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Esta semana, destacamos sugestões cinéfilas de John Waters, tradições fantasmagóricas de natal (tenho um M.R. James por ler e a noite da consoada parece-me excelente para o fazer…), e uma nova revista espanhola dedicada à literatura fantástica. Fala-se do paradoxo da falta de interoperabilidade entre plataformas na comunicação digital, das redes digitais low tech afegãs e da GauGAN2. Olha-se para a arte milenar do vidro, o impacto do comércio marítimo na poluição, e recorda-se as Guerilla Girls. Outras leituras vos aguardam, nas Capturas da semana.

Ficção Científica e Cultura Pop

A recent work from 70s artist Jim Burns: Um nome clássico, que ainda cria fantásticas ilustrações.

Reddit user wants to know what X-Men comics to read to “avoid the woke stuff”: Pois, certo. Quem é que lhe diz que o melhor é evitar tudo o que tenha a ver com os X-Men? Desde a sua criação, estes heróis sempre funcionaram como metáfora para o ser diferente, para simbolizar quem não se sente bem na sua pele. Quaisquer que sejam as razões, das dores de crescimento da adolescência a questões de identidade e género. Não é por acaso que estes personagens são, como Douglas Wolk aponta no seu Marvels, significativos para as comunidades LGBTQ. Epítetos de wokismo (ou inserir aqui ideologia da moda) à parte, os X-Men sempre foram um símbolo do progressismo, e de como usar a literatura popular para abordar temas sensíveis.

Making of ‘Dune’: How Denis Villeneuve’s Sci-Fi Epic Is the Culmination of a Childhood Dream: Ainda é fixe falar de Dune? Claro, o filme está a ter um impacto tremendo. Neste mergulho a fundo, descobrimos muitas das motivações de Villeneuve no desenvolvimento desta obra marcante da Ficção Científica. Um cuidado que é notório, para quem viu o filme.

JOHN WATERS’S BEST FILMS OF 2021: Uma lista de filmes criada por Waters… preparem-se, não serão obras insossas e melosas de entretenimento. São filmes incómodos, chocantes e desviantes. Não são filmes para sweet summer childs.

Nicolas Cage Is Dracula! Stop the Presses! Nicolas Cage Is Dracula!: Sim, mas porquê? E teremos direito a um Cage genial ou canastrão? Este ator é famoso precisamente por isso, tanto ser brilhante em filmes discretos como canastrão em super-produçóes ou obras silly que pagam as contas.

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Photo: Sem autor identificado, a fazer recordar cenas dos filmes Star Wars.

ON THE LOST CHRISTMASTIME TRADITION OF TELLING GHOST STORIES: Diga-se que o natal é uma excelente altura para enfrentar o sobrenatural. É o pico do inverno, quando as noites são mais escuras, longas, geladas e tenebrosas.

Klaus Bürgle, “Man on the Moon,” 1958: Estamos quase a um século destas visões não se realizarem.

A Shang-Chi outtakes, bloopers, and gag reel: Fui ver este filme num dia em que precisava de desligar o cérebro e divertir-me com uma boa dose de cinematografia Marvel. Não saí desiludido, com a ação e a estética. Só achei estranho a inflexão estética, na sua versão original Shang-Chi tem um visual mais agressivo, diretamente inspirado em Bruce Lee e no cinema de Hong Kong. Há que agradar à sensibilidade millenial (não levo a mal, adaptar-se aos gostos é um dos elementos que mantém os comics relevantes e não estagnados), e o ar pesado das artes marciais dos anos 70 deu lugar a um visual mais normal, o protagonista nem parece um atlético mestre do kung-fu. Entretanto, circula por aí uma comparação do rosto do herói do filme com a cara de Xi Jinping, o ditador chinês. Talvez não seja uma imagem apócrifa, no cinema nada é deixado ao acaso e uma certa similaridade entre o ator e o ditador pode ter sido uma jogada intencional para garantir o acesso ao mercado chinês.

BIENVENIDOS A PRISMA: Uma nova revista online espanhola, dedicada à literatura juvenil e fantástica.

Tecnologia

Years Later, Alphabet’s Everyday Robots Have Made Some Progress: A divisão de robótica da empresa que detém a Google tem demonstrado interessantes conceitos e protótipos de robots colaborativos, capazes de interagir em ambientes humanos.

UE pode obrigar apps de mensagens a falar umas com as outras: Por acaso, ultimamente tenho dado por mim a pensar nisto. Como me envolvo em vários projetos educativos, dou por mim disperso em múltiplas plataformas de comunicação. Alguns projetos requerem o Teams (esse cancro!), outros o Workspace, alguns cruzam email com messenger e Whatsapp. Ainda há que contar com as streams via YouTube (as restantes plataformas, tipo Slack, Discord ou Twitch não ganharam tracção no mundo da educação) e temo os dias em que tenho de usar o bloatware da Cisco, ou o fóssil que é o adobe Connect. Estão a ver o problema, certo? Múltiplos logins, informação dispersa, múltiplas apps e plataformas. Suspeito que faz falta ao mundo da comunicação digital interoperabilidade, com ligação fácil entre diferentes plataformas. O que fazemos hoje parece fazer sentido, até nos recordarmos que não usamos um telemóvel específico para ligar para cada rede. Claro que as tecnológicas se irão opor a eventuais tentativas de interoperabilidade, afinal, o modelo de negócio  delas não é pôr-nos a comunicar, mas sim espremer o máximo possível de dados a partir das nossas comunicações.

Surviving the Robocalypse: Uma análise ao medo da robótica no mundo laboral, sob o ponto de vista das vantagens trazidas pela colaboração entre robots e humanos.

The Future and the Past of the Metaverse: Os metaversos, agora novamente na berlinda graças à manobra de marketing distrativo do Facebook, sempre oscilaram entre promessas de utopia e distopia. A corrente variante comercial tem zero preocupações éticas, o que a torna muito próxima de uma distopia. O inferno, será a banalidade de um mundo virtual na estética rede social.

Can Afghanistan’s underground “sneakernet” survive the Taliban?: O mundo discreto das redes low tech de disseminação de conteúdos digitais para zonas remotas, agora a enfrentar a ameaça do obscurantismo. Há que apreciar o elan de um destes facilitadores de conteúdos, que observa que não teme os Taliban por ser uma pessoa do século XXI, face a adversários que vivem no passado.

Northrop Grumman proposes lunar rover for Artemis program: Para já, em modo de desenvolvimento tecnológico, esperando que o projecto Artemis nos traga, realmente, um regresso à Lua.

El Air 4 de Renault es la suma de querer un eVTOL y recordar la época de los coches clásicos de la compañía: Os drones de transporte pessoal geralmente têm o problema da carenagem. Ficar sentado rodeado de hélices em rotação não só parece desconfortável, mas indutor de corte de passageiro às fatias em caso de eventual acidente. Uma ideia pode passar por reaproveitar habitáculos de automóveis.

Interesting research, but no, we don’t have living, reproducing robots: Tem feito alarido, a notícia que cientistas teriam sido capazes de criar organismos que se auto-reproduziam. É verdadeira, mas tem sido mal interpretada, com algum excesso de entusiasmo. O Ars Technica mergulha a fundo nesta investigação.

Esta inteligencia artificial de NVIDIA “pinta” fotos mientras hablas: A Nvidia atualizou a GauGAN para incluir inputs textuais; de certa forma (mas não quero apontar o dedo, correndo o risco de ser injusto), incorporando na GauGAN o trabalho independente que tem sido feito na integração de algoritmos VQGAN e CLIP.

What Can the Metaverse Learn From Second Life?: Bem, primeira lição: tudo o que agora parece novo e fascinante, apenas repete ideias que estão agora no terceiro pico de popularidade. Mesmo o argumento “talvez agora seja diferente, porque a tecnologia de suporte evoluiu”, é repetido.

It’s Nice Having Someone To Talk To: Naqueles momentos em que nos sentimos mais solitários, é bom saber que se pode soldar e programar uma companhia que reage às nossas ações.

Mundo de Modernidade

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Our Ancient Attraction To Glass: Do fascínio com a policromia do vidro. A peça de vidro vinda do antigo Egipto que ilustra o antigo é de uma beleza soberba.

Giving Cameras to Kids as Tools of Self-Exploration: Um projeto artístico interessante, que explora a imagem e a construção de estéticas. E leva a refletir na forma banal como nos esquecemos que, nos dias que correm, andamos todos com poderosas câmaras fotográficas no bolso, mas raramente pensamos em como tirar partido do seu potencial estético. Algo que, diga-se, para muitos nem sequer é preocupação.

End Of Times – Identifying The Anthropocene: Pensar os sinónimos de antropocénico, como forma de refletir sobre as suas causas humanas.

Beijing Keeps Trying to Rewrite History: Hong Kong está a sentir na pele o significado de estar sob domínio chinês, as suas liberdades tradicionais estão continua e progressivamente a ser eliminadas pelo governo chinês. Os ativistas lutam, mas é claramente uma guerra perdida, e o mundo assiste. Autoritarismo assente em repressão  e tecnologias de vigilância para controlo social é a fórmula que sustenta o governo chinês.

This Mystery And Credit Of “Norwegian Wood” Unraveled: Confesso que saber que uma das canções dos Beatles que suporta o teste do tempo, afinal celebra as aventuras sexuais extramaritais de Lennon, tira-lhe um pouco o lustre. A canção é código para a descrição das aventuras sexuais do músico, que as queria manter escondidas da esposa. Olhando com atenção, escrever uma canção sobre isso talvez não seja a melhor forma de manter discrição.

Amazon and Target play ‘outsized’ role in port congestion and pollution, report finds: Não há aqui grande surpresa, perceber que os maiores retalhistas do planeta são dos principais responsáveis pela poluição vinda dos transportes marítimos.

How The Guerilla Girls Got Their Groove: Este lendário grupo de artistas dos anos 80 dedicaram-se a combater o desequilíbrio de representatividade no mundo artístico. E fizeram-no com estratégias de guerrilha cultural, com muito humor.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.