programação

Esta semana, os destaques vão para o Giby, um projeto de edição de banda desenhada luso-brasileiro, e para os livros que rastreiam o futuro próximo. Fala-se da forma como o cérebro interpreta as linguagens de programação, de projetos artísticos com realidade virtual, influencers e deepfakes. Descobre-se o Underground londrino desprovido de passageiros, a ilusão dos cavaleiros e o poder da imaginação. Outras leituras vos aguardam, nas Capturas desta semana.

Ficção Científica e Cultura Pop

programação

The Loathsome Beasts: Vá, criatura peluda, as mulheres terrestres não são assim tão assustadoras.

Superman And The Authority By Grant Morrison and Mikel Janin For DC: Bem, Grant Morrison a regressar a um dos títulos principais da DC? É curioso. Apesar de ser um dos melhores argumentistas do género, Morrison não é muito comercial. Levando em conta o seu pendor para surrealismo psicadélico, imagino o que fará com Superman.

Jim Burns: Cidades verticais.

Lego saca un set con el transbordador espacial Discovery y el telescopio espacial Hubble: Construir un Vaivém espacial e um Hubble? Shut up and take my money!

Giby: Uma boa novidade. Este projeto editorial brasileiro quer dar voz aos criadores de banda desenhada latino-americanos e portugueses. A revista, que será impressa, está em processo de lançamento, com uma call para autores interessados. Sendo de uma editora brasileira, resta saber se haverá forma de ser editada por cá, ou se a poderemos encomendar. A capa da primeira edição é do português Luís Louro, que dispensa apresentações entre o fandom de BD portuguesa, mas para os leitores do Bit2Geek, recomenda-se visita a uma livraria de BD para descobrir o fantástico traço deste autor.

The Books Briefing: The Techno-Future Is Now: Uma intrigante seleção de livros sobre futurismo, ente Ficção Científica clássica, futurismo e novas vozes da FC internacional.

programação

The Scarlet Bats: Só tenho uma questão: como é que os SE5 descolaram aos pares, a segurar aquelas bombas?

The 5 Coolest Technologies from Hard Science Fiction: A Ficção Científica clássica tem este condão, o de se focar apenas no deslumbre técnico. Estas cinco sugestões são excelentes exemplos disso.

Tecnologia e Programação

Did a classic Archie Comics story predict virtual schooling in 2021? Yes.: Esta imagem tem andado a fazer a ronda das redes sociais, como se por milagre a Archie Comics tivesse predito o futuro. Bem, na verdade, se se mergulhar nos futurismos do passado sobre como seria o futuro da escola, esta é uma iconografia habitual. Mostra que há algo de constante na visão que as sociedades têm da escola, como forma passiva de transmissão de conhecimento. Não é chocante, foram criadas por ilustradores que, futurismos à parte, colocaram nas ilustrações aquilo que aprenderam que era a educação. Imagens de crianças a aprender frente a ecrãs são comuns desde os anos 50, tanto quanto sei. Em todas estas imagens, há sempre um motivo que se repete, o de aluno sentado a ver coisas. Só me deparei com um único exemplo que contraria este futurismo educacional que substitui o orar do mestre pelo orar da máquina. No artigo em que propôs o Dynabook, Alan Kay dá vários potenciais exemplos de utilização. Uma aula é um deles, e Kay descreve as crianças no jardim da escola, algumas lendo livros transmitidos via rádio da biblioteca nos seus dynabooks, outras aprendendo as leis orbitais de Newton criando jogos nos seus dynabooks. Transmitidos via rádio, repararam? Kay propôs o conceito de Dynabook- um computador portável, com um teclado deslizante debaixo do ecrã, mais ou menos na mesma altura em que na ARPA (hoje DARPA) se andava a desenvolver a primeira versão do que se viria a tornar a Internet.

Technosignatures and the Age of Civilizations: Como é que poderemos detetar sinais de civilizações alienígenas avançadas? E, a questão seguinte. Dadas as distâncias galácticas, será que os sinais que detetarmos representam civilizações ativas, ou já extintas?

Okay, the GPT-3 hype seems pretty reasonable: Apesar do título, é de notar que o que o autor considerou interessante na escrita assistida por Inteligência Artificial não foi a capacidade de geração automática de texto per se, mas sim o potencial desta para ajudar quem escreve a ultrapassar as barreiras com que se depara no processo de escrita.

NEW PRODUCT – BBC Doctor Who HiFive Inventor Kit – Complete Coding Kit: Ai, adoro, adoro! Aprender a programar, com incursões na engenharia, e cruzar fandom de Doctor Who? Acho que isto seria uma excelente adição aos kits do clube de programação e robótica que dinamizo.

Computers V. Humans – What’s Possible?: Bem, imenso. Mas este debate é enviesado se cairmos nos pólos do deslumbramento com as crescentes capacidades das tecnologias inteligentes ou do cassandrismo da decadência via tecnologia. Não ligo muito aos segundos, estão obsoletos by default, mas os primeiros cometem o erro de excluir a necessária visão crítica para que estas tecnologias cumpram a sua promessa.

How does the brain interpret computer languages?: Uma discussão muito interessante, para quem se interessa (e dedica) à introdução à programação no ensino básico. Qual é a forma de melhor interpretar a importância de aprender a programar? Como uma nova linguagem, ou como algo mais dedicado à lógica e algoritmia? Para ajudar a decidir isto (ambas as vertentes são discutidas no campo da tecnologia e educação), nada como estudar a forma como o cérebro reage às linguagens de programação, e perceber se o cérebro as entende como uma língua, ou como lógica. A resposta é surpreendente: do ponto de vista neurológico, as zonas cerebrais que se ativam quando trabalhamos num problema de programação não correspondem às da linguagem ou da lógica, embora estas estejam envolvidas. Outra conclusão interessante do estudo é a importância do desenvolvimento de atividades de programação, ao nível neurológico, como forma de evolução capacitativa da pessoa. Ou seja, aprender a programar é mais profundo do que adquirir meras capacidades técnicas, é mais um profundo contributo para o desenvolvimento integral do indivíduo.

10 Easy AI and Machine Learning Projects for Students and Beginners: Um conjunto de boas ideias para introduzir Inteligência Artificial com as crianças. Requer usar a Pictoblox, uma app de programação para crianças paga, tenho de ir ver se a Cognimate, uma app gratuita, também permite este tipo de projetos.

Demoscene passa a património cultural da UNESCO: É uma distinção merecida. As demoscenes estão na ponte entre as artes visuais e a programação, sendo pequenos executáveis que mostram efeitos especiais. Parte da arte está nos efeitos, e parte na programação, um dos desafios das demoscenes é caberem em ficheiros que pesam quilobytes.

One Terabyte of Kilobyte Age: Um projeto de arte digital que mergulha no universo perdido que foi o Geocities, o primeiro serviço que permitia a qualquer um publicar na internet. Foi um local perfeito para experimentar e criar, livre, independente. O tipo de internet aberta que as redes sociais exterminaram.

Further Experiments in Art & Technology: Uma colaboração entre a Rhizome e os Nokia Bell Labs, que criou residências artísticas. Os resultados estão agora em exposição, com projetos de arte digital que vão do vídeo à performance. Confesso que o meu favorito é Networked Ecosystem, um ambiente virtual imersivo que simula uma nova natureza virtual, construída através da visualização de dados de sensores e visão computacional.

2021/03/18 Collaborative Air Combat Autonomy Program Makes Strides: Ainda não temos um algoritmo de combate aéreo totalmente autónomo, mas já estivemos mais longe. O projeto da DARPA está cada vez mais avançado.

Nothing But Images Of Precision Guided Weapons Taken Just Before They Obliterate Their Targets: A angústia do alvo antes de ser esfrangalhado pelo míssil.

An Entire Game Inside of a Font: Jogar um jogo dentro de um tipo de letra é algo que não me ocorreria. Posto isto, dá para correr Doom?

What Data Can’t Do: Dos perigos da confiança cega em números, sem tentar perceber a realidade que os sustenta.

You Probably Don’t Remember the Internet: A rede tem memória fugaz, e o seu conteúdo é volátil. Apenas os voluntários com projetos de memória digital tentam preservar os conteúdos que já não recordamos, ou desapareceram da memória coletiva.

Young Female Twitter Star Turns Out to Be 50-Year-Old Man Using Deepfakes: De facto, quem é que quer ouvir um velho cinquentão a falar de motos? Mas se for uma rapariga jeitosa… foi por isso que este influencer decidiu usar tecnologias deepfake para o seu canal.

Sherry Turkle’s Plugged-In Year: Há aqui alguma ironia. Turkle distinguiu-se pelos livros The Second Self e Life on Screen, que abraçavam com entusiasmo a digitalização da vida. Mas distanciou-se em Alone Together, ao perceber que as plataformas e tecnologias não nos estavam a aproximar, mas a isolar. Agora, tal como todos, tem mesmo de viver a vida através do ecrã.

Modernidade

programação
The Eeriness Of The Tube During Lockdow: Arrepiantes, estas imagens do metro de Londres, com a sua vasta infraestrutura desprovida de passageiros.

Lost Music, Lost Books, Lost Culture: Um artigo triste, que nos recorda tudo o que não descobrimos por ter caído na obscuridade, ou sequer saído da mente dos autores.

There are no white knights: O Going Medieval a ser especialmente ácido a desmontar um dos grandes romantismos da idade média: o ideal cavaleiresco. Aqueles que hoje idealizamos era à época homens de armas ao serviço das vontades senhoriais. Se nos romances seguiam a via da pureza e da busca do graal, na vida real massacravam aqueles que desagradavam aos seus senhores.

10 Years Ago Today, The Beginning Of The Air War In Libya: É muito discutível se esta operação para ajudar a derrubar o ditador líbio contribuiu para a estabilização do país, tendo em conta a guerra civil em que ainda está mergulhado. O The Aviationist é curiosamente crítico, mostra que esta campanha aérea parece ter tido como principal objetivo publicitar as capacidades das aeronaves.

Welcome to the age of vaccine diplomacy: Ia tudo ficar bem, diziam, e criar um mundo melhor? As forças de sempre são demasiado fortes. Podemos juntar vacinas para a Covid ao arsenal do clássico grande jogo global das diplomacias.

Traffic Jam In The Suez Canal; Container Ship Run Aground: Definitivamente, não queria estar na pele dos pilotos e comandante daquele navio. Ficar atravessado no meio do Canal do Suez é obra. Retirar aquilo dali vai ser uma proeza.

Imagination Is A Superpower: Da capacidade de imaginar como o que realmente nos permite ir mais além. Da arte à programação.

***IMPORTANTE***

Não se esqueça de ajudar o Bit2Geek a crescer nas redes sociais, para termos mais colaboradores e mais conteúdo, 👍? A sua ajuda muda tudo!

***E clique em baixo para saber mais…

Memórias Volumétricas com Sensores 3D na Ponta dos Dedos

Artigo anteriorCapturas na Rede, 27 de Março: História
Próximo artigoCapturas na Rede, 10 de Abril: Futuro
Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.