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Nesta semana, os destaques vão para o clássico Mistério da Estrada de Sintra, as fantasmagorias como precursoras do cinema de terror, e o futurismo do século XIX. Descobre-se o projeto de deteção de sarcasmo da DARPA, o conceito de Memex, bem como robots e ambientes de programação para crianças. Recorda-se o Tiger Meet em fotografias, a distopia laboral da Amazon e o alastrar do iliberalismo. Para mais leituras intrigantes, sigam para as restantes Capturas da semana.

Ficção Científica e Cultura Pop

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Peter Goodfellow: Mais uma dose de estética delirante.

CAPAS (21) – DON LAWRENCE: Recordar a estética, em estilo clássico, do criador de Trigan Empire e Storm.

Lena: análise a uma intrigante edição que colige três obras de Pierre Christin, talvez dos mais interventivos argumentistas de BD francófona.

O Mistério da Estrada de Sintra (Eça de Queirós e Ramalho Ortigão): Um olhar para um dos mistérios clássicos da literatura portuguesa, a rocambolesca aventura na estrada de Sintra.

Uncredited 1963 cover art to Simulacron-3, by Daniel F. Galouye: Ficção científica como psicotrópico.

Dampyr & Dylan Dog: O Detective e o Caçado: Uma excelente análise à dupla Dyla Dog e Dampyr, cujo crossover acaba de ser publicado por cá.

Apparently the Brontës all died so early because they spent their lives drinking graveyard water: Água de cemitério? Credo, tão fantasmagoria vitoriana. No fundo, a questão tem mais a ver com as fracas condições de higiene e salubridade, que contaminaram os aquíferos.

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vintagegeekculture:Boris Vallejo: Ah, houve uma altura em que esta estética de mulheres semi-nuas e monstros alados era cool. Felizmente, evoluímos.

Tales from the Crypt: Robertson’s Phantasmagoria and the 18th Century Origins of Horror Cinema: Talvez não nos seja assim tão difícil imaginar o impacto que ver imagens projetadas no escuro faria nas pessoas do século XVIII. Recordam-se daquela vez que, ao interagir em realidade virtual, cinema 3D ou outra experiência mediática nova, sentiram uma sensação de assombro? Quase como se voltassem a ser crianças deslumbradas com o mundo?

“A vida elétrica” do futuro, imaginada em 1890: Recordar as ilustrações e obras de Albert Robida, que ao imaginar o futuro a partir da França de fin de siècle nos legou não só uma iconografia marcante, como visualizações do que se vieram a tornar tendências tecnológicas e sociais.

Jack Kirby: Coisas de Mestre.

Standard Ebooks, libros electrónicos gratis con un extra de calidad: É sempre bom descobrir projetos que disponibilizam gratuitamente (e legalmente) livros eletrónicos. Este vai um pouco mais longe do que o Projeto Gutenberg, e preocupa-se com o design e layout dos livros que disponibiliza, todos no domínio público.

Tecnologia e Crianças

Top learning apps for kids may not live up to their promise: Bem, não há grande novidade aqui. É muito raro haver apps educativas para criança que realmente sejam capazes de gerar aprendizagens complexas e abrangentes. Por uma razão: dá imenso trabalho desenvolvê-las, ou vêm de projetos académicos ou então os custos não estão ao alcance dos developers que trabalham para os ecossistemas das app stores. A esmagadora maioria das apps educativas são simplistas, meros jogos de memorização, empacotar de conteúdos decalcados de outros suportes numa app, ou ambientes de aprendizagem limitados. Há exceções, claro, que se inserem no conceito low floor, high ceiling introduzido por Seymour Papert, que permitem às crianças explorar, criar, e com isso aprender. Diria que há aqui outro fator em jogo: para a esmagadora maioria das pessoas, aprender é sinónimo de consumo passivo de conteúdos, algo que é das formas menos eficientes de realmente aprender.

From deepfakes to TikTok filters: How do you label AI content?: Não é uma questão de resposta fácil, mas com a proliferação de tecnologias deepfake, é uma que as plataformas online (e os media tradicionais) têm de colocar. Como encontrar forma de etiquetar, determinar e apresentar conteúdos falsos, de forma a que sejam reconhecidos como tal.

No sólo Scratch: 15 lenguajes y plataformas para enseñar programación en Primaria y Secundaria: Uma lista alargada, com alguns suspeitos do costume, e outras inesperadas, de aplicações que permitem às crianças (e não só…) aprender a programar, a desenvolver os seus próprios jogos e algoritmos.

The child safety problem on platforms is worse than we knew: O que não é nenhuma surpresa. Que as crianças dão facilmente a volta aos constrangimentos técnicos e legais das plataformas digitais não é nenhuma novidade. E de certa forma, tem um lado salutar, crescer também é isto, ter espaços de transgressão longe da supervisão dos adultos (no meu tempo era mais ir fumar e parvejar para detrás dos pavilhões de ginástica). No entanto, o digital traz consigo uma intensificação de outros riscos e perigos, especialmente no que toca ao assédio sexual de menores. Algo que, por muito defensores que sejamos da existência de espaços livres onde as crianças e adolescentes desenvolvam os seus códigos culturais, é totalmente inaceitável. A questão aqui talvez não esteja na monitorização das crianças, mas em mecanismos de deteção e denúncia rápida de situações impróprias (e sim, é possível haver algoritmos para isso…)

Battlestar Galactica Lessons from Ransomware to the Pandemic: A cibersegurança raramente é levada realmente a sério, ou seja, incorporada nos produtos, software e redes desde a sua génese. O resultado é o mundo digital onde vivemos, mais frágil do que aparenta e muito vulnerável a imensos tipos de ataque informático.

Why I am deleting Goodreads and maybe you should, too: Bem, não iria tão longe. Também sou daqueles que usa o Goodreads para rastrear as suas leituras. Mas percebo o ponto de vista do artigo, se a app se torna não uma ferramenta mas sim um vício de metrificação do prazer de ler, realmente algo está mal.

Bitcoin como desastre medioambiental: que sea el mayor despilfarro energético de la historia depende de su futuro: Tem sido um dos principais defeitos apontados às criptomoedas, a sobrecarga que criam sobre os sistemas energéticos. Alguns mitos, e algumas realidades, sobre este tema incontornável.

2021/05/06 Researchers Demonstrate Sarcasm Detector for Online Communications: Isto até pareceria piada, se não fosse por vir da DARPA. O objetivo é muito lógico: desenvolver sistemas automáticos de interpretação de tonalidades na voz, para que as máquinas consigam perceber o estado de alma das pessoas.

How the Personal Computer Broke the Human Body: Dos problemas de saúde ligados à ergonomia, ou falta de, no uso de sistemas digitais,

The Game Boy Camera is a fantastic low-res art tool: Parte do fascínio é mesmo este. Na era das imagens de alta resolução, quando até o telemóvel barato nos torna capazes de produzir imagens nítidas e de grande qualidade (numa combinação de lentes e software, a fotografia hoje é essencialmente computacional), há um certo encanto em gerar imagens, intencionalmente, com baixa resolução. Ou como transformar um brinquedo para crianças num meio de expressão plástica.

The Memex, the Manhattan Project, and the month of July 1945: Um daqueles conceitos que se viria a tornar central na nossa sociedade. O Memex, proposto por Vannevar Bush nos anos 40, falava-nos de uma máquina que nos permitia aceder e manipular qualquer tipo de informação. Essencialmente, o que cada dispositivo ligado à internet permite fazer, hoje.

HS’ Plotter (MIA): Um interessante artefacto de programação para ZX Spectrum descoberto pelo Planeta Sinclair, um blog que se dedica a preservar a memória digital dos programas desenvolvidos para este lendário computador. Uma aplicação de desenho, que permitia aos utilizadores criar arte no seu ZX. Aparentemente não era muito bom em termos de interface, e é uma dupla raridade: o programa em si é raro, e foi o único desenvolvido em Portugal na área do desenho digital.

Should I Automate This?: Uma questão a que muitas vezes respondemos “o tempo que demorarei a automatizar esta ação é superior ao que gasto nela”. No entanto, em boa parte das tarefas rotineiras, perder um bom par de horas a automatizá-las vai fazer ganhar tempo a médio prazo.

The Memex Method: Uma excelente reflexão de Cory Doctorow sobre a longevidade do ato de escrever um blog. Consigo rever-me nalguns aspetos, também já faço isto há bastante tempo. E, tal como Doctorow, percebi que a prática contínua da escrita a que um blog nos leva afia as nossas capacidades de síntese, análise e expressão. Manter um blog é uma forma fácil, mas trabalhosa, de vencer o medo de ter uma presença pública. Mas, essencialmente, é ter uma espécie de mente externalizada, onde se analisa, recolhe, e reflete.

As paranóias das eliminações automáticas no Blogger: A eficiência algorítmica tem destas coisas, colide muitas vezes com a ética mais elementar. Para quem usa plataformas como o Blogger para albergar os seus conteúdos, este tipo de notícias arrepia. De um momento para o outro, sem razão aparente nem capacidade de apelo, o que publicámos pode ser eliminado por decisão da plataforma.

China Becomes Third Nation to Successfully Land Rover on Mars: Foi fascinante ver a China a juntar-se ao grupo de exploradores marcianos, com o seu primeiro rover na superfície do planeta vermelho.

Busy Being Born: Um retrato fascinante, em polaroids, das capacidades gráficas dos primeiros sistemas da Apple. Artefactos que nos mostram um retrato da evolução dos gráficos computacionais.

Google revives RSS: Isto recorda os velhos tempos em que havia o Google Reader, que a empresa eliminou. Afinal, quem lê conteúdo via RSS não clica em links nem acede a páginas com bloatware, cookies e rastreadores, ou seja, não alimenta a economia digital. É curioso ver uma nova aposta, embora tímida, nesta forma de obter conteúdo digital. Que, confesso, é a minha favorita. Se me perguntarem que apps são imprescindíveis para o meu dia a dia, o leitor de RSS está na primeira posição.

Sphero indi Brings Robotics to Pre-Kindergarten: Mais um robot para estimular aprendizagens de pensamento computacional nas crianças, destinado aos pequeninos. De facto, para prepara as crianças para o mundo tecnológico em que irão viver, não existe tal coisa como demasiado pequeno para robots (existe, claro, tal coisa como o “não passar tempo excessivo com as crianças a interagir apenas com meios tecnológicos”, mas isso é outra conversa).

Chinese Rover Sends Back First Photos From Surface of Mars: As primeiras imagens do rover chinês em Marte. Porquê? Porque não existe tal coisa como excesso de imagens da superfície marciana, é sempre um deslumbre contemplar aquela magnífica desolação avermelhada.

Project Guideline: Enabling Those with Low Vision to Run Independently: Um espantoso projeto de tecnologia capacitiva/assistiva, que cruza mobilidade, visão computacional e aprendizagem automática para dotar pessoas com baixa visão de meios tecnológicos que lhes permitam um dia a dia mais normal.

Modernidade

European Space-Ody: É impossível não sorrir com esta cover de uma canção bastante bem conhecida dos Queen, levada a cabo pelo clube de música do centro de operações espaciais da ESA. Brilhante, e um curioso insight sobre como os projetos da ESA no espaço são controlados. Atentem ao cameo de uma certa personalidade que deu cabo dos memes “isto não é rocket science” e “isto não é teoria musical”.

Este museu de arte urbana é provisório e ficará na cidade até julho: Uma boa desculpa para ir à LX Factory, parece-me. Esta exposição reúne artefactos de arte urbana em várias salas do local.

Take A Look At These Amazing Photos Of Yesterday’s NATO Tiger Meet 2021 Spotter Day: Belíssimas fotos, um mimo para quem é fã de aeronaves, mas diria que o F-16 português com o esquema de cores Tiger é o merecido centro das atenções.

Augmented Exploitation. AI, Automation and workers who fight back: Um livro sobre duas faces da economia algoritmizada – as tendências de gestão desumanizadoras, e a forma como os trabalhadores hiperprecarizados encontram maneiras de dar a volta aos algoritmos.

The New ‘Right Stuff’ Is Money and Luck: Da dissonância cognitiva trazida pela progressiva democratização do acesso ao espaço (se bem que por acessibilidade, falamos de quem tem dinheiro suficiente para pagar o bilhete para ir ao espaço). O conceito de astronauta, hoje, diverge e muito da visão heróica dos primórdios da exploração espacial.

Amazon’s New ‘AmaZen’ Program Will Show Warehouse Workers Meditation Videos: Como resolver o problema da desumanização laboral na Amazon? Pagar melhores salários? Melhorar as condições físicas de trabalho dos trabalhadores de armazém, obrigados a turnos de esforço intenso repetivio cronometrado, ou de distribuição, estes tristemente famosos por terem de urinar em garrafas para que o ir à casa de banho não os prejudique num sistema de distribuição onde os algoritmos controlam tudo ao segundo? Nah, vamos fazê-los ver vídeos zen. É impossível sublinhar o quão distópico que isto é.

Yes, lockdowns were good: Os confinamentos pandémicos provocam um tremendo dano na economia, certo? Talvez não. Os dados indicam que não há diferença na diminuição das atividades económicas em zonas que confinaram, fechando os estabelecimentos e empresas, e zonas onde se manteve tudo aberto. A razão é simples: o que leva as pessoas a evitar frequentar estabelecimentos é o medo de contágio, que é independente de haver ou não confinamentos. Aliás, os dados vão mais longe, e apontam que em zonas onde não houve confinamento (mas há pandemia ativa), a recuperação económica demora mais tempo, porque o número de contaminados nas ruas é maior. Talvez tenha sido esta a lógica por detrás do nosso recente confinamento, que praticamente paralisou setores inteiros da economia e sociedade, muito para lamentação destes. Mas agora, com os números da pandemia controlados (se é que uma situação destas será possível de ser controlada, geridos talvez seja o conceito mais apropriado), percebe-se que o país pode abrir mais, e com isso dar capacidade à indústria do turismo, que certamente não poderia atrair turistas, especialmente do estrangeiro, se os números pandémicos continuassem elevados.

The Darkness: Do alastrar dos nepotismos e autoritarismos, mesmo nas sociedades democráticas. A tradição de liberdade em que a democracia ocidental está a esboroar-se, vítima de múltiplas influências. Teme-se pelo futuro que espera as crianças de hoje, se este resvalar continuar.

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Da Robótica ao Pensamento Computacional: Educação para o Século XXI

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.