Mais uma excelente notícia nos domínios da exploração espacial, a bem sucedida aterragem da Perseverance em Marte. Depois do feito bem sucedido, vem o resto, a exploração pelo rover e helicóptero (que será a primeira aeronave em Marte), e toda a maravilhosa ciência e conhecimento que daí advirão.

You can now buy a 31˝ color e-ink display panel, if you know what to do with it: O mais interessante do artigo é o comentário sobre a e-Ink. Uma empresa com a patente de uma tecnologia muito interessante – ecrãs de tinta digital, que consumem muito menos energia do que os lcds, leds e amoleds, excelentes nalgumas aplicações de nicho (experimentem a leitura digital no e-reader, num dia de sol na praia,  e depois digam-me se é mesmo melhor ler PDFs no tablet ou computador). Mas não parece ter ideias sobre o que fazer e explorar o potencial da tecnologia que desenvolve.
O Clubhouse é o ‘Web Summit’ das aplicações móveis: Confesso que ainda não percebi o modelo desta nova app, que se está a posicionar como uma nova redes social em audio, tentando tornar os podcasts como uma experiência social. Algo que não faz muito sentido, especialmente por se posicionar em duas áreas já imensamente saturadas, as dos podcasts e redes sociais. Mas como a app se está a posicionar com a aura da exclusividade, do ser um clube onde só os eleitos poderão ouvir outros eleitos, suspeito que ainda se vai aguentar uns tempos antes de inevitavelmente falir e desaparecer, ou ser adquirida por um dos gigantes para que a sua tecnologia/ideia seja incorporada nas redes sociais mainstream.
Nos bastidores da censura da ByteDance na China: A detentora da bem sucedida rede social TikTok emprega, na China, dezenas de milhar de censores que verificam a pureza ideológica e comportamental do conteúdo criado pelos seus utilizadores. O que surpreende no artigo é a surpresa do articulista ao perceber que na China, a censura política e comportamental é pervasiva.
Así imprime Relativity Space su cohete Terran 1 en 3D: Sou grande fã desta startup espacial, por estar a apostar na manufatura aditiva avançada para construir os seus foguetões. É fascinante ver como produzem os componentes, usando impressão 3D.
Automatic for the robots: Um projeto do MIT que automatiza a concepção de robots, usando inteligência artificial.
AI Teaches Itself Diplomacy: Não a diplomacia humana, mas a jogar o jogo diplomacia. Um exercício de complexidade, usando os jogos para desenvolver as tecnologias de inteligência artificial.
Um português, um americano e um chinês entram num Clubhouse, o tema é ‘Privacidade’: O artigo acerta em cheio. Sempre que surge uma nova rede social, o deslumbramento é tanto que ninguém repara nos pequenos pormenores fundamentais – como saber se as leis dos países são respeitadas.
Outside the Box: Nick Seward’s Experimental 3D Printers Work Unlike Anything Else: Ainda há coisas a inventar na impressão 3D? Bem, nas metodologias avançadas sim, mas na versão DIY… claro que sim, como mostram estas impressoras inesperadas.

Desenvolvimento da Modernidade

The Moment Britain’s Army Knew It Was Lost: Detalhes da história da Guerra no Iraque, com a colisão entre as novas ameaças e uma velha visão colonial a causar desastres militares.

Sabia que o seu filho quando crescer vai ter um rendimento mais baixo por causa do encerramento das escolas nesta pandemia?: Não é fácil ser-se professor nestes tempos de pandemia. A começar pelo risco óbvio para a vida e saúde de orientar o trabalho presencial de vinte e oito crianças fechadas numa sala. Mas, em confinamento e com as escolas em regime à distância, a coisa piora. Porque passamos a ter de lidar com a pura estupidez e o profundo desconhecimento do que é aprender. A pandemia veio a revelar muita coisa má, e a educação não ficou de fora. Percebemos logo no primeiro confinamento que a famosa acessibilidade de meios digitais que se achava ser prevalente, especialmente entre os jovens, afinal era um mito (não vos passa pela cabeça a quantidade de alunos que tenho que nem dispunham de um simples smartphone de gama baixa para poder aceder à internet e aos conteúdos digitais). Outras ideias regressaram, em força. Uma é o conceito escolástico de ensino como ato magisterial, melhor expresso pela vontade de transpor a aula presencial para videoconferências. Depois de anos a trabalhar nas escolas com formas diferentes de aprender, dinâmicas e focadas no desenvolvimento de competências pelo aluno, cai a pandemia e o que se quer é o ensino de corpo presente: a criança sentada a ouvir, enquanto o professor fala, mostra e demonstra, com a aprendizagem a ser medida por fichas de trabalho ou testes. A outra ideia parva está muito bem expressa neste artigo do Expresso: a ideia de aprendizagem como a inserção de blocos de conteúdos na mente das crianças, tendo como corolário este conceito de que se algo falha, se houver um bloco que não seja colocado no sítio certo no momento certo, a casa toda desaba e a criança irá crescer para ser um adulto falhado por causa disso. Novamente, está por detrás a imagem da educação como mera escolástica, e demonstra que… falhámos. Falhámos porque anda-se há décadas a investigar e inovar em educação. A estudar, trazendo os contributos da neurociência, a forma como realmente se aprende. A procurar novas formas de ensinar e aprender que retiram ao professor o papel central de transmissor, passando a ser organizador e facilitador. A mostrar que as aprendizagens mais profundas envolvem aquisição de conhecimentos conjugada com desenvolvimento de competências sociais, práticas e de auto-regulação. Mas cai a pandemia e assiste-se, estupefacto, a toda a sociedade a rejeitar estes progressos e a regredir para a escolástica magisterial. Talvez, penso, porque para a esmagadora maioria das pessoas, a real importância da escola não está na aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de competências, mas sim como lugar para guardar os filhos durante o dia.

Perseverance rover transmits ‘iconic’ video from Mars: É sempre excitante ver novas imagens do planeta vermelho, especialmente depois do entusiasmo da aterragem desta nova sonda exploradora.

A Brief History of Viruses: Não dos de computador, mas da forma como se descobriram os minúsculos causadores de doenças, e o desenvolvimento das técnicas de investigação.

10 Worst Helicopters: Há aqui de facto alguns que me surpreende como é que sequer saíram da prancha, quanto mais ter chegado a protótipos e produtos. Mas há outros que suspeito serem embirrações do autor do artigo. O R22 até pode ter um aspeto ridículo, mas as suas vendas contínuas mostram que talvez não seja um mau helicóptero.

A Decade-Old Animated Meme Has Just Sold For $600,000. Here’s What That Means For Artists: Duas notas. Os memes enquanto bem transacionável no mercado artístico, e a sustentabilidade das transações de arte digital assente em blockchain.

A resposta é: 42: Para além do aceno à questão do sentido da vida, do universo e de tudo o resto, o interessante é o sublinhar da importância do desenvolvimento da expressão artística como sinal do desenvolvimento cognitivo da humanidade.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.