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Esta semana, os destaques vão para o regresso do Rascunhos à rádio Voz Online, a adaptação da obra menos cyberpunk de William Gibson ou a história do último carrasco de Lisboa. Descobrem-se motores de pesquisa de imagens baseados em Inteligência Artificial, discute-se o valor dos testes de Turing, bem como o papel da arte gerada por algoritmos. Fala-se ainda da pertinência da aula tradicional, ou de arquitetura sustentável. Outras leituras vos aguardam, nas Capturas da semana.

Ficção Científica e Cultura Pop

CLOSER THAN WE THINK 1961-02-12 [r] by x-ray delta one…: O futurismo clássico de Arthur Radebaugh.

Rascunhos na Voz Online: Uma boa notícia. O blog Rascunhos volta a ter espaço na rádio Voz Online, onde dará voz às edições, criadores e iniciativas do fantástico em Portugal.

Captain America Goes to War With Jordan Peterson: Tenho estado a seguir esta temporada de Nehisi-Coates como argumentista do icónico título da Marvel, e confesso que não me tinha apercebido da piada. De facto, a mais recente encarnação do arqui-vilão Red Skull está num milionário que percebeu que incitar ao ódio através de mensagens de extremismo conservador era bem mais eficaz e lucrativa do que as habituais estratégias de criar uma organização que inevitavelmente será derrubada pelos heróis. E mais difícil de combater. não tinha topado a boca direta a Jordan Peterson, com uma ironia direta a 10 regras, referência ao seu livro (que é ilegível, tentei ler mas os meus neurónios não aguentaram tanta cretinice ao fim de poucas páginas). Como é habitual nas virgens ofendidas, o resto do mundo nem teria reparado nisto senão pela refilice deste velho resmungão.

Tomorrow Calling, a Short-Film Adaptation of Gibson’s Gernsback Continuum: É sempre bom recordar esta curta metragem, adaptação de um dos contos menos cyberpunk de William Gibson, com um olhar crítico e nostálgico sobre as estéticas da ficção científica mais clássica – o que o escritor apelidou de Gernsback continuum. Uma FC feita de estéticas art deco, otimismo, fé na ciência mas também uma visão que excluía outras culturas que não a ocidental.

Hexagon Brings Barbarella Back To The Guardian Of The Republic: Isto é definitivamente estranho – um nome clássico da BD francesa que tem um projeto paralelo. Cria comics de super-heróis, passados num futuro alternativo onde os nazis venceram a II guerra, exclusivamente em edições raras para o mercado americano. Se é obscuro, intriga.

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Robert McCall, 1973: Em busca de outras paragens.

Firefly Star Gina Torres Talks Classic Sci-Fi Series’ Enduring Legacy: Firefly é uma série de culto, e talvez o seja precisamente por causa daquilo que os seus fãs mais lamentam, o ter sido fugaz e durado apenas uma temporada. Com isso, o interesse nunca esmoreceu, a série não se esgotou, e parte do seu fascínio é imaginar o que poderia ter acontecido aos personagens caso tivesse tido continuidade. E diga-se que é um dos melhores trabalhos de Joss Whedon na ficção científica, digo eu, fã confesso de browncoats que se sente como uma folha ao vento (se não conhecem Firefly, esta última frase não fará qualquer sentido para vós).

O último carrasco de Lisboa: zero mortos: Um webcomic de Nuno Saraiva e Ferreira Fernandes que nos conta a história do último carrasco português, que tem a peculiaridade de só ter morto alguém antes de ser carrasco, e em sim uma cura história dos últimos anos da pena de morte em Portugal.

Jim Starlin, 1977: Comics cósmicos.

NEAL ADAMS Reveals What Inspired Him When He First Drew TALIA AL GHUL: É tentador criar paralelos entre a iconografia desta personagem de Batman e as actrizes sex-symbol do cinema dos anos 70. Mas a verdade é mais interessante. Quando Neal Adams concebeu a estética da personagem, focou-se apenas em desenhar uma mulher bonita, e cabe ao leitor traçar paralelos com as imagens de beleza feminina que tem na mente. Boa explicação, mas bolas, eu tinha apostado na atriz Caroline Munro, um dos rostos do cinema de aventura e terror dos anos 60 e 70.

Tecnologia

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Can technology bring back long-lost nature?: Mas a pergunta está a ser feita por artistas, que olham para o imaginário da tecnologia, mas também para os vestígios registados pela tecnologia de espécies animais extintas. Arte, ciência e especulação cruzam-se nos projetos desta exposição.

Deepfake “Amazon workers” are sowing confusion on Twitter. That’s not the problem: O problema são as campanhas organizadas de desinformação, e o seu potencial para quebrar a confiança nos media. Não é novidade, mas é um problema que se está a agravar.

Google lança Stack PDF Scanner: Uma ferramenta interessante, que permite digitalizar textos para documentos em múltiplas páginas.

Saab trials 3D printing to repair battle-damaged Gripen fighter aircraft: Mais uma experiência de uso de tecnologias de manufatura aditiva para manutenção de aeronaves de alto desempenho. O interessante é o elemento que os técnicos da Saab imprimiram, foi um remendo para a fuselagem da aeronave.

Same Energy – image similarity search with Deep Learning: Usar motores de busca que dependem de algoritmos de inteligência artificial (aprendizagem profunda) para encontrar similaridade entre pinturas de diferentes criadores. E, também, uma forma de desenvolver experiências de descoberta estética pessoais.

JIT vs. AM: Is Additive Manufacturing the Cure to Fragile Supply Chains?: Entre a Covid, o aquecimento global e navios encalhados no canal do Suez, o conceito de produção just in time está a revelar-se demasiado frágil para manter a resiliência da produção da qual depende o comércio global. Novas soluções precisam-se, e as tecnologias de manufatura aditiva podem ser uma mais valia para repensar os mecanismos da produção industrial.

Microsoft abastecerá al ejército de los EE.UU con sus gafas HoloLens: un contrato de 21.900 millones de dólares para la realidad aumentada de uso militar: Uma noticia duplamente interessante. Por um lado, pelo investimento militar em realidade aumentada. E isso trará consequências e desenvolvimentos que se irão repercutir nas tecnologias civis.

AI Pioneer: People Are Mistaking What Ai Is: Um recordar que estamos constantemente a projetar na Inteligência Artificial mais do que aquilo que ela realmente é. O objetivo dos investigadores não é o de criar consciências artificiais que substituam a humana, mas o de avançar ferramentas de computação capazes de lidar com massivas quantidades de dados. No entanto, as especulações preferem o lado mais exótico da ideia de inteligência artificial.

Big Claims For The Kind Of Art AI Will Make: E, no espectro oposto da análise sóbria sobre capacidades e evolução da Inteligência Artificial, temos os deslumbres com a arte produzida por algoritmos. Que é sem dúvida interessante e estimulante, mas afirmar que corresponde a uma intencionalidade do algoritmo é talvez um exagero. Talvez aqui a questão esteja nas diferenças entre arte e ilustração. Quando vejo uma obra como o quadrado negro de Malevich, entendo-o como arte, embora saiba que grande parte das pessoas não a consiga compreender ou apreciar. Por outro lado, todos apreciamos uma boa ilustração, embora os críticos de arte não considerem este tipo de trabalho como verdadeira expressão artística, vendo-as como artes menores.

Ted Chiang: Fears of Technology Are Fears of Capitalism: Há imenso para descobrir nesta entrevista a Ted Chiang, que se foca na sua visão particular sobre ficção científica. Mas o insight sobre os medos da tecnologia é certeiro. Chiang aponta que o que realmente nos assusta não é a evolução da tecnologia em si, mas sim o sabermos que irá ser utilizada apenas em proveito de alguns. As tecnologias têm a capacidade de capacitar cada um de nós, mas os usos têm sido desanimadores, pensados como forma de maximizar lucros substituindo os humanos.

Scientists Create Next Generation of Living Robots: Desanimem, estamos a falar de células artificiais criadas para compreender melhor mecanismos celulares, e não andróides de carne e osso.

Elements of A.I. uma introdução à Inteligência Artificial, finalmente em português: Um conjunto de livros pensados para que crianças descubram o poder da inteligência artificial. Algo que, hoje, já se torna importante de introduzir nos domínios educativos.

Bitcoin e Tether: Dos riscos das criptomoedas, e do interessante, a tecnologia aberta de registo que as sustenta.

3D Printer as Robot: The Functograph: Uma impressora 3D é em essência um robot especializado. Este projeto japonês pretende levar este conceito um pouco mais longe, com uma impressora capaz de imprimir atuadores que expandam a sua gama de ações.

The Oregon Trail: un clásico y educativo juego de simulación y planificación: Recordar um jogo clássico, que está na origem dos jogos como elementos educativos. Este foi o primeiro jogo que tinha como objetivo expresso simular um dado momento histórico, levando o jogador a aprender sobre uma época do passado tomando as decisões que os seus antepassados teriam de tomar, e pagando muitas vezes o preço final por isso. No caso deste jogo, a memética morte por disenteria.

Why Are Digital Ads So Obnoxious While Digital News Sites Keep Failing?: Das dificuldades que os media tradicionais têm tido com a avalanche do digital. Algo que coloca vários problemas, na questão da dependência dos media face aos financiamentos versus a necessidade de informação independente e crítica como um dos pilares estruturantes das sociedades livres e democráticas.

Death Of The Turing Test In An Age Of Successful AIs: Mais do que questionar a validade do teste de Turing, a pergunta essencial é se devemos estar obcecados com a ideia de Inteligência Artificial generalista, com o desenvolvimento de uma mente digital capaz de substituir os humanos. Porque, enquanto nos preocupamos com uma questão especulativa e eventualmente possível, num futuro longínquo, multiplicam-se as ferramentas baseadas em algoritmos de IA restrita. Ferramentas que já afetam o nosso dia a dia, usadas em inúmeras indústrias, que ninguém classificaria como sendo verdadeiramente inteligentes mas estão a ser profundamente transformativas, bem como a ocupar espaço laboral humano: “Maybe asking if a machine can think, or even if it can pass for a human, isn’t really relevant. The ways we’re using them require only that they can complete their tasks”.

Meet the future weapon of mass destruction, the drone swarm: A evolução das capacidades dos enxames de drones, e os potenciais perigos éticos especialmente se acoplados a inteligência artificial.

Forgotten Tech — Self Driving Cars: O Hackaday recorda-nos que as tecnologias de veículos autónomos não são recentes, com a história das experiências académicas sul-coreanas neste domínio. É impressionante, ver que nos anos 90, já havia veículos experimentais autónomos nas ruas de Seul.

Modernidade e Inteligência

Contra a demonização da Aula: Há um modelo de pensamento sobre aprendizagem que coloca o “ensinar outros” como a forma mais eficaz de aprender, e o ler livros ou assistir a aulas tradicionais como as formas menos eficazes. Sempre foi um modelo que me incomodou, porque simultaneamente reforça e contraria as minhas experiências enquanto aluno e professor. Para ensinar, é preciso aprender, saber, sistematizar e encontrar uma forma de comunicar conhecimento. Mas e a base? Quando precisamos de aprender algo novo, são as bases que nos safam – o ouvir uma aula, ler livros, assistir a filmes e documentários. No entanto, isso é visto pelo lado mais populista das ciência da educação como algo ineficaz, e se há algo que é constantemente observado como ineficaz e bafiento é a aula tradicional. Nelson Zagalo desmonta brilhantemente estas ideias. Muito haveria para dizer sobre este texto – recomendo a sua leitura, fala-nos de alguns mal entendidos quando se fala do lado mais tradicional do ensino – a palestra do professor. Sublinho dois insights inesperados: a ideia de que a ânsia para transformar a educação usando o digital, trazendo para a educação as transformações que a tecnologia trouxe a outras áreas, esquece que a tecnologia alterou radicalmente os processos de produção e distribuição, mas não os de criação; e, ser difícil inovar a aula tradicional porque talvez tenha chegado ao seu ponto máximo de eficácia, faz bem aquilo para o qual foi criada e evoluiu – permitir acesso ao conhecimento de forma estruturada e adaptada a um público, de forma introdutória mas com variáveis níveis de complexidade, e criando as pistas para se evoluir na construção individual do conhecimento.

The Clever Architectural Feature That Makes Life on Bermuda Possible: Um exemplo intrigante de como usar arquitetura e materiais com inteligência para garantir conforto e sustentabilidade em zonas inóspitas.

What on Earth Is Amazon Doing?: As práticas laborais da Amazon são atrozes, um dos piores exemplos de integração de automação nos processos de distribuição, que trata o elemento humano como mero mecanismo. Ao assumir uma postura pública de confronto, a empresa está também a erodir a imagem da empresa como personalidade próxima dos seus clientes, uma fantasia de marketing que tem dominado a visão sobre as empresas de consumo. A versão mais recente são os insuportáveis anúncios a empresas com mensagens altruístas sobre a pandemia e a forma como a empresa se importa com as pessoas, uma ilusão publicitária para disfarçar a realidade da economia de consumo.

F-20 versus Lavi: The Tigershark, the Young Lion and the Viper: Um olhar para alguns projetos clássicos de aeronaves, criados na intersecção entre política e tecnologia. Aeronaves que nunca passaram dos protótipos.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.